Escrever
Sempre achei complexa a tarefa de escrever para as pessoas, daí que eu escrevo apenas para poder suportar o peso da existência — é uma espécie de ritual sagrado. Quem afirma para si que 'Ele escreve para nós!' manifesta em si um estado de delírio cognitivo.
SOBRE ESCREVER... (poesia de Lina Veira)
A poesia sopra dentro de mim
Excita e despe minha alma
Um poeta não tem pele – escrevi
Toda arte de escrever é inicialmente SUOR
Trabalho e exercício criativo
Uma vantagem pessoal
Um brinde estratégico da vida
O significado do escrever é sinônimo do escrever
“Necessidade “- Escreveu Machado de Assis
UM LIVRO QUE VOCE NÃO ESCREVE
FICA ENGASGADO NA SUA CABEÇA
ESCREVER, É TAMBÉM abençoar a vida, já dizia Clarice Lispector
Um escritor está sempre concentrado
OBSERVANDO
OBSERVANDO
Esperando como uma meditação mindfulness
A qualquer momento chegará uma inspiração
Selecione, relacione, organize
A escrita precisa de massagens nas costas, nas mãos
De rodas de amigos
De trilhas de pedras
Do confronto das Ideias
Do abismo representativo que assola
Da agitação dos braços e do coração.
Quanta tensão em cima do muro!
Respira a escrita ofegante
Suando, suando
Lembra do muro que caiu na década de 80?
Dos Heróis que morreram de overdose?
Dos inimigos no poder...
Continuamos desiguais na fisionomia,
na cor e raça
Mas Iguais nos sonhos como aquele garoto
que queria mudar o mundo...
Como mercadorias, nas prateleiras, acumuladas, fechadas em arquivos, retalhadas em pirâmides, assim, assim reconheci minhas letras brincando com as palavras
Fechados como um amigo que espera
AO LADO DE MUITOS
A RIR-SE DA HORA, O LIVRO NOS FAZ PENSAR
NOS TRAZ A VANTAGEM DE nos ALIMENTAR DOS SABERES
DO PODER DE SER MAIS, DE FAZER MELHOR.
TRANSPORTÁVEL, consagrado
PRONTO PARA FALAR DE QUALQUER ASSUNTO
Que assunto? Depende do tema ou ideia desenvolvida
Escrever é fazer mágica, reinventar o que já existe!
Observe e anote, guarde movimentos da alma, da imaginação.
Ninguém nasce sabendo escrever bem.
Então escreva, treine!
Uma mentira , uma fantasia, uma realidade
Um texto genial , uma ideia ruim também
Defenda seu ponto de vista, sua ideia formada, seu vexame, sua escrita nascida, assim por diante...
ESCREVA , TREINE!
DERRAME VOCE NO MUNDO!
Lina Veira 16.11.24
.....
SOBRE ESCREVER É UMA POESIA
sobre o pensar profundo do antes e durante a escrita, usando a prática para organizar ideias, refletir com sinceridade e comunicar com clareza e impacto, transformando sentimentos e conceitos complexos em palavras acessíveis. Trazendo o conceito da comunicação e do livro, não apenas na técnica. Escrever é um processo de mergulho na alma, coragem de ser autêntico e de buscar a verdade, onde o ato de escrever se torna um meio de descobrir o próprio pensamento.
esse texto foi dividido entre alguns autores da antologia Memórias Literárias de um sábado.
Quarto sem testemunhas
Amar foi escrever cartas
sem endereço de volta.
Eu as deixava na mesa do mundo
e o mundo nunca respondeu.
Meu nome não ecoa em ninguém —
é só um som que gasto
para provar que ainda existo
quando falo sozinho.
Os dias passam como móveis velhos,
ocupam espaço,
não contam histórias.
O relógio trabalha mais do que eu.
Não tenho sonhos:
apenas intervalos de sono.
Não tenho amigos:
apenas pessoas que passam
sem notar que passei também.
Há uma cama que me reconhece,
sabe meu peso,
minha forma de desistir da noite
sem fazer barulho.
Tenho medo não do fim,
mas do apagamento —
de virar objeto entre objetos,
lembrança nunca inaugurada.
Amar sozinho
é aprender a diminuir
até caber no canto da própria vida.
Ainda assim,
às vezes a manhã insiste
em abrir a janela
sem pedir licença.
E quando a luz entra,
mesmo sem promessa,
ela prova baixinho
que nem tudo desistiu de mim.
Aprender a ler e a escrever as letras e as palavras é uma coisa, mas entender os porquês delas é algo bem maior, é saber.
Comecei a escrever em um caderno com folhas em branco e sem nenhuma linha...
No começo até me surpreendi , minhas letras pareciam desenhos em constante sintonia, iam de maneira linear, sem se desviar ,nem para cima e nem para baixo.
Mas, no decorrer do tempo, percebi que já não tinha linearidade, em um momento as palavras iam mais altas, em outros momentos elas pareciam afundar, como o silenciar de uma voz...
Eu continuei escrevendo sobre a vida nos altos e baixos das linhas imaginárias.
Na tentativa de fazer tudo certo e simétrico, mas, só me doía, doía a mente por pensar tanto, doíam o dedos por apontar meus erros, doía meu coração por não entender por inteiro.
Ainda assim insisti em escrever, escrever sobre a vida, uma vez que perdida no conturbar das linhas, encontrei meu eu, ela andava sozinha, entrelinhas, amando o dia, odiando a noite , falante durante a semana e se calando no fim.
Entre Renúncias e Liberdade: O Caminho das Palavras
Escrever é mais do que buscar reconhecimento: é um ato de amor às palavras e ao que elas despertam. Cada renúncia — ao imediatismo, ao desejo de aplausos — abre espaço para a verdadeira liberdade: escrever sem correntes, como quem respira.
O escritor invisível constrói, tijolo por tijolo, uma ponte entre sua alma e a do leitor. Dedicação e disciplina são asas que sustentam esse voo, e o tempo ensina que palavras sinceras não precisam de holofotes para permanecer.
O maior triunfo não é o aplauso da multidão, mas o sorriso discreto de quem se reconhece em uma frase. Porque histórias contadas com verdade tornam-se eternas.
Roberto Ikeda
A Dança da Caneta e da Tinta
Eu quero muito escrever,
Quero poetizar o mundo.
E quando eu escrever versos,
Que a caneta seja eu.
E que eu ouse juntar as linhas,
Sair delas sem rumo,
E que você seja a tinta fresca
Escorrendo sobre a direção,
O rumo tomado pela caneta.
Que haja palavras e letras em revolução
No instante em que a tinta e eu
Estivermos em transe;
Que haja sopro de prazer e almas
Quando as linhas se chegarem
Diante das veredas dos traços livres.
Que os livros velhos voem como pássaros,
Que o invisível tenha coragem
De se despir da couraça estúpida,
Do breu da ignorância e do medo,
Mostrando-se como tal e qual.
E se as linhas voltarem à linearidade,
Que ousem se juntar, uma a uma:
Ponta a ponta, ponto a ponto.
Uma linha robusta, infinita, única,
Onde nada fica nas entrelinhas.
Onde tudo cabe, inclusive nós:
A caneta e a tinta que somos.
E que se firme espiralado,
Do horizontal ao vertical, infinitamente,
Se abrindo na base o tanto preciso
Para que o broto esteja sempre vivo.
E assim, a escrita fica mais flexível,
As palavras mais fluidas,
A caneta mais sensível à arte,
E a tinta com mais espaço para brincar
De escorregar das vias de regras.
Todo dia que amanhece, a Deus toda glória, é mais uma página em branco para escrever a nossa história.
Escrever é uma tarefa muito difícil, confesso. Os melhores poetas, os mais complexos escritores, as mais lindas poesias, todo o universo literário compreende de um alto nível de intelecto exigido. Em meio a estes belos textos, que a mim não poderiam ser atribuídos visto que não possuo cunho para faze-los, versos simples são desenrolados, pois com a complexidade de uma alma que expressa seu amor por outra. Me atormenta o fato de não conseguir compor as melhores e mais profundas declarações para você, meu amor. Mas é necessário que a ti, esteja claro que a verdadeira profundidade de nossa paixão eterna é vivida todos os dias, pensada todas manhãs, nas borboletas do meu estômago que aparecem toda vez que o vejo, na letra de canções que não escrevi, mas que compreendo tal qual toda melodia fosse pensada para nós. O amor é lindo e pode ser expresso em palavras, que a ti, não posso oferecer, mas espero que entenda minhas outras maneiras de amar-te sem limites.
Me pergunto se ainda há quem faça uso de uma caneta para escrever sobre páginas virgens...
Se ainda há quem coloque água para ferver na chaleira para passar o café no coador de pano...ou que antes de coar no bule ,
cozinhe o café por alguns minutos
inebriando o olfato do ambiente
e dispersando o aroma té chegar ás narinas mais distantes...
Semana passada , uma amiga da adolescência veio me visitar, ficou surpresa ao me ver preparar um café à moda antiga
(com chaleira, coador de pano e bule)
falando da praticidade da cafeteira elétrica...
E observou também os blocos, cadernos e canetas na minha escrivaninha , em vez do notebook ( que está fechado dentro de uma gaveta)...
Um dia desses
vou abri-lo e fazê-lo viver novamente
sob as minhas digitais poéticas...
As vezes me auto defino pré-histórica 😂 (podem até não acreditarem...mas é verdade!) , nem o tal do PIX eu tenho,
mas ... sei que vai chegar o dia
em que vou ter que me modernizar,
mas enquanto der ...
vou vivendo sem essa forma de pagamento, como de outras modernidades...
O que fazer?! ... Sou de Nanã 💜
(para quem não sabe...) é a Orixá
mais antiga/ancestral da Umbanda.
O que eu escrevo, na verdade,
não é sobre o café e nem sobre a caneta.
É sobre ritmo. É sobre tempo.
É sobre presença.
É sobre o pulsar da vivência.
E isso não é pré-histórico.
É ancestral.
Quando eu falo da água
fervendo na chaleira,
do pó cozinhando antes de ir ao coador,
eu penso em algo que não cabe
na pressa da cafeteira elétrica: o ritual.
O cheiro que se espalha pela casa
como se fosse memória líquida,
isso é quase uma liturgia doméstica.
Quando afirmo que sou de Nanã 💜
isso faz todo o sentido.
Nanã é lama primordial, é o barro antigo,
é o tempo que antecede o tempo.
É a senhora das águas paradas, profundas, densas. Ela não tem pressa. Ela tem paciência.
Ela é "alérgica" á pressa.
Ela sabe que tudo retorna ao útero da terra.
Ser de Nanã não é ser atrasada ou antiga.
Ser de Nanã não é parecer velha nas preferências e ações.
É ser terra fértil e ser raiz.
O mundo corre, eu decanto.
O mundo digitaliza, eu tatuo a página.
O mundo paga com PIX,
eu pago com dinheiro vivo
e presença ativa .
Modernizar-se não precisa significar abandonar o que me constitui.
Pode ser apenas acrescentar ferramentas
sem entregar a alma.
O notebook pode viver sob minhas digitais poéticas, mas a caneta continuará sendo a extensão do meu pulso, do meu corpo,
da minha respiração, do pulsar do meu âmago.
Há algo profundamente político nisso também; escolher o tempo lento
num mundo estantâneo que monetiza a urgência.
Eu não sou pré-histórica,
sou guardiã de um modo lento de existir
que o mundo tenta esquecer....
E no mundo?
Sim!
Ainda há quem escreva à mão.
Ainda há quem ferva água na chaleira.
Ainda há quem escolha sentir o aroma
antes da praticidade.
E isso não é resistência ao progresso.
É fidelidade ao próprio tempo e história.
É lealdade ao próprio ser e existir.
✍©️@MiriamDaCosta
Amar você foi como escrever a poesia mais bonita do mundo em uma língua que você nunca se interessou em aprender.
Somente o homem experimentado, o homem superior, pode escrever a história. Quem não tenha feito algumas experiências maiores e mais elevadas do que as de todos os outros homens não poderá jamais interpretar a grandeza e a elevação no passado. A voz do passado é sempre uma voz de oráculo.
Escrever com a alma,
Tocar o amor
Guardado no mais íntimo de si,
Despertar sentimentos
Através da poesia
E abraçar, com leveza, a alma.
