Lei
O Bem é Lindo! No Bem, andamos na Lei Natural da Vitória. O Bem naturalmente vence, pois o Bem é o que agrada ao Deus. Eu sempre sou do Bem! ✨
O Brasil é um país multipartidário. Para que uma lei seja aprovada, muitas vezes é necessário formar coligações com outros partidos, o que frequentemente envolve negociações e acordos políticos. Na minha visão, isso acaba favorecendo trocas de interesses, nas quais cada grupo busca obter vantagens.
Ao meu ver, o sistema multipartidário amplia as oportunidades para práticas de corrupção e para a manipulação do processo legislativo.
Disparo de Arma de Fogo: De acordo com o Artigo 15 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03), disparar arma de fogo em lugar habitado ou em via pública é um crime grave.
A pena prevista é de reclusão de 2 a 4 anos e multa, e o crime é inafiançável na delegacia.
A segunda lei espiritual do sucesso é a lei de Dar e Receber. Veja que tudo que é essencial e primordial na vida é invisível e gratuito. Ar, respiração, água, nutrição e valores. Quando você utiliza o que é gratuito para produzir coisas boas, visíveis, úteis. Uma nova dádiva lhe será atribuída, porque quem é fiel no pouco que tem receberá autorização de uma consciência superior para ter mais e assim ser responsável por algo mais abrangente.
NeoqJav
Eu acredito plenamente na instituição STF, porque acredito na Lei. Suas excelências passam com sua togas, e o Supremo é para sempre.
Benê Morais
Creio piamente na instituição do STF, pois acredito na força da Lei. Suas excelências passam levando suas togas, e o Supremo permanece como raiz fincada para sempre.
Benê Morais
CASAMENTO, CELIBATO E POLIGAMIA À LUZ DO ESPIRITISMO: A EVOLUÇÃO DO AMOR SEGUNDO A LEI NATURAL.
Entre as diversas leis morais apresentadas pela Doutrina Espírita, a Lei de Reprodução ocupa lugar de grande importância por tratar de um dos aspectos mais profundos da existência humana: a continuidade da vida e o aperfeiçoamento moral do Espírito. Longe de restringir-se ao fenômeno biológico da geração, essa lei alcança as dimensões da responsabilidade, da afetividade, da família e do progresso espiritual.
Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec demonstra que as leis da Natureza possuem uma finalidade superior. Nada foi criado ao acaso. A reprodução dos seres vivos integra a harmonia universal e assegura a continuidade da vida em todos os seus aspectos. Entretanto, ao conceder ao homem a inteligência e o livre-arbítrio, Deus também lhe confiou a responsabilidade de agir como colaborador da própria Natureza, jamais como seu destruidor.
Por essa razão, os Espíritos ensinam que o ser humano pode regular a reprodução quando houver necessidade legítima e em benefício do equilíbrio natural. O que se condena não é o uso consciente da inteligência, mas a tentativa de frustrar deliberadamente a finalidade da reprodução apenas para atender aos excessos da sensualidade e do egoísmo. Quando o prazer torna-se um fim em si mesmo, separado da responsabilidade moral, evidencia-se o predomínio da matéria sobre o Espírito.
Nesse contexto, o casamento representa um dos maiores marcos da evolução da Humanidade. Kardec pergunta se a união permanente entre dois seres seria contrária à lei natural, e a resposta dos Espíritos é clara: trata-se de um progresso na marcha humana. O casamento transforma a simples atração física em compromisso, fidelidade, cooperação e responsabilidade recíproca. A família deixa de ser apenas um agrupamento biológico para tornar-se uma verdadeira escola de aperfeiçoamento moral.
O comentário de Kardec é particularmente significativo ao afirmar que a abolição do casamento significaria um retorno ao estado primitivo da Humanidade. A união estável dos cônjuges favorece o desenvolvimento dos sentimentos, fortalece os vínculos familiares e cria condições para que Espíritos reencarnados encontrem no lar um ambiente de educação, reparação e crescimento espiritual.
Ao mesmo tempo, a Doutrina Espírita distingue claramente as leis divinas das leis humanas. A indissolubilidade absoluta do casamento não pertence à Lei Natural, mas às legislações criadas pelos homens. Isso significa que a união matrimonial deve ser preservada enquanto cumprir sua finalidade de auxílio mútuo, respeito e crescimento moral. Quando se transforma em instrumento permanente de sofrimento, violência ou degradação dos envolvidos, o rompimento do vínculo jurídico não constitui afronta à lei divina, mas consequência das imperfeições humanas ainda presentes na sociedade.
Outro tema frequentemente mal compreendido é o celibato. O Espiritismo não considera o simples fato de permanecer solteiro um estado de superioridade espiritual. Se motivado pelo egoísmo, pelo orgulho ou pelo desprezo à vida familiar, o celibato não possui qualquer mérito diante de Deus. Contudo, quando representa um sacrifício voluntário realizado para dedicar integralmente a existência ao serviço da Humanidade, adquire elevado valor moral. O mérito nunca está na condição exterior da pessoa, mas na intenção pura que inspira seus atos.
Também a poligamia é analisada sob o prisma da evolução moral. Os Espíritos afirmam que ela não constitui uma lei natural, mas uma instituição humana vinculada a determinados períodos históricos e costumes sociais. O casamento ideal, segundo as leis divinas, fundamenta-se na afeição recíproca. Onde predomina apenas a sensualidade, desaparecem os elementos espirituais do amor verdadeiro. À medida que a Humanidade progride, substitui as relações baseadas na posse, no poder e nos interesses materiais por vínculos construídos sobre o respeito, a igualdade e a fidelidade.
Essa compreensão revela um aspecto essencial da Doutrina Espírita: a verdadeira evolução consiste na educação dos sentimentos. O homem deixa gradualmente de ser governado pelos impulsos instintivos para orientar sua vida pela consciência, pela razão e pelo amor. O casamento, a família e a própria sexualidade deixam de ser simples expressões da natureza biológica para converterem-se em instrumentos de crescimento espiritual.
Em última análise, a Lei de Reprodução não trata apenas da multiplicação dos corpos, mas da educação das almas. Cada lar constitui uma oficina de aperfeiçoamento onde Espíritos aprendem a renunciar ao egoísmo, desenvolver a paciência, exercitar o perdão e construir laços de amor que ultrapassam a própria morte. A família, assim compreendida, torna-se um dos mais importantes mecanismos da Providência Divina para conduzir a Humanidade ao seu destino de perfeição.
Fontes:
Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira – Leis Morais. Capítulo IV – Lei de Reprodução, questões 693 a 701.
Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulos XIV (Honrai a vosso pai e a vossa mãe) e XXII (Não separeis o que Deus juntou).
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A lei do retorno foi escrita pelo universo e carimbada pelas mãos de Deus, por isso é tão perfeita e justa.
No topo de sua torre de ilusão,o soberbo dita a sua lei: A Deus pertence todo o perdão.Dos homens nada esperarei.
Isola a graça num altar distante, para esquecer o chão que pisa,
E segue nos degraus da arrogância, rumo a perdição, sem ver a dor que o munda avisa, mas no vale onde a vida brota pura, o humilde dobra o seu joelho ao chão.
O humilde sabe que Deus e a criatura se encontram de mãos dadas diante do perdão. Não há caminho que ao céu conduza se o laço com o irmão está rompido; A alma que ao abraço se recusa não acha o rumo do amor divino.
A salvação não vive no isolamento,
Nem em palavras de um trono vão.
Ela é o fruto e o complemento de quem acolhe e estende a mão.
Perdão do Alto, perdão da terra, unidos num só ato de amor:
Só quando a alma desfaz a guerra, se cura o homem e se alegra o Criador.
A ORIGEM DO BEM E DO MAL: A LEI DIVINA, O LIVRE-ARBÍTRIO E O PROGRESSO MORAL DO ESPÍRITO
UMA REFLEXÃO À LUZ DE ALLAN KARDEC EM
“A GÊNESE”
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Entre os grandes questionamentos da humanidade, poucos despertam tanta reflexão quanto a origem do bem e do mal. Desde os tempos antigos, o ser humano busca compreender por que existem o sofrimento, as imperfeições morais, as injustiças e as dores que acompanham a trajetória terrestre.
Allan Kardec, em A Gênese, apresenta uma análise profunda e racional desse problema, afastando tanto a ideia de um Deus criador do mal quanto a existência de um princípio eterno destinado exclusivamente à maldade. Para a Doutrina Espírita, Deus é a inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas; sendo infinitamente perfeito, justo e bom, tudo aquilo que procede de sua vontade traz em si a marca de sua sabedoria.
O mal, portanto, não pode ter origem em Deus.
DEUS E A IMPOSSIBILIDADE DO MAL COMO CRIAÇÃO DIVINA.
Se o mal fosse atribuído a um ser independente e eterno, haveria a necessidade de admitir uma potência contrária a Deus. Existiriam, assim, dois princípios absolutos em constante oposição: um voltado para o bem e outro destinado ao mal.
Essa concepção, porém, seria incompatível com a harmonia observada na criação, pois significaria aceitar uma disputa permanente entre forças equivalentes. A ordem universal, entretanto, revela unidade, equilíbrio e finalidade.
Se, por outro lado, esse ser fosse inferior a Deus, teria necessariamente sido criado. E, nesse caso, o problema permaneceria: Deus teria criado um Espírito destinado ao mal, o que contrariaria sua bondade infinita.
A visão espírita conduz a outro entendimento: o mal não é uma criação divina, mas consequência das imperfeições do Espírito em sua marcha evolutiva.
O MAL E SUAS CAUSAS.
Kardec distingue dois grandes grupos de males que atingem a humanidade:
aqueles que independem diretamente da vontade humana, como os fenômenos naturais;
aqueles produzidos pelo próprio homem, através de suas escolhas, paixões e imperfeições.
Muitas vezes, o ser humano julga determinados acontecimentos como injustos porque observa a realidade apenas sob uma perspectiva limitada. Sua compreensão alcança somente uma pequena parte do conjunto dos acontecimentos.
A criatura humana vê o momento presente; Deus contempla a totalidade da evolução.
Aquilo que parece sofrimento sem finalidade pode possuir uma função educativa dentro das leis divinas. A dor, quando compreendida espiritualmente, não representa abandono ou punição arbitrária, mas instrumento de aprendizado e transformação.
A DOR COMO INSTRUMENTO DE PROGRESSO.
A inteligência humana recebeu recursos para enfrentar as dificuldades da existência. Ao longo da história, as necessidades estimularam descobertas, desenvolveram conhecimentos e impulsionaram o progresso.
As dificuldades despertam a capacidade de pensar, criar e superar obstáculos.
Sem desafios, o Espírito permaneceria estacionado. A experiência dolorosa, embora muitas vezes difícil de compreender, impulsiona o desenvolvimento das faculdades humanas.
A dor funciona como um chamado à renovação interior.
Ela revela limites, corrige caminhos e desperta valores que permaneceriam adormecidos.
AS VERDADEIRAS RAÍZES DO MAL.
Segundo Kardec, grande parte dos sofrimentos humanos nasce das próprias imperfeições morais.
O orgulho, o egoísmo, a ambição desmedida e a busca exagerada pelos interesses pessoais estão na origem de muitos conflitos individuais e coletivos.
As guerras, as injustiças, as opressões e grande parte dos desequilíbrios sociais têm como fundamento o afastamento do homem em relação às leis divinas.
Deus estabeleceu leis perfeitas, cujo objetivo é conduzir o Espírito ao bem. Essas leis estão inscritas na consciência humana e são constantemente recordadas pelos ensinamentos dos grandes mensageiros espirituais.
Jesus, como guia e modelo da humanidade, apresentou o caminho da renovação moral através do amor, da humildade, do perdão e da caridade.
O MAL COMO AUSÊNCIA DO BEM.
Uma das mais profundas afirmações de A Gênese está na compreensão de que o mal não possui existência própria como força independente.
Assim como o frio representa a ausência do calor, o mal representa a ausência do bem.
Não existe uma essência criada para o mal. Existe o afastamento voluntário do bem.
Quando o Espírito escolhe caminhos contrários às leis divinas, experimenta naturalmente as consequências de suas próprias escolhas.
O sofrimento decorrente das más decisões não representa vingança divina, mas resultado educativo da própria lei de causa e efeito.
Deus não condena o Espírito; oferece continuamente oportunidades de aprendizado e renovação.
O LIVRE-ARBÍTRIO E A RESPONSABILIDADE MORAL.
Uma das maiores dádivas concedidas ao Espírito é o livre-arbítrio.
Deus poderia ter criado seres automaticamente inclinados ao bem, sem possibilidade de erro. Porém, nesse caso, não haveria verdadeira conquista moral.
A perfeição adquirida pelo esforço próprio possui valor superior à perfeição recebida sem participação consciente.
O Espírito progride porque escolhe, aprende, corrige-se e transforma-se.
A responsabilidade pelo mal praticado pertence ao próprio ser que, utilizando sua liberdade, escolheu caminhos contrários à lei divina.
AS PAIXÕES E O PROCESSO EVOLUTIVO.
Kardec explica que as paixões, em sua origem, tiveram uma função necessária no desenvolvimento humano.
Nos estágios iniciais da evolução, o instinto de conservação predominava. A busca pela sobrevivência era uma necessidade natural.
Entretanto, aquilo que foi útil em determinado estágio pode tornar-se prejudicial quando permanece sem controle em fases superiores.
O problema não está na existência das tendências naturais, mas no abuso delas.
A inteligência deve conduzir os impulsos, elevando o Espírito acima das necessidades exclusivamente materiais.
O progresso espiritual ocorre quando o ser aprende a dominar suas inclinações inferiores e direciona suas forças para o bem.
CONCLUSÃO:
O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO INTERIOR.
A origem do mal, segundo o Espiritismo, não está em Deus, nem em uma força exterior criada para corromper o homem.
Ela encontra-se nas escolhas equivocadas do Espírito ainda em processo de evolução.
Mas, ao lado do mal, Deus colocou o remédio: a consciência, a inteligência, o aprendizado, a experiência e a possibilidade permanente de renovação.
O mal não é o destino do Espírito. É apenas uma etapa superável no caminho do aperfeiçoamento.
A criatura humana carrega dentro de si a capacidade de transformar-se. Quando compreende as leis divinas e decide praticar o bem, inicia a verdadeira libertação interior.
A grande vitória do Espírito não é jamais ter enfrentado dificuldades, mas ter aprendido, através delas, a escolher conscientemente o amor, a justiça e a fraternidade.
FONTES.
KARDEC, Allan. A Gênese — Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo. Capítulo III — “O Bem e o Mal”.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira — Das Leis Morais.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V — “Bem-aventurados os aflitos”.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo. Capítulo IX — “Os Demônios”.
O BEM E O MAL
- SEGUNDO O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
A LEI DIVINA COMO GUIA DA CONSCIÊNCIA HUMANA ( 621 L.E. )
Marcelo Caetano Monteiro.
No estudo da moral espírita, Allan Kardec dedica especial atenção à compreensão do bem e do mal. As questões 629 a 646 de O Livro dos Espíritos apresentam uma profunda análise filosófica e espiritual sobre a origem das escolhas humanas, a responsabilidade do Espírito e o papel da inteligência no discernimento moral.
Para o Espiritismo, o bem e o mal não são forças independentes ou princípios eternos em oposição. Existe uma única soberania: Deus, princípio supremo de justiça, amor e sabedoria. O mal surge como consequência do afastamento voluntário do Espírito em relação às leis divinas.
A MORAL COMO REGRA DE CONDUTA.
Na questão 629, Kardec pergunta:
“Que definição se pode dar da moral?”
Os Espíritos respondem:
“A moral é a regra para bem se conduzir, isto é, a distinção entre o bem e o mal.”
A moral, portanto, não é uma simples convenção humana ou um conjunto de costumes passageiros. Ela está fundamentada na lei de Deus, inscrita na consciência do Espírito.
O homem age moralmente quando compreende que sua existência não está isolada, mas ligada ao bem coletivo. Fazer o bem significa harmonizar-se com a ordem divina.
COMO DISTINGUIR O BEM DO MAL.
Na questão 630, encontramos uma definição essencial:
“O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus, o mal tudo o que dela se afasta.”
A distinção entre bem e mal não depende apenas das opiniões humanas, pois a criatura pode equivocar-se segundo seus interesses, paixões ou limitações intelectuais.
Deus concedeu ao Espírito a inteligência justamente para que ele desenvolva o discernimento. Conforme esclarece a questão 631, o homem possui os meios de distinguir o bem do mal quando busca compreender a vontade divina.
A consciência é o instrumento interior dessa orientação.
A REGRA DE JESUS: A RECIPROCIDADE.
Na questão 632, Kardec questiona como evitar o erro na avaliação do bem e do mal.
A resposta dos Espíritos recorda o ensinamento de Jesus:
“Vede o que quereríeis que vos fizessem ou não vos fizessem: eis tudo.”
Essa é a lei da reciprocidade, fundamento da convivência moral. O homem compreende o bem quando consegue colocar-se no lugar do semelhante.
A pergunta essencial para nossas atitudes deve ser:
Eu aceitaria receber do outro aquilo que estou oferecendo?
O LIMITE DAS NECESSIDADES HUMANAS.
A questão 633 apresenta um ensinamento de grande profundidade:
“A lei natural traça para o homem o limite de suas necessidades; quando ele o ultrapassa, é punido pelo sofrimento.”
O sofrimento, muitas vezes, não representa uma punição arbitrária de Deus, mas a consequência natural do desequilíbrio criado pelo próprio Espírito.
O excesso, seja material, emocional ou moral, produz desarmonia.
A lei divina estabelece limites porque conhece aquilo que conduz verdadeiramente à felicidade.
POR QUE DEUS PERMITE O MAL?
A questão 634 trata de uma das maiores indagações humanas:
Por que Deus não criou a humanidade em condições perfeitas?
A resposta espírita afirma que os Espíritos são criados simples e ignorantes, destinados ao progresso através das experiências e escolhas.
A perfeição adquirida pelo próprio esforço possui valor superior à perfeição recebida sem participação.
O Espírito aprende a valorizar o bem porque desenvolve, gradualmente, sua consciência.
A RESPONSABILIDADE É PROPORCIONAL AO CONHECIMENTO.
Na questão 637, Kardec pergunta sobre a responsabilidade daquele que pratica o mal sem compreender plenamente seus atos.
Os Espíritos esclarecem:
“O homem é mais culpável à medida que sabe melhor o que faz.”
O Espiritismo ensina que a responsabilidade moral acompanha o desenvolvimento intelectual e espiritual.
Quanto maior a compreensão, maior o dever.
Um erro cometido pela ignorância não possui a mesma gravidade de uma falta praticada conscientemente contra aquilo que já se conhece como correto.
O MAL E O LIVRE-ARBÍTRIO.
Um dos pontos centrais do capítulo está na afirmação de que o homem possui liberdade de escolha.
Deus não criou seres destinados obrigatoriamente ao bem, pois isso eliminaria o mérito da conquista moral.
A evolução espiritual ocorre justamente porque o Espírito aprende a escolher o bem por vontade própria.
O livre-arbítrio é uma das maiores dádivas concedidas ao ser humano, mas também traz consigo a responsabilidade pelas consequências das escolhas realizadas.
NÃO BASTA EVITAR O MAL.
Na questão 642, Kardec pergunta:
“Basta não fazer o mal para ser agradável a Deus?”
A resposta é clara:
“Não, é preciso fazer o bem no limite de suas forças.”
A moral espírita não é apenas negativa — não prejudicar, não ferir, não cometer erros.
Ela é essencialmente ativa:
auxiliar;
compreender;
servir;
amparar;
contribuir para o progresso do semelhante.
O bem que deixamos de realizar quando temos condições de fazê-lo também representa uma responsabilidade.
TODO SER HUMANO PODE FAZER O BEM.
Na questão 643, os Espíritos afirmam:
“Não há ninguém que não possa fazer o bem.”
O bem não depende exclusivamente de grandes realizações.
Ele está nas pequenas atitudes diárias:
uma palavra consoladora;
uma atitude de paciência;
um gesto de fraternidade;
uma ajuda silenciosa.
A oportunidade de praticar o bem acompanha todos os caminhos da existência.
CONCLUSÃO.
As questões 629 a 646 de O Livro dos Espíritos apresentam uma visão elevada da moral humana.
O bem é a harmonia com a lei divina. O mal é o afastamento dessa lei pelo uso equivocado do livre-arbítrio.
Deus não criou o mal; criou Espíritos capazes de aprender, escolher e evoluir.
A caminhada espiritual é justamente a transformação gradual da ignorância em sabedoria, do egoísmo em amor e das imperfeições em virtudes.
Como ensina a Doutrina Espírita, o destino do Espírito é o progresso. E esse progresso acontece quando a criatura, iluminada pela consciência, escolhe conscientemente o caminho do bem.
Referência principal:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira — Das Leis Morais. Capítulo I — Da Lei Divina ou Natural. Questões 629 a 646. Paris, 1857.
MÉDIUNS VERDADEIROS E FALSOS MÉDIUNS: QUANDO A MEDIUNIDADE SE AFASTA DA LEI MORAL.
A RESPONSABILIDADE ESPÍRITA DIANTE DOS NOVOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Aos queridos amigos e irmãos em Doutrina Espírita Shirley De Siqueira e Artur Felipe Ferreira. Com votos de muita paz sempre por tua dedicação e zelo por nossa doutrina inalienável.
Na atualidade, com os meios de comunicação cada vez mais ativos, rápidos e abrangentes, as antigas advertências da Codificação Espírita ganham uma dimensão ainda maior. Aquilo que antes permanecia restrito a pequenos círculos pode hoje alcançar milhares de pessoas em poucos instantes, tornando a responsabilidade moral diante da divulgação espiritual muito mais ampla.
Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: nós, espíritas, cruzaremos os braços ou voltaremos as costas diante dos procedimentos que deturpam a mediunidade e confundem aqueles que buscam amparo para suas dores?
O silêncio, quando a verdade precisa ser esclarecida, pode transformar-se em uma forma indireta de colaboração com o erro. O Espiritismo jamais ensinou a agressividade, a condenação precipitada ou o julgamento pessoal, mas igualmente nunca recomendou a omissão diante da mistificação, do abuso da fé e da exploração da fragilidade humana.
O bom senso, princípio tão valorizado por Allan Kardec, deve permanecer como guia permanente do espírita consciente. Não foi sem razão que Camille Flammarion, em seu discurso por ocasião da desencarnação de Allan Kardec, em 31 de março de 1869, destacou essa característica fundamental do Codificador, ao referir-se a ele como “o bom senso encarnado”.
Esse bom senso não representa frieza ou indiferença; ao contrário, significa unir razão e sentimento, compaixão e discernimento, respeito e responsabilidade.
Defender a mediunidade verdadeira não é atacar médiuns; é proteger a própria dignidade da faculdade mediúnica. Esclarecer não é perseguir; é exercer caridade para com aqueles que podem ser conduzidos ao engano em momentos de profunda vulnerabilidade.
A mensagem espírita não teme o exame, porque a verdade não necessita de artifícios para permanecer de pé. Quanto maior for o alcance dos meios de comunicação, maior deve ser também o compromisso dos espíritas com o estudo, a prudência e a fidelidade aos princípios ensinados pelos Espíritos superiores.
A mediunidade, segundo o Espiritismo, não é um título de superioridade espiritual, uma marca de santificação ou uma autorização para exercer domínio sobre consciências fragilizadas pela dor. É uma faculdade humana, concedida como instrumento de auxílio, esclarecimento e progresso moral. Entretanto, quando essa faculdade é contaminada pelo orgulho, pelo interesse pessoal, pela vaidade ou pela exploração da fé alheia, transforma-se em terreno perigoso, capaz de produzir sofrimentos profundos.
Não são poucos os casos em que pessoas, diante da perda de um ente querido, de uma enfermidade ou de uma angústia existencial, procuram respostas em indivíduos que se apresentam como médiuns. A fragilidade emocional do momento torna o sofrimento ainda maior quando encontram alguém que, utilizando-se de uma suposta autoridade espiritual, oferece falsas certezas, mensagens inventadas ou promessas que alimentam ilusões.
O problema não está na mediunidade; está naquele que a utiliza sem responsabilidade moral.
O CRITÉRIO DE JESUS E A QUESTÃO 624 DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
Allan Kardec, ao organizar os ensinamentos dos Espíritos, não deixou a análise dos médiuns entregue ao fascínio dos fenômenos. Ele estabeleceu um critério superior: a moralidade.
A questão 624 de O Livro dos Espíritos pergunta:
“Qual o caráter do verdadeiro profeta?”
E os Espíritos respondem:
“O verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. Podeis reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos seus atos. Impossível é que Deus se sirva da boca do mentiroso para ensinar a verdade.”
Essa resposta é uma das mais severas advertências da Codificação. Ela não afirma que o verdadeiro mensageiro deve ser alguém sem imperfeições humanas, mas estabelece que suas atitudes devem confirmar suas palavras.
A denúncia espiritual contida nessa questão é clara: não existe legitimidade divina em quem mente, manipula ou utiliza o sofrimento alheio para benefício próprio.
O discurso religioso pode impressionar; a aparência pode convencer; os fenômenos podem despertar curiosidade. Porém, para o Espiritismo, o julgamento deve repousar sobre a conduta moral.
JESUS COMO MODELO SUPREMO — QUESTÃO 625
Na sequência, a questão 625. pergunta:
“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”
A resposta é direta:
“Jesus.”
Kardec demonstra que a referência maior da humanidade não é o fenômeno, mas o amor; não é o poder, mas a renúncia; não é a fama, mas o serviço.
Jesus jamais transformou sua missão em comércio espiritual. Curou, consolou e ensinou sem exigir recompensa material. Sua autoridade vinha da harmonia absoluta entre aquilo que ensinava e aquilo que vivia.
Por isso, todo médium que pretende representar o mundo espiritual precisa confrontar sua própria conduta com esse modelo.
A OMISSÃO HUMANA DIANTE DA QUESTÃO 932.
A questão 932 de O Livro dos Espíritos apresenta uma reflexão profunda:
“Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?”
Resposta:
“Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”
Essa questão revela uma realidade que ultrapassa a mediunidade: muitas vezes, o erro prospera não apenas pela força de quem engana, mas pelo silêncio daqueles que conhecem a verdade e permanecem inertes.
É lamentável que essa advertência ainda pese pouco na consciência coletiva quando um falso médium, aproveitando-se da dor de uma família enlutada, produz uma segunda morte: a morte da esperança verdadeira, substituída pela mentira.
A primeira dor é a perda física do ser amado. A segunda é ser enganado no momento em que a alma está mais vulnerável.
O silêncio diante desses abusos favorece que a influência dos maus continue predominando.
KARDEC E OS MÉDIUNS QUE DESVIARAM SUA MISSÃO.
Allan Kardec jamais tratou os médiuns como figuras intocáveis. Pelo contrário, examinou profundamente os perigos que envolviam aqueles que possuíam essa faculdade.
Na Revista Espírita de março de 1859, no artigo “Médiuns Interesseiros”, Kardec alerta contra aqueles que transformavam a mediunidade em fonte de lucro ou vantagem pessoal.
Para ele, o problema não era apenas receber dinheiro diretamente. O interesse podia assumir várias formas:
desejo de fama;
necessidade de admiração;
busca de poder sobre os outros;
criação de dependência psicológica;
exploração da credulidade pública.
O médium que usa a faculdade mediúnica para alimentar o próprio ego afasta-se do objetivo espiritual da mediunidade.
Kardec esclarece que os Espíritos superiores não se associam a intenções mesquinhas. Quando o orgulho e o interesse dominam o instrumento mediúnico, abre-se espaço para mistificações e comunicações inferiores.
A MEDIUNIDADE NÃO É PROFISSÃO.
Em O Livro dos Médiuns, capítulo XXVI — “Da Gratuidade da Mediunidade” — Kardec reafirma o princípio ensinado por Jesus:
“Dai de graça o que de graça recebestes.”
A mediunidade, sendo uma faculdade concedida por Deus, não pode ser transformada em instrumento comercial.
A cobrança direta por comunicações espirituais, consultas ou revelações representa uma inversão do sentido da faculdade.
O médium não é proprietário da mensagem espiritual. É apenas intermediário.
Transformar o sofrimento humano em oportunidade de ganho é uma grave distorção moral.
O PERIGO DA CARIDADE USADA COMO JUSTIFICATIVA.
Um dos pontos mais delicados analisados por Kardec é a falsa aparência de bondade.
Alguns indivíduos podem realizar ações aparentemente caridosas e, ao mesmo tempo, manter práticas de exploração espiritual.
A verdadeira caridade, conforme a questão 886 de O Livro dos Espíritos, não está apenas na ação exterior, mas na pureza da intenção:
“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros e perdão das ofensas.”
A caridade não pode ser usada como máscara para justificar manipulação, vaidade ou interesse.
O bem verdadeiro não precisa de propaganda para provar sua existência.
O MÉDIUM E SUA RESPONSABILIDADE DIANTE DA DOR HUMANA.
A maior responsabilidade do médium não é produzir fenômenos; é preservar a verdade e o consolo legítimo.
Uma mensagem espiritual deve conduzir ao equilíbrio, à esperança, à reforma íntima e à confiança em Deus. Quando cria dependência, medo ou submissão cega, afastou-se do Evangelho.
O verdadeiro médium não se coloca entre a criatura e Deus como dono das respostas. Ele auxilia o próximo a encontrar dentro de si a força espiritual necessária para caminhar.
A mediunidade elevada não escraviza consciências; liberta.
CONCLUSÃO.
O Espiritismo não condena a mediunidade; denuncia seu desvio, ainda mais quando esta não é autentica e usada sob a bandeira do Espiritismo. Porque o espiritismo não é isso. O Espiritismo tem uma identidade própria denotada por seu codificador.
Allan Kardec ensinou que o médium deve ser avaliado pela moral, pelos frutos e pela coerência de sua vida. A faculdade mediúnica sem vigilância moral pode transformar-se em instrumento de engano; porém, quando orientada pelo Evangelho, torna-se caminho de auxílio e esclarecimento.
A questão 624 permanece como um marco de discernimento:
Deus não se serve da boca do mentiroso para ensinar a verdade.
E a questão 932 permanece como uma advertência coletiva:
O mal avança quando os bons se calam.
Diante da dor humana, a responsabilidade não pertence apenas a quem engana, mas também àqueles que, conhecendo a verdade, deixam de defendê-la.
FONTES.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questões 624, 625, 886 e 932.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Capítulo XXVI — Da Gratuidade da Mediunidade. 1861.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos. Março de 1859. Artigo: “Médiuns Interesseiros”.
KARDEC, Allan. Revista Espírita. Março de 1859. Artigo: “Estudo sobre os Médiuns”.
KARDEC, Allan. Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Revista Espírita, maio de 1858.
"Quem aprende a agradecer compreende uma lei profunda da existência. Nada floresce na alma que permanece na ingratidão."
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - QUESTÃO 632.
SOBRE O BEM E O MAL SEGUNDO A LEI NATURAL.
A questão seiscentos e trinta e dois de O Livro dos Espíritos, traduzido por José Herculano Pires, situa-se no âmago da ética espírita, onde a consciência humana é convocada a discernir, com rigor, o bem e o mal. O questionamento é direto: sendo falível, poderia o ser humano enganar-se, atribuindo ao bem aquilo que, em profundidade, é mal?
A resposta dos Espíritos superiores, sintetizada pela remissão ao ensino do Cristo, é lapidar e absoluta: tudo se resume ao critério do que desejaríamos receber. Este princípio, enunciado como medida universal, evita sofismas e protege o espírito contra ilusões morais. O erro humano não se origina na lei, mas na deformação dos desejos e na projecção egoísta das próprias paixões.
A lei natural, conforme elucidada por Kardec em mil oitocentos e cinquenta e sete, é inscrita na consciência. O equívoco ocorre quando o homem, em vez de consultá-la, inclina-se à sombra de seus interesses, perdendo a clareza interior. A ética espírita, entretanto, oferece um método: a diligência reflexiva, o autoexame diário, a comparação entre aquilo que faço e aquilo que gostaria de receber caso estivesse na posição oposta. É um retorno permanente à simplicidade da sentença do Cristo.
A aplicabilidade deste princípio é inalterável. Não depende de época nem de circunstância, pois se funda na reciprocidade moral que estrutura a convivência e regula o progresso espiritual. Toda ação que resiste ao teste da reciprocidade revela-se legítima; toda ação que o reprova denuncia desvio.
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - QUESTÃO 614.
A LEI NATURAL COMO EIXO ÉTICO DO SER.
A passagem transcrita, sob a tradução rigorosa e fidedigna de José Herculano Pires, situa o pensamento de Allan Kardec no ponto nevrálgico de toda a antropologia moral espírita: a Lei Natural como expressão da Vontade Suprema, inscrita na própria estrutura ontológica do ser humano. Trata-se do princípio matricial que orienta o espírito em sua travessia milenar, constituindo o fundamento da responsabilidade, da consciência e do aperfeiçoamento.
No item de número 614, a definição é direta, lapidar e inequívoca: a Lei Natural é a Lei de Deus, e por isso mesmo não é relativa, não é histórica, não é fruto das convenções transitórias dos homens; ela é anterior às civilizações e sobrevive às decadências das épocas, mantendo-se como eixo imutável da ordem universal. Seu caráter é normativo e teleológico: indica ao homem aquilo que deve fazer ou evitar, não por coação externa, mas por consonância íntima com sua destinação espiritual.
A infelicidade, como o texto assevera, não provém de fatalismos ou arbitrariedades celestes. Ela nasce do afastamento voluntário dessa Lei, isto é, da ruptura interior entre a criatura e o princípio de harmonia que a sustenta. A ética espírita, sob a pena metódica de Kardec e a transparência conceitual de Herculano Pires, desloca o eixo da tragédia humana do exterior para o interior, do acaso para a escolha, da fatalidade para a consciência.
A visão tradicional, que reconhece o valor do passado e das normas perenes, encontra aqui seu ponto de mais alta convergência: a felicidade não é invenção moderna, mas reencontro com o que sempre foi. O espírito não avança inventando novas leis; ele progride descobrindo a Lei que sempre o acompanhou, ainda que velada pelos instintos e pelas paixões.
PRODÍGIOS NA MORTE DE JESUS. ENTRE A COMOÇÃO HUMANA E A LEI NATURAL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
O trecho apresentado, extraído de A Gênese, capítulo XV, propõe uma leitura que se afasta do sobrenatural arbitrário e se ancora na racionalidade das leis universais. Aqui não se nega o fato moral, mas se examina criticamente a forma narrativa que o envolve.
O relato evangélico, especialmente em Evangelho de Mateus 27:45, 51 a 53, descreve três fenômenos centrais. As trevas sobre a Terra. O rasgar do véu do templo. A abertura dos sepulcros com a aparição de mortos. À primeira vista, tais acontecimentos parecem configurar uma ruptura da ordem natural. Entretanto, a análise espírita conduz a uma hermenêutica mais sóbria.
A obscuridade que teria coberto a Terra por três horas não se coaduna com um eclipse solar, pois, conforme a própria astronomia demonstra, esse fenômeno ocorre apenas na lua nova, enquanto a Páscoa judaica se dá em lua cheia. A explicação proposta desloca o eixo do milagre para o campo dos fenômenos naturais ainda pouco compreendidos à época. Alterações atmosféricas intensas, poeiras em suspensão, ou mesmo perturbações solares poderiam produzir escurecimentos incomuns, sem que isso implique suspensão das leis cósmicas. A referência histórica a obscurecimentos prolongados, como o ocorrido no ano 535, reforça essa possibilidade.
Quanto ao tremor de terra e às pedras fendidas, o raciocínio segue a mesma linha. Pequenos abalos sísmicos são frequentes em diversas regiões, e sua coincidência com um evento emocionalmente impactante pode amplificar a percepção coletiva. A psicologia do testemunho, sobretudo em contextos de dor e comoção, tende a magnificar o acontecimento, convertendo-o em símbolo.
O ponto mais delicado reside na chamada ressurreição dos mortos. A interpretação apresentada sugere não um retorno físico à vida orgânica, mas fenômenos de natureza mediúnica. Aparições espirituais, hoje compreendidas dentro do campo das manifestações dos desencarnados, eram então desconhecidas em sua causalidade. Assim, o que se viu foram Espíritos, mas o que se concluiu foram corpos ressuscitados. Trata-se de uma transposição interpretativa, condicionada pelo repertório cultural da época.
Esse mecanismo de amplificação é coerente com o comportamento humano diante do extraordinário. Um fragmento de rocha que se desprende torna-se sinal celeste. Uma visão espiritual transforma-se em milagre corpóreo. A narrativa cresce não por fraude deliberada, mas por um entusiasmo que carece de método.
Dessa forma, a conclusão apresentada é de notável densidade filosófica. A grandeza de Jesus Cristo não reside em efeitos exteriores que impressionam os sentidos, mas na estrutura ética e espiritual de sua mensagem. Sua autoridade não depende do prodígio, mas da coerência entre ensinamento e exemplo.
Sob a ótica espírita, os chamados milagres não são negações da lei, mas manifestações de leis ainda não plenamente conhecidas. O que ontem era prodígio, hoje se revela fenômeno. O que ontem era mistério, hoje se submete à investigação.
E assim permanece uma lição austera e perene. Não é no espetáculo do extraordinário que se mede a verdade, mas na profundidade silenciosa da lei que rege o espírito e o universo.
A CONSTITUIÇÃO DIVINA.
Autor: Richard Simonetti.
A SUPREMACIA DA LEI MORAL SOBRE AS LEIS HUMANAS.
A obra A Constituição Divina, de Richard Simonetti, apresenta-se como um tratado de elevada densidade moral e filosófica, cujo escopo transcende a mera análise das instituições humanas, para alcançar a essência daquilo que se poderia denominar a arquitetura invisível da justiça universal. Logo nas primeiras páginas, o autor estabelece um contraste de notável lucidez entre a constituição dos homens e a Constituição de Deus, conduzindo o leitor a uma reflexão que não se limita ao campo jurídico, mas adentra as esferas da consciência, da ética e do destino espiritual.
Ao definir o conceito de constituição como a lei fundamental de um Estado, responsável por organizar os poderes, regular direitos e deveres e estruturar a vida social, o texto evidencia uma fragilidade intrínseca às legislações humanas. Estas, embora necessárias, revelam-se frequentemente ineficazes na sua aplicação plena, seja pela limitação das instituições fiscalizadoras, seja pela inclinação humana à transgressão velada, muitas vezes legitimada por expedientes culturais como o chamado "jeitinho". Surge, então, a crítica sutil, porém incisiva, à distância entre a norma escrita e a prática vivida, distância essa que compromete o ideal de justiça.
É neste ponto que a obra eleva o pensamento do leitor a uma dimensão superior. Acima das leis transitórias e imperfeitas dos homens, afirma-se a existência de uma legislação divina, soberana, imutável e universal. Essa lei não depende de tribunais, decretos ou sanções externas, pois encontra seu tribunal na própria consciência do indivíduo. Trata-se de uma ordem moral inscrita na essência do ser, cuja vigência independe de reconhecimento formal, mas cuja atuação é inexorável. A felicidade e o sofrimento deixam de ser compreendidos como meras contingências da vida material, passando a ser interpretados como efeitos diretos da harmonia ou desarmonia com essa lei superior.
A citação da questão 619 de O Livro dos Espíritos introduz um elemento doutrinário de profunda relevância. Quando se afirma que todos podem conhecer a lei divina, mas nem todos a compreendem, estabelece-se uma distinção entre acesso e assimilação. O conhecimento, por si só, não garante a vivência. É necessário o esforço consciente, a investigação sincera e a disposição moral para internalizar tais princípios. Aqueles que se dedicam a esse labor íntimo tornam-se os verdadeiros intérpretes da lei divina, não por erudição, mas por vivência.
O progresso, nesse contexto, não é apresentado como uma opção, mas como uma necessidade inevitável. A humanidade caminha, ainda que lentamente, rumo à compreensão dessa lei, pois o próprio mecanismo da existência impele o ser à evolução. As experiências, os conflitos, as dores e as alegrias funcionam como instrumentos pedagógicos dessa grande escola universal, onde cada consciência é simultaneamente aluno e juiz de si mesma.
A relevância desta obra reside, portanto, na sua capacidade de reconduzir o pensamento moderno a uma visão mais elevada da justiça. Em tempos em que se deposita excessiva confiança nas estruturas externas, o texto convida à introspecção, ao exame de consciência e à responsabilidade individual. Não se trata de negar a importância das leis humanas, mas de reconhecê-las como reflexos imperfeitos de uma ordem maior, que exige do indivíduo não apenas obediência, mas compreensão e integração.
A Constituição Divina, nesse sentido, não é um código escrito, mas uma realidade viva, pulsante na intimidade de cada ser. Ignorá-la é iludir-se com aparências transitórias. Compreendê-la é iniciar um processo de alinhamento com as forças mais elevadas da existência.
E é nesse silencioso tribunal interior, onde não há testemunhas nem advogados, que cada espírito escreve, dia após dia, a verdadeira carta magna de sua própria consciência.
Texto de Análise: Marcelo Caetano Monteiro .
DO SUBCONSCIENTE À LEI.
Catarina Labouré / Irmã Zoé .
Atingindo o ponto de liberdade que faz do homem autor de si mesmo em suas experiências costumeiras e múltiplas ;a autoridade que lhe advém das escolhas que lhe percrustam o subconsciente, emergem em emoções vividas e imantadas mediante o tempo que é de teor significativo prior,produzem invariavelmente sem o preparo ideal nas pautas do evangelho que alforria o homem de suas dependências primitivas em todas as áreas em que lhe concernem dores atrozes,segue o espírito por força maior do bem estar que ele procura para seguir em paz e adiante;chega então o sondar dos mistérios que o seu "eu pessoal" teima em esquecer das arbitrariedades praticadas contra a própria vida íntima ou alheia que lhe segregam envolvidas no mesmo universo psicológico que roga lograr êxito para uma sublimação que trespassa os interesses pessoais.
Cada ação,cada ato lhe tornando o receptáculo intransferível baseado nas leis naturais que sustentam todas as existências primárias ou milenares que pairam sobre as mesmas livres escolhas; chegam para diluírem-se na égide que cada um trás acima dos próprios atos,mesmo que desconhecendo-lhes o nascedouro não olvidam que lhe fazem aparentemente e de imediato humano o incompreensível mal que também se lhe transforma num educandário tanto no corpo como n'alma.Cabe ao homem que busca algo mais além das aparências turvas observar para compreender essa lei de causa e efeito, é a mesma que lhe chega com as mesmas forças dos atos pretéritos lhe elevando em direção a sentidos mais avançados e objetivos luminosos, abrindo-lhe portas e janelas dantes desconhecidas,mas agora um tanto mais interiorizados que olhamos e que nos olham em somas efetivas para despontar e redirecionar todos os que buscam a paz e o equilíbrio que almejamos,vivendo hoje esses sentidos, para que nessa transmutação amparada sob à lei inalienável da justiça divina aumentem em cada um de nós o merecimento de viver em mundos melhores e superiores na ação da paz conquistando ante as lei das reencarnações a lívida consciência dos deveres por hora bem realizados para com Deus na pessoa daqueles que conosco jornadeiam na mesma senda e seara.
Muita paz.
Formalizar a Medicina da Floresta em “religião” para cumprir o que dispõe a Lei é compreensível, mas transformá-la em religião ou seita é algo que nem os Pajés e Xamãs imaginaram.
Sebastian Striquer
Não faça da sua vida um livro de um único capítulo, encha-o com vários capítulos para que quem o leia possa ter a certeza que a vida só vale a pena quando sabemos aproveitá-la!
