Entre o capim seco uma surpresa rajada: ovos de codorna.
Mesmo com fome, Não se apressa como as outras A galinha manca.
Pra que respirar? posso ouvi-la, fremindo, maciez de noite.
fruta caída ao lado da estrada: pausa na ida
sexto sentido gesto delicado abre vestido
A opinião da nossa importância nos é tão funesta como vantajosa e segura a desconfiança de nós mesmos.
pérolas de orvalho! olho e vejo em cada gota a minha casa-espelho
O homem está mais rijamente organizado para a dor do que para o prazer.
o pouso silente da borboleta de seda celebra a manhã
O campo lavrado Volta a ficar em repouso - Cotovias do entardecer.
É devassa essa mulher que seus sonhos expõe quando abre a vidraça?
Paineira em flor: Casa-grande abandonada, sem telha nem porta
Tudo cansa a esperança dos homens mais fiéis ao culto da razão.
Venha colibri: dentro do meu coração já é primavera.
O homem tem necessidade de Deus como tem necessidade de água e oxigénio.
lago, pingos, tiros: quá-quá-quá dos patos patos por enquanto vivos
Temos de renunciar ao mundo para o compreender.
as pálpebras da noite fecham-se sem ruído
Se mira na poça de lama do pátio a lua vaidosa
O cinismo destrói a eficácia.
Ajude-nos a manter vivo este espaço de descoberta e reflexão, onde palavras tocam corações e provocam mudanças reais.