Impaciência
Palavras pingadas em gotas
como torneira quebrada
pingando... pingando...
na minha impaciência
uma a uma...
minutos... segundos...
pingando... ping... ping...
E eu ainda a olhar as bolhas
a se formarem...
buscando alguma beleza...
buscando algum sentido...
alguma razão de ser...
pingando no meu juízo...
Palavras tão contidas e contadas
como um conta-gotas
tão medidas...
para não se expor
E eu com minhas emoções já tão
exasperadas e não mais a suportar
mais anos...
A gatinha espera ansiosamente poder tocar-te, as mãos livres impaciente.
Calafrios percorrendo os pulsos.
Agua na boca ao pensar em ti.
a respiração ofega no imginar do prazer que o proprio corpo inventa.
No fechar dos olhos o calor que sobe queimando a pele buscando teu toque.
Não sei o que acontece... Eu o vejo e o fogo aqui dentro borbulha, pulsa, me impacienta nesse frenesi de loucura, desejo e posse. Tenho ímpetos de fechar os olhos e deixar minha boca saciar essa fome de indecência sem me importar com o julgo das criaturas ao redor.
Procurando encontrar em mim a razão pra essa minha impaciência, pra toda essa minha fascinação pelo desconhecido, tentando encontrar a razão pra tão grande suspense, tentando entender o que se passa em meio a todos aqueles pensamentos, esperando sem ao menos conseguir esperar o que vai acontece, tentando acelerar o tempo, esperando ansioso o encontro marcado, pelo sonho que pode ser frustrado, pelos poucos planos feitos que podem ser encerrados, inquieto estou pela duvida que me toma por completo, inquietude que só aumenta em mim o que mas tento controlar, o que tento tirar de mim.
Tem pessoas que falam que nunca amou alguém; nunca ficou burro, impaciente, egoista...
Mas será que a única forma de amar é essa?
Quantas vezes já salvou alguém de um pensamento torturante, ou até após uma corversa, um recomeço.
Palavras, atitudes e atos são ingredientes necessários para uma AMIZADE duradoura e fértil!
Por isso nunca diga que nunca amou alguém, pois a AMIZADE é a maior forma de amar alguém.
Freedom(Liberdade)
Não há chave no caminho,
não há chuva sem cantar,
para sentir a impaciência,
do teu impulso de voar.
Não há oceano sem céu,
não há outono sem inverno,
não há paixão sem coração,
não há sentimento tão belo!
Não sei dançar,
Nem tão pouco você.
Cheia de medos,
Pisei nos teus dedos.
Impaciente comigo,
Me pôs de castigo!
Mas noutra dança
Somos par perfeito
Não mate a esperança
Dance comigo até o fim, amor
A impaciência te faz revirar sua casa em busca de algo importante e acaba por não encontrar, basta um minuto de paciência para voltar e encontrar no primeiro lugar que procurar.
Todos os erros humanos são fruto da impaciência, interrupção prematura de um processo ordenado, obstáculo artificial levantado ao redor de uma realidade artificial.Talvez haja apenas um pecado capital: a impaciência. Devido à impaciência, fomos expulsos do Paraíso; devido à impaciência, não podemos voltar (isso se você acredita nisso).
O último voo.
...num movimento alienado, Aiumy olhou novamente pela janela impacientemente como se esperasse alguém. Estava inquieta e por isso foi buscar um cigarro no criado mudo do seu quarto, respirou fundo e foi caminhando o que lhe pareceu uma maratona. Colheu seu último cigarro do sexto maço que comprara junto de outros cinco a quatro horas. Acabou a munição, pensou consigo mesma, está chegando ao fim.
Sentou-se então na cama para acendê-lo, suas mãos tremiam incontrolavelmente o que dificultou o processo. Quando começou a queimá-lo fechou os olhos como se tentasse acalmar-se, como se fosse conseguir. Contou calmamente até 10 e depois deu uma tragada, pensou estar mais calma, mas a essa altura do campeonato Aiumy não conseguiria relaxar.
A sua frente mirava sua penteadeira desorganizada: quinze tipos de pincéis de maquiagem espalhados por todo o móvel, um curvex, seu estojo de sombras com cinquenta cores diferentes, um estojo de blush com seis tons e ainda 23 batons em todas as tonalidades de vermelho ocupando todo o espaço. Havia também perfumes, Carolina Herrera, Caron's Poivre, Jean Patou's Joy, Imperial Majesty, Chanel n°5, além de infinitos elásticos de cabelos de infinitas cores, grampos com e sem brilho, inúmeras jóias e algumas bijuterias. Por último e não menos visível, uma garrafa de Dom Pérignon vazia e alguns resíduos de sua fuga mais rápida. Alguns papéis, notas fiscais, contas e cartelas de remédio se via por ali também. Acima e refletindo tudo aquilo havia o espelho, que além de suas porcarias refletia o seu rosto cansado o qual não transparecia a tensão que ela sentia no momento.
Em uma tentativa de não enxergar sua desorganização, que sua mãe sempre considerara sintoma de loucura, olhou para o lado. Tentativa frustrada. Agora olhava seu criado-mudo ainda mais desorganizado, livros embaixo de tudo, 4 ou 5 exemplares, Clarice, Drummond, Machado, Nietzche, discos espalhados, pois adorava uma velharia. Ao lado deles seus óculos e a caixa do seu aparelho móvel: ambos inúteis. Muitas bolinhas de papel amassado além de embalagens de barrinhas de cereais de baixa caloria. Havia também o dobro de caixas de remédios, bulas, cartelas, receitas, copos meio vazios e um cinzeiro, o qual não se podia mais enxergar a imagem do fundo, muito menos qualquer outra parte do objeto que carregava bitucas e cinzas de quatro dias.
E agora, uma última bituca.
Acabou-se o cigarro então foi à janela conferir a presença de ninguém. Abriu a porta da sacada e demorou-se admirando as pessoas-formigas lá embaixo, era o vigésimo primeiro andar do prédio. De repente ao longe, talvez vindo da sala - agora não fazia idéia de onde colocara suas coisas - ouviu seu celular tocando Edith Piaf - Non Je Ne Regrette Rien. Irônico. Deixou tocar.
Tocou de novo. Ignorou. Não desistiu. Aiumy foi atender. Não quero, não quero, não quero, pensou alto, mas esqueceu de repetir mais uma vez para ir às quatro direções. Quando chegou parou de tocar, ela respirou e então tocou novamente. Somente de olhar o número não gravado seus olhos se encheram d’água. Não estava armazenado, mas ela sabia exatamente quem era. Atendeu, gritou, respondeu, esperneou. Do outro lado era o contrário: a outra pessoa respondia fria e indiferentemente. Aiumy desligou e jogou o celular no sofá, mas não havia dito adeus.
Olhou pensativa para o sofá, caçou o celular entre os cobertores e restos de comida. Mandou uma mensagem, uma palavra. Desligou definitivamente o aparelho e voltou ao quarto.
Dirigiu-se a penteadeira, sentou-se na banqueta, aspirou a ultima fileira e pensou, quem diria finalmente poderei me livrar desse vício. Olhou-se, e agora em seu rosto manchado de lágrimas transparecia seu sofrimento, porém havia prometido: "vou ser fiel ao rosto que criei". Selecionou suas maquiagens e se pintou, tornou-se perfeita novamente como era (re)conhecida, demorou quarenta e cinco minutos nessa última atividade e esforçou-se para não borrar, nem haver defeitos.
E então correu para sacada, até lembrar-se. Voltou até o criado-mudo, selecionou aleatoriamente uma das bulas, qualquer pedaço de papel serviria e escreveu alguma coisa pequena e somente nas bordas.
Voltou a correr para a sacada. Abriu a porta, apoiou-se com as mãos na mureta e olhou para baixo, ainda na sua incessante busca por ninguém admirando as pessoas-formigas. Pôs força nos braços, ergueu-se e ficou em pé na mureta, equilibrando-se com a respiração que aprendera na ioga.
Aiumy fechou os olhos, sentiu duas lágrimas caindo e seu coração pulando, seus braços se abrindo automaticamente em posição de asas e seu corpo foi despencando lentamente e para quem a entendia, percebeu.
Aiumy não caia, alçava voo.
Sempre espero um novo dia, mesmo eu sendo impaciente, não nego. Mas espero... espero porque sei que nele virá uma oportunidade de ser feliz.
