Horizonte
CÉU, VENTO E CHUVA
Céu, vento e chuva, horizonte submerso
Em nuvens, e o cerrado todo verdejante
Enxurrada, e aquele pingar borbulhante
Na estrada, atiçando sentimento diverso
Alma retirada, um devaneio tão disperso
Chão molhado, cheiro de erva rastejante
Na poça d’água um espelhar coruscante
Sensação, precipitação, ó aquoso verso
Chove no cerrado, no cerrado a chover
Cada fauna no seu canto a se esconder
Canta a seriema num cântico sem fim...
Suplicante. Céu, vento e chuva, lá fora
Cai, em uma cadente poética trovadora
Tornando o sertão num sedoso jardim.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/11/2024, 10’48” – Araguari, MG
Além do Vale
No silêncio do vale onde a névoa se esconde,
há olhos que veem além do horizonte.
Enquanto outros param na sombra e na estrada,
há quem enxergue a luz na jornada.
O vale é profundo, feito dúvida e medo,
mas quem vê além, não se prende ao enredo.
Não teme a curva, nem a escuridão,
pois carrega no peito sua própria visão.
Enquanto alguns ficam, presos ao chão,
outros atravessam com o coração.
Porque ver não é só abrir os olhos,
mas sentir o mundo sem ter os contornos.
Então siga em frente, sem medo do breu,
pois além do vale, há um céu todo seu.
O café e a alma
Em cada manhã que surge no horizonte,
Desperta-se a cidade com um ritual constante,
O aroma do café, quente e envolvente,
Penetra os lares de forma aconchegante.
Na xícara pequena um universo se esconde,
Memórias e sonhos, cada gole responde,
Aquece o coração, desperta a mente,
É o néctar divino que nos faz presente.
Nos encontros de amigos, nas conversas triviais,
O café é testemunha de momentos especiais,
Um elo de união, um convite ao sorriso,
Transforma cada instante em algo preciso.
No silêncio da noite, ao som da solidão,
O café me abraça, dá paz ao coração,
Companheiro fiel de noites insones,
É ele que acalma os meus demônios.
De terras distantes, em grãos selecionados,
Traz consigo histórias de tempos passados,
Cada gole uma viagem, cada cheiro uma lembrança,
O café, tão simples, nos dá esperança.
Que nunca nos falte esse elixir encantado,
Que une e separa com um trago apressado,
O café, poesia líquida, essência da vida,
Nas manhãs, nas noites, em cada despedida.
Estava sentada na minha cama, olhando pela janela a imensidão do horizonte. Descrevendo assim parecia que havia muito a refletir, mas junto com o som do canto dos pássaros, ouvia a poesia que meu coração recitava por você. Era tão alto que meu cérebro não conseguia se concentrar em outra coisa.
Essa poesia ecoava como se eu coração se sentisse numa caverna pois não sabia se poderia ser acolhido por um sentimento seu, mas... Esse eco tornava-se música tão suave de dançar, que era como se só meu amor já fosse o suficiente para acalentar.
DA MINHA JANELA
Dá minha janela
Visualizo o horizonte
Flores desabrochando
No alto daquele monte.
Vejo em meu estado lúcido
A paisagem que passa
Na visão do inconsciente
Um banco vazio na praça.
Tento ouvir de longe
O canto de um passarinho
A minha inspiração
Desfilando pelos caminhos.
Vejo a chuva respingando
Molhando a minha tristeza
Aqui da minha janela
Embrenhada na natureza.
Vejo o meu passado
Em lugares distantes
A saudade insistindo
Muito mais que antes.
Autoria Irá Rodrigues.
"Se um amor se desfez, não veja isso como um fim, mas como a abertura de um novo horizonte onde o coração, ainda que ferido, renasce mais forte e sábio."
SOL E CHUVA
No horizonte, o sol se ergue,
seus raios dançam sobre a terra,
a vida desperta, cores se intensificam.
Mas a chuva, em sua sabedoria,
desce suave, alimenta as raízes,
traz frescor, renova o ar.
Doce contraste entre luz e sombra,
um abraço de opostos,
onde a vida se equilibra,
e a esperança floresce em cada gota.
Privacidade e liberdade são como o horizonte: ou você avança em direção a elas sem limites, ou fica preso às amarras que te impedem de voar.
Os planos de Deus são como o nascer do sol: podem demorar a aparecer no horizonte, mas quando chegam, iluminam tudo com propósito e esperança. Não desista, pois o tempo d’Ele é sempre perfeito.
"O fruto incerto, que se antecipa no horizonte como promessa de prazer, mas que, por sua natureza efêmera, se esvai antes mesmo de alcançar sua plenitude, é qual a flor que se despede antes do tempo, deixando entre os dedos o gosto amargo da iminente perda. Como um fim que se aproxima silenciosamente, esse fruto, à medida que se aproxima de seu amadurecimento, revela-se fragílimo e vulnerável, sendo, por fim, consumido pela própria incerteza que o gerou. E assim, o desejo de colhê-lo se perde no vácuo da dúvida, onde a certeza de seu fim iminente é a única certeza que se possui."
Vejo o horizonte pela minha janela
Na frente tem apartamento e atrás favela
Não fui criado mas me sinto parte dela
A humildade sempre esteve nas vielas
Meus olhos já viram o nascer e o morrer de muitos dias. Já se perderam na vastidão do horizonte e encontraram abrigo no brilho de um olhar. Carregam histórias que não ouso contar, cicatrizes invisíveis que o tempo não apaga.
Cada par de olhos que cruzo é um universo: alguns, tempestades inquietas; outros, brisas que acalmam. Há olhos que gritam em silêncio, e outros que escondem segredos atrás de um brilho ensaiado. Eu aprendi a escutar com os olhos, porque a vida nem sempre fala – às vezes, ela apenas olha de volta, esperando que eu entenda.
E no fim, o que são os olhos senão espelhos do que nos tornamos?
Calado simplesmente -
Ao despertar a vida parece-me hedionda,
um barco sem horizonte nem Luar...
Será talvez por ver nas vagas ondas
uma imensa vontade de naufragar.
Quando desperto dormem as fontes
e as gaivotas ao vento perdem penas
a saudade manifesta-se nos poentes
e eu visto todo o corpo de poemas.
Às vezes o silêncio sabe a chuva
e o peso do destino sobre os ombros
cheira a malvasia, sabe a uvas,
parece um cair de tarde sobre pombos.
Ninguém me há-de saber os medos
os que trago em abismos infinitos
a frieza retesada dos meus dedos
e a agonia penitente dos meus gritos.
Porque a vida na verdade é uma pluma
em que sou um vendaval, subitamente,
talvez nunca seja coisa alguma
sendo eu calado simplesmente.
