Nao Chega aos meus Pes
A melhor forma de ninguém se magoar com os meus comentários sobre política é só fingir que não me leem e não me responder com malcriações. Eu escrevo para alimentar o meu próprio ego e tentar melhorar o pensamento.
Há flores de Gaza
nos meus cabelos
em tempo de trégua,
Não me distraio
nem por sutil enleio;
A paz faz morada
em mim e forajo
de todo desnorteio.
Para receber o teu
amor me preparo
a todo momento,
Faltam poucos dias
para a Lua Cheia
e você ainda não veio,
Sim, pétalas foram
levadas pelo vento;
Que não nos surja mais
outro mau engendro
te quero com exagero
e espero além do tempo.
Prenderam o campesino,
não soltam o velho tupamaro,
e os meus versos estão em disparo.
Nenhuma notícia de Justiça,
não soltaram os presos de consciência,
não gostaria de escrever só crítica.
Não dá para ter um repleto Natal,
nada se sabe quando vão
libertar a tropa e o General.
No Presépio do coração faltam:
o perdão, a esperança, a reconciliação;
e levar de volta para casa quem saiu
pelas estradas, ares e mares da imigração.
Por um mundo mais justo, amável e respirável...
Discutem cifras
de quantos são
os meus irmãos
em imigração,
Não importa se
são um, dezenas
ou quatro milhões;
Quando um filho
deixa a sua Pátria
por qualquer que
seja a carência,
O problema é
de todos que não
estenderam a mão
para ajudar
com benevolência.
Se imigrante este
irmão de continente
em diáspora
aqui se encontrar,
Aqui ele será
bem recebido,
Neste mundo até
quem tem faz idéia
nasceu peregrino;
Por isso comento
e não esqueço
de nenhum povo
que de dor padece:
o egoísmo tornou
La Guajira um
lugar esquecido.
Perguntam onde
está o General,
Pois dele não se
sabe o paradeiro,
Se vivo está e se
encontra inteiro;
Ontem também
e segue sendo
o questionamento
dos membros
do movimento,
E a única coisa
que posso fazer
é rezar em silêncio.
Não são meus filhos,
todo mundo sabe disso,
mas sinto como fossem;
esses tantos filhos
que partiram para
o plano astral,
filhos adoentados,
filhos em diáspora,
filhos que se encontram
presos injustamente
e incomunicáveis,
filhos que são pais,
e filhos distantes dos pais.
A minha especial
preocupação são
com as estrelas,
não aquelas que
se colocam nos ombros,
mas as que nasceram
para viver grudadas
para sempre no coração,
Por saber da vileza
do mundo: por elas não
canso de pedir o diálogo,
a paz e a reconciliação
em nome da merecida
e justa libertação.
Chegou o tempo de olhos
voltados para o céu,
joelhos dobrados,
mãos coladas
em gesto de oração,
corações curados
e plena superação.
Se você acha
que calar
é melhor,
Não acha
que os meus
versos fazem
sentido,
Não poderá
se queixar
quando
você não for
mais ouvido.
Não preciso de
dias ensolarados
ou enluarados
para ver com
os meus olhos
a soberba a pé
me encarando
como se fosse
gente agindo
para despejar
diariamente
o seu lixo para
tentar forçar
um desconforto,
Neste mundo
onde campos
que têm arbustos,
e outros tipos
vegetação são
chamados de
campos sujos,
nós podemos
exigir o quê?
Onde se ensina
o fel da língua
para as gerações
mais novas,
e muitos vivem
entrincheirados
na inveja, cobiça,
mentira, ofensa
e arrogância
sem cessar
conspirando
além do tempo
pela destruição
da vida alheia;
Neste mundo
que nomeia
de campos limpos
os campos que
perderam toda
a originalidade
como verdade
de fato fosse,
sempre forçando
convencer de tudo
que é equivocado,
no final do dia
só sei que cada
um que se esforça
para isolar e destruir
por onde passa
acaba me divertindo.
Há um romance
escrito à mão
que não mais
saiu da cabeça
nem mesmo
quando fecho
os meus olhos.
Arcturus linda
como um
rubi brilhante
que ora surge
como um
diamante
alaranjado,
Surgiu bem
na noite de luar
para me dar
o seu
erótico recado:
Há um romance
escrito à mão
que não há
como ocultar
no meu peito
e por todo
este nosso lugar.
Nunca recusei
qualquer coisa
para o teu charme,
Você ainda está
se divertindo
com a minha
louca fantasia
e fascinando
todas as garotas
da nossa cidade.
Há um romance
escrito à mão
que previa
que você viria,
e como uma
grata surpresa:
você reapareceu.
Você envolvente,
convenceu
novamente
e me levou
neste lindo carro
cor de moldavita
para ensinar
os segredos
dos vinhos
e da Lua,
lá na Vinícola.
Sem fazer esforço
de olhar para trás,
Não há como não
enganar a ninguém
que meus cabelos
são como cavalos
soltos por Karabakh;
Renunciar quem eu
sou nem o destino
pode mais me negar,
Ser diferente de quem
sou por amor ou razão
não posso me mudar.
Não doem os meus
ouvidos os gritos
dos excluídos,
A cada dia fazem
mais vivo
o meu coração
rendido aos ecos
do meu apego
ao solo sagrado,
Escrevo mesmo que
não seja escutado:
Convivendo no meio
de um oceano
de presos políticos.
Não há como fingir
e dizer que há
como ver o eclipse,
o ideal era ficar
esperando pela
passagem das nuvens.
Correndo contra
o tempo para
tentar encontrar
os desaparecidos
mesmo sem saber
quem eles são,
Sem ter como
cuidar dos feridos
E ciente de que há
quem anda sendo
processado por
exercer a missão.
Não há como fingir
que há justiça
para uma tropa
e um General,
e contra eles
sobra a covardia.
A paz vem sendo
todo o dia asfixiada
a base de golpes,
Lares retalhados,
A inteligência
vem recebendo
advertência pública
Estamos sitiados
por irregulares
grupos armados,
por mil pensamentos
todos os dias dolarizados
e por muitos que querem
os povos indígenas despojados.
Não sei quem começou,
só sei que não devia
ter nem começado,
os meus pertences foram
espalhados e o meu abrigo
foi brutalmente incendiado.
Fugi da Ditadura para ir
para Pacaraima para
ultrapassar muito
além do nervoso,
agora estou aqui
sem sequer reagir,
e sem nenhuma ação
por aquilo que não
tem perdão por
causa de gente
sem amor no coração.
Só sei que tenho que ir,
porque tenho um
futuro para construir,
não foi por escolha,
mas foi por circunstância
insuportável a me exigir.
Deixar-te livre para o descanso
Significa que te quero refeito
E não longe de meus afetos,
É imperativo que carrego
Porque te quero inteiro;
Para que você venha pleno
Do espírito de [recomeço].
Aceito os teus cansaços,
A necessidade de oxigênio,
E da tua respiração
Retiro versos inéditos
Como encontro de regaços.
Deixando-te livre para o voo,
Confiante no teu retorno:
Entregarei os versos retirados,
Para que os sinta aconchegados,
E em cada parte do teu corpo
Venha emitir arrepios requintados.
Os meus poemas sempre repletos,
- e incorretos
Não menos poemas e tão secretos,
- inteiros
Sempre tão cheios de solidão,
de mares, de lugares e de paixão,
São na totalidade uma declaração
de uma pomba que pousou na tua mão.
Eu tive que cantar, contar e escrever,
Os meus poemas se espalham por aí,
e eu bem aqui nesta tarde com luar
- mais uma vez -
ao encontro do sol beijando o mar.
Os meus dias vivem a te esperar,
Eu sou a tal orquídea a se 'abrir',
é deste jeito vivo a perfumar...,
- todos os dias -
Até você voltar (para mim).
Não paro de percorrer
Com os meus olhos,
Que não são mais meus,
Sim, eles são tão teus.
Não devo ir adiante
Com o meu intento,
Até ser alvorada,
Por tua mão colhida,
Não sei se sou a flor
Mais bela ou preferida.
Não paro de correr
Com as minhas letras,
Pois elas são as pernas,
Que por ti dobrarão,
Aqui elas por ti estão.
Não sou mais a mesma,
O poente dança em mim,
As nuvens são de cetim,
Eu sou violeta pequenina
No teu imenso [jardim].
Reticências num pensamento vazio nesse mundo que não consigo entrar, apenas observo o que os meus olhos conseguem enxergar...
TRAGA MEUS SONHOS...
A porta está encostada
E não precisa bater…
Entre…
e traga todos os sonhos
que não consegui viver…
Por que?
-São meus e voce os levou
sem nada dizer…
Eu acredito naquilo que vejo…
mas às vezes eu não quero acreditar…
que como é fugaz crer em meus pensamentos…
aí eu percebo que são apenas criações daquilo que penso...
Viver e lutar
Vivo perdido, sem direção; os meus passos seguem caminhos que não estão me levando a lugar algum; preciso de ajuda; quero sair da escuridão, não aguento mais andar atrás da minha sombra; quero vencer os meus medos e as minhas incertezas sem ter que rastejar ou implorar por socorro ou por perdão; cansei de andar de joelhos buscando respostas; quero pegar os grãos de areia que forem necessários para construir um espelho que possa me mostrar o que tenho que fazer para o meu futuro ser de batalhas vencidas e glórias merecidas; o meu passado será esquecido, o meu presente viverei um dia de cada vez com a força de um leão, a visão de uma águia e a inteligência de um homem que veio para deixar o seu nome marcado na história.
Confia no amor e vai!
Não posso ignorar a força de vontade dos meus sentimentos, tento vigia-los e controla-los, mas as minhas motivações são indiferentes ao que pode me fazer sofrer, não a repouso nos meus dias e nem sinais de como devo agir na minha jornada solitária rumo ao que floresce de forma acelerada, espantosa e esperançosa dentro de mim.
Sobre o teto da dúvida, o amor se cria ganhando coragem, ele derruba sem piedade os medos e as incertezas e levanta muros intransponíveis contra o sofrimento. Então, confiando no que a de mais nobre e poderoso no universo eu estendo minhas mãos e vou...
