Estranho
Não tem maior decepção do que ser intitulado de normal, num mundo onde é comum buscarem a unificação mútua por apenas querer seguir um padrão artificial e falso, ser estranho não é ruim, é um privilégio.
Distopia.
Desajeitado, andei, falei,
pensei.
O estranho é mais poético,
cada ato é verso,
já fui poesia.
Ambição de poeta é se tornar anônimo.
Ser, e só.
Improvável, o singular não cabe
no anonimato.
Para enquadrar-me,
travesti-me de multidão.
De poesia virei prosa, prosaico.
Descomprometi-me com a rima e seu desfecho,
conotação limitou-se a denotação,
o lirismo acabou com a chegada da distopia.
Matei o poeta, limitando-o.
E de mar, virei arroio.
Já fui verbo encarnado,
hoje sou texto inconcluso.
A cada atualização do meu "software", a minha consciência, a coisa toda fica mais estranha para os outros e caseira para mim, confortável.
"Somos feitos de átomos e moléculas, e você vem me falar sobre normalidade? Não há uma definição para a normalidade neste multiverso complexo e sólido."
Estranho de aparência
Saio à noite e nada vejo, é distração
Preocupado em encontrar o que se foi
Sem saber que não existe continuação
Insistindo na faísca, ela se dispõe
Abro a mente e mergulho em espinhos
Cravados todos em memórias profundas
Saudade não basta para os dias idos
Fica a reflexão do tamanho das lutas
Nenhum lugar é minha casa, nada é
Se até antes eu pegava qualquer onda
Hoje eu decido nadar contra a maré
Eles querem que a gente se esconda!
Ouço as reclamações até dos muros
Inundado em um propósito desigual
Vamos lá, nação, chega de sussurros
Espero bem mais da juventude atual
Olhe para mim, não posso esconder
Está na cara a apatia, consequência
Sem causa aparente, resta permanecer
Assim mesmo, estranho de aparência.
Os indivíduos com histórias estranhas, gestos extravagantes e mentes férteis sempre me atraíram. São mais interessantes que os seres comuns.
Há dias que são estranhamente mais estranhos ... então vamos rir um pouco mais. Assim a estranheza e a loucura trocam figurinhas, e todos saímos satisfeitos no final.
BMelo ✍️
Vem com dedo de veludo e cutuca a alma, não dói, mas incomoda e não quer parar. De vez em quando chega como espinho açoitando sem dó. O que seria essa sensação estranha? Vai junto a qualquer lugar, não desgruda, impele, as vezes irrita. Se sair um segundo, vem a saudade, o medo de perder, o arrependimento por não ter-lhe dado atenção. Simplesmente tem um nome: inspiração...
Tempo, tentativas, outras histórias, outros erros, outras permissões e uma permanência que me incomoda e inquieta. Não consigo normalizar tudo isso, fazer recortes do agora, pois, em um instante, tudo se mistura, ludibria, fica estranho.
Atemporal demais para ser compreendido.
"Mundo estranho é o de hoje, onde as pessoas adoram as coisas ao invés do Deus que lhes proporcionou todas as coisas"
#APARÊNCIAS
Estranho mundo de ornamentos...
Onde se escondem os sentimentos...
Cabelos louros de cachos enrolados...
Valem mais que um coração puro...
Praia traiçoeira é o ornato...
Onde o tolo desavisado...
Achando-se tão sábio...
Por vezes morre afogado...
Nada quero de ti...
Como não quero também de ti que sejas apenas só um intermediário...
Pálido e vulgar entre os homens...
Cujos olhos não vê o que há de fato...
As aparências com certeza enganam...
Veja bem o meu caso...
Quando escrevo com meu eu...
Quase não sou notado...
Porém com um rosto bonito...
Pele macia, cabelos bem cuidados...
Tenho meus poemas...
Por muitos apreciados...
Não vou lamentar nenhum momento...
Sonho esse que idealizei...
E fiz dele a minha realidade...
Continuo eu cá comigo...
E você com sua vaidade...
Se é para ser assim que seja...
As aparências enganam...
Aos que odeiam e aos que amam...
Tome cuidado.
Sandro Paschoal Nogueira
