Lago

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BRASÍLIA
A flor do cerrado
não tem praia nem mar
mas tem lindo lago
de lábios rosados
e olhos azuis
que se prendem ao céu.
Tem pedra bonita
tem luz de pepita
e lua de cristal
Brasília é infinita
constelação de poderes
estrelas soberbas
que sobem e que caem
do alto da torre
à rampa do congresso...
Brasília é rock roll
da Capital Inicial
das Plbes Rudes
e Renatos Russos
de camelos e Para-lamas
do voo da gaivota
da Asa Norte à Asa Sul
Brasília é uma flor
que ainda desabrochou
da praça sem poderes
ao autódromo esquecido
governo falido
servidor ausente...
Brasília de presente
de passado distante
da fé do bandeirante
do padre sonhador
Brasilia ainda é menina
de laços de fita
que o poeta cantor.
Eu amo Brasília
em suas grandezas
e em suas carências
quem dera que um dia
o vale perdido
o dito paraíso
sem medo e sem culpa
assumisse a sua sina
de ser jovem menina
na paz entre os homens
na justiça e no amor.

Evan do Carmo

A Dança que Sustenta o Todo


Havia, no princípio dos dias,
um lago escondido entre colinas.
Nele, vivia um pato.
E o pato nadava sobre um tapete vivo de rogós,
aquele verde que cobre a água,
alimentando-se e abrigando-se nele.


O rogós, porém, não vivia sozinho.
Bebia da luz do Sol
e da água que o lago oferecia.
E o lago não era lago sem as chuvas
e sem as correntes que vinham de longe.
Assim, um vivia para o outro,
e nenhum era senhor de si mesmo.


Certa vez, um viajante observou e disse:
— Se o pato vive para o rogós,
e o rogós vive para o lago,
então todos dependem de todos.
Mas quem, no alto de tudo,
precisa de quem?


E o ancião que o guiava respondeu:
— Até as moléculas vivem desse pacto.
Uma só não é nada;
juntas, são substância, são forma, são vida.
Assim também é com o Criador e o criado.


O viajante franziu a testa:
— Então o Criador precisa de nós?
— Depende de como você chama “precisar” —
disse o ancião.
— O Criador não carece de nada.
Mas escolheu que o todo vivesse
por meio da dança entre o dar e o receber.
Se retirasse essa dança,
a criação seria apenas estática,
como uma pedra no escuro.


O viajante ficou em silêncio,
e o ancião prosseguiu:
— A devoção que oferecemos ao Criador
não é o alimento que O mantém vivo,
mas o fio que nos mantém ligados a Ele.
Assim como o pato não sustenta o Sol,
mas precisa do Sol para continuar vivo,
nós precisamos dessa devoção
para lembrar de onde viemos
e para onde voltaremos.


E então, o ancião mostrou ao viajante
a relatividade das medidas:
— Se saímos de trinta graus para vinte,
sentimos frio.
Se saímos de dez para vinte,
sentimos calor.
A mesma temperatura pode ser frio ou calor,
dependendo do caminho que se fez até ela.
Assim é com a verdade:
não tem um único rosto,
mas se revela conforme o coração que a busca.


O viajante entendeu,
e disse consigo mesmo:
— Então a verdade é o equilíbrio.
E o equilíbrio é a justiça.
E a justiça é o ser.
E o ser é o que é.


E naquele dia,
à beira do lago,
aprendeu que o Criador não reina sozinho,
mas reina com todos.
Porque escolheu não criar servos,
mas companheiros de dança.

Noite no lago


O lago, a neblina e o rio,
A ponte, a cabana e o lobo solitário,
Os sussurros, os uivos e os medos,


A noite, a solidão e a lamparina como fonte de luz,
A floresta densa, o outro lado do rio e os olhares atentos do lobo,
A lua escondida, a ponte sombria, uma luz no meio da neblina,


A floresta grita, correria insana na ponte, a lamparina cai,
O medo chora, a cabana está vazia, o lobo uiva alto,
A lua aparece, a neblina some, os sussurros cessam.

Eu sou a chuva no lago...
A cada gota um novo lago...
A cada lago um novo eu...
A cada eu uma nova chuva tristonha...

Ouvir Raindrop, de Chopin, é deixar-se conduzir a um lago invernal. Cada gota que tomba no silêncio da água reverbera como a confissão íntima da solidão.

Existe um lago dentro de mim onde as vozes se banham. Nenhuma delas sabe nadar direito, mas insistem. Quando me aproximo, o lago mostra minha face em pedaços. A água aceita o que chega, sem julgar. E eu aprendo que aceitar é também forma de oração.

Ali onde a alma goza suspiros de paz, no silêncio de si mesmo, às margens de um lago de águas tranquilas onde borboletas douradas e libélulas pairam doces e placidamente. Ali, se puder achar, dobrando a esquina do inferno, à direita do desalento. (Walter Sasso)

“Vou pintar um jardim e um lago com uma bela casa, se sobrar tinta pintarei você.”

⁠As cinzas transformaram
de maneira pressentida
o céu no lago parado da morte,
não sei mais a diferença
quando faz Sol ou chove.

Os meus sentidos andam
endurecidos e me pego
a cada dia gostando
menos de tudo o quê
estou testemunhando.

Perdi as contas de quantas
vezes mastiguei e engoli
a minha própria língua
por tomar noção que
muita coisa virou cinza.

Ler as notícias e insistir
em olhar para o céu
continua sendo um engano,
o Apocalipse está
dominando os pulmões.

Só sei que choro por dentro
e os pássaros cantam
de desespero antes
mesmo do Sol raiar
e não sei mais e como falar.

Jiaolong e a Virtude da Água

A água no lago:
— Em mim, não é fraqueza; é autocontenção.

A água no rio:
— Em mim, é a paciência de quem, ao buscar a si mesmo, alcança.

A água no mar:
— Em mim, é saber que posso, e escolher quando.

A água no oceano:
— Em mim, força sem consciência torna-se ruína; consciente da minha força, transformo-me.

O passado não é um lugar para morar.É um lago onde você pode se banhar e sair mais lúcido.

Debbie Villela

2075 📜 "Essa parece fácil saber o Autor, não parece? 'Todo pobre deveria ter acesso a Lagostas Grelhadas'!"

Acalmando o lago das emoções.

Cada um de nós tem um lago desconhecido dentro de si. Em alguns momentos ele apresenta-se profundo e assustador, principalmente nos momentos de fúria, parece que ele vai transbordar e invadir tudo ao redor.

E, o que fazer para que ele permaneça sereno? Quando percebo que ele está começando a ficar agitado, eu costumo passar alguns minutos em silêncio, escutando unicamente o canto dos pássaros que sempre pousam bem próximo a janela do meu quarto. Aquela sinfonia tem o dom de abrandar as águas agitadas de qualquer lago em movimento.

Sempre que me vejo inquieta por causa do mundo louco em que vivemos que é o que faz as águas transbordarem, eu simplesmente fico alguns minutos off-line. Às vezes, chego até a desligar o celular, para que nada me incomode. Fico comigo mesma, escutando o que se passa por dentro.

Mas, o que mais me deixa calma e totalmente em paz é a natureza. Acho magníficas as nuances do sol no fim do dia, colorindo a cidade, enquanto as nuvens se perdem naquele mar de cores. O diferencial dos verdes dos galhos das árvores, as flores nascendo preguiçosas banhadas pelo orvalho matinal. A brisa de um dia chuvoso, as gotinhas banhando o meu rosto, o cheirinho de terra molhada...

Existem muitas outras coisas que me acalma, mas, não irei citar todas, pois, não gosto de escrever textos enormes, mas, deixo aqui a pergunta: O que te deixa em paz e com o lago das emoções bem tranquilo?

Inserida por Luziamedeiros

Então o “urso“ disse: Acredite, eu não vim ao canto deste lago para roubar teus peixes, para devorá -los todinhos em furia. Vim só para vê-los nadando, livres em seu habitar . Também para ver o meu reflexo no espelhar destas águas, e para provar a mim mesmo diante dessa imagem, que não é verdade o que foi dito a meu respeito. Pode conferir aquele jardim ao lado, veja se falta sequer uma flor que seja. Vim também para parabenizarte por tê-las impedido de murchar

Inserida por AndressaRodrigues

E se alguém não foi achado no Livro da Vida, esse foi lançado no lago de fogo e enxofre. Apocalipse 20-15

Inserida por IFL

È como mergulhar em um lago negro, numa noite escura. È como se jogar ao vento, em meio á uma tempestade. È como se apaixonar pela dor, mais incrivelmente eu não consigo me desligar de você.

Inserida por anaclarapimentel

[...] Depois de dois ou três minutos de caminhada chegamos há um lago que se estendia por muitos metros até as colinas que pareciam como quadros, e não por coincidência vi uma tela exposta em um cavalete com a mesma paisagem, sob a sombra de uma árvore. Impressionei-me ao ver uma pintura tão linda! Estava terminada, só faltando a assinatura do pintor e uma moldura à sua altura. Percebi que Rubens me observava com atenção e um ar de riso nos lábios quando me conduziu à frente do cavalete. Não entendi o que ele queria fazer quando virou as costas para mim.
-Você é o que faltava. –disse ele, não sabia do que estava falando.
-Desculpe?
Ele repetiu o movimento do dedo indicador nos lábios e eu já estava ficando irritada com aquilo.
-Devo pedir que não se mova.
-Mas...
Novamente aquele movimento.
-Desculpe meus modos, quase me esqueci de pedir sua permissão para pintá-la...
-Pintar-me? –perguntei um pouco ansiosa- Por quê? Seu quadro está tão lindo!
-Quero que ele fique perfeito. [...]

Inserida por araujoerika

Lago sereno de águas profundas, disseram que sou assim, imediatamente concordei com essa definição. Não tente me conhecer pela superfície, não entre em minha vida se tiver medo de profundidade. Às vezes penso que sou feita de nada e surpreendo ao ver que minha alma de vinte e poucos anos comporta a vivencia de um século. Às vezes sou pesada demais e às vezes nem me sinto.

Inserida por camillacriss

E me lembrei daqueles fins de semana no lago, quando os barcos de papel partiam sem eu me preocupar onde iriam chegar, se iriam chegar… é que era mais gostoso sentir a brisa no rosto e ver o que o vento me reservava. E eu partia sem olhar pra trás, sem ter preocupações ou pesos nas costas, sem hora pra voltar, sem pessoas para impressionar. Uma vez e outra, sentia as nuvens ao redor… e o barco parecia flutuar. A noite caía e as estrelas pareciam me convidar a um espetáculo de luz no meio do céu negro. Ambiente perfeito para sonhar… ambiente perfeito pra ser, adormecer.

Inserida por Matheusalexandre

Na fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre a sua promessa.

Inserida por CamilaMelaine