Fui
Sei que não foi dessa vez,
não fui o suficiente pros teus sonhos,
pra tua liberdade.
Te perguntei quanta liberdade você queria,
e eu daria tudo, só pra ter você
pra sempre do meu lado.
Quanto de amor você precisaria?
Eu daria cada pedaço de mim.
Disse que moveria o mundo por você,
mas nem isso foi preciso.
Não deu tempo.
Te contei meus sonhos, segredos, medos,
até mostrei meus monstros,
mas de nada adiantou.
Na minha alma, na lembrança, na esperança,
sempre haverá teu cheiro, tua voz.
Me negue abraços a partir de hoje,
sem teu corpo, eles são vazios.
Só me deixe tua voz,
pelo resto do tempo que nos resta,
e teu cheiro, pela história que vivemos.
Vou precisar disso pra sempre.
Consigo existir sem você,
mas uma parte de mim
se foi contigo.
Jamais vou esquecer.
15 ANOS.....
15 anos atrás fui a procurar,
A singela que apaixonei.
15 anos atrás encontrei o amor,
Por um passaro que procurou.
15 anos atrás uma bela borboleta,
voou atrás de uma flor.
15 anos atrás vi a menina,
De cabelos longos e encaracolados.
15 anos possíveis só para sonhar,
Com uma bela apeçonhar.
15+15=30,
Trinta anos só para te acordar.
30-15=15,
15 secúlos só para pensar.
20-5=15,
15 cabelos loiros e um castanho.
Se 15x15 eu contar, dividir eu vou remontar,
Remontar a tua beleza só me mim ficar.....
I N V E N Ç Ã O
Fui eu que inventei o amor,
Mesmo sem saber se era dor
Aquele ardor que se sente
Logo que se pronuncia
A palavra amor.
Senti-lo, é bem pior
Do que praticá-lo?
Eu sei lá!
Só sei que o amor
É uma coisa
Que quase deixaram
De pronunciar
Com medo do bicho amor.
Afinal, não fui eu
Que inventei o amor
E jamais
O inventarei.
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 01-09-2022)
MULHER PÃO
Tudo o que é mulher me fascina.
Pobre amante que fui na rota ida,
Assaltam-me agora ilusões à partida
Como se fosse o pão da vida,
Tornado alimento único desta sina.
Porque professo tão incerta doutrina?
Quero apenas e tão breve confessar
Que se não houvesse mulheres de amar
Na verdadeira entrega de par em par,
Eu teria já morrido à fome na rotina.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 25-01-2023)
JOGUETE
Fui-o.
Nas tuas mãos pouco macias
Perfumadas das bruxarias
E senti-o.
Foste lançando o feitiço
Como bruxa que lança em derriço
Incenso aos lanços nas brasas
Que fazem faíscas
Ariscas, com que arrasas
A vontade de dizer, não!
E sem mais contemplação
De outro piedoso pensar,
Louca mulher, sem paixão
Nem vontade de se amar.
(Carlos Vieira De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-06-2023)
NÃO
Não fui eu que me inventei.
Nem projeto,
Nem desenho,
Apenas mais um da grei,
Pelo que sei,
Um ser de certo dialeto
E, já agora, convenho:
Simples, fiel, muito reto.
Fui na pobreza criado
E nunca algoz de ninguém
E muito menos bastardo,
Quer de pai ou de uma mãe.
Sou apenas o resultado
De um amor de vida a dois.
Com a minha voz se canta o fado,
Com a minha vara eu toco os bois.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-11-2023)
Prece
Senhor,
que eu não perca a inocência da criança que fui, por mais que meu corpo pereça e envelheça até ser nada, partícula de pó ao longo da estrada.
Que jamais eu perca a ternura e o amor ao meu próximo, a capacidade de perdoar e de me sentir perdoada e que reine em mim a calma e o bom senso, por mais pedras que me possam atirar.
Pai, que eu não perca a fé na Tua bondade e na Tua soberana Justiça quando tudo ao meu redor for denso e o deserto me dilacerar a alma exposta perante todas as tragédias.
Que de todas as capacidades que me concedeste eu jamais perca a visão e o andar e que a minha existência possa ser de humildade independentemente do caminho a percorrer.
Sempre que eu me perder Senhor, porque o mundo é uma mentira, ajuda-me a Te reencontrar.
Que sempre Te lembres de mim quando a Ti eu clamar na solidão deste mundo vão e que a Tua liberdade esteja em meu coração.
Senhor
Que não seja vã a minha existência por aqui, ajuda-me a ajudar quem de mim necessitar, por isso concede-me Pai o pão de cada dia, a suficiência de tudo o que vier de Ti. Acima de tudo, livra-me de todos os que de dia e de noite buscam o meu mal, de todos os que com hipocrisia dizem amar-me, lembra-te o quão foste traído pelos que eram Teus.
Senhor,
Que a amargura não se instale em minha alma e que não se aparte de mim a capacidade de sonhar, sobretudo que esta angústia tenha um fim e eu consiga acalentar os filhos sem pais e os pais órfãos de filhos.
Que eu diminua, para que Tu resplandeças cada vez mais e que toda a angústia me ensine o voo das aves, o caminho da gratidão.
Célia Moura
“O Círio e o Espelho”
Será que fui eu, Camille, quem te matou?
Ou foste tu quem morreu de mim — exausta das sombras que te dei por abrigo?
O sangue que escorreu em meu pulso era o mesmo que um dia te alimentou no beijo.
E, quando o frio tocou a tua pele, foi a minha febre que te cobriu.
Sim, talvez eu tenha te assassinado,
não com ferro,
mas com a insistência de querer-te além da carne,
com o desejo que te prendeu ao silêncio do meu delírio.
No espelho do teu túmulo, vejo o reflexo que me acusa —
e é o meu próprio rosto.
O assassino e o morto dividem o mesmo corpo,
a mesma lembrança,
a mesma culpa.
Porque, no fim, amor e morte são irmãos e eu, Joseph, sou o órfão de ambos.
E assim fui vendo minha juventude se deteriorando dentro de um quarto, vendo minha vida passar como se não tivesse mais forças para lutar.Envelhecendo com os meus pensamentos na companhia da solidão.
MINHA AMENDOEIRA
Um dia fui até que [ por demais feliz],
Lembro-me de uma velha castanheira.
Embaixo dela brincava no tempo de minha
Infância.
Chamava-a pelo nome de castanheira, mas,
O que se comia era a amêndoa [ o fruto].
Certo dia dessas distrações de criança,
Pus-me a brincar num balanço improvisado.
De maneira meio solta e leve com a vida, como
A quem não deve nada e não sabe de nada.
Comecei numa pressa de viver o momento
Que só e' peculiar 'as crianças.
Na primeira balançada foi um vai e vem
Esplêndido, e na segunda vez foi uma atirada
Um pouco mais ousada, rabiscando os pés no
Chão para dar impulso.
Era um sonho de voar nas estrelas e retornar ao
Chão.
Ali nos braços da castanheira via que
Amêndoas eram estrelas e o céu era somente
Outro lugar.
Na terceira vez foi um tanto celestial e eternizada,
Pois povoa minhaslembranças ate' os dias de hoje.
Quando atirei-me para a terceira vez foi num impulso
Potencializado pelas primeiras vezes. E dessa vez
Fui ao céu da castanheira bem perto das amêndoas;
Amêndoas [ que eram estrelas].
Quando retornei ao meu corpo, senti que um portal
Se abriu e via perfeitamente como num telão
Aqueles dez segundos que relataram toda minha vida.
Só percebi coisas indeléveis, doces e inocentes como
Coisas de crianças. Então passei a vigiar-me para
Que nunca cresça a ponto de não ser mais criança.
A única e grande verdade e' que nosso anjo e' a criança
Permanente em cada um de de nós.
O adulto e' um ser oculto que se despiu das asas brancas
E enveredou-se no sombreado da vida.
Tudo isso eu sei porque era criança, e via como as crianças
Viam e nada saberia se já fosse adulto.
poeta_sabedoro
MINHA AMENDOEIRA
Um dia fui até que [ por demais feliz],
Lembro-me de uma velha castanheira.
Embaixo dela brincava no tempo de minha
Infância.
Chamava-a pelo nome de castanheira, mas,
O que se comia era a amêndoa [ o fruto].
Certo dia dessas distrações de criança,
Pus-me a brincar num balanço improvisado.
De maneira meio solta e leve com a vida, como
A quem não deve nada e não sabe de nada.
Comecei numa pressa de viver o momento
Que só e' peculiar 'as crianças.
Na primeira balançada foi um vai e vem
Esplêndido, e na segunda vez foi uma atirada
Um pouco mais ousada,
Fui, pela estrada catando Flor.
Alguém veio pelo caminho,
e num Sorriso, num Olhar,
plantou-me ternura e Amor.
Nunca fui de me apegar tanto as coisas como me apeguei a essa minha mania de achar que amanha o dia será feliz.
Com medo de "errar" ou até mesmo de fracassar, não me arrisquei e não fui criativo o bastante a ponto de criar um excelente personagem que fala: "Elado".
Assim como Jonas, já disse não para alguns propósitos, porém fui cuspida na areia, suja e fétida ao defrontar algumas mortes. Mágoas, ignorância, teimosias...tudo colabora para um fim.
G.M.
