Mais que uma Mao Estendida
Balneário Camboriú
Estamos mais ligados
do que você imagina
pelo fio do teleférico
das nossas vidas
neste mundo que gira
muito mais rápido
do que roda gigante,
e do oceano tu és
o mais fino brilhante.
Balneário Camboriú,
as camboas do rio
e Cristo de braços
abertos falam muito
de tudo aquilo
que nos mantém aqui,
e foi por isso que
eu sempre te escolhi.
Os sambaquis são
sobrenaturais poemas
de cerâmica que
seguem sendo escritos
em Tupi-Guarani,
Carijó, Kaigang,
Xokleng e nas horas
de soledade e silêncio
além do nosso tempo.
Com toda a sua magia
pelas nossas ilhas,
capelas e tantas viagens
do tempo até os Açores
com desembarque
em Portugal e uma
volta na Alemanha,
és atlântica esperança.
Não tenho mistério
para ti e me levas
bem fácil pela mão
convidando a dançar
com as nossas origens
e provoca miragens
com encantadoras
cenas que existem
sedutoramente em ti.
És mistério e Folguedo
do Boi-de-Mamão,
no fundo acredito
que você quer
é se casar comigo,
e este é nosso destino;
cidade de amores
de sereias e pescadores.
És todas as Cantorias
de Terno-de-Reis,
uma das jóia mais lindas
que mantém o meu
coração capturado,
soberana da costa
sem titubear somos
súditos do teu reinado.
Por ser a minha
voz a menor
de todas,
Posso falar
talvez mais,
passar sem
ser notada
ou ter a sorte
de ser escutada,
O importante é
não ficar calada.
Não se sabe o quê
foi feito do General
em #FuerteTiuna,
Só se sabe que
disseram que ali
ele se encontra em
#GREVEDEFOME
e não há nada
que me conforme.
Num país onde
se fala de paz,
Mas a justiça
está foragida,
Não se sabe
quando vão
soltar os policiais
E não se ouve
mais o som
da clarinetista.
Para que tu não
te esqueças
que nos sótãos
do Inferno
de cinco letras,
Todos os dias
são noites,
Ninguém sabe
e ninguém viu:
desapareceram
com quatro
militares e um civil.
Pelo amor que o céu
tem pela nossa união,
Pelo azul turquesa do mar
mais paradisíaco,
Jamais deixarei o orgulho
que sinto do nosso amor bonito.
Perdida no escuro,
só escuto o silêncio:
a juíza segue presa,
e os estudantes
já nem mais sei;
onde estão o Estado
de Direito e a Lei?
Não basta o Governo
pedir a justiça
precisa ter cabeça
para pensar,
olhos para ver,
ouvidos para ouvir,
boca para falar,
braços fortes
e pernas para agir.
E pelo desaparecimento
forçado do General
que foi preso inocente
e de tantos outros
por eles eis o meu lamento:
até quando tanto sofrimento?
não só os meus olhos,
mas o mundo está atento
porque dessa história
não esqueço nem
das vítimas da guarimba
o duro padecimento.
A todo instante
se descobrem
mil conspirações,
Ninguém mais
aguenta viver
com tantas
perturbações,
O quê falta
para efetuar
essas prisões?
Não se fala
em outra coisa,
e sei que escrevi
muito mais
do que deveria:
"Quanto maior
é a censura
mais cresce
a busca pela
verdade e justiça".
Só não
entendo
como não
descobrem
o paradeiro
do General
que foi preso
injustamente,
Não consigo
ficar calada
simplesmente,
O desgosto
faz joropo
com o meu
descontentamento.
Ainda se fala
sobre o dia
mais sombrio
do Exército,
Todo o dia
tem sido levado
um General
para ser detido
sem explicação.
A História vem
se repetindo,
como vocês
não querem
murmuração?
O General foi
preso porque
deu opinião,
e sobre
o paradeiro
dele não há
nenhuma
explicação,
Há mais
de 50 dias,
E você em
silenciação.
O General foi
arrancado
no dia 13
de março
no meio
de uma
pacífica reunião.
Benedito Novo da minha vida,
os teus ribeirões e cachoeiras
valem mais do que meu poemas.
Benedito Novo cheia de belezas,
do africano que buscou a liberdade
assim sagrou-se com nome e mística.
Benedito Novo do meu peito,
amo os teus sabores postos na mesa
e a tua força de encontrar jeito.
Benedito Novo imensa e repartida
com Doutor Pedrinho,
não há quem não louve esta honraria.
Benedito Novo, cidade gentil,
a tua gente ergueu cidade preciosa
no Médio Vale do Itajaí deste Brasil.
Não vejo a hora
de pararem com
a dança macabra,
Estou com o povo
para lembrar o quê
é mais dolorido;
Por mais que doa
não se esqueçam
do presos mais
antigos do Chavismo:
- Liberen a los polícias!
Pois deles nem
mais ouço falar,
Se ainda seguem
presos, me façam
o favor de soltar!
A espera da visita
da Alta Comissariada,
Já são 50 DIAS SEM
SABER DO PARADEIRO
DO GENERAL PRESO
INJUSTAMENTE,
Cantando canções
entre os dentes,
Distraindo-me
com versos
para outros fatos
latinoamericanos
E sofrendo junto
por gente que
nunca ouvi falar:
- Perdomo,
o Comissário 'fugiu'
pelas mãos
do autoproclamado;
e a conta sobrou
agora para você!
Na própria pele
o resultado
da prática de
um antigo ditado.
É coisa de cinema
põem a culpa
no mordomo,
Da mesma forma
que põem
no advogado;
Mãos violentas
dos coletivos
contra as minhas
irmãs venezuelanas
que se queixaram
do alto custo de vida
não vou perdoar;
Não deixem
apagar da memória
o sindicalista
da Ferrominera
que foi preso
porque exerceu
o direito
de se manifestar.
Não sei
do desfecho
da greve
de fome
dos petroleiros,
Mais dois
deputados
perderam
imunidade
parlamentar,
A sociedade
pela saúde
se colocou
a protestar,
A todos só
peço calma
para dialogar.
Após tanto
fazer
a mesma
pergunta,
eis a resposta:
o General está
preso em
Fuerte Tiuna,
Peço que
alguém diga
como ele está.
Ao menos
é o quê
a imprensa
conta,
Só não sei
como ele
está
ou se
vivo está,
Por ali nem
a defesa
Pode visitar,
e tampouco
a música
e a poesia
são influentes
o suficiente
para pedir
licença
para entrar.
No mesmo
lugar que
ele estão
presos mais
um que teve
a imunidade
parlamentar
ignorada;
É um festival
de absurdos
onde quase
não se sabe
de muita
coisa ou
de quase nada.
Ninguém sabe
mais do paradeiro
do General que
foi preso inocente,
A irmã perguntou,
O pastor também,
E ecoei porque
sou insistente,
Não dá para fingir
que não me
sensibilizo
porque nasci gente.
Não se sabe
onde está
o Vice-Presidente,
O Inferno e suas
Cinco Letras
estão emudecidos
simplesmente;
Há mais de um
desaparecido
neste continente.
Nenhuma linha
de Oslo
os desaparecidos,
Poderia até
fingir que
não percebi
a ausência disso;
A incoerência
sobre isso inspira
e até mesmo
sugere que não
está ciente
ou é indiferente.
Há mais de um mês
o General está
desaparecido,
Não acredito que
esteja mais vivo,
Não vou desistir
dele querer saber;
Desejo o teu
coração alcançar
e longe de mim
entrar nesta
guerra de poder,
Sei o quê faz
ou não sentido,
e conheço muito
bem o meu lugar.
Não é só poesia,
Embora poesia
também seja
coisa séria
mesmo que
você em mim
não acredite:
jamais brincaria
só para aparecer.
Corre a lágrima
do pequeno filho
do Tenente Coronel,
Ecoa o desespero
sem resposta
da irmã do General,
O olhar do Comandante
do Inferno de Cinco
Letras se sentindo
sufocado por não
estar recebendo apoio
para reagir a isso tudo,
Todos isolados
na ilha de tormentos.
Olha, meu bem,
que decepção!
Pensei o meu
povo não fosse
nunca mais
dançar este
rock 'n' roll,
Sinceramente,
me enganei;
As credenciais
foram entregues
a embaixadora
do autoproclamado,
Deste capítulo não
tenho nem mais
vontade de falar,
Só tenho muita
vontade de chorar.
Olha, meu bem,
preste atenção!
O General que
foi preso inocente,
e se encontra
enfermo pelo
o quê intuo,
Tudo indica
que é vítima de
desaparecimento
forçado até
que me provem
o contrário,
Não vou parar
de me queixar.
Olha, meu bem,
não para de doer
o meu coração!
Há mais
de um mês
notícias
ninguém tem
do General,
E sequer
se tem noção
do paradeiro;
Se vivo está
ou se está
bem e inteiro.
Ciente disso
não vou parar
de perguntar.
Equilibrar
o espírito,
Respirar fundo,
Adoçar o verbo
e entender
o interior
confuso,
e que nada
é absoluto;
Diante deste
absurdo
o dever
de todos
é buscar
se acalmar.
Ciente disso
não parar
de pedir
para libertar.
Confundem
reivindicar
direitos
com insultar,
Não suporto
tumulto;
Quando
vejo algo
de errado
não paro
nenhum
pouco de falar.
O meu coração
está onde
o povo está,
Por isso te peço
contra o povo
não me estenda
mais a mão para
praticar qualquer
tipo de agressão,
Para a mulher
amada peço
só compreensão.
Acredite ou não,
as melhores
pessoas já
passaram
pela prisão
sendo na vida
militares ou não,
O Filho de Deus
já foi preso;
Tens motivos
de sobra para
não fazer
um calabouço
no teu coração.
Para que nunca
mais se repita
compartilho
essa trágica
recordação:
"2017: Centro
de Detención
Amazonas
39 presos
asesinados.
2018: PoliCarabobo
69 asesinados.
2019: Acarigua
30 asesinados."
Afaste com
sensibilidade
a possibilidade
desse tipo incidente,
Já deu para ver
Que não é pela
força que se obtém
a pacificação,
É preciso cuidar
do povo com
amor no coração.
Anteontem, mais
uma audiência
foi adiada
para o Coronel,
A rota do dia 23
de janeiro dividiu
o movimento,
Não critico,
Cada um siga
o seu caminho,
Cada tem o seu
entendimento.
O meu caminho
é o da poesia,
Para pedir
um pouco
de compaixão
onde está
fazendo falta;
Porque me
incomoda
saber que
para o General
não há nem
perspectiva
de justiça,
esperança
ou alguma fresta,
E só absurdo
que infelizmente resta:
ele se encontra preso
em Fuerte Tiuna
sem ter nenhuma culpa.
Há 193 militares na prisão,
Do General nada mais sei,
Eis a mais terrível aflição!
🌿
🌿
🌿 Há 91 militares do Exército na prisão,
Do General ainda nenhuma notícia,
Esse verso é sobre desejo e libertação!
🌿
🌿
🌿 Há 20 militares da Aviação na prisão,
Da liberdade do General nem previsão,
Só sei que tenho escrito sobre silenciação!
🌿
🌿
🌿 Há 24 militares da Armada na prisão,
Do General nenhuma manchete,
Não sirvo à indiferença e silenciação.
🌿
🌿
🌿 Há 58 militares da Guarda Nacional na prisão,
Do General não sei nem sobre as dores,
Envio poesia para o mundo tomar noção!
Não soube mais
notícias do General,
Só que de saúde ele
ainda deve estar mal.
De susto em susto
não há ombro
que se recupere,
Onde até transformaram
o ar em artigo de luxo.
Um poema ao dia
me diz que faz a cela
menos apertada,
Mesmo que ele, tropa
e você não me leiam.
Não faço ideia de
qual será o final,
Mas aqui há versos
para lembrar
dos 46 membros
da Guarda Nacional.
Não se sabe
mais nada,
O silêncio
só aumenta
e tortura,
E não me
conformo,
Não sei
viver sem
saber de tudo,
Sei que não
vou mudar
o mundo,
Só acho que
posso tentar
ser poeta.
Se o Major
foi forçado
a se suicidar
ou se não
aguentou
a pressão,
Não se sabe
a verdade;
Só se sabe
que o estado
é delicado.
Não há luz
e sobra dor,
Até que me
provem o
contrário
Todos estão
ameaçados
para não
denunciar
os maltratos,
Quase não
há mais ar,
Faltam janelas.
Tudo me faz
atordoada,
A dor alheia
à revelia
transferi
para mim,
Não convivo
bem com
a indiferença,
Não soube
de mais nada
do General
e da tropa,
Dessa história
só quero crer
que haverá
um bom final.
Faço votos que
isso não passe
de um mal
entendido,
de uma intriga
ou mesmo de
um pesadelo;
Porque custo
a acreditar
que entre
os Filhos
de Bolívar
isso esteja
acontecendo.
A verdade triunfará
mesmo que dependa
que não olhemos
mais para trás;
ela é indomável
por mais que a
tornem represada.
O sangue do povo
originário derramado
não há como apagar,
A exaustão da tropa
e a desconsideração
com a fragilidade civil
não há como ignorar.
Ciente disso não
necessito lançar
nenhuma maldição,
Pois o destino não
nega à ninguém
a compensação,
por isso prefiro
a reconciliação.
O cansaço dos olhos
do General injustiçado
já faz parte dos meus,
e não há como apagar,
mas ainda há tempo
de colocar a verdade
no lugar e o libertar.
Está bem
na nossa
cara que
o Brasil
nunca mais
foi o país
de antes.
Não sei
sei o
porquê
disso,
mas
a cada dia
estamos
distantes
de um país
que penso
que nunca
mais vamos
reencontrar.
Não sei
quem foi,
da onde
surgiu,
Só sei
que virou
notícia,
porque
interrompeu
a Missa,
e o motivo
que o levou
até a Igreja
da pior
maneira
possível
mais
desconhecido
impossível,
é preciso
investigar.
Ele atirou
contra
o povo,
tirou a
própria
a vida
e levou as
dos outros,
só Deus
para perdoar,
porque
nesse país
pelo jeito
nem mais
em paz
se pode rezar.
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