Fabio de Melo Acaso Deus Felicidade
MONTANHA – RUSSA
Meus vícios, meus lixos, bichos prontos para atacar.
Não por medo ou instinto, prazer em devorar.
Areia movediça, não paro de afundar.
Sujeira debaixo do tapete começa a transbordar.
Tsunami de erros prestes a devastar.
Entre os carros parados na avenida estou a transitar.
Os ponteiros passam e nada de você voltar.
No branco do espelho seus olhos vem me flertar.
Não tenho mais dezoito, não tenho mais um lar.
Se erros precedem o acerto, espero ele chegar.
SOUL
Vou seguir ao teu lado até onde conseguir.
Aproveitar cada segundo e quando possível sorrir.
Já que o tempo é breve, que seja leve.
Tentar manter a calma, conectar-se com a alma.
Só te peço o que você pode dar.
Só te peço que mesmo sendo segundo, seja intenso.
Sua voz é música, seu toque é cura.
Seu olhar é luz, sua companhia é vida.
Há guerras que se perdem acreditando estar acampado as portas do paraíso, e quando você acorda percebe que está no sepulcro da liberdade.
CCF 08/01/2024
Era um vez, um garoto.
Vivia pensando, sempre, pensando.
Como um mergulho no mar, afundando.
Cada vez mais curioso, e ainda sim, desesperado.
Ou subia para respirar, ou descia para descobrir.
Só poderia escolher um só.
Morreria pra entender, ou viveria para duvidar.
Mas, no fim, por pensar demais, o garoto não subiu, nem desceu.
E ali mesmo morreu, sem nem poder se decidir.
Existem caminhos que queremos ir urgentemente, mas será que estamos caminhando com a mente ou o coração?
Não existe nada que sustente um grande amor se não houver antes, um alicerce estruturado, e isso está ligado a reciprocidade.
Poeticamente é sempre bom amar, o amor consolida o que antes era fragilizado pela fragilizada paixão, o amor é a certeza que deu tudo certo.
Que procura ouvido, deve manter a boca aberta.
Quem não precisa de ouvido, pode deixar a boca fechada.
A infância…
Foi o tempo, que o tempo passou.
Quanto tempo mais se espera?
A paciência é o limite da alma.
Outrora, pequena menina
Corria pelo campinho com vestido verde, buscava seu pipa.
Que voava pelo céu
Suavemente sorria, tamanha alegria.
Em um instante
Um menino no campinho corta seu pipa.
Ela chorou, chorou
Ele viu e nada fez.
Até hoje essa menina
Espera pelo peixinho voltar no vento.
Quem sabe um dia seu pequeno, pipa amarelo limão.
Volte pelo vento!
Shirlei Miriam de Souza
