Monstros
Os monstros que nos atormentam, são produzidos em nossa subjetividade doentia, que trazem consequências factuais.
A sociedade cria os monstros,
alimenta os monstros, persegue os monstros, silencia os monstros, mata os monstros...e às vezes, depois de tudo, transforma-os em heróis
Sozinho na chuva
Monstros na cabeça
Não é uma doença, é um romance russo
A barra de texto pisca tentando desvendar meu próximo passo
Mas oque eu posso fazer ?
Se não sei nem amarrar os cadarços..
Pra onde eu poderia ir assim? Sozinho na chuva..
meias noites
Na meia-noite, monstros dançam,
Como sombras, somem sem paz.
Afundam em mim, como Dab Tsog,
Sufocando, deixando-me sem folego.
Acelerada: minha respiração,
Visão turva, sem direção.
Pele pálida, lábios feridos,
Em tormento, perdido, ferido.
Ergo as mãos em desespero,
Mas no eco, apenas um lamento.
Negados os pedidos, sem saída,
Será frescura essa agonia tão dolorida?
Racham as paredes em meu quarto,
Nas ansiosas meias noites, sinto o esparto.
Às 3:33, num pesadelo profundo,
Flutuo, meu ser queimando no mundo.
Lágrimas negras, em torrente,
Caindo, inundando a mente.
Meu castelo de barro se desmancha,
Na escuridão, a dor se lança.
Marcas surgem, em meu corpo, dores,
Sangue que acalma, em pulsos, fortes.
Em coma, apagado, aprisionado,
Na cela da mente, sou adolescente, condenado.
No escuro da madrugada, os monstros dançam ao redor da minha cama, em uma balada de terror constante. O barulho silencioso que fazem é ensurdecedor. Suas músicas favoritas? Meus pecados, meus erros — a mais tocada da madrugada são minhas escolhas erradas.
Os monstros criados na ficção e mitologia são reflexos dos piores traços do ser humano. Não devemos temer a fantasia e sim a realidade.
Eu adoro monstros. A aparência e o som, e o jeito que eles vivem. Até me perguntei que gosto eles teriam.
A criação de monstros sociais pode significar a destruição dos bons costumes, a violação dos direitos humanos, a deterioração das liberdades públicas e a implosão do estado democrático de direito.
Quando a gente mora sozinho são muitos monstros que vêm em nossa cabeça, se não tomarmos cuidado acabamos virando um deles.
É loucura descobrir que o pior dos monstros não está debaixo da cama ou
se escondendo na escuridão, está no espelho.
Quando a gente é criança, os monstros vivem debaixo de nossa cama. Quando, a gente se torna adulto, eles começam a viver dentro de nossas cabeças.
Eterna Despedida
Nunca, Jamais, estranho viajante,
Os monstros das aventuras milenares
Iguais a ti, os que partiram, aos milhares,
Voltaram a esta Terra deslumbrante!
Quilha de um imenso barco desejante!
A tua língua é o teu grandioso leme.
O teu cérebro, de tanto guiar-te, geme,
Na tua insaciável mente delirante!
Longe do cais, aos caos de rios e mares,
És mais um arredio nômade dos lugares,
Ancorado nos fragmentos dos teus outros Eus...
A tua vida é uma Nau que te conduz ao Fim...
Ó desorientado moribundo igual a mim...
Um dia, hás de dar ao mundo, teu Eterno Adeus...
Demônios Internos
Não há demônios sob a cama,
nem monstros à espreita
nas frestas da escuridão.
Procure-os dentro de si
e os encontrará,
enraizados na alma,
como raízes densas
de medos nunca podados.
Eles se alimentam
do silêncio amargo
das noites insones,
bebem das culpas
que se ocultam
nas sombras da consciência,
crescendo nas rachaduras
dos segredos sufocados.
Não há monstros lá fora,
não há presenças que assombrem,
apenas os fantasmas
que nós mesmos criamos
com os escombros
das verdades que tememos.
Eles não gritam,
não quebram portas,
não urram no escuro.
Sussurram
na voz da ansiedade
que ecoa dentro do peito,
esperando que um dia
tenhamos coragem
de encará-los
sem medo do reflexo.
Afinal, é isso que nos somos: monstros tentando ser bons, rodeados de idiotas e tentadores, jogando contra nossa propria natureza monstruosa e delicada.
