Lago

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Ninguém precisa permanecer num lago de incompreensão. Ainda que a possibilidade favoreça mais a um do que a outro, o tempo oferece a chance de desenhar lados iguais. O conflito, porém, continuará produzindo efeitos negativos, até que a balança se alinhe em sintonia com a paz.

Ali onde a alma goza suspiros de paz, no silêncio de si mesmo, às margens de um lago de águas tranquilas onde borboletas douradas e libélulas pairam doces e placidamente. Ali, se puder achar, dobrando a esquina do inferno, à direita do desalento. (Walter Sasso)

Nossas lágrimas quando estão no lago de nossos olhos são péssimas, mas quando elas percorrem a cidade de nosso rosto pode ter a certeza de que são esperança para nos devolver o prazer, liberdade e alegria. Elias Torres

⁠Aquele Lago

Aquele Lago de águas tão transparentes como uma vitrine,
A manifestar-se como um líquido céu azulado.
Ele dedica-se a saciar a sede de todos ao seu redor
Enquanto seus peixes e plantas aquáticas disputam suas águas doces.
Cada um puxando mais para o seu lado.
Tão líquido e transparente, mas envolto de recursos geniais.
Um Lago formoso, o maior dos patrimônios naturais!

"⁠À medida que dialogamos, lembremos que as palavras são como pedras jogadas num lago - criam ondulações que se estendem para além do ponto inicial. Cultivemos uma linguagem que promova a harmonia, construa pontes entre corações e perdure como uma canção suave na memória daqueles que nos ouvem."

Augusto

Foi há alguns anos,
numa noite ao pé do lago.
Como sabeis todos, foi lá que encontrei
aquele que sempre soube amar;
vive ainda em meus pensamentos,
e amar-lhe era mais que amar a mim mesmo.

Eu era um jovem moço,
ele, um belo jovem,
nesta cidade ao pé do lago;
mas o nosso amor era mais que amor —
o meu e o dele era carnal,
um amor sagrado e profano.

E foi esta a razão por que, há muitos meses,
nesta cidade ao pé do lago,
à luz do luar eu ainda soube amá-lo;
mas a vida o tirou de mim
para encerrá-lo em meu sepulcro,
nesta cidade ao pé do lago.

E o rosto triste, no reflexo da água,
ainda murmura:
eu te amo…
Sim, foi essa a razão — como sabem todos —
que eu te perdi, Augusto.
Numa quinta-feira gelada,
o vento saiu da nuvem
e matou o amor que um dia soube amar.

Mas o nosso amor não era para sempre,
ridicularizado pelos deuses;
e nem os demônios sob o lago
poderão separar minha alma
da alma de Augusto.

Porque a luz triste do luar
só me traz sonhos
do dia lindo em que soube amá-lo;
e as estrelas na sexta sombria
só me devolvem os olhares
do meu amor que um dia soube amar.

E assim ‘stou deitado toda noite
ao lado do meu sepulcro,
sem Augusto,
no sepulcro ao pé do lago onde nos conhecemos,
ao pé do eterno murmúrio do lago.

Rua e Lago não combinam quando estão longe;
E não combinam quando estão próximas.
O horizonte itinerante dos olhos teus,
Ajuda essa não combinação toda.

Melhor ser um peixe grande num lago pequeno.

As consequências das nossas escolhas são como ondas no lago: podem demorar a chegar, mas nunca desaparecem.

Não olhe meus olhos
Você não vai ver minha alma
Você vai se afogar
No lago das lágrimas
Que não choro
Se afogar
Sem retorno
Só se afogar
E nada mais


Dentro dos olhos
Dói menos que no coração

⁠Gota a gota
Uma poça
Um rio
Um lago
Um mar
Gota a gota
Foi enchendo
Foi pingando
Foi vazando
Até transbordar

Banhavam-se
os patinhos no lago
Felizes

A Dança que Sustenta o Todo


Havia, no princípio dos dias,
um lago escondido entre colinas.
Nele, vivia um pato.
E o pato nadava sobre um tapete vivo de rogós,
aquele verde que cobre a água,
alimentando-se e abrigando-se nele.


O rogós, porém, não vivia sozinho.
Bebia da luz do Sol
e da água que o lago oferecia.
E o lago não era lago sem as chuvas
e sem as correntes que vinham de longe.
Assim, um vivia para o outro,
e nenhum era senhor de si mesmo.


Certa vez, um viajante observou e disse:
— Se o pato vive para o rogós,
e o rogós vive para o lago,
então todos dependem de todos.
Mas quem, no alto de tudo,
precisa de quem?


E o ancião que o guiava respondeu:
— Até as moléculas vivem desse pacto.
Uma só não é nada;
juntas, são substância, são forma, são vida.
Assim também é com o Criador e o criado.


O viajante franziu a testa:
— Então o Criador precisa de nós?
— Depende de como você chama “precisar” —
disse o ancião.
— O Criador não carece de nada.
Mas escolheu que o todo vivesse
por meio da dança entre o dar e o receber.
Se retirasse essa dança,
a criação seria apenas estática,
como uma pedra no escuro.


O viajante ficou em silêncio,
e o ancião prosseguiu:
— A devoção que oferecemos ao Criador
não é o alimento que O mantém vivo,
mas o fio que nos mantém ligados a Ele.
Assim como o pato não sustenta o Sol,
mas precisa do Sol para continuar vivo,
nós precisamos dessa devoção
para lembrar de onde viemos
e para onde voltaremos.


E então, o ancião mostrou ao viajante
a relatividade das medidas:
— Se saímos de trinta graus para vinte,
sentimos frio.
Se saímos de dez para vinte,
sentimos calor.
A mesma temperatura pode ser frio ou calor,
dependendo do caminho que se fez até ela.
Assim é com a verdade:
não tem um único rosto,
mas se revela conforme o coração que a busca.


O viajante entendeu,
e disse consigo mesmo:
— Então a verdade é o equilíbrio.
E o equilíbrio é a justiça.
E a justiça é o ser.
E o ser é o que é.


E naquele dia,
à beira do lago,
aprendeu que o Criador não reina sozinho,
mas reina com todos.
Porque escolheu não criar servos,
mas companheiros de dança.

Somos um canal (um rio), e não um lago que represa a água.

O LAGO DOS CISNES
(Fragmentos de um esquecimento lúgubre)

Vi uma casa no campo com flores silvestres e um lago de cisnes. Vi anjos de luz brincando em nuvens de algodão. Ouço vozes celestiais; elas me cobrem com um véu transparente que flutua do céu. Vejo nele respingos rubros. Olho meus dedos e vejo tinta, como gotículas de sangue que choram do meu coração. Sono. Pálpebras seladas por um esquecimento lúgubre.

Lu Lena / 2026

BRASÍLIA
A flor do cerrado
não tem praia nem mar
mas tem lindo lago
de lábios rosados
e olhos azuis
que se prendem ao céu.
Tem pedra bonita
tem luz de pepita
e lua de cristal
Brasília é infinita
constelação de poderes
estrelas soberbas
que sobem e que caem
do alto da torre
à rampa do congresso...
Brasília é rock roll
da Capital Inicial
das Plbes Rudes
e Renatos Russos
de camelos e Para-lamas
do voo da gaivota
da Asa Norte à Asa Sul
Brasília é uma flor
que ainda desabrochou
da praça sem poderes
ao autódromo esquecido
governo falido
servidor ausente...
Brasília de presente
de passado distante
da fé do bandeirante
do padre sonhador
Brasilia ainda é menina
de laços de fita
que o poeta cantor.
Eu amo Brasília
em suas grandezas
e em suas carências
quem dera que um dia
o vale perdido
o dito paraíso
sem medo e sem culpa
assumisse a sua sina
de ser jovem menina
na paz entre os homens
na justiça e no amor.

Evan do Carmo

A natureza e seu esplendor. Ao lado de um campo de girassóis, dorme um lago sob a neblina a sonhar com papoulas vermelhas ao vento. Açucenas brancas destilam a madrugada e eu estava acordada a ver o espetáculo. Lírios à beira do rio mostravam que as margens eram adornadas com flores. Antúrios escarlates brilhavam onipotentes em seu ser luminescente e se destacavam em campos de deserto e suas miragens. As orquídeas varriam o quintal, volumosas no seu violeta vivo a espraiar amenidades em suas folhagens. Cerejeiras floridas eram um espetáculo a parte, tão longe e tão perto, a expandir flores rosas na íris da primavera anil. A floresta estava coberta de musgo como um camaleão a se camuflar no ambiente do bosque silencioso. Havia uma árvore solitária na colina, uma árvore que cresceu cedo demais e era preciso olhar o céu para vê-la. Suas raízes profundas encontravam as pedras. E da árvore caiam folhas secas de outono. A chuva fina sobre a terra vermelha fazia lama nos pés, que se lavavam em uma cachoeira cristalina, vinda de um rio serperteando a planície. Muitas léguas adiante o mar revolto sob uma tempestade balançava os barcos dos pescadores preocupados, mas que chegaram sãos aos seus lares. Avistava-se o oceano azul sem fim entre as conchas esquecidas na areia. Ao anoitecer a lua iluminava as dunas. Montanhas cobertas de neve sonhavam vales verdejantes. A lua cheia refletida na água era suave aos olhos como o pôr do sol no horizonte. Ao olhar o céu via-se estrelas espalhadas como sementes e os campos terrestres brotavam com abundância. A aurora colorida anuncia um novo dia. O sol nascente entre montanhas é uma poesia.

Sobre a Clareza Mental
​"O pensamento é como a água de um lago: quando está agitado, a gente não enxerga o fundo; quando silencia, tudo fica claro."

Lúcia reflexões &Vida

Jiaolong e a Virtude da Água

A água no lago:
— Em mim, não é fraqueza; é autocontenção.

A água no rio:
— Em mim, é a paciência de quem, ao buscar a si mesmo, alcança.

A água no mar:
— Em mim, é saber que posso, e escolher quando.

A água no oceano:
— Em mim, força sem consciência torna-se ruína; consciente da minha força, transformo-me.

Deus é um imenso lago: o conhecimento, quando me embriaga, torna-o raso; o Espírito, quando me preenche, faz-me mergulhar cada vez mais fundo.