Morna
Peraltas...
Deslizo em lisa derme morna
E adorna o eu que pulsa
Trêmulo, hirto, ávido...
Há de não ser fátuo!
Sinto, sorvo o olor no ar
Sem par ou acre e úmido...
Desligo o tempo inútil
E o riso sem siso ecoa!
É brado e traga a glande,
A grande seta a ir
Ao fundo, ao raso...
Acaso afunda em seiva própria
E escolhe, ainda, ser espada
Em onda já que o tempo
É nada...
E vai e volta...
A flor não solta...
Eis quer danada,
Ainda,
Degustar-me e dou-me,
Dou-me, e dou-me e fogem-me
Meninos...
Sinos tocam, chocam-se
Frenéticos
Orbes,
Rijos,
Risos...
A brisa morna,
o canto dos pássaros,
um perfume no ar...
anunciam a chegada
de mais uma primavera.
A cidade e meu coração
acordam diferentes...
Como é lindo!!!
Tudo fica mais vibrante.
Há quem diga que a morte é um mal sem remédio, engana-se, a morte é o remédio para uma vida morna, e a recompensa de uma vida digna.
São Noites..
São noites muito longas e complicadas
no ser se instala uma morna sensação
e toma conta e se expande até a madrugada.
São noites de pensamentos e lembranças
de todos os momentos que foram vividos
de nossas especiais e inesquecíveis andanças
de um tempo que não será resolvido.
São noites perdidas de muita reflexão
de mistura de muitos e estranhos sentimentos
que provocam inúmeras feridas no coração
e a vontade de ter de volta todos os momentos.
São noites sem maiores esperanças
de dar a volta, de seguir em frente
viver uma vida com outras nuanças
visualizar e vivenciar um futuro diferente.
São noites de sufoco e agonia
na procura de explicações e justificativas
daquele se não fosse…. talvez seria…...
mesmo sabendo que já se fez todas as tentativas.
Fé morna não transforma vidas; que a nossa seja fervorosa, como um café intenso que revigora a alma.
Pandemia
Hoje acordei com vontade de vento no rosto, areia morna nos pés, murmúrio de ondas nos ouvidos, cabeça nas nuvens.
Só consegui a cabeça nas nuvens...
A questão não é viver uma vida morna ou cheia de aventuras. A questão é viver de verdade e fazer o que quer que seja - com coração!
Uma noite má dormida
Olho o quase amanhecer
Pensamentos atormentam
a recusa a uma vida morna...
A beira da cama me debato insatisfeito
Necessito lutar sem a oportunidade escapar
Sem a covardia de uma desistência antecipada.
Abdico dos sorrisos fingidos e apáticos;
Incertezas e falsas convicções
Uma Arte final não se faz
sem os traços do rascunho.
Prefiro a coragem de um BomDia regado de um sussurro ao pé do ouvido; de sorrisos sem motivos, abraços apertados sem medida;
do Verão intenso... ao outono insosso.
Quero a plenitude e limitar nem cogito.
Pior que a convicção do NÃO e a incerteza do TALVEZ é a desilusão de um QUASE.
...
Vida morna, pela metade.
A resposta estampa na cara.
Nas rugas sem histórias.
Na distância sem sorrisos.
Na indiferença sem memórias.
Sobra covardia.
Falta coragem.
Meio termo sem virtude.
Quase felicidade.
O quase não ilumina,.
Não inspira,.
Não acalma.
Apenas amplia o mórbido.
E comprime sua alma.
Derrota prévia.
Dúvida da vitória.
Não abrevie sua régua.
Busque sua glória.
Se incomode.
Se revolte.
Se afaste.
Se transborde.
Viva sem medidas.
E se tiver que errar.
Se quebre lá no topo.
Mas não hiberne e procrastine.
Na sua zona de conforto.
Enches-me de paz, quebras o ruido à minha volta, fazes-me flutuar numa imensidão morna de luz suave, brisa quente que acaricia o meu rosto e aquece a minha pele. Tudo fica quieto, tranquilo como se tudo estivesse certo e o meu coração adormece no mais profundo e doce sentimento como que embalado na melodia do vento.
"Preta "
Então, tente: se você tocar meu peito com a mão morna, só um pouquinho, a tristeza vagarosamente vai embora?
Epitáfios são poesias da morna vida que aqui jaz. Aqui, onde as trevas outrora sombrias e aterradoras, transformaram-se num inerte alento de paz, alheio às agruras e incertezas da existência que não mais é palpável. Uma existência de guerras e dores. Aqui jaz a paz.
A plebe proletariada está morna, com a mente passiva imersas em niilismo estrutural irreversível e, à beira da morte sinoptica neural...
Sonatina (soneto II)
Não pode ser sempre inquieta poesia
Está morna poética, cheio de torpeza
Os versos tão enevoados de lerdeza
Há de isentar-se desta sensação fria
Num vendaval de solidão e de agonia
O choro apodera da rima em tristeza
Quando a inspiração só quer alegria
E numa sonata vê-se sons da utopia
Hei de subir ao tope da imaginação
Vencer procelas e alaridos, emoção
Ali, triunfante, cheio de doce louvor
Em poema, aclamante, e com intento
O sol da glória há de ornar o momento
E eu, hei de toar: - em versos de amor!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
16 janeiro, 2024, 20’38” – Araguari, MG
