Coleção pessoal de marianagpena

Encontrados 10 pensamentos na coleção de marianagpena

Amar é conhecer desconhecendo.

Andrê Gazineu
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O que seria de mim se não fosse o mau-gosto

Andrê Gazineu
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Levado pela sede, com extraordinário pensamento,
meu amor permeou por todo o meu ser
Espargiu-se pelo contorno do eu
Tomou legítima forma; tomou sua própria visão

[de todas as coisas

Definiu sua própria natureza e tornou-se a evanescer
Formou hifas difusas por toda sua experiência
Não cabendo em si, decidiu se libertar



Desejei-te tanto...
Beijar teu ventre imaculado
À tua boca delicada de menina
Trazer ao teu corpo a pureza do espírito
Digo-vos que a amarei em meu improfícuo amor
Entre teu corpo e eu, e teu corpo

Andrê Gazineu
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Arcano



O tronco tortuoso tinha casca lisa
que descamava em placas finíssimas
Folhas delicadamente discolores
formavam uma copa tímida, mas persistente
Que se ornará duma frutescência única
Vi flores tão solitárias florescendo em junho...



No nascer do sol
O cheiro da seiva vertendo no floema
A umidade no ar carregado
A calmaria predizendo o último dia de vida



O silêncio arrebentava-se na atmosfera
Irrompendo furioso no espaço conquistado
Perdendo-se no lado escuro da alma vazia



Demônios vestidos de sangue brincam na mata
Sorrindo por uma nova estação enlevada
Soprando injúrias no vento
Porque é preciso morrer
Porque é preciso descer ao mundo inferior
pelo terceiro caminho

pronunciando o nome do inominável

Andrê Gazineu
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Olhando pela janela, vejo o sol incidindo
Derrama luz na estante, no relógio, na maçaneta
Na ampla sala vazia de cor
A mesa está posta
Toalha branca, límpida, ingênua
Pratos limpos, panos largos, pães, leite



Não há ninguém à mesa
Há o silêncio, o abandono, o não ser
Rastros invisíveis, sombras do vácuo
Tudo passa despercebido e nada é nunca lembrado
É a transmutação do tempo
A natureza sendo absorvida
para que minha sala nunca envelheça
Para que seja embriagada
no meu próprio passado



A pergunta involuntária sem resposta
Provei à cereja ácida
Provei a angústia do momento em que nasci
O início, o vazio, a quitina negra do ferrão
O ponto letárgico onde a alma encontra barreiras tão obscuras...
E não pude seguir adiante



Dissoluto no fundo da morte
encontrei teu viço jovem, infantil, puro


Entendi o que é a paz;
essa alegria distraída de viver
este sopro macio no campo
Um rubor na face macilenta
Um instante estúpido contigo



Eu esperarei por ti
na vida, na morte, na distância
No delírio da febre, na tristeza do pranto
nas noites frias, nas minhas pálpebras fechadas



Nas águas turvas do meu sono
Sufocado no escuro, enlaçado na calada
Sentei-me no chão ouvindo o ruído do nada
Do sangue ascórbico corroendo faminto
Do coração pulsando agudo por instinto



Nega-te o alimento, o sustento diário
[nega-te a vida
Acostuma teu nome ao sinistro obituário


Roga-te a praga, converte-te em semente
E da moléstia, forma-te o carpelo
de um mundo inconsolável e belo,
doses excessivas duma fome demente



E não há mais miséria na aguardente
Nem pudor nas faces coradas
Os braços rasgados de cercas farpadas
O grito à ânsia, o fruto à serpente

Andrê Gazineu
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As cravinas floresceram entre o joio

Vi as cores mais brilhantes que jamais vi

toquei a água gelada do córrego

toquei uma tal tristeza...


Sentei-me e descansei no riacho

muitos pássaros empoleirados em um galho seco

Choveu muito a manhã toda

chuva forte, densa, persistente

somada a um vento acre

que estremece as folhas largas, carregadas de umidade

Cheguei ao meu limite

Meus olhos... [ faz-se água


Meu amor é frágil;

Deixará passar o inverno à promessa de por toda uma vida...

é contrário a egenerescência da alma alcançando o espaço iluminado

abstrato em carne e fogo

Quando enlouqueci, pus-me no chão

[ para melhor sofrer

me acostumei com a lama

o céu se largueia em grande azul

Fria impassibilidade,

bebeu-me o sangue, devorou-me os ossos

matou-me abstratamente

Andrê Gazineu
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Tags: Andrê. Gazineu

Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho.

Mario Quintana
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Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te.

William Shakespeare
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Uma Elegia Branca

Se soubesses do meu ímpeto
A sede da flor em teu corpo
(e tuas pétalas cor de vida)
Dona do meu amor, tua beleza me fascina!
me matas e me salvas
{Traz-me em cada suspiro a ânsia
e a cada momento a falta}
Meu todo está em ti
e é no teu silêncio que meu sonho dorme
No entanto, sinto meu sonho morrer
Move-se de mim o espírito
e já não ecoa no vento meu apelo inútil
já não pulsa forte meu coração estúpido
já não me vertem mais puríssimas lágrimas
Mas ainda ouço na voz da ausência
todas tuas sílabas inexistentes

Andrê Gazineu

Epígrafe

Meu amor verte no mínimo espaço
Em mim, posso te sentir
é impossível não admitir
em cada olhar, em cada passo

Amor como o meu jamais verás
é possível notar - posso garantir!
na ainda vaga felicidade de existir
que a tua existência me traz

Amor,corroa, rasgue,lavre
provoca-me queimadura
queima-me! meu amor aceso

esta enfermidade que não cura
a este amor estou preso
e, ao mesmo tempo, livre

Andrê Gazineu
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