Muros
"As barreiras da vida não estão lá...
... é quando perdemos as esperanças que os muros se levantam!"
Construa pontes e não muros,
na sua vida,
em seus relacionamentos.
Os muros protegem, e isolam.
Os muros alimentam nossa zona de conforto,
alimentam nossas fraquezas e medos,
não nos dando a chance de crescer e evoluir.
Pontes são ligações.
Interligam pessoas. Lugares.
Ligações são conexões.
Conexão é força.
Construa pontes e não muros.
É importante identificarmos se temos construído pontes ou erguido muros, quando no natural de cada dia agimos naquelas posturas despretensiosas e quase imperceptíveis que acabam por desenhar quem somos de verdade..
Refúgio não é erguer muros, só estamos verdadeiramente protegidos quando aprendemos a mergulhar em nosso interior em busca de autoconhecimento.
Os muros podem desabar, as correntes podem se romper, mas a força familiar continua com seus alicerces intocáveis
O sorriso apaga nuvens de chumbo, desmaterializa muros cinzentos e constrói pontes de esperança.
Valnia Véras
Às vezes, no intuito de nos proteger, erguemos muros altíssimos ao nosso entorno, ao redor dos nossos sentimentos, das nossas emoções e cada vez que alguém tenta derrubar esse muro, mais o reforçamos, mais o elevamos até que ele se torna impenetrável. Tudo bem, muros protegem, ninguém entra em nossa vida, ninguém nos decepciona, ninguém nos machuca, mas no fim percebemos que tivemos uma vida medíocre, sem emoção, sem nada de ruim, mas também sem nada bom e o que é pior, sem nada para recordar.
Desconstruir muros é infinitamente mais complexo do que edificar castelos, pois na ordem dos acontecimentos retirar os entulhos de nosso "eu" demanda tempo e muito esforço, sendo melhor mesmo evitar as barreiras que não precisam ser erguidas..
Não sei quando finda
Uma ou outra estação
Mas sei que é primavera
Quando muros se cobrem
De Heras e um botão de rosa
Aparece na janela.
E minha alma ri
Porque tão logo
Estará ali.
_Saudade das horas
em que as heras violam nos muros
Todos os espaços vazios
Então, vem me traz, outra vez
a primavera!
"Que o nosso coração seja profundo, sábio, forte e capaz de superar todos os muros, principalmente, o muro que muitas vezes somos obrigados a construir em torno de nós mesmos".
malmequer negro
percorro pulsante o corredor
de pés mudos como muros
ergo o intransponível crânio
nascendo e dormindo prescrito
adio a translúcida sibilância
malmequer fulgente e negro
que levo ao peito como um sabre
recito pelo adejar rítmico dos lábios
salmos rituais ossos barro pó
fulgurante translação das veias
arde-me o míope sangue vertical
escorrendo pelo lantânio e lutécio
hei-de criar pedra sobre pedra
farei da luz dois vítreos ciclopes
pousarei nos pilares de hércules
a incorpórea maldição dos deuses
e levitando andarão as testas
dos homens e deuses
dos deuses homens
sit tibi terra levis[1]
requievit in pace.[2]
[1] que a terra te seja leve
[2] descansa em paz
(Pedro Rodrigues de Menezes, "malmequer negro")
Sozinha no escuro sem ninguém para te proteger. Nada do lado de lá dos gigantescos muros... O que você pode fazer?! Os teus olhares fixos para as sombras do além! As tuas trêmulas mãos segurando um crucifixo... Não há anjos. Não há ninguém. É somente você por você mesmo. Então diga amém! O vento uiva incessantemente, as folhas balançam em árvores tortas... E tudo fica estranho e sombrio de repente. Algo pertuba ainda mais a tua mente. O vento faz estremecer as janelas, bate a porta, sacode as cortinas... Lá fora em meio a neblina você vê uma aparição - É uma imagem tua no corpo de uma virgem morta. Um grito no escuro... sem ninguém para te proteger! Nada além dos muros! O que você pode fazer?! Passos na sala. A noite se cala. Na parede uma suja e torta cruz. Na mesa descansa um castiçal e um antigo rosário... Através de um espelho enigmático que ao além te conduz por um caminho longo estreito e solitário você tem um deslumbre e vê um raio de luz - um momento imaginário! Noite macabra de lua cheia! Rasgaram com garras afiadas a tua fetida mortalha. Um sangue negro agora emana das tuas gélidas veias. A praga da noite rapidamente se espalha por entre almas assustadas e cheias de falhas. Vagueia um ser obscuro atrás de você! Sozinha no escuro sem ninguém para te proteger!? O que você pode fazer?!... Cansada de correr, o teu corpo cai ao chão. Quem vai te proteger?! Quem vai lhe dar as mãos?! Chuva, raio, trovão... O que pode acontecer?... A tua face parece que envelhece a cada segundo... A tua alma emudece como se você estivesse em um sono profundo... Recolha as tuas flores...Recolha as tuas dores E vá para o teu leito vazio! - Onde tudo é ainda mais estranho e sombrio! Não há para onde correr!... Você não pode se esconder!... Quem vai te proteger!? O que você pode fazer!?...
Não construa muros em seu coração. Tudo o que fizer, sempre faça com amor. Ponha as asas contra o vento, não há nada a perder.
