Irmao Nao Va embora
Alguns homens não salvam, Purificação.
Eles queimam, cospem filosofia
e depois vão embora — como se não tivessem
tocado o inferno que mora em você.
Platão diria que é ilusão.
Epicteto chamaria de aceitação.
Nietzsche berraria: viva o caos.
Mas ela?
Ela só queria alguém que ficasse.
E recebeu um homem
que partiu com a alma dela nos dentes.”**
— Purificação
"A dor que vesti"
Não posso deixar a dor ir embora.
Ela é a única coisa que ficou.
Então aprendi a moldá-la —
como um ferreiro em silêncio forja o que precisa para continuar.
Com o ferro chamado dor, construí uma armadura.
Fria. Pesada.
E um escudo, para suportar os golpes invisíveis que o mundo me dá todos os dias.
Mas nunca uma espada.
Eu não quero atacar ninguém.
Só sobreviver.
A epilepsia é minha cicatriz.
Não é ferida aberta o tempo todo,
mas é como uma rachadura em vidro grosso:
invisível para muitos, mas que pode se partir a qualquer momento.
As crises vêm como tempestades sem aviso.
E os olhares —
ah, os olhares…
esses são como lâminas finas que cortam sem sangrar por fora.
Desprezo disfarçado.
Pena mal escondida.
Tratamentos que me diminuem até eu esquecer que tenho altura.
E então eu abaixo a cabeça.
Não por respeito,
mas por vergonha de existir do jeito que sou.
No trabalho, nos sonhos, em casa —
tudo me lembra que eu sou "o epiléptico".
Como se fosse só isso.
Como se minha história, meu valor, minha essência…
tivessem sido apagados por uma palavra.
E cada nova crise, cada nova conversa que me reduz a uma condição,
é mais uma luta.
Mais uma ferida que cicatriza, mas nunca desaparece.
Eu continuo aqui, vestindo a dor.
Vivendo como um zumbi com armadura.
Sem espada, sem raiva, sem guerra.
Só com o cansaço de existir assim.
Mas ainda existindo.
A aprovação não define quem somos, embora a sociedade insista em cobrá-la. O caminho consciente é libertar-se do peso da opinião alheia e voltar-se para dentro: para o próprio eu, para as escolhas que nascem da alma, para a vivência que é só sua. É no amor-próprio que habita a força. Viver a própria vida é não depender da empatia dos outros, pois ela nem sempre virá. E ainda assim, é preciso seguir.
Se eu pudesse ir embora…”
Se eu pudesse ir embora, eu iria.
Não por covardia, não por fraqueza — mas por cansaço.
Eu partiria não da cidade, não das pessoas…
mas da dor que me prende aqui, desse silêncio que grita, dessa ausência que ainda pesa.
Ontem, eu tentei dizer a mim mesmo que o que sinto por ela já não importa.
Que a saudade já não machuca.
Que o meu coração já é nada —
mas bastou fechar os olhos para o sonho me desmentir.
Lá estava ela, com uma aliança no dedo e um nome que não era o meu.
Lá estava eu, gelado, mudo, querendo correr.
E lá estava o meu irmão, meu amigo, meu apoio. Dirigindo o ônibus que me levaria para longe.
Como se até no meu inconsciente eu soubesse:
Se é pra fugir, que seja com alguém que segure o volante enquanto eu tento não desabar.
Eu só queria paz.
Queria que a saudade não doesse tanto.
Queria que os problemas não pesassem tanto.
Queria que meu peito não tivesse que fingir força enquanto se esfarela em silêncio.
Mas, no fim das contas, talvez o que eu mais queira…
não seja ir embora.
Talvez o que eu queira, de verdade,
é voltar a ser alguém inteiro.
Sinto sua falta
Sinto sua falta todos os dias. Você não foi embora, mas não sinto mais você aqui. Eu te adoro e gostaria que continuássemos na mesma sintonia. Será que você pensa em mim? Eu penso muito em você, mas não sei demonstrar. É difícil dar afeto quando nunca recebi. Gostaria de te beijar e te abraçar. Gosto dos seus abraços e da forma como você é mais alto que eu. Gosto de te ver sorrir e de como você não consegue ficar parado. Eu reparo muito em você, mais do que deveria. Gostaria de te dizer que você me agrada e que, mesmo que às vezes eu me sinta triste com você, isso é normal. Eu sou feita de caos e você é calmaria. Somos incompatíveis, mas mesmo assim eu daria tudo que tenho para que um dia, por acaso do destino, nós déssemos certo e que você possa me oferecer amor e que eu possa te oferecer intensidade. Quando nossos mundos se colidiram, eu senti tudo mudar, mas para melhor. Era a felicidade chegando, era você chegando, era nossos lábios se encontrando, era a gente se amando. Meu coração quer te pertencer. Você me quer?
não.
não é porque passou que foi embora.
tem coisas que continuam me atravessando
mesmo depois de eu dizer que já não me importo.
a dor não se comporta com dignidade.
ela some, volta, veste outra roupa.
às vezes, aparece com a cara da minha paz.
e sorri.
•
você acha que sabe do que estou falando.
mas não sabe.
porque não é sobre o fim.
é sobre tudo que continua vivo dentro de quem sobrevive.
sobre o que insiste em crescer
mesmo depois de ter sido negado.
•
eu nunca fui boa com adeus.
talvez porque sempre tive mais talento pra silêncio.
aprendi a sair de cena ficando.
aprendi a suportar o insuportável com classe.
aprendi a me retirar sem que ninguém notasse —
mas sempre esperando que alguém notasse.
e ninguém notou.
•
o mundo não quer saber se você continua doendo.
ele quer saber se você respondeu os e-mails.
se deu bom dia.
se tá bem nas redes.
é isso que me assusta:
o quanto dá pra sobreviver
sem ninguém perceber que você parou de existir.
•
não é tristeza.
tristeza, pelo menos, justifica o choro.
isso é outra coisa.
isso é dormir de lado por costume.
é rir com meio rosto.
é esquecer de si com competência.
•
o nome disso?
não sei.
mas ele aparece no espelho.
na forma como evito o toque.
na hora em que não suporto mais música.
ou quando me visto inteira,
mas sei que falta alguém dentro da roupa.
•
e é aí que mora a crueldade:
quando a dor vira parte da mobília.
e ninguém mais estranha a tua ausência.
porque você continua #presente demais
pra ser procurada.
•
esse texto não tem #moral.
não tem pedido de ajuda.
não quer #compaixão.
ele só existe porque
tem dias em que ser forte é mentira.
e ser sincera é o único luxo que me resta.
—
Juliana Umbelino
#AmoLer #Leitura #Literatura #Sucesso #Silêncio #Pausa
*Oh, Rosemary*
Oh, Rosemary,
eu sinto a dor que te pesa,
e embora não possa carregá-la por ti,
saiba que meu amor é sincero,
tão imenso que me sufoca,
tão profundo que escapa das palavras.
Amo-te ao ponto de querer parar o tempo,
de desejar que o dia nunca acabe,
só para ouvir tua risada
ecoando em meu peito,
só para amar-te mais uma vez.
Oh, minha querida Rosemary,
se meu amor fosse feito de horas,
o relógio jamais se calaria.
Jesus não perguntou o que queríamos que fosse feito a respeito da humanidade, embora tivesse vindo por nós. Isso se chama compreensão de propósito. O sacrifício é sobre um novo endereço, nem todos desejam voltar para casa.
Escreva!
Textos que posto não são só para mim,
embora eu não ligue se lhes interessa.
Eu escrevo mesmo sem estar afim.
Eu escrevo mesmo quando estou com pressa.
Meio estagnado, antes me sentia
e já nem lembrava de meu ideal.
Distraído, vi que algo me impedia,
me impedia de ver meu potencial.
Esse algo era a falta de planejamento.
Planejar me faria ir mais além,
não trocar a vida por um só momento,
nem viver tentando impressionar ninguém.
Escrever me ajuda a me planejar.
Dia-a-dia, ideias ou pensamentos.
Quando estou em dúvida, eu devo voltar
e releio trechos de alguns momentos.
A ideia é fazer com que você, leitor,
compreenda a mensagem que estou trazendo.
Escrever não vai tirar a sua dor,
mas te faz entender por que está sofrendo.
Busque suas formas de reflexão.
Escrever ajuda a se aprimorar.
Quando estou confuso ou sem motivação,
essa é minha forma de me concentrar.
Só estou expondo meu ponto de vista.
Quando estive mal, foi isso o que eu fiz.
Só mantive o foco, fui otimista.
E escrever sobre isso me deixou feliz.
Sexta-feira, 11 de Abril de 2025 São Paulo, SP
Você foi embora num dia qualquer. Eu não pude fazer nada.
Finjo que também não estou aqui.
É mentira (mentiras são amargas como remédio para enxaqueca).
Saudade é isso: um vício idiota como cassinos online.
Ainda olho o celular esperando uma mensagem sua.
O tempo não muda nada.
Devemos encolher o Estado e restaurar a liberdade e os mercados. Embora não haja dúvida de que houve e há fanáticos desse discurso libertário-leve, a maioria das pessoas que o divulgam, e todas aqueles que estão no poder, não têm intenção de encolher o Estado. Pelo contrário, a intenção delas foi e continua sendo recriar o Estado para realizar outras coisas.
É no simples que sou conquistada — e também é na falta dele que vou embora.
A conquista não deve estar apenas no começo, mas do início ao fim da vida.
Não deixe que a rotina do dia acabe com o que vocês sentiam um pelo outro.
Não permita que os problemas afetem seu relacionamento.
Hoje em dia, muitas pessoas têm medo de dizer o que sentem, o que as desagrada, o que as machuca — com receio de serem vistas como fracas.
Coitadas... Mal sabem que a base de um relacionamento, além do respeito, confiança e lealdade, é também a conversa. O diálogo.
Conversem.
O silêncio constrói muros — e muros afastam o que há de melhor.
"Embora meu corpo possa ser imperfeito, isso não diminui a evolução do meu espírito. Talvez as dores e as penas que enfrento sejam uma oportunidade para me aproximar mais da minha verdadeira essência. É possível que eu tenha escolhido encarnar nesse corpo, sabendo dos desafios que enfrentaria, como uma forma de crescimento e aprendizado. Não permito que as limitações físicas definam quem sou ou o que posso alcançar em minha jornada interna. Meu corpo pode estar preso, mas meu espírito está mais livre do que nunca. Acredito que nada físico pode me limitar na busca por minha verdadeira natureza. E é exatamente isso que me torna invencível."
Partida
Cava
A
Cova
De quem
Vai
Embora,
Sem a despedida.
Não há consolo
Abraço
Para quem fica.
Cava
A cova
De quem parte
E vira estatística
Nem todos
Se importa
Com a vida…
A
Vida
Do outro
Que vai
– Fica esquecida.
Não resta
Mais memória,
Queima
Os arquivos
Da história.
E espalham
Que nada
Vem sendo
Realidade
No coração
Humano
Também há
Maldade.
Cava
A cova
No mundo
De pessoas
Viva e por dentro
Morta.
O impossível
O impossível
O meu coração
Não vai derreter
Como gelo,
Você não vai
Embora no outono
Espere ao menos
As minhas flores
Que tenho para
Lhe dar.
Se estivermos
Juntos não
Morreremos
No inverno.
Nos dois juntos
Se refrescando
No gelo
Em um verão
sem fim.
Existe o tempo certo para tudo, embora a natureza humana não seja muito paciente, não adianta querer apressar as coisas, tudo acontece no tempo certo. À pressa atropela o destino.
DIVAgando
(a uma amiga que já se foi)
“Amigos não precisam estar, precisam ser.”
Embora ausente, fisicamente, você faz parte dos meus pensamentos todos os dias, dos meus sorrisos, das minhas lembranças boas. Uma amizade marcante: conselheira, generosa, confidente, nossos assuntos não tinham fim. Nossos encontros de todas as tardes estarão na minha memória para sempre. Nossas crianças, hoje homens e mulheres feitos, formados, casados, com filhos, ou não, mas adultos, que brincavam ali, aos nossos olhos, eram as preocupações e alegrias de momentos inesquecíveis. Tudo muda todo dia, a cada segundo, nossas vidas vão tomando outros rumos, cada uma com a emoção que mais se identificou, perpetuando, assim, nossos nomes. E hoje você se foi para junto do Pai, mas deixou um legado inesquecível de amor que ensinou aos seus, a direção indicada pelo senso de justiça, a virtude da integridade, a doutrina da moral e dos bons costumes, uma verdadeira ciranda de emoções. Quem sabe um dia voltamos a nos encontrar.
(Bia Pardini)
"Embora transcorra altercação do pode não pode e portas fechadas,
Inobstante, somos livres ao sinal do divino onipotente em caminhada."
