Letras
Não aceito em mim,
letras sem versos
palavras
que nada dizem
caladas.
Não aceito em mim,
olhares que não me cantam
sorrisos,
pele sem arrepios
química, poesia...
sonhos, melodias.
Não aceito em mim,
amigos
que não me amem,
amores
que não me toquem
músicas,
pessoas sem nadas.
Palavras, palavras...
Agrupamento de letras, formações e construções,
Palavras ditas, palavras escritas,
Gêneros compostos, substantivos, pronomes, provérbios.
Palavras inteiras,meias palavras...
Pra bom entendedor um pingo é letra.
Palavras cheias, carregadas, de emoções, de dor... de amor...
Palavras ricas, bem riscadas, elaboradas, detalhadas...
Palavras bem ditas, palavras benditas?
Palavras mal ditas ou palavras malditas?
As palavras saem, as palavras entram.
Palavras vem, palavras vão...
As palavras nos libertam, mas também nos aprisionam. Podem levantar ou destruir...
Facas de dois gumes?
As palavras que mais gosto são aquelas ditas pela alma através dos olhos...
Aquelas que unem lábios...
Unem corpos...
Acolhem com os braços...
Aquelas que são ditas sem dizer ao abrir da boca em movimentos bem variados de canto a canto ou de lado...
Palavras são eternas quando nos eternizam em alguém.
Meu grito calado nas letras!
O padrão é ter carrão,
o padrão é ter iPhone,
futilidades,
a língua se engradece,
se ensoberbece,
gritando,
falando em altos tons,
eu tenho isso,
eu tenho aquilo,
e ninguém grita:
Eu não tenho amor!
Futilidades por aí,
todo mundo vê,
todo mundo sente,
todos consentem,
e ainda se gabam...
gritando também,
coisas dos comum,
coisas que para eles,
são considerados como padrão.
O povo,
a galera,
a moda,
quem espera?
a publicidade?
a propaganda?
a televisão?
a internet?
são as que injetam no cérebro
das pessoas este tipo de padrão?
Não sei,
só sei que a minha volta,
vejo o fútil tomando o lugar do útil...
Não queria escutar,
mas todos falam o tempo todo,
e se acham com os seus bens,
na verdade eu queria estar escutando o cantar dos pássaros,
mas estou numa grande cidade,
em que a futilidade tomou conta das pessoas,
o humano é considerado quase um reciclável,
e nas mentes das pessoas,
o padrão não é ser feliz,
e sim ser um chamariz,
com coisas empurradas pelas mídias.
A publicidade esta em todo o canto explicitando o que ela acha:
Pessoas comprem!
Pessoas adquiram o que vai te fazer feliz!
Pessoas vejam isto!
É algo extraordinário e que vai te fazer sentir-se realizado!
Tudo mentira!
Não caia na onda da futilidade,
seja um ser capaz de raciocinar o que é melhor para você,
cair no ordinário do dia a dia,
com coisas e mais coisas sem precisão,
tenha o necessário,
guie-se pela razão,
e segure a sua língua para não se ensoberbecer,
com coisas fúteis,
que na realidade são inúteis,
e que no máximo te mostram apenas como mais um,
qualquer um,
no meio de uma sociedade consumista!
Capitalista!
E por fim, selvagem!
Vou beijar vossas almas
Com minhas letras combinadas
Para ouvir vossas palmas
Liberando ideias confinadas
06/04/2016 (18h50)
Proseador...
Proseador e narrador confesso
Poeta não sou.
Cascateiro e amante das letras sim
Eterno admirador das guerreiras poetisas,
Talentosas e majestosas escrevinhadoras,
Encantadoras, me cativam sem querer,
Dia e noite acarinhando, escravizando.
Belas, somam vassalos mil,
Eternos garotos
Ardorosos amantes platônicos,
Tímidos transamazônicos.
Antes inseguros astronautas,
Agora arrojados internautas
Agitam reluzentes espadas digitais
Elogios sempre em lautas pautas...
(JM Jardim - Santo André - São Paulo)
Caderninho
A vida é como as letras escritas,
em um caderninho.
As palavras e frases uma após a outra,
sobre as linhas a se gastar.
As vezes escrevemos rápido,
e não a vemos passar.
As vezes as palavras saem tremulas,
Ilegível.Caprichosa, alegres. caçadas.
Mas continuamos a escrever, sem rascunho.
Uma palavra , após a outra.
Floreando verbos. Escondendo substantivos.
Foçando o imperativo.
E pacificando no objetivo.
Logo vem a escrita. Repetida.
Sismada. Inter locutiva.
Mas sempre palavras.
Representando uma imagem,
Que se agrega e se desfaz.
Nesse fazer da Vida.
marcos fereS
Cidade do Porto
As tuas iniciais,
São nome de Portugal.
São cinco letras reais,
Pois tu és original!
Tenho gosto e vaidade
Por ter nascido no porto.
Sou desta linda cidade
Tripeiro vivo ou morto.
Sou deste porto velhinho
Do rio douro vaidoso.
Também és nome do vinho
Que no mundo é famoso.
Do caloroso São João,
Do trinta e um de Janeiro
E das tripas com feijão,
Deste porto hospitaleiro.
E da velhinha ribeira
Do mercado do bolhão!
É esta cidade tripeira
Que trago no coração.
És minha cidade
Do norte de Portugal,
Terra de Liberdade
Sempre nobre e Leal.
Meus sonhos são do tamanho do que vivo
Minhas letras são canções que escrevo
Meu sorriso tem a cara de festa,
Minhas lágrimas são águas passadas
Sou um pouco de tudo muito, muito mais...
Mais flores e risos
Mais dança e amigos,
Pois é, sempre fui mais que menos
O grande me atrai, me ganha
O pequeno não me faz bem.
De mim não tem nada.
Mil palavras e uma vida
Um pensamento para dissertar
Várias letras em um só verso
Muitas idéias para rimar
Uma caneta e um papel em branco
E uma vida para registrar
O tempo voa está falando
Que a poesia irá terminar
ARDÓSIA DE FISGAS
A ardósia é cega de palavras
No crepúsculo dos teus sonhos
Despida de letras em corpo nu
Comi, bebi, do teu belo corpo
Amei, desejei também ser amada
Na entrega de quem já me amou
Que conseguiu ler as minha páginas
Do que sou, cheia de sentimentos
Com a humildade de todo o meu ser
É não querer, viver só, por viver
Numa necessidade louca de amar
Fisgas de tantos loucos momentos.
Minha razão de viver
Mãe, palavra pequena de dizer
Apenas 3 letras e uma sílaba
Mãe, a única razão de viver
Minha vida, para sempre terá
A única pessoa que te ama de verdade
Amor incondicional por você vai ter
A única que morrerá por você
Irá chorar, brigar, te defender
Por ela dou minha vida
Sem pensar nem pestanejar
Vivendo com ela em todo lugar
Por ela eu vivo
Por ela eu respiro
Por ela eu existo.
As Facas
Quatro letras nos matam quatro facas
que no corpo me gravam o teu nome.
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.
Este amor é de guerra. (De arma branca).
Amando ataco amando contra-atacas
este amor é de sangue que não estanca.
Quatro letras nos matam quatro facas.
Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas.
E em cada assalto sou assassinado.
Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas.
TRISTEMENTE ABALADA
Palavras são um conjunto de letras, de letras que alguém disse, frases são um conjunto de palavras, palavras que saíram inutilmente dos meus lábios.
Minha alma chorava, chorava sem pausa, ela sangrava, sangrava por sua causa, a mágoa ficou, a dor não passou e com o tempo tudo que tínhamos secou.
Tem um mundo ao meu redor, um mundo frio, um mundo inexplorável, mas o ser humano frio não vê como meu mundo é vazio e incompleto.
Tire tudo de mim, mas não tire minha imaginação, porque meu sorriso um dia parou, meu coração de dor se encheu e nesse mundo vazio ele viveu.
Passei por dores inimagináveis, dores de alma, dores que não trazem a calma, mas dores complexas, dores que se vão sem pressa, se eu for honesta, eu não sei se passaram, não sei se a ferida fechou, se a dor acabou...mas na lembrança ela ficou.
Se não me cantou até ontem
Esqueça,
Letras de canções
Músicas,
Já não me soam tão bem
Guarde teus segredos
Esconda,
Teus desejos
Não dizem nada
Tuas vontades
Já não me falam.
Sinto,
Hoje é outra história.
"OUTONO DE LETRAS"
Línguas de outono, arvores despidas folhas no chão
Escrevo palavras em forma de letras
Com o desejo do vento, que quer as folhas no chão
Gravo as palavras nas rotas dum livro, que quero navegar
Dito as cartas de uma cartografia doce da minha alma
Letras engarrafadas de teu amado corpo
Mar de gestos subtis nas ondas de ti em mim
Desejo-te como as raízes secas a pedir chuva no verão
Outono eterno, corpo desmaiado na memória das águas do passado
Eternos namorados nos vendavais das palavras que se cruzam
Nos teus dias e nos meus, onde não existe cegueira
Apenas sussurros, gemidos de desejos
Palavras sobre a língua do vinho fermentado
Suspiros recolhidos com o teu sorriso..
Rosmaninho doce do teu beijo, licores feitos com o nosso amor
Que bebo e de ti resguardo ainda as promessas por abrir..
Outono de línguas em forma de letras escritas no nosso pensamento
Letras engarrafadas que o vento deseja todas as folhas das árvores no chão!
Visionária.
Há letras tortas
Quase tecidas
Pontos em cruz
Vírgulas escondidas.
Há Alfa, Beto e José
E nas Marias esquecidas
Repletas de bem me quer
Exaustas de cicatrizes.
Há ninhos repletos
Cobertura de sapé
Travessas paralelas
Ipês aos pés da serra
Luares e cafuné.
Maria também malditas
Da beira do cais
Dos vinhos baratos
Maria dos canapés.
Palíndromo de Amor
Mesmo que digam que tem quatro,
pra mim Amor tem três letras.
E não é necessário conjugar,
pois já é uma forma perfeita.
Não é uma palavra longa,
tampouco uma palavra estreita.
Da pra ler da direita para esquerda
ou da esquerda para a direita.
E nas idas e vindas das letras,
é que está o palíndromo de amor.
Pois é da minha linda princesa,
a quem amo com tanto fervor.
Ele começa e termina com A,
e só tem mais o ene no meio.
Eu não disse que só tem três letras?
Para eu sempre te amar Ana, você veio.
NEGRAS VESTES
Oh voz poeta dos meus versos
Palavras mortas em letras já nossas
Na troca dum piscar dos teus olhos
Oh dor que rasgas as vestes negras
Oh dor cruel, da minha pobre alma
Beijas-me enquanto brotas sangue
Noites nas lágrimas, no meu lençol
Oh mágoa perdida nas negras vestes
Oh dor que teces um fio num rio
Caminhos sombrios, rumo ao mar
Que nasce do teu talvez desengano
Dores soltas no espaço sem tempo.
Oh noite, que vestes já de negro
Os meus versos de letras mortas
Poesia no dilema feita em prosas
Na troca do sim, pelo talvez não
Onde rasgas as já negras vestes.
Porque todas as folhas falam teu nome
Porque todas as letras tocam tua voz
Porque as palavras são teus retratos
Porque a música embala teus sonhos
Porque os ventos são cúmplices...
Cúmplices de nós.
