Mediunidade
Crença, Mediunidade e Lucidez Espírita: uma reflexão a partir de Raul Teixeira
Ao longo de décadas de dedicação ao estudo e à divulgação da Doutrina Espírita, Raul Teixeira tem chamado a atenção para uma distinção essencial: crer não é o mesmo que compreender, assim como possuir mediunidade não significa possuir lucidez espiritual.
Na perspectiva espírita, a crença isolada pode representar apenas um ponto de partida. Allan Kardec jamais propôs uma fé cega, mas uma convicção edificada pela observação, pela razão e pelo exame criterioso dos fatos. É por isso que o Espiritismo convida o indivíduo a pensar, investigar e confrontar as ideias antes de aceitá-las.
Raul Teixeira frequentemente destaca que a mediunidade é uma faculdade inerente ao ser humano, manifestando-se em diferentes graus. Entretanto, essa faculdade, por si só, não constitui certificado de elevação moral, nem de infalibilidade doutrinária. Um médium pode ser sincero e, ainda assim, equivocar-se por influência de suas próprias opiniões, emoções, preconceitos ou pela ação de Espíritos imperfeitos.
A verdadeira lucidez espírita nasce da harmonização entre três pilares inseparáveis:
o estudo constante da Codificação Espírita;
a educação moral do indivíduo;
o exercício permanente do discernimento.
Sem esses elementos, a mediunidade corre o risco de transformar-se em mero fenômeno, desvinculado de sua finalidade educativa e regeneradora.
Allan Kardec estabeleceu o Controle Universal do Ensino dos Espíritos justamente para evitar que opiniões pessoais ou comunicações isoladas fossem elevadas à condição de verdade doutrinária. Esse método demonstra que a autoridade, no Espiritismo, não pertence ao médium, mas à concordância universal dos ensinos submetidos ao crivo da razão.
Raul Teixeira também recorda que a experiência mediúnica jamais dispensa o estudo. Quanto maior a faculdade, maior deve ser a responsabilidade. A ignorância doutrinária pode conduzir ao personalismo, ao misticismo exagerado e à aceitação acrítica de qualquer mensagem espiritual.
A lucidez espírita manifesta-se quando o adepto compreende que nenhu
MÉDIUNS VERDADEIROS E FALSOS MÉDIUNS: QUANDO A MEDIUNIDADE SE AFASTA DA LEI MORAL.
A RESPONSABILIDADE ESPÍRITA DIANTE DOS NOVOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Aos queridos amigos e irmãos em Doutrina Espírita Shirley De Siqueira e Artur Felipe Ferreira. Com votos de muita paz sempre por tua dedicação e zelo por nossa doutrina inalienável.
Na atualidade, com os meios de comunicação cada vez mais ativos, rápidos e abrangentes, as antigas advertências da Codificação Espírita ganham uma dimensão ainda maior. Aquilo que antes permanecia restrito a pequenos círculos pode hoje alcançar milhares de pessoas em poucos instantes, tornando a responsabilidade moral diante da divulgação espiritual muito mais ampla.
Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: nós, espíritas, cruzaremos os braços ou voltaremos as costas diante dos procedimentos que deturpam a mediunidade e confundem aqueles que buscam amparo para suas dores?
O silêncio, quando a verdade precisa ser esclarecida, pode transformar-se em uma forma indireta de colaboração com o erro. O Espiritismo jamais ensinou a agressividade, a condenação precipitada ou o julgamento pessoal, mas igualmente nunca recomendou a omissão diante da mistificação, do abuso da fé e da exploração da fragilidade humana.
O bom senso, princípio tão valorizado por Allan Kardec, deve permanecer como guia permanente do espírita consciente. Não foi sem razão que Camille Flammarion, em seu discurso por ocasião da desencarnação de Allan Kardec, em 31 de março de 1869, destacou essa característica fundamental do Codificador, ao referir-se a ele como “o bom senso encarnado”.
Esse bom senso não representa frieza ou indiferença; ao contrário, significa unir razão e sentimento, compaixão e discernimento, respeito e responsabilidade.
Defender a mediunidade verdadeira não é atacar médiuns; é proteger a própria dignidade da faculdade mediúnica. Esclarecer não é perseguir; é exercer caridade para com aqueles que podem ser conduzidos ao engano em momentos de profunda vulnerabilidade.
A mensagem espírita não teme o exame, porque a verdade não necessita de artifícios para permanecer de pé. Quanto maior for o alcance dos meios de comunicação, maior deve ser também o compromisso dos espíritas com o estudo, a prudência e a fidelidade aos princípios ensinados pelos Espíritos superiores.
A mediunidade, segundo o Espiritismo, não é um título de superioridade espiritual, uma marca de santificação ou uma autorização para exercer domínio sobre consciências fragilizadas pela dor. É uma faculdade humana, concedida como instrumento de auxílio, esclarecimento e progresso moral. Entretanto, quando essa faculdade é contaminada pelo orgulho, pelo interesse pessoal, pela vaidade ou pela exploração da fé alheia, transforma-se em terreno perigoso, capaz de produzir sofrimentos profundos.
Não são poucos os casos em que pessoas, diante da perda de um ente querido, de uma enfermidade ou de uma angústia existencial, procuram respostas em indivíduos que se apresentam como médiuns. A fragilidade emocional do momento torna o sofrimento ainda maior quando encontram alguém que, utilizando-se de uma suposta autoridade espiritual, oferece falsas certezas, mensagens inventadas ou promessas que alimentam ilusões.
O problema não está na mediunidade; está naquele que a utiliza sem responsabilidade moral.
O CRITÉRIO DE JESUS E A QUESTÃO 624 DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
Allan Kardec, ao organizar os ensinamentos dos Espíritos, não deixou a análise dos médiuns entregue ao fascínio dos fenômenos. Ele estabeleceu um critério superior: a moralidade.
A questão 624 de O Livro dos Espíritos pergunta:
“Qual o caráter do verdadeiro profeta?”
E os Espíritos respondem:
“O verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. Podeis reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos seus atos. Impossível é que Deus se sirva da boca do mentiroso para ensinar a verdade.”
Essa resposta é uma das mais severas advertências da Codificação. Ela não afirma que o verdadeiro mensageiro deve ser alguém sem imperfeições humanas, mas estabelece que suas atitudes devem confirmar suas palavras.
A denúncia espiritual contida nessa questão é clara: não existe legitimidade divina em quem mente, manipula ou utiliza o sofrimento alheio para benefício próprio.
O discurso religioso pode impressionar; a aparência pode convencer; os fenômenos podem despertar curiosidade. Porém, para o Espiritismo, o julgamento deve repousar sobre a conduta moral.
JESUS COMO MODELO SUPREMO — QUESTÃO 625
Na sequência, a questão 625. pergunta:
“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”
A resposta é direta:
“Jesus.”
Kardec demonstra que a referência maior da humanidade não é o fenômeno, mas o amor; não é o poder, mas a renúncia; não é a fama, mas o serviço.
Jesus jamais transformou sua missão em comércio espiritual. Curou, consolou e ensinou sem exigir recompensa material. Sua autoridade vinha da harmonia absoluta entre aquilo que ensinava e aquilo que vivia.
Por isso, todo médium que pretende representar o mundo espiritual precisa confrontar sua própria conduta com esse modelo.
A OMISSÃO HUMANA DIANTE DA QUESTÃO 932.
A questão 932 de O Livro dos Espíritos apresenta uma reflexão profunda:
“Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?”
Resposta:
“Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”
Essa questão revela uma realidade que ultrapassa a mediunidade: muitas vezes, o erro prospera não apenas pela força de quem engana, mas pelo silêncio daqueles que conhecem a verdade e permanecem inertes.
É lamentável que essa advertência ainda pese pouco na consciência coletiva quando um falso médium, aproveitando-se da dor de uma família enlutada, produz uma segunda morte: a morte da esperança verdadeira, substituída pela mentira.
A primeira dor é a perda física do ser amado. A segunda é ser enganado no momento em que a alma está mais vulnerável.
O silêncio diante desses abusos favorece que a influência dos maus continue predominando.
KARDEC E OS MÉDIUNS QUE DESVIARAM SUA MISSÃO.
Allan Kardec jamais tratou os médiuns como figuras intocáveis. Pelo contrário, examinou profundamente os perigos que envolviam aqueles que possuíam essa faculdade.
Na Revista Espírita de março de 1859, no artigo “Médiuns Interesseiros”, Kardec alerta contra aqueles que transformavam a mediunidade em fonte de lucro ou vantagem pessoal.
Para ele, o problema não era apenas receber dinheiro diretamente. O interesse podia assumir várias formas:
desejo de fama;
necessidade de admiração;
busca de poder sobre os outros;
criação de dependência psicológica;
exploração da credulidade pública.
O médium que usa a faculdade mediúnica para alimentar o próprio ego afasta-se do objetivo espiritual da mediunidade.
Kardec esclarece que os Espíritos superiores não se associam a intenções mesquinhas. Quando o orgulho e o interesse dominam o instrumento mediúnico, abre-se espaço para mistificações e comunicações inferiores.
A MEDIUNIDADE NÃO É PROFISSÃO.
Em O Livro dos Médiuns, capítulo XXVI — “Da Gratuidade da Mediunidade” — Kardec reafirma o princípio ensinado por Jesus:
“Dai de graça o que de graça recebestes.”
A mediunidade, sendo uma faculdade concedida por Deus, não pode ser transformada em instrumento comercial.
A cobrança direta por comunicações espirituais, consultas ou revelações representa uma inversão do sentido da faculdade.
O médium não é proprietário da mensagem espiritual. É apenas intermediário.
Transformar o sofrimento humano em oportunidade de ganho é uma grave distorção moral.
O PERIGO DA CARIDADE USADA COMO JUSTIFICATIVA.
Um dos pontos mais delicados analisados por Kardec é a falsa aparência de bondade.
Alguns indivíduos podem realizar ações aparentemente caridosas e, ao mesmo tempo, manter práticas de exploração espiritual.
A verdadeira caridade, conforme a questão 886 de O Livro dos Espíritos, não está apenas na ação exterior, mas na pureza da intenção:
“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros e perdão das ofensas.”
A caridade não pode ser usada como máscara para justificar manipulação, vaidade ou interesse.
O bem verdadeiro não precisa de propaganda para provar sua existência.
O MÉDIUM E SUA RESPONSABILIDADE DIANTE DA DOR HUMANA.
A maior responsabilidade do médium não é produzir fenômenos; é preservar a verdade e o consolo legítimo.
Uma mensagem espiritual deve conduzir ao equilíbrio, à esperança, à reforma íntima e à confiança em Deus. Quando cria dependência, medo ou submissão cega, afastou-se do Evangelho.
O verdadeiro médium não se coloca entre a criatura e Deus como dono das respostas. Ele auxilia o próximo a encontrar dentro de si a força espiritual necessária para caminhar.
A mediunidade elevada não escraviza consciências; liberta.
CONCLUSÃO.
O Espiritismo não condena a mediunidade; denuncia seu desvio, ainda mais quando esta não é autentica e usada sob a bandeira do Espiritismo. Porque o espiritismo não é isso. O Espiritismo tem uma identidade própria denotada por seu codificador.
Allan Kardec ensinou que o médium deve ser avaliado pela moral, pelos frutos e pela coerência de sua vida. A faculdade mediúnica sem vigilância moral pode transformar-se em instrumento de engano; porém, quando orientada pelo Evangelho, torna-se caminho de auxílio e esclarecimento.
A questão 624 permanece como um marco de discernimento:
Deus não se serve da boca do mentiroso para ensinar a verdade.
E a questão 932 permanece como uma advertência coletiva:
O mal avança quando os bons se calam.
Diante da dor humana, a responsabilidade não pertence apenas a quem engana, mas também àqueles que, conhecendo a verdade, deixam de defendê-la.
FONTES.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questões 624, 625, 886 e 932.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Capítulo XXVI — Da Gratuidade da Mediunidade. 1861.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos. Março de 1859. Artigo: “Médiuns Interesseiros”.
KARDEC, Allan. Revista Espírita. Março de 1859. Artigo: “Estudo sobre os Médiuns”.
KARDEC, Allan. Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Revista Espírita, maio de 1858.
RAUL TEIXEIRA E A ÉTICA SUBLIME DA MEDIUNIDADE.
A reflexão de Raul Teixeira acerca da mediunidade insere-se no cerne mais elevado da disciplina moral proposta pela Espiritismo. Não se trata de mera advertência periférica, mas de um verdadeiro tratado ético condensado em exortações lúcidas e profundamente responsáveis. O médium, longe de ser um protagonista vaidoso, é instrumento transitório de forças superiores, cuja dignidade repousa precisamente na renúncia de si mesmo.
Ao afirmar que aqueles que laboram com Jesus Cristo não buscam elogios nem reconhecimento, Teixeira reafirma o princípio kardeciano segundo o qual a mediunidade é uma faculdade natural, e não um privilégio espiritual. Tal compreensão dissolve qualquer pretensão de superioridade, deslocando o foco da exaltação pessoal para o serviço desinteressado. O verdadeiro médium não se compraz em aplausos, mas recolhe-se na consciência do dever cumprido, sabendo-se aprendiz em permanente lapidação.
Nesse sentido, a proposta de substituir elogios superficiais por preces e apoio espiritual revela uma compreensão psicológica e moral de rara profundidade. O elogio, quando não temperado pela lucidez, pode converter-se em fermento da vaidade. A prece, ao contrário, eleva, protege e harmoniza. Ela sustenta o médium nas zonas invisíveis de sua luta íntima, onde se travam os combates mais decisivos contra o orgulho e o egoísmo.
As advertências quanto às armadilhas da vaidade, do orgulho e do egoísmo não são meras fórmulas retóricas. Constituem diagnósticos precisos das fragilidades humanas. O médium, por lidar com o invisível e frequentemente ser alvo de admiração, encontra-se particularmente exposto a tais desvios. A vigilância, portanto, não é opcional, mas imperativa. Trata-se de uma disciplina interior contínua, um exercício de autoconhecimento que exige rigor moral e honestidade intelectual.
A humildade, nesse contexto, não é uma virtude ornamental, mas estrutural. Reconhecer a própria imperfeição não diminui o médium, antes o legitima. É essa consciência que impede a cristalização do ego e permite o fluxo mais puro da comunicação espiritual. A mediunidade sã nasce, assim, de uma alma que se conhece limitada e, por isso mesmo, se abre à transcendência com reverência e responsabilidade.
O CHAMADO PERENE AO AMOR E À CARIDADE.
Ao encerrar sua exposição com um apelo ao amor e à caridade, Raul Teixeira reconduz a mediunidade ao seu eixo essencial. Toda faculdade mediúnica que não se converte em serviço ao próximo perde sua finalidade e degrada-se em espetáculo vazio. Amor e caridade não são adereços da prática espírita, mas sua substância vital, os pilares sobre os quais repousa toda a edificação moral do ser.
A evocação de Jesus como o sol das nossas vidas não constitui mera metáfora devocional, mas uma síntese teológica de elevada densidade. O Cristo, enquanto modelo e guia, ilumina o caminho do médium e de todos os que aspiram à elevação espiritual. Seguir seus ensinamentos é orientar-se por uma ética do bem absoluto, na qual cada ação se mede pelo benefício que produz ao outro.
Trabalhar em prol do bem, portanto, não é um gesto episódico, mas uma vocação contínua. É no exercício silencioso da caridade, na renúncia às próprias inclinações inferiores e na dedicação ao próximo que o médium encontra sua verdadeira grandeza.
E assim, entre a vigilância interior e o serviço amoroso, delineia-se a senda austera e luminosa daquele que, sem buscar ser visto, torna-se digno de ser instrumento do invisível, onde a consciência reta vale mais que qualquer aplauso e o bem realizado ecoa além do tempo.
DA MEDIUNIDADE ANIMAL À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA.
A investigação da suposta mediunidade no reino animal exige, antes de qualquer conjectura apressada, um rigor metodológico que se harmonize com os princípios da epistemologia espírita, cuja base repousa na observação sistemática, na universalidade do ensino dos Espíritos e na prudência analítica diante dos fenômenos. Não se trata de matéria que se resolva por impressões subjetivas ou sentimentalismos afetivos, mas por criteriosa exegese das fontes primárias da Codificação e dos registros experimentais consignados nos anais do Espiritismo nascente.
Desde as primeiras deliberações da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, observa-se que a questão da mediunidade animal foi tratada com notável circunspecção. Longe de qualquer afirmação categórica precipitada, o exame foi conduzido sob o crivo da razão disciplinada, conforme o próprio princípio kardeciano de que "os fatos, eis o verdadeiro critério dos nossos julgamentos" e que, "na ausência dos fatos, a dúvida é a opinião do homem sensato". Tal diretriz metodológica estabelece um paradigma que afasta tanto o dogmatismo afirmativo quanto a negação arbitrária.
No que concerne às obras fundamentais, particularmente nas questões 234 a 236 de "O Livro dos Médiuns", delineia-se com clareza a distinção essencial entre sensibilidade orgânica e mediunidade propriamente dita. A mediunidade, em sua acepção rigorosa, pressupõe não apenas receptividade fluídica, mas igualmente uma estrutura psíquica capaz de elaborar, traduzir e exteriorizar conteúdos inteligíveis oriundos do plano espiritual. Tal faculdade exige memória organizada, capacidade simbólica e desenvolvimento intelectual suficiente para a articulação de ideias.
Ora, os animais, embora dotados de notável sensibilidade e de um instinto refinado, não possuem ainda tais atributos em grau que permita a comunicação consciente. Sua atividade psíquica permanece circunscrita ao domínio do instinto e da percepção imediata, desprovida da abstração reflexiva que caracteriza o Espírito humano.
O célebre relato publicado na "Revista Espírita" de junho de 1860 ilustra com singular clareza essa distinção. O comportamento do cão que aparentava reconhecer o antigo proprietário desencarnado não foi interpretado como manifestação mediúnica, mas como expressão da extrema acuidade sensorial própria à espécie. Conforme esclarecido pelo Espírito comunicante, "a extrema finura dos sentidos pode levar a adivinhar a presença do Espírito e até a vê-lo", sendo o olfato e o chamado fluido magnético os principais veículos dessa percepção.
A explicação posterior, atribuída ao Espírito Georges, aprofunda essa análise ao introduzir o conceito de ressonância fluídica. Segundo ele, "a vontade humana atinge e adverte o instinto dos animais", estabelecendo uma comunicação indireta que não se realiza por vias intelectuais, mas por intermédio de impressões vibratórias que alcançam o sistema nervoso do animal. Tal fenômeno revela uma interação sutil entre os planos material e espiritual, mediada pelo perispírito e pelas correntes fluídicas que permeiam ambos.
Dessa forma, o animal não percebe o Espírito por visão objetiva, mas por uma espécie de intuição sensorial ampliada, na qual o conjunto de seu organismo reage à presença invisível. Trata-se, portanto, de um fenômeno sensitivo e não mediúnico, instintivo e não consciente.
A análise torna-se ainda mais complexa quando se examinam os relatos de manifestações pós-morte de animais, como o caso da cadelinha Mika, descrito na "Revista Espírita" de maio de 1865. O testemunho, corroborado por múltiplas percepções independentes, sugere a possibilidade de uma forma de sobrevivência do princípio inteligente animal. Todavia, a interpretação doutrinária mantém-se prudente.
O próprio codificador observa que "os fatos desse gênero não são ainda nem bastante numerosos, nem bastante averiguados para deles deduzir uma teoria afirmativa ou negativa". Tal afirmação revela uma postura científica exemplar, que se recusa a transformar casos isolados em leis gerais.
A comunicação espiritual recebida em 21 de abril de 1865 introduz o conceito de "estado de crisálida espiritual", no qual o princípio inteligente animal se encontra em fase de elaboração e transição. Nesse estágio, o perispírito não possui forma definida nem estabilidade suficiente para sustentar manifestações duradouras. As eventuais aparições seriam, portanto, efêmeras, desprovidas de consciência reflexiva e incapazes de estabelecer comunicação estruturada.
Esse entendimento coaduna-se com a noção de progressividade da alma, segundo a qual o princípio inteligente percorre uma escala ascensional que vai do instinto à razão. Somente ao atingir o grau humano adquire as faculdades necessárias à mediunidade, entendida como instrumento de intercâmbio consciente entre os dois planos da existência.
Importa ainda considerar a teoria das criações fluídicas, exposta na "Revista Espírita" de junho de 1868. Segundo essa concepção, o Espírito pode plasmar formas no envoltório perispiritual, produzindo imagens que possuem realidade relativa no plano espiritual. Assim, certas manifestações atribuídas a animais podem, em verdade, ser projeções fluídicas criadas por Espíritos, utilizando formas conhecidas para fins didáticos ou experimentais.
Essa hipótese explica a aparente materialidade de certas aparições sem implicar a presença efetiva de um Espírito animal individualizado. Trata-se de imagens fluídicas que, embora perceptíveis, não possuem autonomia consciente.
Diante desse conjunto de elementos, a Doutrina Espírita estabelece com notável coerência um princípio hierárquico no desenvolvimento espiritual. A mediunidade, enquanto faculdade complexa e consciente, pertence ao estágio humano da evolução. Os animais, embora sensíveis às influências espirituais, não dispõem ainda dos instrumentos psíquicos necessários para exercê-la.
Contudo, longe de rebaixar o valor do reino animal, essa compreensão o insere numa perspectiva grandiosa de continuidade evolutiva. O animal não é um ser estático, mas um Espírito em formação, destinado a ascender progressivamente na escala dos seres. Sua sensibilidade aguçada, sua capacidade de afeição e sua percepção sutil constituem indícios dessa trajetória ascensional.
Assim, ao perscrutar os limites entre instinto e inteligência, entre sensação e consciência, o pensamento espírita revela uma ordem universal regida por leis sábias e graduais. Cada ser ocupa o lugar que lhe corresponde, não por privilégio, mas por mérito evolutivo, avançando silenciosamente na direção de uma lucidez cada vez mais ampla e profunda.
E é nessa harmonia progressiva, onde nada se perde e tudo se transforma, que se descortina a grandeza da criação, convidando o espírito humano a contemplar, com reverência e responsabilidade, o vasto encadeamento da vida."
"Um dos maiores escolhos da mediunidade é a obsessão, isto é, o domínio que certos Espíritos podem exercer sobre os médiuns, a eles se impondo sob nomes apócrifos e os impedindo de se comunicarem com outros Espíritos."
Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail)
(O espiritismo em sua expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec / por Allan Kardec; [tradução de Evandro Noleto Bezerra]. - Brasília: FEB.)
"A mediunidade é uma faculdade essencialmente móvel e fugidia, em razão de subordinar-se à vontade dos Espíritos; é por isso que está sujeita a intermitências. Tal motivo, e o princípio mesmo segundo o qual se estabelece a comunicação, são obstáculos a que se torne uma profissão lucrativa, visto que não poderia ser permanente, nem aplicável a todos os Espíritos, podendo falhar no momento em que mais se necessite dela. Aliás, não é racional admitir que Espíritos sérios se ponham à disposição do primeiro que os quisesse explorar."
Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail)
(O espiritismo em sua expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec / por Allan Kardec; [tradução de Evandro Noleto Bezerra]. - Brasília: FEB.)
Reforma intima e mediunidade.......
A reforma intima se faz necessitaria,para aflorar as habilidades humanas que temos, mas poucos conhecem.
A capacidade de conectar se de verdade com Deus,ao extra físico,ao que não vemos,tem como título: MEDIUNIDADE,ela traz muitas experiencias que não vemos no dia a dia ou por qualquer um.
Ao contrário do que dizem,a mediunidade é uma habilidade do ser humano;e é lindo e todo mundo um dia vai desenvolver e só é estranha quando esta em desequilíbrio.
Mas quando buscamos a sintonia,não tem porque se assustar,tudo o que precisamos é nos permitir conhecer o assunto para desmistificar.
Desenvolver o sexto sentido é equalizar: semelhante a uma estação de radio,que não sintonizada,jamais iremos entender o que querem nos dizer. Só acontece uma irritação,com a bagunça das estacoes tentando entrar na frequência, enquanto procuramos nossa radio favorita.
Sexto sentido não tem meio termo,ou você assume as rédeas de sua vida,ou vira fantoche.
Assim como tudo na sociedade é visto como um bicho de sete cabeças,a palavra mediunidade também,mas é apenas a capacidade de se conectar com o extrafísico.
O sensitivo é assertivo e,só vive as loucuras do desequilíbrio, levando porradas da vida se não tiver conhecimento de causa.
Há quatro tipos de historias sobre a mediunidade que leva ao sofrimento em vez das bençãos.
1- Vão dizer que é coisa do demônio.
2- vão dizer que não existe.e que você é louco.Não somos loucos,só enxergamos o que ninguém mais viu.
3- Vão dizer que tem que estudar anos para aprender a controlar e que mediunidade é só para ajudar os outros,mas não pode ser para ajudar você.
4- Você vai entrar em alguma instituição religiosa e vai ser escravo de rituais,de entidade e você começa a trabalhar e não tem mais vida própria.
Quando a mediunidade começa a dar sinais,é para te avisar que esta na hora de evoluir. Fica para trás a politica,religião e principalmente os medicamentos,porque sintonizados,somos guiados,desconectado do fluxo inconsciente que gera o psique do mundo.
Somos livres e soltos,guiados pela força maior,dentro da verdade maior e esta força brota com a certeza do nosso querer.
Existem vários tipos de mediunidade e você saberá qual seu maior dom,sua maior habilidade.
A mediunidade é um dom,é lindo e tudo que vem de Deus é sutil e os seres de luz nos conduz a nossa missão aqui terra.
A quem chame a mediunidade de canal, temos que sintonizar na frequência correta para que as mensagens venham nítidas e sem ruídos. Quando abrimos a nossa mente, conseguimos captar estas mensagens e auxiliar aqueles que nos pedem ajuda por meio destas simples comunicações.
A História nos oferece a visão de que a mediunidade foi descrita, quase que invariavelmente, como um sinal de morbidez psicopatológica.
Muitas pessoas que tem a mediunidade aberta, ostensiva ou não, me perguntam se devem desenvolver esse dote. Depende do que a pessoa quer fazer com isso. Se é apenas curiosidade para "saber como é", melhor desistir. Ou mesmo alguém que faz viagens astrais e sofre com isso, se tem mediunidade, a aproximação de entidades de luz, podem minorar esse sofrimento. Mas não serve apenas para isso. Haverá muita dificuldade nessa aproximação se não tiver um objetivo bem definido. Ninguém pode achar que de alguma forma, entidades de luz estão à nossa disposição para o que bem entendermos. Entidades de luz, para quem acredita nelas, são apenas espíritos, luz, energia pensante, que tem alguma experiência além do que temos. Elas também estão no caminho da sua própria evolução e quando findar isso, irão para outra dimensão. Me faz espécie quando alguns médiuns que já trabalham as chamam de "meu guia", como se fossem donos de uma entidade. Ninguém é dono de nada a não ser a própria vida. Entidades vem, através do beneplácito superior, trabalhar em conjunto com o médium, trazendo alguma informação e aprendendo com outras. Por isso a evolução é conjunta. Elas podem até saber de uma ou outra coisa a mais que os humanos, mas também tem muito a aprender com esses mesmos humanos. Outra coisa, muitos anseiam por uma incorporação, mas que fique bem claro: dentro das mais diversas modalidades de mediunidade, a incorporação remete ao último lugar da lista. Claro que alguns, pelo menos nessa encarnação, não passarão disso mesmo. O beneplácito astral e as escolhas que fazemos ao encarnar, não permitem ir além disso. Lamenta-se também por aqueles que querem "desenvolver" na marra um dom que não tem, como por exemplo, "ativar" o chakra Frontal, nesse caso, a clarividência. Não se desenvolve algo que não tem para ser desenvolvido. Como eu disse no começo, mediunidade não é curiosidade, parque de diversões e muito menos motivos de orgulho. Quem é médium apenas tem uma oportunidade de resgatar coisas erradas que fez em outras encarnações. Quem entrar nessa senda, que seja por um bom motivo, senão corre o risco de passar anos e não acontecer nada. O único motivo é muito simples: ajudar outro ser humano e também a si mesmo. Egoísmo e desenvolvimento mediúnico não andam lado a lado.
A mediunidade é a cura para um mundo melhor, precisamos entende-la e o espirito da verdade da lei de Deus, se manifestará.
Mediunidade nos aproxima da luz quanto das trevas. Se sabe ser médium, cuidado com seus pensamentos e atitudes. Luz atrai luz, escuridão atrai escuridão.
Quando pequenos aprendemos pelos 6 sentidos.Audição,Visão,ofato,Paladar, mediunidade intuitiva. Só Depois lemos e escrevemos.Muitas vezes devemos pensar com inocência e sabedoria e imaginação de uma criança para ter respostas.
Não pense que a mediunidade é apenas uma ferramenta de auxílio terceiro, é também um atributo exclusivo e ativo para nossa própria educação, assim feito, conseguiremos auxiliar o próximo.
DEUS É BOM O TEMPO TODO
Na mediunidade, que poucos sabem o que é
e pra que serve, o explicitar da Verdade trazida pelo apostolo Paulo em Atos 2:17 e convidados a profetizar, profetizamos cedendo nossos corpos, ainda pirilampos, mais apagados que acesos e como antenas ou cavalos mancos, se humildes , vez por outra somos visitados por seres elevados.
Se inverso, no escopo a que Deus nos direciona convém o sobreaviso
e embora alegre com um sorriso o coração se conserve vigilante e consiso porque como simples antenas, também somos espelhos e nos assemelhamos a ralo contrapiso.
A mediunidade é uma coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente. Se há um gênero de mediunidade que requeira essa condição de modo ainda mais absoluto é a mediunidade curadora.
Mediunidade
Por poder estar conectada aos espíritos, sempre me disseram que sou/estou louca. As vozes na minha cabeça eram ou são devido a ser depressiva bipolar, uma doente mental. Passei a vida lutando contra, pedi a Deus para me livrar disso. Me convenceram que a mediunidade era coisa do mal, do capiroto. Tive uma vida totalmente derrotada, bloqueada e dores, cheia de traumas vindo de todos e qualquer lugar. Agora que entendo um pouquinho sobre mediunidade, me sinto sem forças para seguir em frente. Com doenças psicossomáticas, como depressão bipolar, ansiedade, fibromialgia, DTM, etc. Nunca me senti amada e não acho um lugarzinho para mim nesse mundo. Não me considero uma pessoa feliz.
Mediunidade: A Serviço da Luz
Cada vez que sinto a divina presença se manifestar através de mim, meu coração é envolvido por um brilho de encanto. Mesmo nos menores gestos, percebo a maravilha de ser uma intermediária entre o mundo físico e o espiritual, representando Deus na Terra e trazendo luz e amor ao mundo.
Meu propósito divino transcende as ações diárias. Sou um instrumento de Deus, espalhando Sua graça e compaixão por onde passo. Em cada palavra de conforto que ofereço, em cada mão estendida, cumpro minha missão de ser uma ponte entre o divino e o humano. Minha vida é um reflexo do amor e da misericórdia de Deus, e meu coração transborda de gratidão por poder servir a esse propósito sagrado.
Pelo prisma espiritual, posso observar o que passa despercebido aos olhos físicos e auxiliar na direção da evolução. Com minha missão como médium, sigo adiante, consciente de que cada pequeno gesto está no propósito do plano divino. E assim, com humildade e devoção, continuo minha jornada, honrando o privilégio de ser uma representante de Deus na Terra.
