Garça
"Perdida na amplidão dos ermos, vendo a torrente d'água passar a seus pés, a garça imóvel é a imagem da Dúvida Humana."
exposta à violência do vento,
do mar, do homem
e de sua fantasia,
a garça fica nua
para vestir a burguesia
A Garça de Lamego -
Eu quero ser a Garça de Lamego
aquele amor que começa e não acaba
ser o oiro que cintila o seu cabelo
um Romeiro que chega e não abala.
Eu quero ser a chuva que nasce da manhã
a erva que irrompe à deriva pelo campo
quero ser esta loucura que me é sã
em cada verso que nasce do meu canto.
Eu quero ser a morte com rosto de madeira
eu quero ser a vida com asas de andorinha
eu quero ser amado de todas as maneiras,
de todas as maneiras, não da minha .
A política da garça
A garça precisa voar para tirar os dois pés da lama! Não adianta alternar, encolhendo ora um, ora outro.
para entrar no poema
tire os sapatos...
como a garça, pé ante pé,
não esbarre nas palavras barulhentas:
minha cicatriz tem sono leve.
a garça
por voar não muito longe do chão
não muito longe das companheiras
por não ser extremo voo absoluto
por ser asa temperada em lama e luz
por ser ave suavizada em luz e ar
a garça aviva sua brancura
a garça encrespa sua brancura
a garça finge suabrancura
a garça é plágio do urubu
A história da garça branquinha que entra num rio imundo e sai limpinha não serve de paradigma para o jogo do poder. No meio ambiente a garça é pura e inocente; no projeto de poder, o homem é feroz, falso, mentiroso; a perfídia e o engodo são sempre a regra.
A vida é uma garça
A vida é uma garça,
Uma garça branca
Voando na praça.
Na praça
Há vida:
A graça da garça branca
Voando no infinito...
No céu,
Um ponto branco:
A garça
Com a graça da vida.
(Suzete Brainer)
fórceps
garça força a saída do peixe;
dentista, a saída do dente;
poeta, a saída do verso;
inclusão, entrada forçada;
este mundo
nem me ouve,
nem se abre,
só a sabre
penetrei.
A garça e o bebê
Foi uma cena linda, a admiração do bebê ao contemplar a linda garça branca em seu desfile majestoso no lago que existe no interior do meu condomínio.
O mundo parou por um instante, o bebê sorria e balança as mãos enquanto seu pai a segurava na posição ereta com os pés tocando o chão.
O que para muitos pode ser algo normal, para ele parecia inédito.
Quando e como foi que perdemos esse poder?
De se encantar com coisas simples, de admirar o comum, de rir espontaneamente sem se importar com o que os outros pensam.
Muitos casamentos seriam salvos, amigos continuariam nutrindo seus laços de amizade, e seríamos mais felizes.
Se reencontrassemos a capacidade de admirar o repetido, de se alegrar com gestos simples, de sorrir por gratidão só pelo fato da presença de quem gostamos, muitas palavras duras seriam contidas, brigas seriam evitadas.
Pena que insistimos em envelhecer, nos tornamos chatos pelo fato de não ver graça nas coisas, idade cronológica não define quem é velho, pois existem anciãos maduros, e jovens envelhecidos.
Tenha em mente que o mundo é o mesmo para todos e se mostra maravilhoso, e a vida é bela, se enxergas diferente disso, é preciso mudar a sua lente.
O violão eu arranho, cantando pareço uma
garça engasgando mas as minhas musicas
tem sentimento, tem um porque e uma história.
