Mensagem de Ancião

Cerca de 109 frases e pensamentos: Mensagem de Ancião

O que será de nós? - Bastaria que nunca tivéssemos nascido, sussurrou o ancião

Inserida por RafaelZafalon

Ancião

Foi tentando escrever,
Que repentinamente me veio o pânico.
Quando me imaginei sem você,
Não pude evitar o pranto.

Um sentimento de vazio,
De mundo sem significado.
Não podemos esquecer
Do quanto somos amados.

Quantos tios nos bajulou,
Nossos pais que nos amou.
E os avós como anjos,
Quantas histórias nos contou!

Nesse momento de aflição,
De aperto no coração,
Na solidão não vão cair.

Será muito controverso,
Mas preciso te pedir!
Nosso colo será seu,
Senta aqui pra me ouvir?

O mundo tá meio estranho,
Tudo fora do lugar.
Só estaremos seguros em casa,
Nosso lar, nosso lugar.

Fiquem quietinhos,
Vocês não podem se arriscar!
Seus filhos estão aqui,
E eternamente irão te amar.

Júlio Souto

Inserida por Juliosouto

⁠Quero eu ter a inocência de criança e sabedoria de ancião com essas qualidades mim aproximaria de DEUS.

Inserida por raimundo_reis

Em busca de ESPERANÇA!

⁠CERTO ANCIÃO de uma tribo indígena, no interior do amazonas... Muito indignado com a atitude de alguns dos chefes da tribo; decidiu marcar uma reunião, e deixou bem claro que queria que todos os habitantes daquela comunidade se reunissem na beira do riacho ao pôr-do-sol.
E assim foi, todos se reunirão no local e na hora estipulada; sem entender do que se tratava, foi um turista observar tal situação. Ao chegar no local ele percebeu que todos estavam no mais tênue e profundo silêncio, a princípio ele não reclamou e não disse nada só observou tal situação com um olhar de desconfiança.
Uma hora depois o Ansião quebra o silêncio, e com a voz suave e com a paz de espírito já instaurada, ele fala: Meus queridos! Já vi de quase tudo neste mundo, vi o amor nascer nos mais puros corações, também vi o ódio tomar conta destes corações, vivenciei muitos amanheceres e entardeceres, presenciei o nascer de muitas pessoas, bem como também vi pessoas próximas a mim morrerem, assim é a vida cheia de altos e baixos, lutas e derrotas, ganhos e perdas, alegria e dor; sempre por de traz da felicidade há uma pitadinha de tristeza. Ele parou um pouco para observar aquelas pessoas que os ouvia e assim continuou... Como eu disse: Já passei por quase tudo, mas é a primeira vez de minha vida que vejo uma geração de pessoas tão incrédulas e frias, pela primeira vez vejo homens querendo o poder; a ganância e o egoísmo têm tomado conta dos corações, e o AMOR? Aaaah o amor para onde ele foi? Olho ao redor e não o encontro, grito por ele e só vejo guerra, fome e poluição; vejo corações sendo devorados; vejo almas inocentes sendo corrompidas pelo mal. E o que estamos fazendo para melhorar isso? NADA gritou uma menina aos prantos atrás de uma arvore, esta palavra foi tão pesada que continuou a ecoar pelo ambiente por poucos e logos minutos; Isso mesmo respondeu o Ancião quebrando aquele silêncio, não estamos fazendo nada além de alimentar este mal que está nos assolando. Sabe o que dói? Não né? Dói saber que por mais que ainda exista o amor nos corações, por mais que ainda tenha algumas luzes acesas no mundo, a escuridão está tão grande que é capaz de corromper todas estas almas e apagar estas luzes. O que faremos? Perguntou certo menino. O ancião pensou e pensou até chegar a um veredito, plantaremos o amor nos corações novamente e fortaleceremos nossas raízes para que quando o mal vier estivermos fortes e só assim não seremos corrompidos; uma outra voz ecoou no meio da multidão, como acabar com o mal que já está instaurado em nosso meio? O ancião mais uma vez pensativo respondeu a melhor solução é disseminar a luz, pois não há noite que resiste ao brilho e a majestosidade de um sol. Então meus queridos que venhamos se luz, enquanto o que existe é trevas, venhamos ser a diferença que o mundo tanto precisa, venhamos ser paz enquanto no mundo só exista guerra, pois é com a luz que conseguimos vencer o mal.
Ao terminar o discurso o ancião agradeceu a todos pela atenção e se retirou. O jovem turista indignado seguiu o ancião e o questionou, “-Mas Ancião, se você tinha só isso a falar por que não disse logo ao invés de fazer todas estas pessoas esperarem tanto? “O ancião calmo e com um profundo e amistoso olhar lhe respondeu; “-A resposta é simples meu filho; É no silêncio de um ser que surgem as mais relevantes e significativas ideias. Foi então que, naquele momento de profundo silêncio no início da reunião, eu estava preparando meus seguidores a domar o leão que há dentro do ser. Pois só a partir do momentos que domamos a nós mesmos, saberemos melhor viver entre pessoas.

Moral da história: Enquanto houver luz, há esperança, seja a diferença, seja luz, seja amor, pois enquanto houver corações dispostos a plantar esta plantinha chamada AMOR o mundo nunca estará realmente perdido.
O mundo precisa desta luz que há dentro de você, então não esconda, enquanto mais luz tiver, menos a escuridão tomará lugar nos corações.

Inserida por Brasileiro_Geziely

⁠Ancião


Vai vir um tempo, em que os tristes saltarão de alegria,
assim como o Sol, dá luz ao azul lindo e suave dia.
Nesse dia haverá flores de amendoeira em abundância,
Há um bom perfume no ar, que vem de uma alegre fragrância!

As aves essas, assobiam em verdadeiro musical de notas,
Até que um ancião de dias, se sentou no trono dourado,
outras aves vêm, neste dia sem nenhum fim, agendado.
E cantam a canção, com a música que tocam as aves outras.

Aí muitas criaturas alegres e com toda a sua força,
exclamam:Tu rei eterno és digno de nosso cântico lindo,
porque tu nos deste este dia de luz, sem nenhum findo.

Depois o ancião levantou-se do trono e saiu pela terra sem mar,
E disse: Aves do céu! É esta terra para sempre toda vossa!
Possui esta terra, em vossa posse agora, terra do verdadeiro amar!

Inserida por Helder-DUARTE

VALORES

A criança brincando na rua,
sem medo da ignorância do motorista alcoolizado.
O ancião sentado à porta da casa,
sendo cumprimentado com um sorriso pelo moço educado.
O filho já adulto senta no colo do pai,
olha em seus olhos e diz, “eu te amo meu pai”.
O pai que desmarca compromissos,
porque tem compromissos do filho a serem compartilhados.
O cidadão que se sente seguro com a presença do policial,
seu real anseio é estar protegido do malfeitor.
Utopia!
A criança está presa nos quintais, dentro de ambiente de games,
ou sendo atropelada pela frieza do mundo virtual.
O ancião não vê ternura na moça que se despe,
para conquistar os valores do mundo contemporâneo.
O filho adulto é auto-suficiente,
olho no olho, declarações e colo só para mina da vez.
O filho precisa entender o ativismo do pai,
Afinal quem comprará seu computador, para ele se divertir na net?
O policial é refém do arsenal inimigo,
Na prática, revólveres são menos eficazes que mísseis, metralhadoras e granadas.

Inserida por ValberBarreto

Mesmo que você seja como um bebê em conhecimento
Seja como jovem para aprender
seja como ancião para ensinar

Inserida por crisemili

Este é o Tempo.
Este ancião de roupas velhas e olhos lacrimejantes.
Este ser, que possuindo a rapidez e a fragilidade nas mãos, continuará dizendo:
— Esperem por mim. Irão se perder se eu não lhes mostrar o caminho.

Inserida por claudio300

Velhaco?

Ancião, por fora.
Menino por dentro.
Questão de tempo?

Inserida por FrancismarPLeal

Sempre que penso em Deus
não o imagino como aquele ancião
carrancudo que tentam nos mostrar na infância.
Penso NELE como a personificação da bondade,
da beleza, da paz , da alegria... e, no acolhimento
de seus braços paternos sempre abertos para seus filhos.
Cika Parolin

Inserida por CikaParolin

Um conto sobre a perfeição

Em uma pequena aldeia existia um ancião, muito sábio, o qual todos o chamavam de mestre. Ele era muito respeitado por seus ensinamentos que eram repassados a outros, principalmente os jovens.
Certa vez, um jovem muito inteligente e perspicaz, buscou o mestre com uma grande dúvida a qual o angustiava muito:
- Mestre, por que a perfeição é algo tão difícil de se alcançar?
O mestre muito calmamente o respondeu:
- E você saberia me dizer o que é a perfeição?
O jovem pensativo, depois de alguns segundos em silêncio disse ao mestre:
- Perfeição para mim é fazer tudo certo e no tempo certo.
- Pois bem jovem, vou te convidar a fazer um exercício, talvez com ele você possa realmente saber ou confirmar se sua percepção sobre perfeição está correta, disse o mestre.
O jovem curioso logo se mostrou interessado. E então o mestre continuou:
- Vá para sua casa e amanhã nos encontramos, porém traga consigo um lápis e algumas folhas em branco. Assim o jovem o fez. No caminho para casa os pensamentos borbulhavam em sua mente:
- Por que será que um grande mestre como ele não teria a resposta para o que busco? E por qual motivo ele pediu que eu voltasse amanhã? E ainda trazendo lápis e folhas em branco?
E assim o jovem foi caminhando rumo a seu lar. A noite chegou. O sol raiou. E o curioso jovem se preparou para o encontro com o mestre, conforme suas orientações: papéis em branco e lápis nas mãos e assim seguiu ao encontro do sábio.
Chegando a casa do mestre ele já aguardava o jovem, e pediu-lhe:
- Jovem, vejo que seguiu minhas orientações, e traz consigo os papéis e o lápis. Muito bem!
O jovem olhava o mestre com muita ansiedade e então o mestre continuou:
- Pegue um de seus papéis e seu lápis e desenhe para mim aquilo que nesse momento você considera perfeito.
O jovem com muita avidez pegou o lápis e o papel e desenhou uma mulher e entregou ao mestre:
- Poderia me dizer quem é essa mulher jovem?
- É minha mãe mestre.
- E por que sua mãe seria a referência de perfeição para você?
- Ora, porque ela é uma boa mulher, se dedica a família e cuida muito bem de todos.
O mestre com sua costumeira calma se dirigiu ao jovem:
- E você já a viu errar?
O jovem se pôs a pensar alguns segundos e respondeu:
- Sim. Uma vez a vi deixar o leite derramar ao ferver.
- Pois bem jovem, sinto lhe dizer que sua nobre mãe não é perfeita, em alguns momentos ela se descuida. Mas vamos continuar nossa tarefa. Pense mais um pouco e pegue mais uma folha e desenhe um outro alguém ou coisa que te remeta a perfeição.
E lá foi o jovem se debruçar sobre o papel em branco e dessa vez desenhou uma criança e mostrou ao mestre.
O mestre olhou e perguntou:
- És uma criança. Quem seria?
O jovem sem titubear respondeu:
- Meu irmão de cinco anos.
O mestre então lhe questionou:
- E essa doce criança já te desapontou?
O jovem se pôs a pensar e respondeu:
- Sim, ele já brigou com um amigo.
E assim o mestre se dirigiu ao jovem:
- Perceba jovem que essa doce criança não é perfeita, pois já experimentou do gosto da raiva e com ela tentou ferir o outro. Tente mais uma vez.
O jovem se debruçou sobre o papel empunhando seu lápis e assim surgiu uma paisagem. Ele mostrou ao mestre e ele disse:
- Uma linda paisagem! Podes me dizer onde é?
- A vista da janela de minha casa, disse o jovem.
- E me diga querido jovem, essa paisagem representa a perfeição para você?
- Sim.
- E por que? Interrogou o mestre.
- Porque é uma obra divina! Exclamou o jovem.
O mestre com muita calma se dirigiu a janela de sua casa e pediu ao jovem:
- Então tenro homem, desenhe o que entendes por divino.
Com afeição assustada o jovem se manteve imóvel por alguns segundos olhando o papel. Após um longo tempo ele disse ao mestre:
- Mestre, sinto muito, mas não consigo!
O mestre com toda a serenidade disse:
- Mostre-me o que não consegue.
O jovem então expôs o papel puramente branco, sem nenhum sinal de grafite.
O mestre fixou o olhar no papel e então se dirigiu ao jovem:
- Você acaba de saber o que é a perfeição, meu querido!
O jovem muito confuso questionou o mestre:
- Mas como? Eu não toquei o grafite do meu lápis no papel!
E o mestre com um leve sorriso ao rosto se aproximou do jovem e disse:
- O divino é perfeito, por isso ele não tem forma, cor ou traços. A mais pura perfeição está no papel em branco! Não há definições, nem traços! A perfeição pertence ao divino e não aos homens! Por isso a perfeição se torna um mistério desafiador para você meu jovem! Deseje viver, tenha compaixão, empatia e confie na força divina e deixe a perfeição por conta do universo!
Assim o jovem seguiu seu caminho com a resposta perfeita em suas mãos.

Inserida por trproba

Nem todo jovem é imaturo, assim como nem todo ancião é sábio.

Inserida por ThiagoPaulino

Tempos modernos
poetaDevany

-Valha-me Deus!,
assustado gritou o ancião,
temeroso, olhando a mais nova invenção:
Um fruto sem sementes
em sua mão.

-Está o homem querendo ser, agora,
o patrão?
E como será, se quiser inventar
um homem sem sementes então?

Olhos lagrimejantes,
sentindo-se também responsável,
grita, caindo de joelhos, ao chão:
-Deeeeeeeeeeeeuuuuuuuuussssss, perdão!!!

Inserida por poetaDevany

O horizonte do menino, é muito amplo e bonito
O percurso do ancião, foi muito nobre e bendito
A amplitude enobrece...
A nobreza engrandece!...

Inserida por hernandesleao

Geralmente o ancião é uma pessoa mais sábia e cautelosa em suas colocações. Contudo, aqueles que se acham inteligentes, os têm por ignorante, lerdo e tolo. Isso sim é uma burrice!

Inserida por RoneiPortodaRocha

Quero ter...
sabedoria de um ancião,
disposição de um jovem saudável, alegria de um adolescente
e inocência de uma criança.

- Para ser sábio como um ancião,
basta ouvir e praticar o que eles tem a ensinar.

- Para ser disposto como um jovem saudável,
basta evitar excessos, praticar exercícios físicos regularmente, se alimentar e dormir bem.

- Para ser alegre como um adolescente, basta sorrir com eles.

- Para ser inocente como uma criança,...
uhmm...não sei.

Gleison Paiva

Inserida por GleisonPaiva_Peixe

⁠E se achegaram ao topo da duna o Filósofo, o Sábio, o itinerante, o tolo, a Criança, o Ancião e mais uns tantos.
Eis, que falou o mais Coerente.
Vou; lhes apresentar a Deus!
...e submergia ao final do Horizonte, o astro rei, o Sol !

Inserida por dalainilton

⁠PARA QUE SERVE A FILOSOFIA?

Um ancião de barbas e cabelos longos chegou a um vilarejo um pouco distante dos grandes centros urbanos, um lugar desses onde o tempo tem outro tempo, um tempo natural de ser.

Naquele lugar havia poucas pessoas, mas, dentre elas, havia uma miniatura do mundo real: pessoas que tinham mais ou menos habilidades para desenvolver aquela realidade. O fato é que se tratava de um lugar com costumes tradicionais, por assim dizer. Isso não quer dizer que não havia sabedoria no coração daquele espaço e daquelas "gentes".

O velho andarilho tinha uma vivência profunda, por tantas realidades que ele já havia presenciado. Então, como um bom pensador, ele achou por bem conversar com aquelas pessoas. Conversar sobre tudo: sobre o tempo, sobre Deus, sobre conhecimento, progresso, sustentabilidade, etc.

Uma de suas perguntas foi saber o que aquela gente pensava. Então ele perguntou: "Para que serve a Filosofia?"

Começou a andar por diferentes lugares com a mesma pergunta: "Para que serve a Filosofia?"
Primeiramente, ele perguntou a um pastor, que, desconfiado, respondeu: "A filosofia não é de Deus, está na Bíblia".

O ancião seguiu sua andança e foi até a única praça da cidade, onde ele poderia encontrar mais pessoas. Fez a mesma pergunta a um ateu que estava discutindo sobre a inexistência de Deus com os homens responsáveis pela limpeza da praça. O ateu respondeu da seguinte forma: "A filosofia serve para fazer as pessoas deixarem de ser ignorantes, idiotas, alienadas, gado".

O senhor perguntou também a um daqueles homens responsáveis pela limpeza, e ele respondeu: "Eu não gosto de filosofia, isso é coisa de gente que não tem o que fazer, que só tem minhoca na cabeça".

Da mesma forma, o velho curioso agradeceu pela resposta e saiu daquela roda de conversa.

Então o velho encontrou uma professora, com o jaleco da escola onde trabalhava, e lhe fez a mesma pergunta. A professora respondeu uma enorme lista de utilidades que a filosofia, segundo ela, teria: "A Filosofia serve para fazer as pessoas pensarem a respeito do mundo, da vida, dos mistérios do universo, da origem da humanidade, das linguagens, das demais Ciências. A filosofia é a mãe de todas as ciências. Sem ela não seríamos capazes de saber nem quem somos nós realmente".

O velho agradeceu educadamente e seguiu sua jornada de questionamentos. Abordou um homem que estava sentado em um banco da praça, cabisbaixo.

"Para que serve a Filosofia, meu caro?"
O homem então respondeu-lhe dizendo: "Eu não sei, não sei o que é isso, mas deve ser para enganar as pessoas." Agradecido pela resposta, o velho saiu da praça e desceu em direção a um rio que contornava a parte Sul da cidade.

Ao chegar embaixo da ponte que ligava aquele vilarejo a outras regiões mais ao Sul, o ancião percebeu que havia um senhor, também com aparências semelhantes, com mais idade talvez. Decidiu se aproximar para desenvolver uma conversa. Aquele outro senhor estava ali pescando e fumando um charuto. Isso era interessante para o que se aproximava. Talvez pudessem fumar cachimbos e trocar um "dedo de conversa". Ao cumprimentá-lo de perto, o senhor andante perguntou o seguinte: "O senhor tem fumo?" "É óbvio que tenho", respondeu o velho pescador. "Então empresta-me, eu avio também."

Enquanto isso, ele desenrolava seus panos de bagagem e pegou um velho cachimbo que pertencera ao seu avô, algo feito à mão. O silêncio pairou sobre os dois.

Fumaça vai, fumaça vem, o andarilho perguntou ao pescador: "O senhor pode me responder para que serve a Filosofia?"

O velho pescador virou as costas em silêncio, sem dizer uma palavra. Então o que se ouvia naquele lugar era apenas o murmúrio das águas do rio e algum barulho de pássaros e carros que passavam sobre a ponte de quando em quando.
Depois de um longo período de silêncio, e de muitas "chumbadas", o ancião que chegou agradeceu o fumo, despedindo-se do pescador para seguir sua caminhada.

Então o velho pescador virou-se na direção de seu visitante, respondendo da seguinte forma: "A Filosofia não serve para nada! Ela recusa-se a servir quem quer que seja".

O senhor recém-chegado permaneceu calado, como quem espera mais. O pescador continuou a dizer: "A Filosofia recusa-se a cair nessa vala de servidão que surgiu nos padrões mentais medievais e que tem tragado tantas gerações que acreditam que servir é o mais importante. É por isso que nós, os velhos, não somos vistos como seres úteis. A maioria dos indivíduos das nossas gerações se tornaram inúteis, de tanto ouvirem que estavam velhos, e envelheceram realmente. O brilho vital deles ficou opaco de tantas palavras e olhares que demonstravam tristeza, talvez, pelo peso da idade, que não deveria ser um peso, mas uma bagagem muito importante de experiências deles".

Aquela conversa era profunda demais para não acender mais um cachimbo. Então o visitante fez menção de que iria fumar novamente, e o pescador logo lhe alcançou fumo e avio.

O silêncio se fez por um curto tempo. Não havia interesse em fazer qualquer pergunta por parte do ancião recém-chegado. Era uma questão de tempo para que novas explicações viessem por parte do pescador.

Fumaça vem, fumaça vai, e o velho do rio continuou: "Esse mundo utilitário, onde tudo cai em uso e desuso, inclusive as pessoas, tudo é coisa útil. É um tempo onde as coisas são mais importantes do que os seres. E os seres se transformam em coisas que servem ou não servem. As pessoas se coisificaram tentando se manterem úteis, serviçais, servas. Até mesmo as demais ciências se tornaram úteis, quando deveriam ser apenas caminhos. Os caminhos não são utilitários. As religiões, os Estados, as instituições, os deuses, os sagrados, as escolas, os homens, as mulheres, os jovens e as crianças, tudo isso se tornou números. Os números são utilitários, assim como as letras e os símbolos, mas a matemática, as demais ciências, as linguagens, nada disso deveria ser utilitário. As artes caíram em uma situação de serviço, se tornaram servas.

O homem curandeiro se tornou servo, o professor, o orador, os políticos, todos servos. E querem arrastar tudo mais consigo também. Por que diabos a filosofia deveria servir também? Ela não serve, porque ela não cabe nesse mundo de coisificação, de utilitários, de descartes. Veja bem, no que as religiões se transformaram? Não passam de alojamentos de imbecis que não sabem se conduzir e buscam alguém que lhes proíba de caírem em situações difíceis. Mas isso não lhes ensina absolutamente nada. Veja o que ocorreu com Deus, que na mentalidade medieval se tornou um espantalho para assombrar os medrosos através da fé. Até ele se tornou coisa, utilitário, servo.
As pessoas fazem os diabos e depois exigem que ele resolva suas desgraças, ou seja, ele é obrigado a fazer milagres, além de ser a capa de poder dos charlatões da fé."

Nisso, o senhor recém-chegado perguntou ao pescador: "O senhor é ateu?"

Ele então disse muito rapidamente: "Eu não tenho a necessidade de ser ateu, nem de ser religioso, nem de ser um pescador, nem seu amigo, nem de saber absolutamente qualquer coisa. Eu estou tentando aprender alguma coisa, e todos os dias aqui na beira deste rio, eu chego à conclusão de que o que eu sei se derrete diante da imensidão do abismo que eu não vejo, mas que provavelmente me vê. Eu preciso responder mais?"

"Não!", disse o ancião que escutava atentamente.
O pescador continuou: "Por que tornar a filosofia uma serva? Tudo que serve para alguma coisa, tornou-se servo, vassalagem. É impossível torná-la uma serva, defini-la como uma servente seria "apartá-la" da sua originalidade, da sua essência."

O velho pescador pediu licença ao seu companheiro de cachimbo, dizendo que costumava frequentar aquele lugar procurando entender todas essas coisas que ele havia abordado, mas que não havia conseguido entender, e que para isso costumava pescar e fumar seu cachimbo como forma de estar ali, sem ser visto pelas demais pessoas como alguém inútil.

Os dois se despediram e marcaram de talvez estarem ali no dia seguinte. O ancião que partiu não é mais o mesmo ancião que chegou naquele vilarejo.

Pedro Alexandre.

Inserida por pedro_de_alexandre

⁠o conceber de uma nova vida é glorioso! Assim como deveria ser a despedida de um ancião!!!

Inserida por Ricardocruzdelima

⁠Ancião do saber deixarás os seus feitos e um rio por leito.

Inserida por Goretti-Albuquerque