Lucidez
O desalinhamento aos padrões éticos estabelecidos perturba a lucidez do indivíduo retido, que não violou seu modelo habitual e normativo.
Muita lucidez não é bom e vira problema. Portanto, uma pitada de loucura faz bem, pitada, sem exagero!
PAI NOSSO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Pai nosso,
que nunca mais
nos deu a paz
da lucidez
no seu olhar...
Que ao nosso afeto
prefere as ruas,
confunde as horas
e fecha os dias
virando luas...
Pai nosso,
que está no bar,
faz muito tempo
que a nossa casa
não é um lar...
William Contraponto: Lucidez Entre Versos e Palavras
A poesia de William Contraponto nasce da urgência de pensar, não como quem busca respostas, mas como quem se recusa a calar diante do absurdo. Seus versos não se rendem ao consolo nem à beleza fácil: são lâminas que cortam o véu das aparências, faróis acesos no nevoeiro da linguagem. Em sua obra, cada palavra é escolha ética, cada silêncio é crítica, cada poema é um gesto de lucidez.
Filho do questionamento e irmão da dúvida, Contraponto caminha entre ideias como quem atravessa um campo minado de verdades. Sua filosofia é existencialista, mas não resignada; socialista, mas não panfletária; ateia, mas jamais vazia. O sagrado é desfeito com ironia e o poder, enfrentado com clareza. Sua fé, se há alguma, é na consciência livre, na autonomia do pensamento e na dignidade de quem se ergue sem altar.
Poeta-filósofo (ou poeta-reflexivo, como prefere ser definido) por natureza, ele escreve para inquietar, não para entreter. Não há ornamento em sua linguagem, apenas densidade. Cada poema seu é uma fresta por onde o mundo se desnuda. E é ali — entre versos e palavras — que habita sua lucidez: uma lucidez que fere, mas ilumina; que não explica, mas revela; que não conforta, mas desperta.
William Contraponto não oferece abrigo. Oferece espelhos.
O Non Sense é grande fator de poluição deste mundo.
Muita gente se tivesse um lampejo de lucidez sobre sua própria mediocridade, certamente se mataria.
Muitos perderam a lucidez tentando conquistar o mundo, veio a morte e pôs fim a soberba em frações de um mero segundo.
De quando em vez, humanos manifestam lapsos de lucidez, ainda que moral e ética estejam em escassez.
Quem me dera fosse um artífice das poesias, flertar entre o lúdico e a lucidez, navegar na licitude das vernáculas sem pestanejar. Talvez seja eu apenas o arremedo de um poeta.
