A brasa acesa consome a noite fria,... Um de vários
A brasa acesa consome a noite fria, enquanto o teu silêncio me devora por inteiro. O amor que ontem nos aquecia hoje é apenas fumaça no cinzeiro.
Resta o filtro marcado pelo teu beijo, o gosto amargo que ficou na minha boca. Sufoco em tragos o que ainda desejo, nesta moldura de solidão tão louca.
A fumaça desenha o teu contorno no ar, mas se desfaz antes que eu possa tocar. És o vício que insiste em me queimar, a ferida aberta que não quer fechar.
Viro a cinza da nossa história no chão, enlatado no peito um adeus que não consolo. Apago o cigarro com a palma da mão, e no escuro do quarto, sozinho, desabo.
