Julio Cesar
Saber sacrificar tudo a um dever é a principal e mais difícil ciência que nós temos de aprender na vida.
São tão imensamente grandes, tão paradoxalmente violentos certos amores, que atingem a expressão terrível do ódio.
Com o amor dá-se o mesmo que com o vinho. Perdoem-me as leitoras o pouco delicado da confrontação; mas bem vêem que ambos embriagam.
A aurora do amor é a quadra de devaneios e fantasias, em que a vida do coração principia e exerce sobre nós o seu mágico influxo.
Se nos dermos de coração a uma quimera, se ela, nas formas vagas e aéreas que reveste, nos sorrir e namorar, em vão julgamos tê-la pelo que verdadeiramente é; há sempre um ou outro momento em que a acreditamos realizável e até realizada.
Alguém que tem uma linda rosa no jardim e chora porque um dia ela irá murchar, não conhece a beleza da rosa, apenas conhece o seu medo.
Quando nos acomodamos à rotina da vida, perdemos, pouco a pouco, o pulso de nós mesmos, deixando o nosso processo de crescimento à mercê das influências e das circunstâncias externas.
Permita-me um pedido: Quero uma vida em branco! Isso mesmo, em branco, onde eu possa colorir uma nova história, com personagens de olhos bem arregalados para que o novo desenho nasça sem erros. Quero muitas cores. Muitas mesmo. Quero tantas quantas forem possíveis para esquecer o cinza da quarta-feira que fere. Além das cores quero também perfumes. Quero cheiro da manhã bem como daquilo tudo o que é novo, que acaba de nascer, que tem força...
O risco de me perder neste novo desenho é mínimo, pois não faltarão luzes a me guiar pelas linhas traçadas a mão livre e forte.
Aviso que esta vida em branco terá como seu primeiro traço a linha do horizonte, daqueles a perder de vista, para que assim eu caminhe muito conhecendo novas pessoas. E quanto a você, não se preocupe. Terás seu lugar nesta nova vida, mas corra, pois as vagas são poucas. Serás bem vindo, desde que traga sua sinceridade e disposição para continuar a ser chamado de amigo.
O que? Se nesta vida as mágoas terão espaço? Ah, não, essas não combinam com o novo colorido. O lugar que antes era reservado às mágoas agora será dedicado ao cuidado de saber quem realmente quer figurar nesta nova moldura.
Agora se não for possível dar-me uma vida em branco, dê-me uma borracha, para que eu apague lembranças e sorrisos que um dia feriram esta alma que hoje suplica o direito de recomeçar.
Compreendeu, finalmente, que mais importante do que chegar, é sentir-se bem com o seu jeito de caminhar.
