Mesma Moeda
A situação é a mesma, porém:
O ingrato se sente humilhado
O grato se sente repreendido
O soberbo sente inveja
O humilde sente admiração
O ignorante julga
O sábio compreende
Quem semeia ódio se torna parasita da realidade
Quem semeia amor se torna fonte de prosperidade
A humanidade sucumbe à si mesma
Gritam o amor
Proclamam Deus
Mas se sangra um dos seus
jogam sal no corte
e chupam a ferida.
Hipócritas
Doentios
Pior que os gentios
Não sejam fingidos
Abafem seus gemidos poéticos
Cadáveres fétidos!
... Fingir poesia
Vós não fingis!
Vós a mentem!
Cadeia de valor representa uma rede de contribuições conectadas pela mesma promessa, indo além de uma sequência de processos integrados.
Não sei se o destino escreveu nossos nomes
na mesma página,
ou se o universo apenas cruzou
duas almas cansadas de procurar.
Só sei que, desde você,
o impossível deixou de ser lenda.
As bruxas passaram a existir,
as sereias deixaram de ser mitos,
e os feitiços ganharam o teu nome.
Porque há pessoas
que chegam como passagem.
Você chegou como permanência.
E, se um dia me perguntarem
qual foi o maior risco que corri,
não direi que foi amar.
Direi que foi encontrar alguém
capaz de transformar
o meu coração
na morada da própria alma.
Pois você continua sendo
o meu pensamento mais perigoso...
Não porque me destrói,
mas porque me faz acreditar
que existem encontros
que nenhuma explicação alcança.
Para: Bruxinha.
"Eu amo você, da mesma forma que o sol ama a lua; da mesma forma que o céu amar o mar e da mesma forma que os meus pulmões precisam de ar para respirar."
Ass: Mannu Viana Rios
As belas curvas do teu corpo
são como as ondas do mar.
Despertam em mim
a mesma vontade de caminhar sem pressa,
de sentir a brisa,
de me perder na imensidão
sem medo de não encontrar o caminho de volta.
Porque existem belezas
que não foram feitas apenas para serem vistas,
mas para serem admiradas
com o mesmo respeito
que se contempla o oceano
quando ele encontra o céu.
Na Mesma Sintonia
Gostoso é quando você quer alguém
e descobre que essa pessoa também quer você —
e, para sua surpresa,
quer ainda mais do que você imaginava.
É quando aquele olhar que você achava ser apenas seu
carrega, do outro lado, a mesma vontade.
Quando o silêncio deixa de ser dúvida
e passa a ser uma conversa que os dois entendem.
Porque existe algo irresistível
em perceber que o desejo não nasceu sozinho.
Que enquanto você pensava nela,
ela também pensava em você.
Enquanto você imaginava,
ela também desejava.
E enquanto você tentava esconder o querer,
ela talvez estivesse fazendo exatamente o mesmo.
Quando o querer é recíproco,
a conexão ganha outra intensidade.
O que era possibilidade vira certeza,
o que era desejo vira encontro,
e aquilo que parecia perigoso demais para sentir
se torna irresistível justamente porque é sentido pelos dois.
Talvez seja isso que torne tudo tão gostoso:
não é apenas querer alguém.
É descobrir que, em algum lugar entre dois olhares,
dois desejos se encontraram
e nenhum dos dois quer mais fingir que não percebeu.
Ela é Sol! Eu sou Lua!
Ela é o Sol,
eu sou a Lua,
duas almas diferentes
sob a mesma imensidão.
Ela chega trazendo luz,
eu chego trazendo mistério;
ela ilumina o que toca,
eu guardo o que sinto em silêncio.
Ela é calor,
eu sou maré;
ela desperta sentimentos
que eu nem sabia que havia em mim.
Talvez seja por isso
que eu escreva tanto sobre ela:
porque há pessoas que simplesmente passam,
e há aquelas que deixam o céu diferente
depois que chegam.
Ela não precisa saber
quantas constelações acendeu em mim.
Talvez nem perceba
que, quando penso nela,
até minhas noites encontram claridade.
E eu, Lua,
continuo orbitando meus próprios pensamentos,
tentando transformar em versos
aquilo que não consigo dizer.
Porque o Sol não sabe
o quanto a Lua o observa.
E a Lua talvez nunca conte
o quanto é bonito receber sua luz.
Mas existe algo que o céu sabe
e nós talvez ainda não:
há encontros que não precisam acontecer no mesmo instante
para pertencerem ao mesmo universo.
Ela é o Sol.
Eu sou a Lua.
E, entre a luz dela
e as minhas fases,
existe um céu inteiro
guardando aquilo que somente nós
poderíamos entender.
Eu sinto a tua presença
Aqui, bem pertinho de mim
E penso também assim
de um jeito que você mesma
Poderia deixar-se ficar
Abismada
Sem explicação, nem nada
Por pensar que nem você pensa
Quando sozinha
Escuridão à meia-luz
Um denso silêncio
Entristece as madrugadas
Mesmo assim
Eu sei que ri
Sabendo-se também aqui
Pois esta minha imensa vontade
Me traz a sua presença
e põe aqui, pertinho de mim
E não me sinto mais, tão sozinho
E é muito doce
Essa presença
que meu pensamento trouxe
Enquanto isso...compromisso
Em olhar os ponteiros lentos
Contar momentos
e devorar cada hora que separa
A mim mesmo dessa alegria
Há tanto tempo adiada
de simplesmente olhar
e saber o quanto é bom
e respirar o mesmo ar
na escuridão da madrugada
Te olhando e olhando
e mais nada
Edson Ricardo Paiva
É TEMPO!
Hoje, justiça e tempo se alinham.
Avançam unidos, na mesma passada.
Porque é tempo dos justos.
É perceptível a força da resistência.
O tempo não deixou corroer.
Onde a justiça é implacável,
ela opera sobre os males que habitam o opressor.
Aquilo que nos dispersou,
estamos reconstruindo nas afinidades das lutas,
nos elementos simbólicos de nossas conformações,
através dos coletivos reinventados
para a escalada do empoderamento.
Formação necessária
de combatentes contra as práticas estruturantes do racismo.
Estamos avançando.
Ainda que dolorosas perdas nos conduzam às dores e aos lamentos,
aos nossos sentimentos mais profundos,
estamos avançando.
Avançamos com conhecimento.
Conscientes da força ancestral,
dos nossos guias,
daquilo que nos impulsiona,
nos condiciona
e habita em nós.
Somos representatividade resistente.
Somos a continuidade daqueles que nos antecederam
nas lutas igualitárias.
Somos incansáveis opositores do racismo.
E somos conscientes
de que a luta é desigual.
Alinhados,
destruímos todos os dias
pilares e mais pilares da barbárie racista.
Lutamos na defesa dos nossos direitos.
Lutamos em defesa dos nossos.
Lutamos contra o desumano desrespeito
que invisibiliza nossas contribuições.
Lutamos pelo direito de existir
em condições humanas.
Somos quem resiste.
Sim!
Resistimos secularmente ao genocídio identitário.
E somos, secularmente, fortes.
Somos nós a base.
O sustentáculo.
A estrutura que mantém o opressor no privilégio.
E é por isso que somos temidos.
Porque se a base sair,
a pirâmide cai.
Mudam-se as posições.
Tentam.
Tentam nos barrar.
Mas já provamos:
a estrutura começou a abalar.
Nós podemos.
Estamos movimentando.
Estamos invertendo posições.
Posições às quais fomos sentenciados,
julgados
e condenados.
Conquistamos direitos,
mas seguimos buscando equidade.
Buscando justiça,
não maldade.
Saindo daquilo que nos foi determinado
por mais de quinhentos anos.
Desbravando novas trilhas.
Ainda que percamos alguns pelo caminho,
lamentamos.
Sentimos.
Honramos.
E prosseguimos nos enfrentamentos.
Reivindicamos a efetivação das ações afirmativas.
Firmamos possibilidades de avanços igualitários.
Porque é chegado o novo tempo.
Reflitam.
Acostumem-se ao incômodo.
Acostumem-se à mudança.
Acostumem-se às novas posições.
Porque os tempos são outros.
É TEMPO!
Eli Odara Theodoro
É incrível quanto tempo sobra quando a gente só precisa agradar a si mesma.
Eu entendi que tudo muda e nada permanece da mesma forma. É uma bela e curiosa vista da vida, que nos impulsiona a mudar.
Ser você mesma é uma das formas mais preciosas de liberdade.
Não há necessidade de aprovação quando se aprende a habitar a própria essência.
