Fundo
Não é pelo nome que chama, mas o que chamas. Não é pelo que pede, mas o seu íntimo desejo. Não é o que andas fazendo, mas porque o faz. Sem a tua superfície, o que sobra ao fundo?
O razo de algumas pessoas é como o fundo do mar, é melhor conhecer apenas a superfície, linda e poética.
O pensamento de muita gente é como um lago profundo. Cristalino em cima, mas cheio de sujeira no fundo!
No Fundo do Poço
Não olhe pra seus vizinhos
E nem pra seus parentes
Olhe pra Jesus Cristo
E siga enfrente.
Ele disse que é o caminho
Que é a verdade e a vida.
E eu te garanto que vem até Ele
encontra guarida.
Andei pelo vale da sombra da morte
No meu pecado me atolei
Mas me vendo no fundo do poço
Foi por Ele que chamei
Vir a vida entrar em mim
E meu espírito renovar
Hoje sou uma nova criatura
E posso muito bem
Dele falar.
Às vezes me sinto tão confuso
Sou um escudo de mim
Perdido nas palavras
E ao mesmo tempo
As estrelas são brilhantes com alegria
E seguindo emocionada essa sintonia
No despertar do amor verdadeiro
Assim eu não minto quando quero ser
Sempre teu amado
Não sei se estou certo ou errado,
Mas eu me protejo da desilusão
Almejo estar ao teu lado
Sendo mais forte que a paixão
E me vendo feliz
Isso é meu coração dizendo:
Jamais te esquecerei ,tu és a mulher da minha vida
Só você é minha querida, Nataliya.
Frankton
Me debatendo, desesperadamente, busco chegar a superfície. Evitei mergulhar a fundo em mim mesmo por muito tempo, mas fui sugado, lentamente, até me ver completamente submerso.
Como num lago escuro e vazio, tomado por um silêncio ensurdecedor que me grita de volta de forma incansável, me puxando cada vez mais para baixo. Tirando-me a força e o vigor de tentar novamente.
Então afundo em silêncio enquanto vejo os últimos raios de luz desaparecerem na superfície. A única coisa que penso é que minha cabeça deveria estar acima de toda essa água.
Ela já andava cansada,
queria mesmo ficar sozinha,
em nenhum amor acreditava,
nem amor sabia que tinha
Deu um basta, chega de ilusão,
amor de verdade não se prega,
é percebido no fundo do coração
que para onde vai o carrega
“Melhor se decepcionar ao se deparar com um fio de cabelo sobre a sopa do que descobri-lo no fundo do prato depois de tê-la tomado.”
Sacuda a poeira e dê a volta por cima, saia já desse estado letárgico em que te encontras como uma ostra no fundo do mar... Lembre-se um dia todos seremos poeira cósmica, então deixe essa tua poeira fluir no Universo antes que baixei e fique estagnada para sempre no fundo do mar (alma) e perderás uma grande oportunidade de ser pérola enquanto ainda vives...Então, Abra-te!
Ser grato não é apenas dizer 'obrigado' por obrigação, mas demonstrar gratidão através de gestos genuínos, vindos do fundo do coração.
#DESPEDIDAS
Em minha alma há algo parado...
Bem lá no fundo...
Longe das vistas dos insensatos...
Vou vivendo...
E já quase não me assombro...
Catando os cacos do caos...
Juntando peso sobre meus ombros...
Ao nunca...
E a toda hora...
Pedindo ao tempo...
Que não maltrate as flores com o soprar do vento...
No silêncio aprendo a poder construir...
E em tudo de bom que eu possa sentir...
Meu coração vai aprendendo a sorrir...
Vou olhando as coisas...
E já vou me despedindo...
Amo em desprendimento...
Pois só aqueles que já perderam...
Conhecem esse sentimento...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Noite à fora...
Sobre uma navalha...
Ó divina esperança...
Sonho de criança...
O tempo a criar silêncio...
Tornando o sonho poeira dos tempos...
Poço imenso e fundo...
Que engoliu meus desejos...
A ver no mundo seco a seca realidade...
Dos ébrios jogados à sarjeta...
Das matronas em penunbras das ruas da esquerda...
Dos pederastas em gargalhadas...
Disfarçando as lágrimas não jogadas...
Das mocinhas vendendo favores...
Em troca de licores...
Daqueles que só encontram alegrias...
Quando deixam suas garrafas vazias...
A vã loucura a moda é prima-irmã...
Mas quando vem o senso erguer-lhe os densos véus...
Desse desgosto...
Livrai-me Deus...
Salvo o meu desejar...
Teço beleza em tudo...
No hálito podre de um sugismundo...
No idoso porchetta...
Em quem que com qualquer um se deita...
Nessa langorosa magia...
Sob a lua que irradia...
As torpes paixões...
Sigo para meu descanso...
Aguardando, quiçá ...
Outro dia...
Valei- Deus...
Ou quaisquer outros guias...
Fim de noite...
Madrugada fria...
Eu próprio me interrogo:
– Onde estou? Onde estou?
E procuro nas sombras enganosas...
Sob essas horas mortas...
As mesmas coisas repetidas...
Inúteis os sonhos e as amarras
que nos prendem ao cais...
Mas quem sou eu que não escuto meus próprios ais?
Sandro Paschoal Nogueira
Ser forte, sem ser...
Condescedente por falta de opção...
Vivendo, aprendendo a viver...
Sem querer ficar...
Mas fugir com o vento...
A noite que a tudo acata...
No dia acaba o perdão...
Fechando os olhos...
Como fera que estuda...
Na queda do súbito, o espanto...
Desnudar a carne para gerar a razão...
Porque se obriga a esconder o sentimento...
Fugindo da decepção...
Hora se tem um...
Hora se perde ao outro...
Nada existir...
Ser igual aos mortos...
Aspirar a voz...
Resfriar o suor...
Saber qual o momento...
Ser a criança que és...
Somente quando parar o tempo...
Segurar a vida por desespero...
Sabendo que nem tudo é tão perfeito...
A segura confiança trançando planos...
Vida estranha...
Vida dura...
Por mais que a gente se articula...
Despenca do barranco...
É uma rotina sem cura...
Vaivém de luzes...
Fatos, momentos...
Organizam a marcha em nossa estrada...
E assim vamos seguindo...
Criando sonhos...
Querer voar...
Sem ter asas...
Páginas em branco...
A serem escritas...
Sorrisos, choros...
Beijos e feridas...
Tudo junto...
Tudo misturado...
E tudo requer cuidado...
No fundo às vezes nem entendemos o porquê...
Mas vamos aprendendo...
Entre sermos felizes e a sofrer...
Infindável luta...
Recomeçar... após perder...
Sandro Paschoal Nogueira
Imenso e fundo...
Desta meia vida...
Olhando o mundo...
Não põe fé...
Ao que observa e recolhe...
Em busca do que sonha...
Ou no que pensa que é...
Nu...
Sem cárcere e sem véu...
Em que tudo é força e calma...
Por obra da misericórdia...
Agarra-se a Deus...
Vida...
Em pedaços repartida...
Entre chegadas e partidas...
As saudades abrem as feridas...
Amarras...
Loucuras...
Perto ou distante...
Reconhece e inventa...
Nas palavras que diz...
Sua ventura...
Onde é que dói este ferimento mortal?
Passa perto...
Passa longe...
Entre o bem e também o mal...
A luta é apenas uma espécie de regresso...
Um sopro...
Um alento...
A terra que não muda...
Dá a vida e devora...
Apenas segue...
Entre as perdidas horas...
E de súbito...
Na rua que segue, tropeça...
Ri da noite embebecido...
Afinal o ocorrido...
É apenas mais um tropeço...
Dos sonhos e enganos...
Do menino desconhecido...
Vê...
Que aida há pouco...
O vento limpara o céu anoitecido...
E assim no tempo de não sei quando...
Às estrelas confessa o teu tédio...
De ver o longe tão perto...
E não achar-se reconhecido...
É só um vagar...
Entre uma lágrima...
E um sorriso...
Sandro Paschoal Nogueira
O Porão
No fundo do poço tem um porão,
com paredes pintadas de frustração,
onde o medo sussurra um grito,
e um trauma vira manuscrito,
com gotas de sangue e suor,
cada linha descreve um terror,
uma lágrima marca o papel,
o choro pedindo socorro pro céu,
rimas de dores, nas nuvens escuras,
implorando respostas tão duras,
vozes perdidas, na calada elas vem,
trazendo memórias que fere também,
verdades malditas, rasgam o peito,
ecoam saudades, um vazio sem jeito,
riscar, apagar, deletar, já não é possível,
por mais previsível, um arquivo invisível,
tatuado na pele, realismo sem cor,
sombreado que marca, hà rumor,
se eu pudesse, amassar essa folha,
reiniciar, começar, faria outra escolha,
No fundo do posso tem um porão,
quadros, retratam passos sem chão,
meu corpo levita, e não sinto leveza,
me deixo levar, pela correnteza,
gelada, escura e lodo, exala o terror,
a fé se dissolve, enriquece o pavor,
arregalo os olhos, parece uma luz,
se apaga na grade, eu vejo o capuz.
