Linguagem
A primeira morte acontece na linguagem, nesse acto de arrancar os sujeitos do presente para os fixar no passado. Transformá-los em acções acabadas. Coisas que começaram e acabaram num tempo extinto. Aquilo que foi e não voltará a ser.
A linguagem humana, capaz de imensa precisão com milhares de palavras, ainda assim pode ser incrivelmente vaga.
Nós morremos. Esse pode ser o sentido da vida. Mas nós fazemos a linguagem. Essa pode ser a medida das nossas vidas.
O homem ampliou seus canais de expressão, da linguagem rudimentar para a linguagem cibernética. Todo esse processo serve para explicar que os sistemas políticos não nascem do nada, porque é preciso que haja um meio de preparação para sua fermentação ideológica, física e social.
A professora Lúcia Santaella, em “Produção de Linguagem e
Ideologia”, nos fala do uso da ideologia dominante, mostrando que a visão
política de uma sociedade se faz pelos determinantes econômicos, e que a
construção se ergue por elementos de dominação, sendo a própria arquitetura
política um meio de poder.
Podemos adaptar o sentido simbólico da construção de uma linguagem arquitetônica ao conteúdo ideológico de uma linguagem política,pois a arquitetura não dá só a forma a um determinado espaço físico ou a um
objeto, uma vez que é por meio dela que o uso da palavra transforma-se em
mensagem.
As pessoas, agora, através da cibernética, usam uma linguagem
denominada “internetiquês”, uma espécie de linguagem formada pelos
próprios usuários da Internet. O “internetiquês” serve também para mostrar sentimentos no computador, de zangado a apaixonado. Essas evoluções na forma de se comunicar continuaram levando o homem, apesar de tanta evolução, a se ritualizar, ou seja, a transferir para objetos, coisas, máquinas e símbolos a sua presença.
"Reconhece-se a qualidade dos Espíritos por sua linguagem. A dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradição; exprime sabedoria, benevolência, modéstia e a mais pura moral; é concisa e sem palavras inúteis. Nos Espíritos inferiores, ignorantes ou orgulhosos, o vazio das idéias é compensado quase sempre pela abundância de palavras. Todo pensamento evidentemente falso, toda máxima contrária à sã moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola, enfim, toda marca de malevolência, de presunção ou de arrogância são sinais incontestáveis da inferioridade de um Espírito."
Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail)
(O espiritismo em sua expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec / por Allan Kardec; [tradução de Evandro Noleto Bezerra]. - Brasília: FEB.)
"A linguagem é para não-amantes, aqueles que não amam.
Para os amantes, o silêncio é linguagem suficiente. Sem dizer nada, eles continuam falando."
A gente só vai falar a linguagem de um público ou pessoa especificamente se o entendermos e conhecermos profundamente o jeito como pensam e suas percepções.
"Todo sujeito que escreve só na linguagem da sua profissão, sem domínio suficiente da língua geral, não passa de um jumento mal treinado. Mas, no Brasil, esse é o protótipo do 'homem culto'."
Os Desígnios de Deus..
O teu sinal de vinculação com Deus é a prece.
Fala-Lhe em linguagem simples, honesta, entregando-te aos Seus planos e rogando-Lhe entendimento para melhor discerni-los.
Sentirás a presença de Deus através da paciência ante as circunstâncias difíceis;
Sentirás a presença de Deus na resignação em face dos problemas que não podem ser solucionados;
Sentirás a presença de Deus na coragem perante os testemunhos, e o amor sempre, em todos os momentos e situações..
Quem pensa em Deus, nutre-se de paz.
Quem se comunica com Deus, estua de recursos e forças para vencer-se e mais ajudar.
Interrogas, em silêncio, como determinadas pessoas suportam vicissitudes e abandonos, ruínas econômicas e aflições morais, ingratidões e violências como se nada lhes estivesse, aparentemente, acontecendo.
Não fosse uma observação mais acurada, não lhes descobririas os infortúnios ocultos.
Sucede, porém, que esses corações crucificados nos impositivos da redenção, ao invés de reagirem pela agressividade inútil, confiam e esperam em Deus com alegria e superação das dificuldades...
... A fim de se libertarem do mal e alcançarem a plenitude que Deus concede a todos aqueles que se Lhe entregam aos desígnios superiores.
A linguagem é coragem. É a capacidade de conceber um pensamento, de falar. E ao fazê-lo, devemos tornar a linguagem real.
Quando se fala em entendimento de linguagem, refere-se a uma linha de pensamento que se difere de uma mentalidade à outra. As pessoas falam e comungam do que experimentam, se elas não possuem o conhecimento de determinada coisa, não adiantará falar com ela sobre tal coisa. Como você vai falar sobre o voo de uma espaçonave rumo a Marte com uma pessoa que só conhece um carro de passeio e no máximo a divisa do Estado em que ela vive! Como você pode esperar compreensão e comunhão de ideias sobre a vida em outros planetas e em outras galáxias com uma pessoa que não acredita nem mesmo que a Terra seja redonda! Certamente, se você for tentar explicar ou falar para esta pessoa sobre uma viagem espacial que você intenta fazer para Marte ela, incrédula, irá te chamar de louco varrido e irá criticar as suas ideias. Astronauta troca ideias com astronauta, e ambos se entenderão, porque estão falando uma mesma linguagem. Um poeta fala sobre poesia para almas poéticas, e ambos se entenderão.
Um coração cheio de amor, fala de amor a outro coração que sabe identificar o amor, pois quem não sabe o que é o amor, jamais o reconhecerá em qualquer pessoa ou qualquer coisa que veja em sua vida, porque tal coração é duro como as pedras e seco como os desertos da terra.
Linguagem violenta: a única.
A outra é: Sedução ou Submissão.
Ou seja, o mesmo medo: recear estar só.
Quando se fala, fala-se. No alto da matéria e do espirito.
Minha voz é o modo como vou buscar a realidade; a realidade, antes de minha linguagem, existe como um pensamento que não se pensa, mas por fatalidade fui e sou impelida a precisar saber o que o pensamento pensa. A realidade antecede a voz que a procura, mas como a terra antecede a árvore, mas como o mundo antecede o homem, mas como o mar antecede a visão do mar, a vida antecede o amor, a matéria do corpo antecede o corpo, e por sua vez a linguagem um dia terá antecedido a posse do silêncio.
