Fundo
"A vida conjugal, como um edifício, não nasce pronto e é difícil. Tem como pano de fundo a exclusividade e a resignação."
RIO DA SAUDADE.
Márcio Souza.
Ao fundo da mata verde,
O rio cortando os penhascos,
Buscando matar a sede,
De amor, de ardentes beijos e abraços.
Em meandros e águas azuis,
Dos obstáculos a desviar,
A Natureza o conduz,
Mansamente, rumo ao Mar.
E em suas serenas águas,
Leva felicidade e dor,
Leva desilusões e mágoas,
E saudades do meu amor!
(Direitos autorais reservados) 07/12/15
E no fundo, bem lá no fundo, todos nós sabemos o porquê de sermos abençoados ou não, ou de ainda não termos sido. Ainda que não admitamos essa última hipótese, sabemos, no fundo, bem lá no fundo, se foi/é ou será apenas uma questão de tempo. Nós e Ele, porque o nosso coração só não é impenetrável à Ele!
Descriançar-se
No fundo, no fundo, somos todos aquela criança que se negou a crescer. Apenas aprendemos a disfarçar. O mundo nos forçou a isso. Nós nos descriançamos. Convenceram-nos de que o recreio acabou. Como num pique-esconde, escondemo-nos atrás de nossa profissão, do diploma universitário, da religiosidade, e dos diversos papéis sociais que nos são atribuídos.
Mas sob todo este verniz, ela ainda está lá, à espera de quem a encontre, perdida no labirinto dos nossos sentimentos.
Como toda criança, ela quer experimentar. Quer sentir novos sabores, texturas, cheiros, sensações. Por mais crescida que seja, ela ainda sonha ser um super-herói. Chega mesmo a acreditar que um dia vai surpreender todo mundo e sair voando por aí.
Por onde anda, busca outra criança com quem possa brincar. Mas todos parecem tão normais. Estão todos tão ocupados fingindo ser gente grande... e fingem tão bem que convencem até a si mesmos. Mas lá no fundo... são mesmo crianças... indefesas... curiosas... manhosas... às vezes pirracentas.
Até que um dia encontramos alguém com a coragem de revelar seu rosto infantil. Mas infelizmente, assim como nós, também tem que manter a pose. Ninguém pode perceber que aquela criança está viva. Para todos os efeitos, ela foi sacrificada no altar da vaidade. O culto à performance exige isso. Todavia, ela está ali, vivíssima, procurando por outra criança para brincar. Esperando um momento de distração dos adultos para extravasar sua meninice. Nem que por um instante... mas um instante que traga a semente da eternidade. Pelo jeito, estamos todos condenados a ser crianças para sempre. Se assim for, o céu é um playground onde brincaremos por toda a eternidade.
O inferno é para os adultos. Para os que se levam a sério demais. Para os que abusaram do próprio ser. Os que se negaram a ser crianças para entrar no reino dos céus.
E aí... bora brincar?
E sempre que me olhar é isso que irá ver, palavras brilhando no fundo dos meus olhos. E eu não preciso falar mais nada, porque eles já dizem tudo. Meu olhar sempre me entrega!
AGRESTE
Lá para os lados do nordeste,
bem no fundo,
lá distante no agreste,
tem outro mundo
diferente do de cá !
La tem gente que vive em oração
pedindo a Deus no seu orar,
pra cair chuva no sertão
pra que se possa plantar,
é uma gente muito forte
que respeita a natureza
que já nem teme a morte,
e ombreia com a tristeza
mas que ainda vê beleza
nas horas que o sol se vai
deixando, como que a sombra de um pai
a proteger os seus sonhos
de um amanhã mais risonho
na noite que lhes alcança,
trazendo a esperança
de ver o verde surgir,
pra farta colheita chegar
e no magro rosto do filho a sorrir
ele possa de alegria chorar
pois valeu a pena esperar
e nas bênçãos de Deus confiar!
odair flores
Agora estou calmo, respirado fundo, vendo a vida de outro jeito, encantando por coisas simples, apaixonado por novas histórias e sempre com Fé em Deus.
Fomos além das correntezas, batendo contra as represas com canções tocando ao fundo, como símbolo profundo de todas as incertezas. Uma sucessão de estradas, paralelas e asfaltadas com dores pisoteadas. Um desejo de voltar, um instinto de chegar, dando passos, dando voltas, falando sem revelar. Tão perto e tão incerto, como bicho no deserto sem água e sem alimento esperando anoitecer, devorado pelo abismo que se espalha pelo ser. Como pode o pensamento voar tanto em pouco tempo? Como pode o momento passar rápido ou lento? Como podem as paredes reforçar a ilusão de que estamos protegidos pela nossa construção? Como podem as mudanças revirarem as lembranças? Como pode a esperança nascer fácil na criança e depois na vida adulta dissolver em confusão?
Como escudo de defesa, como caça, como presa, servido por sobre a mesa, tal qual fosse refeição. A humanidade assola, oferecida como esmola, impregnada como cola, corpo de imperfeição. O questionamento irrita, a necessidade grita, mas não dá o braço a torcer. Confunde-se o que é correto com vaidade e ganância, com vontade de vencer. Este mundo passará, passará como poeira, passará como besteira que foi dita sem pensar, como ofensa inconsequente de quem não soube calar.
As vezes você tem que parar, fechar olhos por um instante, respirar bem fundo e entender que nem sempre as coisas dão certo. Às vezes as coisas tem que dar errado. Período nebuloso de nuvens negras. Intervalos chatos de coração apertado. Um vento na cara em um dia de inverno, um balde de água fria. Não importa a forma que você chama. Às vezes, é necessário acordar e sentir as coisas da forma como elas são. Sair do radar. Desligar o gps e não agir.É necessário silenciar e meditar sobre tudo. Sair e encarar tudo do alto. É, enfim entender que tempestades acontecem, mas que os dias de sol sempre vem.
Se lhe jogarem para a linha de fundo durante o jogo da vida, não significa que você está fora, pois ainda terá a chance de bater o escanteio e ainda fazer gols.
Reminiscências
Cansei de ser adulta!
Quero de volta o horizonte do fundo do meu
quintal, meu balanço de pneu no pé de laranja lima.
Quero voltar a andar descalça e jogar amarelinha.
Andar de bicicleta da rua e sorrir sem motivo algum.
Quero de volta aqueles dias em que a coisa mais difícil
da vida era o banho do final do dia, e o único medo
que eu tinha era do bicho papão.
Quero o aconchego e o carinho do colo das minhas tias,
o cheiro de pão com manteiga, com o café da minha vó.
Quero de volta a pureza, do meu olhar de criança e meus
sonhos pueris que o tempo deixou pra trás.
Abrace-me forte e deixe me olhar bem lá no fundo
Desses teus olhos brilhantes com fome de mundo,
Não me deixe no escuro,
Arraste-me pra você
Mostre-me o amor.
Quando bem regado, por mais fraco que pareça, entra em vigor a árvore frondosa, que no fundo só precisava de um cuidado especial dosado de um bom adubo. Folhas voltam ao tom do verde profundo, flores, brotam para todos os lados e o fruto, tão almejado e sonhado, aparece como que dizendo: sou feliz, me completo. Todos se completam e resistem a ventos e tempestades.
Se você chegar ao fundo do poço, você tem que se levantar, bater a poeira e começar a subir..
As vezes cair no poço é inevitável, mas continuar lá no fundo é opcional..
Por que seu sorriso me deixa tão feliz?
Por que seu olhar penetra tão fundo, a ponto de me sentir nu diante de ti?
Por que sua simples presença faz com que meu coração fique ligeiramente mais rápido, e se fala comigo, ele mal cabe no peito?
Por que os dias parecem tão cinza quando estou distante de você?
Por quê?
Você está saindo da minha vida
levando o meu coração. Agora só
me resta um buraco no fundo do peito.
Então, lembro de todas as vezes em que você tocou fundo minha alma. Dos risos, dos sonhos a dois e do prazer desmedido. Você foi o meu querer mais bonito.
