Ferrugem
O caráter é como a lâmina de uma faca que pede reação ao primeiro sinal de ferrugem: quando aparece pode ser removida com um leve passar da esponja, mas logo se integra para fazer com ela uma coisa única que não permite mais separar-se uma da outra.
E não sendo logo retirada do faqueiro a corrosão se estende a todas as que lhe estão próximas, não restando uma que não se transforme em prolongamento da que deixou de ser aço para ser ferrugem.
Se algum dia a ferrugem manchar a paz o amor a felicidade vivenda, não é a ferrugem, são as ações atitudes elevadas que perderam o bom caráter.
Relíquia
Ferrugem,
O Sangrar do Ferro,
A Morte do aço,
A Escuridão, As Trevas,
A Imensidão do Espaço,
Esqueça-me!
Deixe-me empoeirar,
O Meu verdadeiro valor,
Algum dia,
Alguém ei de dar...
Qual a relação entre ferrugem e pensamento? A Reposta está na capacidade de destruição de algo mais forte que eles. Em relação à ferrugem, o ferro; aos pensamentos, a pessoa. O que interessa aqui são os pensamentos.
Se não cultivarmos bons pensamentos ou enfrentarmos os maus, estaremos deixando que as "ferrugens" corroam o nosso ser a ponto de nos tirar a alegria e o sabor de viver uma vida feliz.
O que você pensa sobre si, sobre suas capacidades é importante. Os planos que você deixa para trás, porque diz a si mesmo que eles são impossíveis são importantes. O fato de você permitir que te magoem, que tirem tua paz não pode mais ser aceito. O fato de você superestimar quem não te dá atenção também não pode mais ser aceito.
Valorize-se e cuide daquilo que te faz seguir ou desistir: seus pensamentos. (Givas Demore)
Como a ferrugem de um ferro reage sob a presença do ácido, assim é o coração do homem que é transformado pela ação da Palavra de Deus em uma nova ferramenta, útil e brilhante para o Seu divino propósito.
Vamos tirar a ferrugem das nossas ferramentas mentais e banhá-las todas na cromagem divina, para sair peças úteis de aço inoxidável.
Pensar que já sabe de tudo, é a pior ferrugem das portas dos novos conhecimentos, o caminho mais rápido para a desatualização pessoal e a melhor maneira de nos afastarmos das pessoas realmente sábias.
A decadência moral é para a alma como uma ferrugem que se espalha rapidamente transformando a rigidez do ferro em pó imprestável!
O orgulho excessivo de uma pessoa é como a ferrugem é para o ferro, o deprecia e enfraquece.
Já a humildade é algo que rejuvenesce e embeleza a pessoa.
Homenagem a Biotoviski
Entre cinzas, ferrugem e café frio,
existia um homem
tentando permanecer humano.
Ninguém percebeu de imediato.
A maioria apenas viu o silêncio,
o olhar distante preso em lugares
que não estavam na frente dele.
Mas dentro…
dentro existiam tempestades inteiras
aprendendo a andar em silêncio.
Ele colecionava ausências
como quem guarda cartas antigas dentro de gavetas,
não por apego,
mas porque certas dores
quando sobrevivem demais
criam raízes.
E ainda assim,
continuava.
Continuava afinando a própria fé
como quem segura uma vela acesa
durante um vendaval.
Continuava escrevendo mensagens escondidas
em poemas que ninguém lia corretamente.
Continuava tentando amar
sem assustar ninguém com o peso
que carregava no peito.
Talvez esse tenha sido seu maior milagre:
não endurecer.
Porque o mundo tentou.
Tentou nos dias escuros.
Tentou nas despedidas.
Tentou quando ele se sentiu sozinho
mesmo ouvindo vozes ao redor.
Mas ele continuou oferecendo gentileza
com mãos cansadas.
E poucos entenderam
que algumas pessoas não demonstram sofrimento chorando.
Algumas demonstram…
continuando.
No fim,
ele parecia uma dessas estradas mineiras durante chuva:
silenciosa, fria, longa…
mas estranhamente bonita
para quem realmente parasse para olhar.
Uma Homenagem ao meu eu introspectivo, que foi capaz de expressar muitas das minhas dores.
Obrigado! Biotoviski
19/05/26
"Assim como a ferrugem corrói o metal, a má interpretação das escrituras corrói a fé, causando mais dano do que qualquer inimigo externo."
"" Nem as águas afogarão teu sonho
nem a ferrugem o corroerá
será branco como a paz
e veloz como um alazão
em suas mãos o mundo ficará pequeno
e o dilema será onde ir
com tantos horizontes
a te chamar...
O tempo passa, corrói a ferrugem, rói a traça
porém há belezas ocultas, mesmo que nada se faça
nem tudo na vida perde a graça.
Ao longo
de todo o percurso
Há coisas
que se movem
Tão devagar
Quanto a ferrugem
Mas o curso de tudo
As cores da luz
O ar, o vapor
A percepção
de que um dia pode voltar
A doer
A dor que nem mais doía
Esteja ela onde estiver
No movimento calado
A paisagem desbota
O lento acinzentar das folhas
No voltar atrás
O pranto que brota
Na incerteza, as escolhas
A beleza, o declínio
Nem se nota
O fascínio que não mais exerce
A quase ausência de pressa
Nessa fase da existência
A tocha nas mãos do Sol
A graça do tanto faz
Fragmentos de rocha
Calçamentos de estrada
Um muro, o quintal
As roupas secando no escuro
O varal
Até mesmo o número três
Nem sempre se encontra
Tampouco se os acha
Depois do número dois
Pois esse não volta mais
Quando o nada é tanta coisa
Pelo menos uma vez há de se ver
Assombrações na madrugada
A graça da vida
Tempestuosa, no breu na noite
Procura
Tudo passa
No curso das águas
Move pedras profundas
Pra que essas um dia
Se confundam
Com aquelas que o Sol rachou
O tempo, que resfria o próprio Sol
O encontro da noite com o dia
Solidão da madrugada fria
Até que se quede o Céu.
Mas, tem coisas
Que não há de se ver jamais
Nem no fim
Por que é que será
Que tem coisas na vida
Que pra sempre serão assim?
Edson Ricardo Paiva.
