Minha Alma tem o Peso
Carrego em meus ombros um peso que curva minha postura. Um cansaço na alma que há quem escute. Os dedos dos meus pés são tortos como as árvores do cerrado, carga genética, ancestral. Meu coração certamente é feito de metal, única explicação para aguentar tanta dor. Abandone os meus versos se sua linguagem delicada não encarna a dor. Não mentirei e não direi que tenho mãos delicadas que a ti se oferecem. Minhas mãos são pesadas como meus versos. E meu pulmão sofre a ação do tempo viciado. Meu corpo é largo, encorpado, como se mostrasse o tamanho da minha dor. Ninguém entenderia, eu sei. Acusariam-me de vítimas também é eu já não posso chorar. Preciso encarar a vida sem lágrimas, porque um dia sucede ao outro. Eu não fui feita para o amor. Todo o meu corpo é minha alma é feita do pó da paciência. E apesar de tudo meu cérebro segue um mantra de um dia tudo será melhor. Oh Pandora, que guardou a esperança. Sigo meu destino traçado nas linhas de minha mão e já é tarde para falsear que a vida me arde, como uma febre. Espero que um dia a brisa me leve.
Para a minha Maria
No começo tudo dói
A cabeça, a alma, o coração
A cabeça sente o peso do abandono
A alma sente o peso do descaso
O coração sente o peso da ausência
E o corpo parece estar em pedaços
O tempo passa e o coração ainda grita
A alma se perturba
A cabeça gira confusa
Mas a gente sente que algo ali já não é tão intenso
Algo ali já não machuca
Os dias vão, e aquela dor que era companheira de peito vira hóspede
A gente ainda sente o golpe sofrido
Mas escolhe parar de sofrer
Escolhe se reerguer
Escolhe se cuidar, escolhe aceitar e continuar
E depois de várias primaveras a gente percebe
Que aquela dor não era tão doída
Que a alma tá limpa, a aura tá linda
E que o peito tá pronto
Que foi só momento
A gente entende que o sofrer faz parte do viver
E que o se reerguer também é parte da história
Que aquela dor que um dia massacrou
Hoje está decantada no fundo da memória
A vida é luta, minha Maria
E não se esqueça, nem sequer um dia
Que você respira coragem, atrai o amor
E inspira alegria
Então, não desiste de viver
Por mim, por nós
Sou de alma leve, apesar do peso da história da minha vida.
Sou mar calmo no fim de tarde, mas por vezes sou tempestade.
Almejo um canto para chorar, onde minhas lágrimas me consolem aliviando o peso da minha alma, e como as águas fortes e constantes de um rio em fúria varresse toda essa tristeza. Queria chorar pela glória ao invés da dor, chorar por estar completo e não inabitado de esperança.
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Quero asas pra voar e pousar num galho seco do tempo, onde o peso de minha alma não consiga quebrar os meus sonhos obstinados num recôndito e a chuva fina lave e deixe mais leve os meus pensamentos...
Bato as asas para me libertar do peso que sobrepesa o coração e a minha alma.
Não alço voo algum.
Prendo-me muito mais ao contido lembrar que mina os meus olhos.
Declaro-me seu em cada gesto e em cada movimento.
Pena. Penas... de mim.
Algo diferente toca a minha alma... não sei se é o arcabouço do físico cansado ou se é o peso da vida ida...mas sou diferente.
Fito com os olhos de ver e por mais despercebidos que os meus visores estejam ao enxergarem as cenas que me possibilitam ver... sinto cada filigrana deste grande tesouro que é a vida.
Posso sentir o sol sem vê-lo numa similaridade com a saudade imorredoura que habita meu ser.
Você não chega e nem por isso, deixa de existir em meu coração.
Só quem tem o dom da telepatia compreende o peso ou a leveza dos murmúrios de outra alma.
Não precisamos da voz para ouvir um ao outro, nem do toque para sentirmos, pois há um sentido maior que nos conecta.
A representação de um sentimento não é o sentimento, assim como a lembrança de uma pedra não é a pedra.
A minha história foi composta como uma aquisição para a eternidade, não para ser ouvida por ocasião do triunfo na competição de um dia.
Dia a dia ia-se agravando a minha secreta aversão por tudo aquilo de que se tira proveito. Ler e sonhar, estes narcóticos, eram os meus antídotos, mas as regiões onde são possíveis os atos pareciam-me definitivamente fora de alcance.
Os maiores acontecimentos da minha vida foram alguns pensamentos, leituras, alguns pores-do-sol em Trouville à beira-mar e palestras de cinco a seis horas consecutivas com um amigo que agora é casado e está perdido para mim.
