Mensagens Noturnas
- À TOA -
(Para o fado das Horas)
Se eu morrer de madrugada
Numa cama só e triste
Não te esqueças minha amada
Nem de mim te despediste.
Se eu morrer em noite escura
Numa casa sem janelas
Não te esqueças, com ternura
Junto a mim, põe duas velas.
Se eu morrer em dia claro
Numa rua da cidade
Esse dia será tão raro
Deixarei em ti saudade.
Mas não vou por ti morrer
Quero mais acreditar
Vou esperar, não vou esquecer
A promessa qu'irás voltar.
Pela janela do ônibus, em várias madrugadas qualquer. Rotina semanal, é fácil prever o final.
Naquele assento observando o movimento, são detalhes que me fazem viajar.
olhando através daquele vidro, as vistas embaçam de tanto pensar.
o foco se perdendo em cada pensamento. De repente, o transporte para de trafegar. Chegou minha parada, agora é hora de viver e não sonhar.
Vulto
Chegou de madrugada,
Leve.
Um vulto que não se ouvia.
Era tarde,
Mesmo na escuridão,
Sorria.
Ah! Passos que temia
Que ao se imaginar
Sentia.
Piscou no novo dia
Tudo ilusório...
Partia.
Leia o que rabisco nas minhas madrugadas insones.
Se não descobrires quem sou,
saberás ao menos quem não consegui
ser...
A madrugada é minha companheira, o frio meu acalanto, o silêncio meu conselheiro e o passado os meus assombros.
ORAÇÃO NA MADRUGADA
Senhor, a princípio o sono parece profundo, mas de repente me vejo acordada, olhos abertos na escuridão, mente povoada de pensamentos que se atropelam.
Olhos abertos na escuridão, apenas o distante som do tic-tac do relógio parecer fazer parte do cenário.
Fecho os olhos e sinto a Tua presença como um bálsamo a curar-me as feridas da alma.
Em teus braços encontro consolo. Nem é preciso falar, pois tu sabes do preciso. Tu bem sabes da harmonia familiar que busco, sabes do meu desejo por paz e fraternidade! Sabes o quanto espero mudanças não só em meu coração, mas no coração de tantos queridos. Sabes o quanto eu gostaria de celebrar a união e fraternidade entre tantos outros amados. Perdão, Senhor, porque muitas vezes me impaciento, perco a calma e acabo por prejudicar minha relação contigo e com os outros. Acalma-me o coração, Senhor, acolha-me e transforma meu ser. Amem!
MADRUGADA
Do fundo do meu quarto no cerrado
Ouço a madrugada, de tão silenciosa
Que faz do vento trautear desentoado
E do canto do galo... prece religiosa!
Ouço a noite cochichar ao meu lado
Fuxico escusado da hora vagarosa
Sem dó nem piedade, nem agrado
Despetalando a solidão tal uma rosa...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Mês de maio, 2017
Cerrado goiano
BOSQUE DE ALENTO
E por entre silêncios
na madrugada
Ela gostava de colecionar sonhos
numa caixinha repleta de estrelas
e bordar fantasias in nuvens da
cor dos lírios .
A lua era seu brinquedo favorito !
No fundo ela amava mesmo desenhar
manhãs com as pétalas
das primaveras .
Descortinando horizontes
e abrindo janelas
para novos ventos in marfim ...
Ela era dona de si .
E sob pensamentos distantes
O instante se fazia eterno
no canto dos olhos a passear
lindas borboletas.
Em seu paraíso vigilante
Os girassóis faziam preces
Os bem te vis davam seu plantão
Os pardais faziam guarita
in sua janela
Nada de dor ,lágrimas ,espinhos ...
É que nas mãos do vento
Ela era o seu próprio bosque de alento.
Antes de dizer que te amo
Me deixe correr descalça pela chuva
Me deixe sair de madrugada pelas ruas da cidade como andarilho que anda sem rumo, desnorteado sem destino, como quem não espera nada, nem mesmo a tragédia,
nem mesmo a sorte grande.
Antes de dizer que te amo
Me permita aproveitar um pouco mais dessa minha solidão, só pra ver se ela já é solitude, pra ver se ela já é canção.
Antes de dizer "eu te amo"
Preciso me sentir completa,
Ou mesmo vazia (como sempre fui)
Mas antes de dizer "eu te amo" eu quero provar mais uma dose de loucura, de quem nunca atreveu-se a ser lúcido, a ser são
Porque antes de dizer que te amo
Quero ter certeza de que é isso mesmo...
De que eu nunca quis tanto outra coisa assim,
De que agora é pra valer
E que finalmente nossas mãos vão se entrelaçar
E que pela primeira vez saberei que encontrei um encaixe perfeito
E que é você quem eu quero até meu último suspiro.
Madrugada também serve
pra sentar no balanço da lua
e com o aparador do silêncio ...
Caçar estrelas.
Sinto falta
Frios na barriga
Madrugadas em claro
Dormência na língua
Sinto falta a cada trago
Chamadas atendidas
Ligações que nos envolve
"Como foi teu dia?"
Sinto falta a cada gole
Risadas perdidas
Te fazer esquecer
Palavras não ditas
Sinto falta de algo que não posso ter
(Você)...
Slá, só mais um café.
Morada
Gosto de boa morada, vista escancarada, lua na madrugada, beijo de namorada e gente engraçada.
Gosto de encontrar abrigo no brilho de teu sorriso, quando tu sorrir, o brilho do teu sorriso faz meus olhos se abrirem para o amor.
morar é bom, mas residir no canto do seu sorriso é lindo, la a vida têm mais cores, os gostos mais sabores não existem dores e na pele odores de flores.
Morar no seu sorriso me abre o riso, louco é quem não tem um sorriso feito o seu, cujo efeito é contagiante traz alegrias a tanta gente.
sorriso fácil escancarado, nunca guardado sempre largo, sempre doce nunca amargo.
Gosto de me abrigar no teu sorriso, nele sinto o prazer de amar.
Guimarães Sylvio
E nas madrugadas
Mais solitárias e sozinhas
Que eu escuto o som que
Mais poderia me assustar
E deprimir
O som do silencio.
No calor do dia a vida é corrida, no frio da madrugada ela parece ser tão prazerosa que acabamos esquecendo que no dia seguinte vamos correr por ela de novo.
SONETO NA MADRUGADA
No cerrado, numa certa madrugada
Sem saber se parava ou caminhava
Se me desiludia ou se me encantava
Só sabia que a quimera estava calada
Aí, a aflição que a saudade recordava
Num céu desmarcado e de mão dada
Com a solidão, ali tinha hora marcada
E o silêncio então, comigo devaneava
Ouvi o vento na janela dando pancada
Ansiando entrar, e então, assim ficava
Repetindo num bate e bate a chamada
E a madrugada que o sono desprezava
Grafava dor, aperto, lágrima derramada
Num soneto, no qual, só suspiro coava
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, 17/05, 04'35"
Cerrado goiano
Enquanto eu sou da madrugada sem ter hora pra deitar
A sua vida é controlada, bem cedo vai se levantar
Mas quando eu lhe peço pra ter meu espaço
Você diz que eu só penso em mim
E ver meu sucesso
Razão do fracasso
Nosso amor chegou ao fim
É o verso que invade
A madrugada insone
É o amor que me traz saudade
O poema que grita teu nome!
É a tristeza que canta
É a dor que se cala
É a porta que bate
E o coração que dispara!
Assim é a madrugada fria
Dia a após dia
O amor se desfaz
E os dias se vão
Mas meu coração
Não olha pra trás!
