Meio
A morte nunca foi o ponto final, no máximo um ponto e vírgula em meio a tantas reticências que formam a brevidade da nossa vida
De um lado os grandes macacos, do outro verdadeiros homens e no meio de todos eles temos um monte de bananas
Tudo reina como está, não da forma como queremos, nem do meio que supomos, mas tudo a agir conforme merecemos
O mal será sempre o ceifador disposto a sufocar o bem, que sussurra em meio a semeadura inacabada, mas que jamais deixará de atuar em função de um ideal
Não desista em meio a uma batalha, respire, descanse e ore, pois o Senhor dos exércitos esta com você, estrategista de guerra nunca perdeu uma batalha a vitória virá creia.
Em tempos de guerra o melhor a fazer é orar, ferimentos são inevitáveis em meio a batalha, por isso a armadura de Deus é essencial, revista-se dela.
A espiritualidade não é um modo apartado do ser, antes ela encarnar os valores do reino em meio ao caos e nos faz luz em meio a escuridão.
A ciência consensual evolui quando hipóteses e teorias são comprovadas por meio de experimentos bem conduzidos, observações práticas e conclusivas e resultados confirmados mais de uma vez.
LASANHAS
Encontraram-se de uma forma meio estranha
numa encruzilhada
meio madrugada
quase manhã...
e se olharam de uma forma que acanha
e sentiram um calor esquisito
um fogo nas entranhas
e gelava uma brisa no corpo
um frio que assanha
e se sentiram presos numa armadilha que apanha
de surpresa e desprevenida uma vontade tamanha
de sentir no corpo a unha que arranha
do prazer, esse jogo onde não se perde nem se ganha
mas satisfaz toda a fantasia de quem sonha
e quando amar se torna uma façanha
pois se encontraram na praça
e perderam a vergonha
e se despiram de graça
sem preconceito dessa artemanha
e rolaram na grama e se enpernearam feito aranhas
e se lamberam na cama com gemidos de prazer e de manha
e se deliciaram como se fossem lasanhas...
Meio embaçada pelo tempo, Sílvia sorrir depois de um gol e das comemorações com as amigas; tenho a impressão de que ela me pisca ligeiramente, é uma ilusão boba que ficou anuviada pelo tempo, mas ainda brinca no meu subconsciente; não sei se é isso que chamamos de amor platônico, mas confesso que tenho medo de encontrá-la novamente depois de quatro décadas; aquele jeito sensual de andar, de mexer nos cabelos castanhos, aquele sorriso encantador... essas abstrações me povoam e demarcaram território no quintal que constitui as minhas lembranças, mas o tempo é devastador e seria insuportável vê-la diferente. Nunca lhe falei desse encanto, mas supunha que ela percebera pois notara alguns olhados, sorrisos maliciosos... mas como, alguém tímido, sonhador e solitário com uma baixa estima incomparável apesar de tirar as melhores notas do colégio, chegaria a uma diva em um grupo blindado e limitado. guardei essa paixão como uma relíquia, afinal, a realidade decompõe qualquer beleza, qualquer fantasia. No comecinho da noite eu sentava no muro do chalé acanhado como o seu inquilino e ficava olhando as copas das tamarineiras cintilando com os vagalumes e algumas estrelas; algumas crianças brincavam de ciranda, outras corriam barulhentas e desastradas esbarrando nos idosos e seus cuidadores; as crianças nem pensavam na vida, os cuidadores só pensavam em ganhá-la e os idosos se perguntavam quando Cristo voltaria, quando esse mundo acabaria, afinal havia a eminência de uma terceira guerra mundial, pois o mundo estava sempre em conflito, e os astrônomos descobriam sempre algum meteoro que vinha na direção do nosso planeta; desculpa pra morrer não faltava, afinal o nosso planeta parecia estar com o prazo de validade vencido. Eu não queria pensar nisso, aliás o fim do mundo, as guerras, os meteoros, tudo me apavorava, mas tínhamos o Clark Kent e o Bruce Wayne, e se eles falhassem, eu me declararia a Sílvia e fugiríamos para Aiuaba, onde certamente as noites são bem longas, existem mais estrelas, tamarineiras e vagalumes, e ali, o fim do mundo jamais nos alcançaria
No meio da noite em total solidão, alguém olha as estrelas; esta é a referência de referência nenhuma, quem um dia não ficou no meio da noite olhando estrelas, tentando entender o que se fez ou o que se deixou de fazer. Existe muito mais gente do que se possa imaginar olhando estrelas; metaforicamente, todas as noites alguém olha o seu copo de cerveja, olha o seu uisque, olha o seu vinho, olha o lago, tentando entender as constelações. As noites são tão longas e os mundos tão distantes, por mais que se veleje nas fantasias há um desencontro e os pontos luminosos que vemos foi só um adorno divino num momento de total solidão. As vezes fico assim olhando estrelas, buscando a minha intuição, quem criou tantas luzes quem criou tantos mundos deve viver em total solidão; se vivo solitário nas minhas indagações, se com um simples poema não sou compreendido quem compreenderá tanta imensidão...
Gosto de meio a meio, de meio-dia, de meia-noite, de meia-luz, de meia-entrada, etc. Mas detesto meias verdades e meias mentiras. Ou você fica de um lado do muro ou do outro. O que não pode é ficar em cima. Opinião é importante, decisão é fundamental. Atitude, porém, não tem preço.
A vida conectada é uma grande ilusão, nunca nos sentimos tão sós e tão vazios no meio da multidão. O próximo ficou muito mais distante que o longe tradicional e o que era palpável se tornou frio e mórbido. A beleza nunca foi tão artificial e sem deslumbre. Evoluímos e nos tornamos escravos da tecnologia, fomos robotizados e nos desumanizamos.
Tem dias que você vai trabalhar desanimado, sem ânimo, triste, meio para baixo e tem dias que você vai trabalhar animado, cheio de gás, muito feliz. Esses dias são segunda e sexta.
Zoeira Galvão
Neste mundo moderno, luta-se pela preservação do meio ambiente, mas esquece-se da preservação das obras de arte que relatam a nossa magnífica história.
