Lei
Critica-se a Lei Rouanet em nome de uma suposta “indignação ética”, sem sequer compreender que ela não é esmola,
não é “dinheiro dado a artistas”,
mas um mecanismo de renúncia fiscal , dinheiro que já sairia do bolso público e que passa a ser direcionado, com regras, para cultura, educação simbólica, memória e pensamento crítico.
Os mesmos que se arvoram como “cidadãos do bem”:
receberam auxílio emergencial indevidamente,
vivem de benefícios estatais históricos,
defendem privilégios corporativos (militares e suas viúvas e filhas eternamente pensionistas),
e jamais questionam isenções fiscais bilionárias concedidas a bancos, igrejas e grandes empresas.
A indignação, portanto, não é moral , é seletiva.
Ela escolhe alvos simbólicos fáceis: artistas, intelectuais, escritores e produtores culturais vários.
Porque cultura incomoda, questiona, expõe contradições, desorganiza certezas e encenam a história que tentam apagar.
Não se trata de repúdio ao uso do dinheiro público.
Trata-se de repúdio àquilo que pensa, cria e revela.
Em resumo:
Não odeiam o Estado beneficiador,
odeiam o Estado quando ele não os beneficia diretamente; e odeiam ainda mais quando ele financia ideias, sensibilidade e pensamento crítico que são contrários às próprias ideologias politicas, religiosas e culturais.
✍©️@MiriamDaCosta
Quem invoca a lei Rouanet como insulto contra artistas...
não ataca a lei nem a arte,
apenas revela ao mundo o próprio vazio:
uma ignorância travestida de opinião
e um desprezo pela cultura
que nos sustenta.
✍©️@MiriamDaCosta
O Brasil é um país multipartidário. Para que uma lei seja aprovada, muitas vezes é necessário formar coligações com outros partidos, o que frequentemente envolve negociações e acordos políticos. Na minha visão, isso acaba favorecendo trocas de interesses, nas quais cada grupo busca obter vantagens.
Ao meu ver, o sistema multipartidário amplia as oportunidades para práticas de corrupção e para a manipulação do processo legislativo.
Entre a lei escrita e a vida concreta há um abismo onde a ética urbana deveria construir pontes — mas frequentemente apenas observa o vazio.
