Eu Vou mais eu Volto meu Amor
ESTOU EM OBRAS, DESCULPE O TRANSTORNO!
Meu alicerce é forte,
embora a edificação
seja vulnerável às intempéries.
Sucumbo, às vezes,
aos ataques dos que me ferem,
mas me recomponho sempre,
rebocando ocos com aprendizados
nos golpes que me desferem.
Entre, mas atento para não se ferir
com a oralidade das minhas cruas verdades,
pois meu piso ainda é rústico
e há entulhos por toda parte.
O VULTO QUE VOCÊ VÊ
Uma pena que não note a profundidade do meu riso.
Como ainda trago a menina na alegria que improviso
sobre uma trajetória intensa,
em que recriei com arte
a tristeza, sob disfarces.
Lamento que não veja a beleza que tenho,
e que não é pouca.
Que não morre na extensão da minha idade.
Que rebenta nas ondas da inquietude
e nos despertares repentinos,
extrapolando o que expresso pela boca.
O que você enxerga é ilusão de ótica.
Minha imagem recriada pelos tolos
e reduzida a um vulto,
porque os meus verdadeiros versos estarão sempre ocultos.
Despertar de Passageiro
Em meu despertar espiritual, arde em mim há tempos. Mas a ansiedade, a pressa e essa busca por satisfações rápidas, insipientes e que agarram em nosso eu maior, me afastaram de quem sou.
Para trilhar esse caminho, hoje inicio a busca da cura de toda angústia e os conflitos dentro de mim, em busca do eu maior.
Quando Buda, atingiu, alguém lhe perguntou: O que você atingiu?
Ele riu e disse: "Não atingi nada, pois o que atingi sempre esteve comigo. Pelo contrário, perdi muitas coisas, perdi meu ego, meus pensamentos, minha mente, perdi tudo o que costumava sentir que possuía, perdi meu corpo, pois costumava achar que era o corpo. Perdi tudo isso e agora existo como puro nada. Mas essa é a minha aquisição."
Para definir o que entendo por Meditação Profunda: é experienciar este estado de Buda.
O que fazer para extirpar de dentro do meu peito este sentimento que é tão incômodo? Como livrar-me dos terrores que estão dentro de mim?
Eu sinto medo, horror, terror. Este sentimento me enche de ansiedade, angústia, e outros sentimentos inomináveis.
Meu maior medo é o medo de errar, de fazer algo errado. Logo depois vem o medo de envergonhar-me com minhas ações e atitudes. Medo do que às outras pessoas podem usar conta mim. Medo do que os outros pensam, falam sobre mim.
Não gosto de sair de casa pq não quero ser vista. Não quero ser vista pq não quero ser julgada. Não quero é existir pq sou fraca e não consigo evitar estes medos horríveis.
NINGUÉM DE MIM SABERÁ
Ninguém me ver...
Ninguém me sabe!
Meu coração um perfeito
- Pretérito...
Nada do que fui tornará
Nada do que sou sobreviverá!
E minha alma em algures
- Preterida está.
Só a morte me resta como única
Essa pantera, conclusão me fará.
Ninguém me ver
Ninguém de mim saberá.
NINGUÉM É SENHOR DE NINGUÉM
Viver à altura do meu mister
No limiar de minha vida
Essa é a nossa maior premissa.
- A alma!
Axioma ou pura quimérica?
É certo que a lua brilha e mira-se nos lagos
Por está nas alturas...
E a doença física é a cura da alma.
Aquilo que mais me pertence
- Permite e perdoa
Somos apenas um amontoado de erros!
Ninguém é senhor de ninguém.
Sonho.
Despertei-me!
Reviro-me, procuro-te e nada.
Ao meu lado o leito vazio
E à minha volta só um silêncio triste.
O corpo que me aqueceu,
Foi um sonho que feneceu.
Pois no sonho, além do sonho,
Nada mais existe.
Na quietude da minha alma
Busquei em vão te encontrar.
Meu corpo faminto e ofegante,
Queria do teu corpo alimentar.
Não foi um pesadelo o eu vivi,
Prazer sem igual de fato eu senti.
Se consciente ou delirando não sei,
Mas certo estou que como nunca te amei.
Agora, apenas algozes lembranças,
Dos braços que me envolveram,
De um ventre que me aconchegou,
Numa noite que continua pois sonhando estou.
De real: há a tua ausência constante
E em mim, o suplício de uma dor.
No quarto um silêncio penetrante,
Sobre o meu leito, o néctar do amor.
Sampa 18/09/2004.
Enoque Teles Borges.
Bata antes de entrar, pergunte se minha alma está em casa porque o meu corpo é fixo, mas todo o resto é alado.
DIGNIDADE
Reponho em meu caráter
Doses de tudo que já engoli
E que achava
Que não conseguiria
Engolir novamente...
PALAVRAS NÃO DITAS
Tenho tantas
Palavras não ditas
Que nas linhas
Do meu diário
Não cabem em sua memória...
MINHA ESPERANÇA:
Oh, Banabuiê do meu encanto!
Tuas águas tênues, teus ipês sombrios, quanta saudade eu sinto!
Tua ingenuidade de menina moça, teu talento,
Saudades de ti pequenina eu tenho
De tuas ruas In-natura e pouco movimento.
De teu comércio ainda sem muito alento.
Ah, Banabuiê de seu primeiro intento!
Queria eu a ti voltar ao tempo,
E rever meu quintal às margens de quem te fizera Esperança
Aonde ainda eu criança
Brinquei com meus barquinhos de gazeta margem à margem
Então como Esperança.
Que rompe-me a maturação e faz migrar meus sonhos pueris
De crescer não ser criança
Se eu pudesse neste instante, verter minha ilusão adulta
Da inveja, da cobiça e do semblante
Dormiria eternamente
Para não emergir aos meus sonhos de infante
Tampouco sentir o odor nauseabundo de quem a ti.
Fez surgir o progresso itinerante.
