Fria
Uma pessoa fria, endurecida, é incapaz de amar, a ponto de não amar nem a si mesma. Você pode dar todo o seu amor, que ela nunca o aceitará, pois seu coração é como uma pedra sólida, sem alma, sem vida, incapaz de amar.
Por Marcio Melo
❝ ...Ela respira fundo o aroma da terra molhada e fria, E em seu sorriso, o cansaço vira paz. Ela é a Mulher Guerreira que ao findar do dia, É feliz por saber que a força em seu interior se refaz
Que venham as estrelas, cúmplices de seu descanso. A alma se despe do uniforme, simples e liberta. Pois a prova de sua bravura não está no avanço, Mas na serenidade de sua espera, tranquila e certa...❞
------------ Eliana Angel Wolf
Na sombra fria do entardecer,
Ouço o silêncio da noite crescer,
As estrelas escondem seu brilho no ar,
E o vento parece querer me avisar.
Carrego em segredo um doce temor,
Mistura estranha de sonho e amor,
Enquanto meu peito insiste em bater
Por alguém que talvez nunca vá perceber.
Caminho entre dúvidas pelo luar ausente,
Tentando sorrir, fingir ser valente,
Mas o futuro dança como névoa no chão,
Confundindo esperança e solidão.
E se o destino mudar meu caminho?
E se a dor for meu único carinho?
Mesmo assim guardo essa chama acesa,
Frágil, inquieta, cheia de incerteza.
Porque amar também é se perder,
É cair no escuro sem saber
Se ao final da noite haverá amanhecer
Ou apenas saudade para sobreviver.
Ainda assim, em silêncio, eu espero,
Mesmo com medo, mesmo sem saber ao certo,
Que um dia duas almas possam se encontrar
E juntas, enfim, aprendam a sonhar.
AMOR COMERCIAL:
É fria e úmida a chuva que cai
Madrugada adentro.
E eu a senti-la aqui sozinho
Encontro esse poema, meu alento,
Esse poema comercial... Ele versa o amor
Fala do amor? Ou de amor?
Ah! Quem falar do amor seria capaz?
Sobre a vidraça em brumas que nos separa
Eu posso exprimir seu rosto,
Meu sonho é comercial!...
Porque assim são iguais todos os textos,
Todas as cenas, e todos os temas,
De amor... São iguais.
Do amor que se expele que se explicita.
Eterno (...). Que como o ódio, e como a libido,
O homem prova para reprovar
E falar de amor é comercial.
Também é comercial,
A criatura que não é do criador.
Deveras minha poesia é comercial.
"O mundo tá cheio de gente que se diz 'boa', mas vive tão desconfiada que acabou ficando fria e amarga. De que adianta se proteger da maldade se você virou uma pessoa que não sabe mais amar?"
A beleza da Lua passa despercebida por nós depois de algum tempo. Solitária e fria, como a imagino, algumas lendas dizem que seu amante, o sol, foi separado de sua amada por desejos dos astros. Seu toque eram os raios que refletiam nela e nos atingia na Terra. Então seríamos nós agraciados pelo amor do Sol pela Lua, quando nos banhamos com sua luz? Seríamos testemunhas do amor infinito e distante entre os dois?
Solitária e fria, é assim que sempre imaginei a Lua. Já seu amado sol, humildemente se cala, nos permite sentir a luz de sua amada, sem ciúmes, sem arrependimentos. Testemunhamos sem perceber, o amor dos longínquos.
Bom, assim reza a lenda...
Sob a luz da lua
Sob a luz fria da lua,
aprendi a caminhar sozinho…
não porque queria,
mas porque a vida arrancou de mim
todas as mãos que um dia prometeram ficar.
Houve noites em que o silêncio gritava mais alto que minha própria voz.
Noites em que chorei escondido,
olhando para o céu e perguntando a Deus
se eu ainda tinha forças para continuar.
E mesmo quebrado… eu continuei.
Quando o mundo dormia,
eu lutava contra meus próprios pensamentos.
Quando todos sorriam ao meu redor,
eu travava guerras dentro do peito
que ninguém via.
Disseram que eu tinha perdido.
Disseram que eu era fraco.
Que meus sonhos eram grandes demais
para alguém tão destruído.
E quando caí no fundo do poço,
não apareceu multidão para me salvar.
Não houve aplausos.
Não houve abraço.
Só existia eu…
a dor…
e a decisão de não morrer ali.
Foi na lama que descobri quem realmente sou.
Porque o sofrimento ou destrói um homem…
ou faz ele renascer mais forte do que antes.
E eu renasci.
Renasci das cinzas das humilhações,
dos “você não consegue”,
das noites sem esperança,
das lágrimas que molharam meu travesseiro
quando ninguém estava olhando.
Cada cicatriz virou armadura.
Cada queda virou força.
Cada vez que duvidaram de mim
alimentou o fogo que hoje arde dentro da minha alma.
Agora olham para mim e enxergam alguém forte,
mas não imaginam quantas vezes eu precisei morrer por dentro
para me tornar quem sou hoje.
E quer saber?
Ninguém mais pode me parar.
Porque quem sobrevive ao próprio inferno
aprende a não ter medo do fogo.
Eu saí da lama.
Saí do abandono.
Saí da dor que tentava me afundar todos os dias.
Hoje não sou rei por ter riquezas…
sou rei porque venci a batalha
que muitos desistiram de lutar.
E se a vida tentar me derrubar outra vez,
eu caio…
levanto sangrando…
mas continuo caminhando.
Porque a lua foi testemunha das noites em que chorei,
e agora também ilumina
o homem que eu me tornei.
Há Flores quente do verão e Flores fria do inverno e ambas admiram uma às outras..mas seu próprio ambiente fazerá com que o outro morra com o tempo; então devem criar um ambiente para se viver bem, o chamado equilíbrio.
A trilha
Na noite mais fria que a montanha já contou,
uma mãe e seu filho seguiam o mesmo amor.
O vento cortava a pele, a alma e o coração,
mas havia um calor maior guiando cada direção.
A barraca era pequena diante da imensidão,
e o frio roubou o sono, mas não a emoção.
As estrelas testemunhavam, em silêncio e luz,
o amor mais puro da Terra seguindo sua cruz.
Às três da manhã, quando o mundo ainda dormia,
levantaram-se juntos, abraçados pela coragem que existia.
E cada passo na pedra, cada respiração no ar,
era uma declaração de quem escolheu não parar.
Subiram.
E a montanha os recebeu.
Não como visitantes,
mas como quem reconhece quem venceu.
Lá no alto, entre nuvens e o infinito azul,
o frio era intenso, mas o amor era mais sutil.
Daqueles que não fazem barulho nem precisam aparecer,
porque nasceram para permanecer.
Então veio a descida.
E com ela, o amanhecer.
O sol surgiu devagar, como quem tem medo de interromper
aquele encontro tão raro entre o tempo e o sentir.
A luz dourada tocou seus rostos cansados,
e o mundo inteiro pareceu ficar ajoelhado.
Pararam.
Um café quente fumegava entre as mãos.
E naquele instante tão simples, tão pequeno,
cabia uma eternidade de emoções.
A mãe tomou um gole.
Depois outro.
E pediu mais um.
Porque algumas felicidades são bonitas demais
para terminarem no primeiro gole.
O filho estava ali.
O sol estava ali.
A montanha estava ali.
E Deus também.
Guardando em silêncio aquele instante perfeito.
Anos passarão…
As trilhas mudarão.
As pegadas desaparecerão da terra.
Mas jamais do coração.
Porque o que ficou daquele dia
não foi apenas o topo alcançado.
Foi o amor caminhando lado a lado.
Foi o frio que virou lembrança.
Foi a luz vencendo a escuridão.
Foi uma mãe olhando para o filho
e agradecendo, em silêncio, pela bênção daquela companhia.
E foi aquele segundo café…
Que tinha gosto de amanhecer.
Gosto de conquista.
Gosto de saudade antes mesmo de acabar.
Mas, acima de tudo,
gosto de amor.
Daquele amor raro,
que não precisa de palavras,
porque aprendeu a ser eterno.
Engraçado como a letra fria pode cegar quem não busca o sentido do Ser. Quando Jesus fala em "espada", Ele não fala de metal que fere o corpo, mas da verdade que corta a ilusão. A "divisão" que Ele propõe não é o ódio, mas a coragem de não ser conivente com a hipocrisia, mesmo que ela habite o nosso próprio lar.
SerLucia Reflexoes
Madrugada fria, numa casa vazia, onde a solidão é tempestade, na cama viro de um lado pra outro, difícil de adormecer, na rua um rumor descontrolado, de motores envenenado, e pessoas fazendo bagunça, sinto o cheiro de cigarro, também de gente pinguça, mas não posso me abater, tão pouco me aborrecer, pois tenho até que agradecer por ser solitário, porque do contrário, minha vida seria outra. Solidão tu me perturba, acaba comigo, me deixa arretado, mas também conformado, pois quem quer liberdade, é o preço que se paga, pra andar gauderiando na estrada da vida.
A brasa acesa consome a noite fria, enquanto o teu silêncio me devora por inteiro. O amor que ontem nos aquecia hoje é apenas fumaça no cinzeiro.
Resta o filtro marcado pelo teu beijo, o gosto amargo que ficou na minha boca. Sufoco em tragos o que ainda desejo, nesta moldura de solidão tão louca.
A fumaça desenha o teu contorno no ar, mas se desfaz antes que eu possa tocar. És o vício que insiste em me queimar, a ferida aberta que não quer fechar.
Viro a cinza da nossa história no chão, enlatado no peito um adeus que não consolo. Apago o cigarro com a palma da mão, e no escuro do quarto, sozinho, desabo.
O Velho e o Cavalo
A manhã desperta fria, trazendo consigo o rastro da madrugada na grama ainda molhada de orvalho. Sob o céu pálido, ele caminha com passos firmos, guiando seu animal com uma determinação que desafia o próprio tempo. O destino é a cocheira, onde o sustento espera por ambos.
O velho carrega no rosto e nas mãos as marcas profundas de quem já viveu um tempo que parece interminável. O cansaço pesa em seus ombros, mas não abate sua vontade. Ao seu lado, caminha uma força da natureza: um cavalo imponente, de espécie dominadora e vigor inquestionável.
Cena de um contraste sublime: a força bruta e o ímpeto daquele animal colossal são, no fim, docilmente controlados pelas mãos calejadas e pela alma pacífica de um homem frágil. Ali, não é o vigor físico que impera, mas sim o respeito silencioso e a conexão de uma vida inteira.
"Alguns disseram que sou fria, mas a verdade é que esqueceram todas as vezes que fui abrigo para o seu próprio gelo."
' DOR DE SAUDADE '
Sem você a noite é fria
A saudade é uma dor que dilacera
No meu peito arde e espera
Quem sabe, um dia você voltará.
Só conhece a dor da saudade
O coração que chora em silêncio
De tanto tanto amar !
Contemplo a lua, as estrelas...
E cada vez tenho mais certeza
Desse grande amor sem fim
O tanto que te desejo,
Aqui pertinho de mim.
É Então que minh'alma voa
Voa longe pensando em ti.
Seja noite, seja dia
Estás sempre em minha mente
Mesmo que não esteja presente
Logo meus lábios sente
O gosto de seus beijos
Impregnando-me de amor
Como uma abelha que beija a flor !
Então me dou conta de como a
Saudade doi sem você aqui,
Nesse anseio chego a sentir seu calor,
Mas nada é tão difícil
ou impossível
Que não possa viver novamente
Contigo esse nosso amor!
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a lei - 9.610/98
TANKA 003
Folhas espalhadas
dançam soltas no terreiro
numa tarde fria.
E o céu se fecha em silêncio
Na alma dessa poesia
Uma Sexta-feira
Triste dia
tarde vazia
noite tão fria...
Tempo avança
deixando fatos
tristes lembranças.
