Eu Nao sou Perfeita So apenas eu
Sou o que sou
Eu gosto de ser o que sou
eu sou do jeito que estou
gosto de falar o que penso
gosto de tudo que me consola
não gosto os que me enrolam
lembro sempre o que falei
muitas vezes já me calei
quantas vezes já perdoei
eu não tenho mais pressa
agora eu quero sorrir
esquecer o que passou
só lembrar o que prestou
viver este lindo momento
porque não sei quanto tempo
eu irei caminhar
mortos não perdoam
mortos não podem ouvir
mortos não podem sorrir
e muito menos amar.
Quando me querem como carvão, sou diamante. Quando esperam que eu seja diamante, mantenho minha aspereza natural de carvão.
Sou eu mesmo quem precisa sentir orgulho da minha própria história até aqui.
E, embora o reconhecimento seja maravilhoso, é a autoestima quem vai definir quem você é.
Reparem este olhar tão triste
Parece que sou invisível
Nem percebem que eu existo
Será que sou desconhecido?
Neste meio há alguém humilde?
Sinto-me bastante infeliz
Não sou perigoso, não sou bandido.
Quero apenas ter amigos
Pelo amor de Jesus Cristo
Conversem comigo
Estou cabisbaixo, abatido
Isolado e esquecido
Percebo que vocês são muito felizes
Dão gargalhadas e sorrisos
Estão enturmados e eu excluído
O meu coração está frio e dolorido
Vou sair daqui, eu desejo ser acolhido.
Espero que outras pessoas me valorizem
Saibam que por Deus eu fui escolhido
Ele me abraça e me chama de filho.
Frescor
Eu faço parte de uma brisa,
Misturada com sol, sou fresca.
Brisa com lua, sou fria.
Para uns, ar de grotesca
Para outros ar de harmonia...
Tenho a alma de nuvem
Um dia pesada, outro dia leve.
Às vezes demorada
Mas às vezes bem breve...
Dependendo dos olhos que me observam,
Posso parecer brisa— nuvem
Ou nuvem—brisa.
Fria e carregada
Ou leve e fresca.
Posso ser pequena
Mas posso ser gigantesca.
Os olhos que me observam
Dirão quem eu sou,
Serão olhos de quem me cerca,
Ou de quem tanto me amou.
Ou simplesmente de quem leva
A lembrança de quem eu sou.
Mas posso ser brisa,
Posso trazer leveza,
Se os olhos que me observam,
Perceberem a destreza,
De um dia ser humana
Outro dia natureza...
Sou uma Maria, uma mulher menina, jovem senhora.
Que cor tenho eu?
Uma vez Oberdã, um amigo, disse que minha cor era "marelin clarin". Chego em alguns lugares, dizem "como você é branquinha, esse combina mais"... para minha mãe sou morena clara, meu primeiro amor me chamava de neguinha.
Tenho tantas cores que moram em mim, desde a mistura de todas e também a ausência delas.
Quando eu me comunico com criança é fácil porque sou muito maternal. Quando me comunico com adulto, na verdade estou me comunicando com o mais secreto de mim mesma, daí é difícil... O adulto é triste e solitário. A criança tem a fantasia solta.
Nota: Trecho de entrevista concedida por Clarice Lispector ao repórter Júlio Lerner, na TV Cultura, em 1977.
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