Pedro Bezerra
Quando o ser não possui mais nada a se destacar, ele busca sua grandeza na arte fútil de se sentir melhor que os outros através de atributos primitivos.
"Você é minha lua!", não, sou tua lua, que brilha e que ilumina o teu lado escuro, controla teu mar e nunca deixa mostrar o lado no qual não brilho por ti. Liberto poder-me-ia ser? Sem tua gravidade vagaria sem rumo até colidir em outro corpo infame. Isso não é amor, é doença.
Estou em uma profunda dúvida se transformo toda essa dor em texto ou somente bebo uma generosa dose de gin.
O problema é que amo cada pedacinho dela e queria me desprender de todos que me fazem mal: o seu todo.
A mesma coisa que me faz alcançar o auge da felicidade é a que me rebaixa ao auge da melancolia. Tenho a impressão de que isso não é saudável.
O amor é sempre, e somente sempre, irracional, nunca uma ovelha exporia seu pescoço para o primeiro que visse, pois enquanto possuir dentes pode estripá-la.
Você ficaria surpreso com o tanto que uma pessoa pode se tornar imbecil apenas para defender uma ideia.
Pressiono minhas feridas intensamente com a fútil esperança de que a dor acabe ou a dor de uma esconda as demais.
O que sempre me trouxe um estranho conforto em todos os fins de dias tristes era saber que quando parasse eu mergulharia em um mar morno, cinza e espesso de melancolia. A vida sempre foi triste, mesmo que nem sempre dependesse de mim.
Os momentos onde mais entendi de mesmo foram os de profunda tristeza, sorte a minha serem a maioria da minha vida.
O ser humano é tão doente que consegue amar intensamente alguém que não lhe retribui um terço do que lhe é dado.
