Muros
Desconstruir muros é infinitamente mais complexo do que edificar castelos, pois na ordem dos acontecimentos retirar os entulhos de nosso "eu" demanda tempo e muito esforço, sendo melhor mesmo evitar as barreiras que não precisam ser erguidas..
Não sei quando finda
Uma ou outra estação
Mas sei que é primavera
Quando muros se cobrem
De Heras e um botão de rosa
Aparece na janela.
E minha alma ri
Porque tão logo
Estará ali.
_Saudade das horas
em que as heras violam nos muros
Todos os espaços vazios
Então, vem me traz, outra vez
a primavera!
"Que o nosso coração seja profundo, sábio, forte e capaz de superar todos os muros, principalmente, o muro que muitas vezes somos obrigados a construir em torno de nós mesmos".
malmequer negro
percorro pulsante o corredor
de pés mudos como muros
ergo o intransponível crânio
nascendo e dormindo prescrito
adio a translúcida sibilância
malmequer fulgente e negro
que levo ao peito como um sabre
recito pelo adejar rítmico dos lábios
salmos rituais ossos barro pó
fulgurante translação das veias
arde-me o míope sangue vertical
escorrendo pelo lantânio e lutécio
hei-de criar pedra sobre pedra
farei da luz dois vítreos ciclopes
pousarei nos pilares de hércules
a incorpórea maldição dos deuses
e levitando andarão as testas
dos homens e deuses
dos deuses homens
sit tibi terra levis[1]
requievit in pace.[2]
[1] que a terra te seja leve
[2] descansa em paz
(Pedro Rodrigues de Menezes, "malmequer negro")
Sozinha no escuro sem ninguém para te proteger. Nada do lado de lá dos gigantescos muros... O que você pode fazer?! Os teus olhares fixos para as sombras do além! As tuas trêmulas mãos segurando um crucifixo... Não há anjos. Não há ninguém. É somente você por você mesmo. Então diga amém! O vento uiva incessantemente, as folhas balançam em árvores tortas... E tudo fica estranho e sombrio de repente. Algo pertuba ainda mais a tua mente. O vento faz estremecer as janelas, bate a porta, sacode as cortinas... Lá fora em meio a neblina você vê uma aparição - É uma imagem tua no corpo de uma virgem morta. Um grito no escuro... sem ninguém para te proteger! Nada além dos muros! O que você pode fazer?! Passos na sala. A noite se cala. Na parede uma suja e torta cruz. Na mesa descansa um castiçal e um antigo rosário... Através de um espelho enigmático que ao além te conduz por um caminho longo estreito e solitário você tem um deslumbre e vê um raio de luz - um momento imaginário! Noite macabra de lua cheia! Rasgaram com garras afiadas a tua fetida mortalha. Um sangue negro agora emana das tuas gélidas veias. A praga da noite rapidamente se espalha por entre almas assustadas e cheias de falhas. Vagueia um ser obscuro atrás de você! Sozinha no escuro sem ninguém para te proteger!? O que você pode fazer?!... Cansada de correr, o teu corpo cai ao chão. Quem vai te proteger?! Quem vai lhe dar as mãos?! Chuva, raio, trovão... O que pode acontecer?... A tua face parece que envelhece a cada segundo... A tua alma emudece como se você estivesse em um sono profundo... Recolha as tuas flores...Recolha as tuas dores E vá para o teu leito vazio! - Onde tudo é ainda mais estranho e sombrio! Não há para onde correr!... Você não pode se esconder!... Quem vai te proteger!? O que você pode fazer!?...
Não construa muros em seu coração. Tudo o que fizer, sempre faça com amor. Ponha as asas contra o vento, não há nada a perder.
O amor ego não se sustentam
por muito tempo...
Ao invés de eu construir muros do orgulho
Prefiro erguer pontes e estreitar laços
Minha vida
Paredes brancas.
Muros desbotados.
Céu nublado.
Sol apagado.
Há um aconchego pairando no ar.
Está tão fácil respirar...
Ando pelas ruas vazias.
A chuva que passou tudo lavou...
Tudo levou.
Entrelinhas da vida.
Em poucas palavras resumida.
Há risos
Melhor sinfonia da vida.
A tristeza que vigorou ontem foi apagada... esquecida.
Ressignificada hoje a minha vida.
(A triste distância do amor)
Mais que os Quilômetros,
Mais que os rios,
Mais que os muros também,
Mais que as limitações físicas,
Mais que o contraponto de ideias,
Mais ainda que a covardia,
Mais que tudo isso,
O que nos separa,
O que nos impede,
O que nos embarga,
É simplesmente a dura e pesada mão do destino.
Ainda que moras ao Sul,
E eu vá ao seu encontro,
Pareces ir ao Norte.
Ainda que estejas ao lado,
O lado ganha distâncias inalcançáveis.
Ainda que pareças estar debaixo do mesmo teto,
Esse teto se tornar o céu,
Tão gigantesco e vasto,
Quanto o amor que sinto por você.
Há flores pelo caminho.. e espinho nas calçadas... Há pedras por todos os lados e existem muros, existem pontes e existem asas .
Você não escolhe o caminho... Mas pode escolher como superá-los...
As palavras criam laços, repelem,
São pontes que unem, ou muros que ferem.
Em um sussurro suave, trazem paz,
Mas, em tempestades, a guerra se faz.
Ah, se as pessoas soubessem o poder,
De uma palavra que nasce ao nascer do ser.
Cada som é um toque, um gesto, um sentir,
Capaz de acolher ou de destruir.
Com cuidado, uma palavra floresce,
E no silêncio, a alma aquece.
Mas no descuido, sem rumo ou direção,
Elas se tornam lâminas, ferem o coração.
Por isso, cuide do que você diz,
Pois em cada frase, o mundo se refaz, ou se desfaz.
As palavras são sementes de algo maior,
Que podem criar amor... ou alimentar o rancor.
quebra palavras contra os muros;
escreve entre quatro paredes,
mas no quarto há uma rachadura,
por onde entra a voz do povo.
Ah, quem dera a vida fosse outra,
Sem muros ou cercas,
Sem guardiões e descabidos horários.
Sem frias regras e olhares condenatórios.
Ah, quem dera a vida fosse outra!
Não desgrudaria de você
Seríamos café partilhado, almoço servido e jantar rendido.
Seríamos olhar demorado e abraço apertado.
Mas, como a vida é essa, te amo assim:
Além dos muros,
Mais forte que as cercas,
Driblando os guardiões
E desobedecendo aos horários.
Só para ao teu lado, ainda que por alguns instantes,
acreditar que é possível um amor
que faz o coração da gente bater mais forte.
Liberdade é tesouro para quem sabe limitar-se: que o espírito voe, mas sempre atento aos muros que o cercam. Não pises nas fronteiras alheias, pois, no afã de liberdade, podes atrair mais perigo do que paz. Quem muito se solta, muitas vezes se expõe.
