Ficar a Toa
Daquilo que é raro,extraordinário a maioria quer ficar distante.
Mas querem por perto,os clichês ambulantes.
Com esse frio, chega de ficar lavando os dois pés todo dia. Se para caminhar só mudamos o pé detrás, então, num dia lavo um, no dia seguinte lavo o outro.
O encardido deve ficar muito furioso quando vê a serenidade de alguém que não se despiu das vestes da paz para se perder na tempestade de alguém. Jamais se perca na tempestade do outro, ajude-o a se encontrar na sua Paz.
Enquanto os Tolos mendigam Companhia para não ficar Só, os Sábios só aceitam-na depois que aprendem a gostar de ficar Só.
Se gente Folgada e Arrogante for para o Céu, prefiro ficar por aqui. Deus me livre da Eternidade ao lado dessa combinação medonha!
Muitos meio tristes só desejam ficar meio alegres porque não sabem que os meio alegres também não gozam de alegria alguma.
O primeiro pensamento é: 'Como vai ficar a cicatriz?'. Depois nos damos conta que a vida já nos deixa tantas cicatrizes. As piores, nem estão na nossa carne.
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa num altar (...)
Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
Para os olhos, a previsão era de chuva. Mas, da fé, nasceu um arco-íris! O choro dura uma noite, sim, mas a alegria, ah, essa vem pela manhã. E por mais que demore, sempre amanhece!
A Morte Não É Nada Para Nós Habitua-te a pensar que a morte não é nada para nós, pois que o bem e o mal só existem na sensação. Donde se segue que um conhecimento exacto do facto de a morte não ser nada para nós permite-nos usufruir esta vida mortal, evitando que lhe atribuamos uma idéia de duração eterna e poupando-nos o pesar da imortalidade. Pois nada há de temível na vida para quem compreendeu nada haver de temível no facto de não viver. É pois, tolo quem afirma temer a morte, não porque sua vinda seja temível, mas porque é temível esperá-la.
Tolice afligir-se com a espera da morte, pois trata-se de algo que, uma vez vindo, não causa mal. Assim, o mais espantoso de todos os males, a morte, não é nada para nós, pois enquanto vivemos, ela não existe, e quando chega, não existimos mais.
Não há morte, então, nem para os vivos nem para os mortos, porquanto para uns não existe, e os outros não existem mais. Mas o vulgo, ou a teme como o pior dos males, ou a deseja como termo para os males da vida. O sábio não teme a morte, a vida não lhe é nenhum fardo, nem ele crê que seja um mal não mais existir. Assim como não é a abundância dos manjares, mas a sua qualidade, que nos delicia, assim também não é a longa duração da vida, mas seu encanto, que nos apraz. Quanto aos que aconselham os jovens a viverem bem, e os velhos a bem morrerem, são uns ingénuos, não apenas porque a vida tem encanto mesmo para os velhos, como porque o cuidado de viver bem e o de bem morrer constituem um único e mesmo cuidado.
Brinquedos
Eu fiz de papel dobrado
Um barquinho e naveguei.
Fiz um chapéu de soldado
e soldadinho – marchei.
Fiz avião, fiz estrela
embarquei dentro – voei.
Agora fiz um brinquedo
– o melhor que já brinquei –
guardei num papel dobrado
o primeiro namorado
(o seu nome, eu inventei...)
Se não poder fazer o Bem.
Mantenha seu corpo inerte totalmente em repouso.
Só assim teremos um imbecil a menos no mundo.
