Mau Gosto
CARTA DO FUTURO PRA QUEM SOFRE DE AMOR HOJE
Talvez você leia essas linhas com mau gosto. Afinal de contas, a primeira característica comum aos que sofrem de amor é a certeza de que nada faz passar a dor que estão sentindo. E eu não fui diferente.
Não é como se o sentimento fosse um buraco no seu peito, mas como se você fosse o próprio buraco, perdido em si mesmo.
Eu entendo. E pode se irritar e clicar no “del” que fica à sua direita, mas eu sorrio. Sorrio porque aqui, depois do tempo que passou, no seu futuro, eu sei que sofrer por amor é o que nos dá, mais do que nunca antes, a certeza de que estamos vivos. De que é possível sentir cada parte do nosso corpo, mesmo que seja porque a dor não cabe no peito e se espalha pelo pêlos, terminações nervosas e unhas. Tudo dói. Doer de amor é a certeza de viver. Viver para morrer de amor.
Mas a morte não vem. Não vem e o futuro vai te fazer perceber que ninguém morre de amor. Amor é uma doença que não tem complicações, não leva pra UTI, não amputa. Amor é doença que cura. Amor é o sofrimento mais genuíno que existe porque o motivo do amor é só o amor.
Eu sei, você quer ficar em casa. Porque amor é doença. Igual gripe. Você quer estar embaixo das cobertas, chorar, tomar sopas e chás quentinhos. E aqui está a primeira coisa que, daqui do futuro, vejo que deveria ter feito. Faça esse amor girar, coloque esse sentimento para criar. Escreva, leia, pinte, borde, pule, fotografe, cante, componha. Transforme o amor que você sente em arte.
O amor que se transforma em arte se torna eterno. E aí você não vai mais sentir medo de perder esse sofrimento. Sim, porque nós sofremos pelo fim do amor porque não queremos perder o sentimento para o tempo. Sofrer de amor não é querer que ele acabe. É querer que ele seja eterno.
Daqui, do futuro, eu sei que ninguém que te disser “ele não te merece” vai mexer em um só pingo desse amor. Também sei que aqueles que te dizem “vai passar” ou te chamam de tolo não te trazem consolo, mas raiva. Você automaticamente pensa que eles não sabem o que você está sentindo, não estão sofrendo como você, não viveram aquela paixão.
Querida, eu (que sou eu no seu futuro) te digo com todas as letras: não vai passar e não vai doer menos simplesmente porque você quer. Quando mais você se importa em esquecer, mais lembra. Deixe a vida, deixe rolar, deixe sofrer. O amor só para de doer quando acaba, seca, dói tudo que tinha pra doer.
É igual gripe, que a minha avó já dizia que só passava em sete dias. O remédio pode até dar a sensação de que passou, mas quando anoitece você sabe que ela ainda está ali. E deixa estar. Não tenha pressa pelo fim do amor. Ele vai passar na hora certa, mas não vai acabar nunca.
Hoje, do futuro, eu te digo: quem você amou não morre nunca. Mas surgem novos amores, cheios de realidade, cheios de vida, que te mostram que o que você pensou que era amor era só uma lembrança bonita, um apego pela primeira descoberta, uma certeza que você precisava naquele momento. O amor, menina, o amor não morre nunca. Ele metamorfoseia, transforma e te acompanha pra sempre.
Sofrer de amor é bonito. Dói, mas é bonito. Eu só cheguei aqui, longe de onde estive quando estava aí sofrendo de amor, porque sofri. Sofrer de amor é necessário, cresce, te faz tomar as rédeas da sua vida.
Então viva. Viva esse sofrimento, essa dor, esse amor. Esgote as suas lágrimas pela morte do amor, achando que um dia ela vai chegar.
Porque se hoje eu estivesse com a sua idade, sofreria mais. Me entregaria com todas as forças a essa dor de amor. Porque sofrer de amor nos dá a maior certeza das nossas vidas: a que estamos vivos.
Ser simples não significa ser desleixada ou ter mau gosto, não significa rejeitar o conforto e não significa ser boba. Ser simples é gostar de se cuidar sem ser extravagante, é usufruir do que o dinheiro compra sem exagero e desperdício, é ser observadora, inteligente e tolerante, sem usar a arrogância e a agressividade para expor ou resolver algo. Acredite, simplicidade é sofisticação
CARA TÃO TOSCO
Que mocinha mais lindinha,
mas de tremendo mau gosto.
Vir logo simpatizar,
com esse cara tão tosco.
Menina, não acredito,
no que vejo acontecendo,
voce tão linda e charmosa,
impossível estar me querendo.
Vamos largar dessa prosa,
esquece esse moço horrendo.
Vai minha princesa dengosa,
Sai da minha vida correndo.
Alguns dizem que a vida é uma piada de mau gosto, mas a vida só será uma piada de mau gosto para aqueles que seguem a vida, mas para aqueles que lutam e procuram vencer, a vida só será uma piada para os que se intervêm nela.
O mau gosto musical sempre é exposto - e alto - quando você está com dor de cabeça. (Lei de Murphy para sábados, domingos e feriados)
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"Te devolvo as mentiras , as brincadeiras de mau gosto, o beijo encabulado, fingido, o prazer dissimulado, as manhãs de inverno em que você me trazia o chocolate quente na cama e abria a janela pra o sol entrar, como se eu fosse de verdade o seu sol.
Te devolvo também o cachecol cor de rosa que me dera no meu último aniversário e dissera que seria pra gente passear em meio ao gêlo dos dias mais frios e aconchegantes.
Quando eu pensava que era amor e você me fazia achar que era verdade.
Te devolvo a fragrância de pétalas de flores do campo que voce dizia que guardava o dia inteiro aquele cheiro que era de mim. Da mesma forma que eu devolvo o cheiro emadeirado que me fazia ir às nuvens por que eu acreditava que nosso cheiro era "nosso".
Te devolvo a mesma cara amarrada toda vez que dizia que eu era só sua e que não gostava do meu olhar para os lados.Eu te devolvo a indecência da mentira contada na mais lavada e dissimulada (in) verdade.
Te devolvo a chave do seu carro, os escritos que um dia destes rabiscara concentrando cada página em mim. Mas eu não era o personagem principal.Nem você o escritor que precisava incluír-me em suas aventuras de (in) delicadezas. Um prefácio em que me fazia crer que aquilo que me escrevera na primeira página era " nós somos eternos". Quando isso não existiu.
Te devolvo sua educação enrustida, sua plástica no sorriso, sua inexatidão naquilo que dizia e que nunca fazia. Era o clone de um dependente apenas de uma relação sem nenhum sucesso. Munca fizeras questão de me aplaudir de frente, suas palmas eram disfarçadas.
Você era um disfarce!
E eu te devolvo a moldura de nossas fotos, quando na verdade, a moldura era uma apenas uma amostra pra mim de que eu tinha que depender de você.
Te devolvo as coisas pequenas e grandes que deixou em minha vida. Pequenas foram os momentos vividos que me enganaram ser um romance de filme, e grandes as decepções, e como se sujeitavas apenas a meus elogios, por que fundo nunca me fez nenhum.
Te devolvo suas carências, seus medos, sua vontade de ser o que não era, a sua personalidade escondida. Te devolvo minha alma doída. E deixo comigo aquilo que nunca deixaras pra mim.
Te devolvo as noites de lua, onde ficavas fazendo promessas que nunca iria cumprir. E tambem quando caia uma estrela e dizias que fazia um pedido pra nós, quando na verdade voce nunca foi atendido, por que nunca fomos "nós". E você quis fazer da sua vida um singular, onde apenas os pronomes possessivos estavam presentes.O seu futuro era um advérbio de dúvidas.
E eu te devolvo todas elas na mais pura singularidade da primeira pessoa, pois " você" jamais foi além de um substantivo comum.
Te devolvo as músicas que dançávamos colados em meio a champagne gelada, nos esperando sempre pra um brinde de algum acontecimento que eu nunca presenciei.Foram momentos incertos que eu agora vejo , parecia que dormi mil anos e você não fazia questão de me acordar.
E te devolvo o melhor de mim e também o meu pior. O melhor foram os afagos que te dei de graça, o entrelace das mãos, o sossego que eu achava que era todo seu. E o meu pior, a descoberta muito tarde de que um coração vai se partindo e nunca é partido de vez. Por isso tantos relacionamentos vão sendo empurrados pra frente e a vida a dois às vezes nunca passa de um presente embrulhado numa caixa vazia.
Ao te devolver tudo o que me tirastes e me dera, eu estou pronta pra um recomeço de verdade, onde o que é real permanece e o que é fantasia se mistura em blocos nos carnavais de cada ano, até que chegue a quarta feira de cinzas.
E por mais que que eu te devolva tudo isso, ainda fica em mim a terrível certeza de que os deuses do amor cochilam ou dormem um sono profundo.
É preciso saber que decepções são experiências e saudade nem sempre é necessária.
É preciso mergulhar fundo, profundo dentro de sí e perceber. Falta isso: perceber! A gente nunca quer ver de frente que aquilo tudo que idealizamos não passou de um nada mais, nada menos. As pessoas nasceram pra ser felizes e esse negócio de amor, é uma batalha dia a dia contra a verdade, por que muitas vezes é a mentira, o se acostumar, a dependência que leva tantos casais a se fundirem num desagrado e num caminho que não tem volta.
Histórias de amor vão sempre existir, o cavalo branco não sai mais das páginas dos livros e quando sai é pra correr no jockey, não pra buscar a amada.
Prepare seu coração todos os dias e nunca exite em devolver tudo aquilo que pesa sua felicidade, que a impeça de seguir seu caminho reto, sem ter que buscar atalhos, por que atalhos às vezes levam à se perder.
os amores chegam , os amores vão, os lençóis sempre hão de ter encrustados aromas, hão de limpar lágrimas de despedidas, mas tambem podem cobrir pares, por que nem sempre amar é desilusão.
Você vai se apaixonar, vai construir vidas, vai sentir os lábios doloridos de tantos beijos, vai ter seu coração em chamas, vai se sentir a mais feliz do mundo, vai se recostar no chão e sentir que o outro coração já bateu muito mais do que hoje... por você.
Amores não tem vida curta, podem durar sim a vida toda. Mas...a vida não dura pra sempre.Então, antes que seu coração seja partido arrume uma desculpa muito boa e não vacile. Antes da música acabar, troque o disco e devolva a vitrola que o tocou.
Nada mais impróprio e indecente do que guardar consigo as desventuras de um sentimento que não valeu.
Devolva sua vida mal acolhida e pegue de volta tudo aquilo que lhe faça sentir oras destas, que as manhãs de inverno voltaram...Frias.gélidas, esfumaçadas.
Mas desta vez....O sol voltou a brilhar!"
(Denise Lessa)
"CHAMEI DE MAU GOSTO O QUE VI"
Oportunidade riquíssima de vermos a nossa face em espelhos alheios, o Big Brother se oferece a quem o acompanha. Ali não estão pessoas representando indivíduos, mas pessoas que corporificam tipos. Desde o mais simpático até o odiado pela maioria, os participantes do "reality show" são manifestações, ampliadas por mil ângulos das câmeras, dos comportamentos "anônimos" da sociedade fora do jogo. Desagradável é constatar que somos um pouco de todos eles. Cada fala na casa tem o dedo apontado para o espectador. É bem verdade que alguma característica se sobressai em nós, para que a nossa configuração no mundo seja identificada. Porém, o conjunto dos tipos da nossa formação, a brasileira, é o nosso edifício. Se eles se adaptam, ou se ajustam às circunstâncias, assim o fazem porque estão presos na roda maior: a nação. Malcomparando, o BBB é uma versão contemporânea e fotográfica das narrativas realistas de Machado de Assis. Que nos ensine a fazer uma leitura do próprio caráter e contribua para melhorar as relações!
