Linhas
Amo a vida por ter vidas.
vidas! são linhas do tempo onde cada um escreve as suas histórias e muitas não são lidas. Feridas? Despedidas? são lembrança de uma vida, gravada na memória de várias vidas.
As linhas se estiram, levadas. Passam águas. Passa o tempo.
" Alma gêmea"
"Em todas as linhas
Indecifráveis dos seus olhares
Em todo fervor do seu toque
Meu eu se fez solúvel
Um pedinte de amor
Escravo seu
Eu não te resisto
Como poderia
Como negar-te
Um coração que já é seu
Como fugir do desequilíbrio
Que você me causa
Como estancar o caos
Cravado na minha cabeça
Minha borboleta
Minha insanidade
Impura absoleta
Essa história tórrida
Triste ..... Imperfeita
Minha borboleta
Leituras.
Você não me ouve, apenas me lê.
Nas tortas linhas deposito meus fragmentos,
pedaços da vida vivida, sentida.
As outras, as não vivenciadas carrego comigo,
docemente armazenadas em pedaços de Amor.
Que chova.
Sobre as nuvens a doce
menina tecia Poesias.
Nem as tempestades
ousavam as linhas apagar.
Em minha carne, crava-se o pecado,
mil agulhas costuram o eterno tormento.
Centenas de linhas percorrem minha pele flácida,
num último resplandecer de lágrimas tortuosas.
Recorro à purificação pelo fogo,
pelo rio sinuoso onde meu sangue se arrasta.
Já não basta um milagre—
é preciso uma liturgia profanada,
o silêncio ambíguo de algo taciturno,
mil preces mal proferidas,
um milhão de tufões soprando ao alento,
em busca do algoz.
Jaz o mal,
forjado por mil chibatadas e um milhão de brasas.
Conhecerás o caminho, talvez no ontem,
mas nunca no amanhã.
Conhecerás o sacrilégio, não por vontade,
mas pelo desejo da carne ao relento,
sob mil luares infinitos,
caindo ao desespero do próximo nascido.
Você, filho do diabo-homem, renascerá.
E ao abrir os olhos, sentirá o peso do primeiro suspiro,
como se sempre houvesse sido assim.
Como se jamais houvesse sido outro.
Como se o fogo fosse apenas a lembrança de algo inalcançável.
Nas linhas de arrancadas,
forjados fortes em pancadas.
Trilhas impulsivas, renovado,
vida marcada, processo cravado.
Dias longos escondem choro noturno.
Caminhos distantes, ranger de dor,
Espinhos que florescem sem cor,
Fogo fraco não incendeia labor.
Águas têm sua força e correnteza,
Armadilha cruel, ataque é certeza.
Luta-se, então, contra a dor atroz,
e nada tira de ti o teu louvor e voz.
Onde se Encontram
Há quem viva pela mente, com a lógica na mão,
traçando linhas retas, fugindo da paixão.
E há quem viva pelo peito, em maré de sentimento,
dançando com o vento, sem medir o pensamento.
Mas entre a razão e o sentir, existe um ponto de luz,
onde o saber se rende, e o amor conduz.
Não é ausência de dor, nem o fim da emoção,
mas o olhar maduro que acolhe a contradição.
É quando o coração aprende a pensar,
e a mente permite-se amar.
Quando a clareza não exclui, mas ilumina,
e a maturidade se faz ponte, não doutrina.
Nesse lugar, não há guerra entre partes,
há união de verdades em suas artes.
E o ser que ali mora, pleno e inteiro,
transforma o mundo...
com um gesto verdadeiro.
Minha amada,
Escrevo estas linhas movido por algo que transborda em mim, a imensidão do que sinto por você.
Você me faz feliz de um modo que escapa às palavras, como se fosse impossível nomear o que é, com exatidão, esse sentimento que me toma por inteiro.
Você é inefável. Em mil idiomas, ainda assim faltariam palavras para traduzir o que é ter você em minha vida.
Não há um só dia em que eu não eleve meus pensamentos em gratidão.
Agradeço a Deus, ao universo, aos Orixás, às estrelas, ao sol, à lua, às folhas, ao vento, às águas, a tudo o que é sagrado e vivo, por me conceder a graça de caminhar ao seu lado nesta existência.
Há tantas outras forças, sentimentos e entidades a quem minha gratidão se estende.
Mas confesso: todos eles já sabem. Talvez até estejam cansados de ouvir meu nome repetido em prece, como quem só sabe agradecer.
Mas, se há um agradecimento que ecoa mais forte e verdadeiro, ele pertence a você.
A você, que me permite ver beleza nos detalhes.
A você, que me faz sentir vivo, inteiro e profundamente amado.
Obrigado, do mais íntimo do meu ser, por cada segundo, cada olhar, cada gesto partilhado.
Eu amo amar você.
Seus olhos se fecham ao sorrir, sabia?
Eles ficam apertadinhos, formando linhas perfeitas
onde subscrevo o meu amor.
Naquele dia amei
Nas tuas linhas e a mística dos teus olhos cativou-me
Amei nos traços do teu rosto
Na delicadeza da tua fala
Pulsar ardente do nosso envolver
Enfim foram instantes que dissolveria.
afim de nós
você me perdeu ou será que eu me perdi?
entre versos e linhas não mais me vi . . .
pensava ter encontrado em você o outro de mim
mas no fim apenas vi você partir . . .
sem chorumela ou enrolação,
apenas preciso de uma direção
pra não achar que foi tudo em vão
e que você não teve compaixão . . .
compaixão de me deixar
me trocar por um simples olhar
se nem se quer pensar
se aquilo iria me assolar . . .
mas no fim não pude fazer nada
ou será que era uma piada
sem muito a expressar
sendo que na verdade, eu estava prestes a desabar . . .
aquele dia foi um monstro
apenas lágrimas em meu rosto
queria fazer além do que eu suportava
muito além do que precisava . . .
mas nao julgo você
nao julgo o fato de eu nao perceber
que no fim eu era só mais um pra você
e que eu precisava te deixar viver . . .
trabalhar e se dedicar por dois dói
e muitas vezes um sentimento corrói
mas realmente isso desconstrói
alguém que simplesmente queria ser seu super-herói . . .
sozinho novamente estou
mas a você isso não se aplicou
em outros braços se encontrou
e agora o nosso fim chegou . . .
um novo recomeço
fim de um aventura
já nao ouço mais sua vós
ao fim, nao haverá mais um nós . . .
mas agora eu refleti,
precisava te deixar partir
pra só assim começa a agir
e novas histórias contruir . . .
será que você era afim de nós?
porque a minha resposta eu sei
e jamais me calarei
afim de nós é apenas mais um dos poemas que eu já te declarei [. . . ]
Se escrevo é por sentir a vida pulsando nas linhas do vento, da brisa leve que a minha pele toca.
Se escrevo os dias, ainda que sem rimas, o faço para me libertar de quem um dia fui, e que não mais serei.
Se escrevo é por ser nova, novamente eu.
Nildinha Freitas
Preencho linhas e entrelinhas com palavras
Sufocadas nos recônditos da alma
E, na tentativa de livrar-me deste anseio,
As escrevo e reescrevo com um certo desespero
Como num passatempo de palavras-cruzadas:
Letra por letra, linha por linha, até o seu desfecho.
PALAVRAS NÃO DITAS
Tenho tantas
Palavras não ditas
Que nas linhas
Do meu diário
Não cabem em sua memória...
É preciso
Ter paz de espírito
Ser mais que uma capa
Ter um bom conteúdo
Linhas de honestidade
É necessário ser um bom livro
É questão de veracidade
É sentir a intuição
Oferecer flores e nunca espinhos.
Há qualquer coisa -
Há qualquer coisa d'infinito
nas vagas linhas do horizonte
uma quimera sem sentido
ou uma saudade sem fonte ...
Há qualquer coisa que nos negam
os olhos fechados de quem parte
um não sei quê d'águas sem arte
onde os barcos não navegam ...
Há qualquer coisa permanente
que nos injecta mágoa e solidão
uma visão errante, um senão
ou uma vontade de ser diferente ...
Há qualquer coisa dita em vão
nas bocas que maldizem o amor
inveja, dor, mágoa e solidão
que vai matando sem pena nem pudor ...
Há qualquer coisa que não sabemos
oculta no tempo que nos castra
talvez seja a distância que nos arrasta
da juventude que perdemos ...
Há qualquer coisa, muita, tanta coisa
inerente à vida sobre a Terra
a ausência de paz é guerra
mas o destino é a pedra de uma lousa.
Nada é o que parece. Há muito mais histórias por trás de quadros, concretos, linhas e pálpebras do que a gente imagina.
Muita gente nos dias de hoje paga caro para remover as linhas de expressão do rosto. No meu caso, eu pago caro para mantê-las. São elas que me fazem lembrar diariamente o quanto tenho resistido aos imprevistos e aos tumultos da vida.
