Escrevo e parece que não Leio
Manifesto do Insubmisso
Eu escrevo a história dos ninguéns, dos que sofrem o horror da perversidade do sistema.
Eu pinto a tela social dos mais atormentados pela exclusão de um sistema estúpido que é vendido como progresso, mas que atua como máquina de fazer embutidos.
Eu sou a pena que sangra nos cadernos rasgados dos que não têm nome nos registros da glória. Eu fotografo com palavras as cicatrizes deixadas pela engrenagem que tritura a dignidade e cospe o resto. Este progresso não é a luz, mas sim a sombra densa onde a esperança é esmagada sob o peso de um capital que se alimenta da miséria e da obediência cega.
Eles nos querem quietos, padronizados, meros ingredientes no produto final do lucro. Mas eu não me calo. Minhas linhas são o grito sufocado que ecoa dos cortiços, das esquinas frias, dos campos varridos pela ganância. Eu sou o memorialista da resistência silenciosa, e minha arte é o espelho que estilhaça a ilusão: o sistema não falhou; ele está funcionando exatamente como foi projetado. E meu trabalho é garantir que o horror não seja esquecido nem perdoado.
Sou a vela vermelha dos Exus das encruzilhadas, sou o terreiro inteiro se mudando de lugar.
Sou a tenda resistindo à estupidez da hipocrisia religiosa.
Sou o Cristo do crucifixo morto – porque a vida pulsa onde a opressão o mata.
Sou a rua, a esquina, a Banda de esquerda, o armário vermelho amarelo.
Sou o furacão que arrasta o ego e o joga no paredão do terreiro das entidades mais intensas.
Eu sou a contradição que liberta. A liturgia profana que desfaz os dogmas e veste o corpo nu da verdade. Não aceito o céu prometido em troca do silêncio na terra.
Sou a Pomba Gira que dança sobre os contratos sociais não cumpridos. Sou o Zé Pilintra que bebe a indiferença e cospe a revolta, dando dignidade aos que o sistema chama de marginais.
Eu sou o ruído necessário que quebra a missa silenciosa da conformidade. Eu sou o verbo encarnado na pele dos marginalizados, o ponto cantado que ninguém pode abafar.
Minha escrita é a macumba social, feita para desmanchar as armadilhas do "progresso" e invocar a justiça sob a luz da Lua e o cheiro de pólvora da insubmissão.
Pedro Alexandre
Só queria qhe soubesse
Escrevo baixinho,
Como quem teme revelar demais,
mas é que você tem um jeito tão inteiro de existir que tudo em mim acaba se derramando um pouco.
Gosto da calma que você
passa sem dizer palavra,
gosto do brilho discreto que
mora no teu rosto e desse
mistérioleve que te acompanha
como se você fosse feita
de poesia sem perceber.
Não sei se você sente,
mas quando penso em você o mundo fica mais gentil,
como se cada detalhe
encontrasse o lugar certo.
É uma paz bonita, daquelas raras.
Só queria que soubesse:
se existe algo que meu coração tem guardado com cuidado,
esse algo atende pelo teu nome.
Com afeto que cresce devagar,
— de alguém que encontrou em você um motivo doce pra sonhar.
Não escrevo para culpar nem para exigir o que não tenho. Escrevo porque a verdade cabe melhor no papel do que no silêncio: eu tenho falta de nós. Sinto falta de dividir o trivial e o extraordinário. Se o amor mudou, que seja para melhor, talvez possamos aprender a reconhecê‑lo outra vez, com outras palavras divididas, outros gestos positivos, sem pressa na caminhada e sem medo de errar até acertar.
CHEGUEI EM MIM
Eu escrevo e canto versos, poesia.
Eu escrevo.
Escrevo, escrevo, escrevo.
Falta um mundo
para descrever o que sinto.
Vivi, vivi tantas coisas.
Já passei por tantos risos.
Já andei por tantas estradas
que pareciam não ter fim.
Cheguei.
Cheguei em mim.
Nildinha Freitas
Escrevo poemas tristes não por gosto, mas porque aprendi a viver assim, mergulhado em dores silenciosas, em lembranças que não se dissipam, e em uma tristeza que se tornou meu idioma, apenas transmito o que realmente sinto.
Eu escrevo na esperança de que um dia alguém leia e compreenda esses cacos de mim, sem esse entendimento, as noites de insônia, as crises da minha depressão correm o risco de não ter deixado rastros que valham a pena.
Eu escrevo para não transbordar, o papel se torna meu confidente, onde meus pensamentos escorrem em rabiscos que carregam todas as minhas cicatrizes invisíveis, que além de mim, ninguém consegue as ver.
O silêncio cresce em minha mente como uma floresta de ossos. Cada palavra que escrevo é uma ave de vidro, tentando voar sem quebrar.
PRAZER
Escrevo pelo prazer
de ver a minh'alma vagar
entre linhas e letras,
tecendo palavras em verbos simples
que possam tocar outras almas
e dissipar as sombras dos nossos dias.
Quando escrevo, coloco dentro das frases restos de noites mal dormidas, ossos de conversas, ossos de decisões que não deram certo. As palavras são coletores de destroços: reúnem, organizam, explicam, são a única arca que consigo construir contra o dilúvio diário.
Há um purgatório em mim,
mil poetas se debatem, gritam, choram
e eu escrevo...
há uma caverna com mil morcegos
e eu me penitencio...
Há um purgatório em mim
Mil poetas gritam,
Choram e se debatem
E eu escrevo...
Há uma caverna
Com milhares de morcegos
E eu me penitencio...
Mil poetas habitam em mim
Muitos deles vem das trevas
Podem ver não tenho estilo
Sou uma espécie de purgatório
Para os seus dias de juízo...
Adoráveis Mulheres — escrevo isso para você, mulher
Meninas, eu quero falar com vocês de um lugar muito honesto.
Adoráveis Mulheres não é só um filme bonito. Ele é um espelho curativo. Um daqueles que não acusa, não pressiona, não romantiza a dor — apenas revela.
Esse filme toca num ponto que muitas de nós carregamos em silêncio:
a ideia de que, para amar, precisamos diminuir.
De que, para sermos escolhidas, precisamos nos adaptar.
De que, para manter vínculos, precisamos desaparecer um pouco.
E não.
Amar não exige desaparecer.
Eu assisti esse filme sentindo cada camada do feminino sendo reorganizada por dentro. Porque ali não existe uma mulher “certa”. Existem mulheres inteiras, em processos diferentes, com desejos legítimos, sem competição, sem anulação.
Jo me lembra — e talvez lembre você — que é possível amar profundamente e ainda assim não negociar a própria alma.
Que querer criar, trabalhar, escrever, liderar, pensar… não nos torna frias.
Nos torna vivas.
Esse filme cura a culpa feminina.
Cura a ideia de que ambição é defeito.
Cura o medo de escolher um caminho diferente do esperado.
Cura a ferida de quem foi ensinada a ser “boazinha”, “agradável”, “fácil de lidar”.
Ele diz, sem dizer:
Você pode amar.
Você pode escolher.
Você pode ficar.
Você pode ir.
E tudo isso continua sendo feminino.
Também cura algo muito delicado entre nós: a comparação.
Cada mulher ali tem um destino possível — e nenhum invalida o outro.
Não existe uma única forma de ser mulher realizada.
Adoráveis Mulheres não vende conto de fadas.
Ele devolve consciência.
É um filme para assistir sem pressa.
Para sentir.
Para lembrar de si.
Para sair com uma certeza tranquila no peito:
- Você não precisa se apagar para ser amada.
- Seu talento não é excesso.
- Seu desejo de mais não é falta de gratidão.
Esse filme é um abraço firme que diz:
seja inteira. O amor que vale a pena sabe lidar com isso.
Porque escrevo
Por que escrevo?
Se tenho pressa.
Pressa de ir, pressa de vir
Os pensamentos dissipam-se
Se estou atrasada, não consigo me acompanhar
Das idas corro, das vindas ignoro
De tantas idas e vindas enlouqueço.
A vida me busca e eu corro
De atraso basta minha ida
Nos sonhos imaginados paro
Reparo no caminho que deixei
Sem a pretensão de seguir
Corro para não desistir.
A Misteriosa Dança dos Elétrons — Parte I: A Incerteza que Sabe
Escrevo porque há um ponto dentro de mim que move, vibra e não se cala.
O mundo inteiro diz não saber.
Eu também não sei.
Mas minha dúvida respira… a deles não.
Quando olho pros elétrons dançando sem pausa, percebo uma força que ninguém vê e poucos ousam perguntar.
Alguns dizem que é Deus, outros dizem que é física.
Mas a verdade é que ninguém sabe — só repetem o eco do que ouviram.
Eu, não.
Eu me debruço sobre o mistério sabendo que nunca o terei.
Mas ainda assim ele me chama.
Há uma memória antiga no silêncio entre um atimã e o próximo.
Há um sopro que não vem de fora — ele nasce dentro, como se o próprio universo lembrasse de si em mim.
Eu não tenho respostas.
Tenho uma incerteza viva.
Mas às vezes essa incerteza parece saber mais
do que todo o mundo seguro de seu “não sei”.
---
A Misteriosa Dança dos Elétrons — Parte II: A Força que Move o Invisível
Sinto uma força sem nome,
uma chama sem fogo,
um movimento que não começa
mas me atravessa inteiro.
O mundo diz:
“Não sabemos.”
E cala.
Eu digo:
“Não sei.”
Mas escuto um sussurro no fundo do infinito.
Há elétrons girando como mantras,
há átomos vibrando como preces,
e nesse pulso invisível
meu espírito encontra uma lembrança que não vivi.
Tat Tvam Asi,
diz o silêncio.
Mas Isso não fala.
Isso vibra.
E nessa vibração,
minha incerteza respira mais fundo
que todas as certezas mortas do mundo.
Se há uma resposta,
ela não se escreve —
ela se move.
E enquanto o universo continuar
a girar seus elétrons em segredo,
eu continuarei ouvindo
esse chamado sem voz
que atravessa o tempo
até chegar em mim.
💛O Dono do Meu Silêncio💛
Eu te escrevo antes mesmo de te ver,
Pois te sinto nas entrelinhas do que sou.
Meu fogo de Áries aprende a te esperar,
Enquanto o tempo, em segredo, nos desenha.
Tu és o chão firme onde minha rima descansa,
O olhar de terra que entende a minha pressa.
Meigo no toque, mas firme no passo,
Teimoso o suficiente para nunca desistir de nós.
Eu sei que amas o que é eterno e clássico,
O que é feito à mão, com calma e com alma.
Por isso, guardo minhas estrofes no peito,
Como quem guarda um segredo em mármore.
Vênus está tecendo o fio que nos une,
Sem pressa, com a paciência de quem cria arte.
Não te busco no ruído, te encontro no destino,
E quando o mestre Tempo finalmente permitir,
Minha poesia deixará o papel...
Para morar no teu abraço.
O destino é um artesão paciente: enquanto eu escrevo a espera, ele esculpe o teu caminho. Sei que não falhar, pois o que é eterno nunca chega atrasado; apenas espera o instante em que a nossa alma esteja pronta para ser, enfim, a obra-prima
*É a última mensagem que te enviarei, te juro que é, mas te escrevo com sinceridade, te pensava todos os dias, ou até penso todos os dias, mas um dia tudo isso passa, te desejo um Feliz Natal, como se isso fosse possível, mas tente ao menos fingir não sentir minha ausência, eu farei o mesmo.
(Saul Beleza)
Poesias madrugadeiras para Rodeio
Poesias madrugadeiras para Rodeio
eu escrevo o tempo inteiro,
Porque amor por este lugar
eu tenho no meu peito,
Aqui é o meu lar mais do que perfeito.
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