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Susatel

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Já não escrevo como antes.
Esta metamorfose é notória demais.
Houve tempos em que escrever não era um exercício exaustivo — era apenas uma forma de conversar comigo mesmo.


Hoje, parece-me que o meu Eu e eu sofremos uma mudança drástica. Sentar-me para dialogar com ele tornou-se uma tarefa árdua, quase impossível.


Mas o que julgavam? Que era apenas acordar e escrever? Não. Nunca funcionou assim.


A verdade é que percebo, aos poucos, que estou a perder um grande amigo: o meu Eu.
Riamo-nos tanto das complexidades e banalidades… e nunca partilhei algo tão íntimo com outro alguém senão com ele.


Nem sei por que vos escrevo isto. Talvez não me entendam. Não estais preparados para compreender-me. Já é tarde demais. Estive acessível durante tanto tempo, esperando ser entendido, mas o meu Eu decidiu libertar-me deste tédio.


Encarnei uma introspecção feroz, que me levou a muitos estágios: da lógica à filosofia, dos delírios ao retorno — sempre o retorno.


O lado sombrio cessou por um tempo, mas agora que o meu Eu se esvai, sinto que não terei mais controle sobre as trevas que habitavam o meu ser.


Antes de conhecer o meu Eu, eu e elas — as trevas, o abismo — éramos um só. Eu ia para a cama, mas elas não; eu ficava de vigia para não sucumbir. O meu universo não tinha colorações, apenas escuridão.


Com a chegada do meu Eu, tudo mudou. Olhámo-nos nos olhos com sinceridade.
Quando vos digo que não sou pertença vossa, ignorais o facto. Apenas quereis ouvir o que convém ao vosso ego.


Mas o meu Eu esvai-se… esvai-se e nunca mais retornará.
E quando eu também me for, não me sigam.


Tentei trancar-lhe as portas dentro de mim, implorei que ficasse. Disse-lhe que ninguém o poderia substituir, que sem ele eu sucumbiria.


Ele ajoelhou-se para me alcançar. Questionei-o: “Porquê tudo isto?”
Mas apenas partiu.


E eu morri com a sua partida.
Morri, porque a minha paz era a única força que me mantinha longe das sombras.
Morri sem remorso, apenas para reencontrar o meu fiel amigo — o meu Eu.


Não compreendereis isto.
Não me sigam.
Vivam a vossa vida.


Há em mim tremores de mundos complexos, de uma aura tenebrosa.
Apartai-vos de mim.
Não pedi socorro.
Livrem-me da vossa pena.
Tirai-me do alcance da vossa visão.


— SUSATEL

Entendo que muitas pessoas sejam crentes porque têm medo da lucidez.

Hora de mandar os meus demônios descansar...
Quando rufam os batuques, falo como meus ancestrais —com a alma em transe, a voz em fogo e o corpo a vibrar memórias.
Não há tormenta que dure quando o sangue se lembra de onde veio.

Em Moçambique, não basta seres um crítico político acérrimo — também precisas de dinheiro. Dinheiro para, quando os donos da situação decidirem perseguir-te, conseguires escapar.

Certa vez, uma conhecida da faculdade afirmou para mim:
"Sabe, eu não posso casar-me com um pretinho e ter filhos escuros. Não posso fazer isso, eu estaria a pecar contra a minha cor."


Atravessado por aquelas palavras, fiquei por alguns minutos pensativo.
O facto curioso é que ela não é branca, mas sim uma preta minimamente clara, que no seu falar se denominam "mulatas".
A que nível a pretude desceu, para até se vangloriar de pensamentos medíocres. A ignorância é, de facto, algo que me assusta — reflecti.

Me tornei uma pessoa extremamente alérgica a visitar pessoas ou a ser visitado; simplesmente, odeio.

É preciso entender esta filosofia. Isto não é um conhecimento moderno — é antigo. Mas vocês diabolizam tudo que vem dos nossos ancestrais, diabolizam tudo que é da raça negra, porque estão colonizados mental e espiritualmente. Ou seja, tudo o que falam é a pura manifestação do colono.

Bom, preto. Quando te disserem por que não esquecemos o passado e seguimos em frente, lembra-te: nenhum deles foi mutilado, massacrado, tão humilhado e escravizado como nós fomos.

Eu realmente não tenho paciência para as palhaçadas da religião. Eu vejo a religião como um vírus que torna os menos providos de intelecto autênticos burros.

"Alguns deixaram a religião, mas a religião não os deixou. Quer saber como? Observe o que pensam, o que falam e o que fazem. O trauma é tão profundo que o processo de cura é longo, doloroso e, para muitos, quase impossível."

"Quando um indivíduo não consegue travar as suas batalhas internas, chega a um ponto tal que delira — e a dissonância cognitiva manifesta-se sem que ele sequer se aperceba."

"A burrice é uma coisa, e a estupidez é outra. Agora, ser um indivíduo burro e estúpido… bom, aí é o fim."

Algo que realmente me espanta nos autoproclamados panafricanistas é a incoerência gritante entre o que dizem defender e o que praticam. Falam com fervor sobre a descolonização da mente, sobre libertação cultural, sobre romper com os sistemas impostos pelo Ocidente — mas, no fim, casam-se em igrejas, sob rituais e símbolos coloniais. É quase cômico, se não fosse trágico. Uma confusão mental disfarçada de consciência.

Quando você tenta convencer um indivíduo burro da sua burrice e ele se recusa, é o momento certo para entender que, por vezes, a burrice é uma escolha. O indivíduo é devoto de espírito e alma; a burrice é a sua religião. Ele acha isso normal, pois a única coisa que consegue alcançar, por meio da sua dissonância cognitiva, é simplesmente o resultado pragmático da sua própria burrice.

Ocorre-me que a mente e a matéria são a mesma coisa, porém em estados diferentes.

Pressão social é quando o “normal” se torna a medida do que é certo, mesmo que seja destrutivo.

Só é livre quem tem coragem de ser mal interpretado e mesmo assim se manter firme em sua verdade.

Muitos vivem vidas inteiras como personagens, porque a sociedade tem medo de pessoas reais.

A aprovação alheia é uma moeda cara demais para se trocar pela paz interior.

Nada oprime mais do que sorrir para manter aparências enquanto se desmorona por dentro.

A pressão social não grita — ela sussurra, condiciona, disfarça-se de conselho e, quando se percebe, já dominou.

A coragem de ser autêntico é a única saída real da ditadura da aceitação social.

A maioria das pessoas não escolhe o próprio caminho, apenas segue a estrada pavimentada pela opinião dos outros.

Quanto mais se vive para agradar os outros, mais se morre por dentro.

A pressão social é a prisão invisível onde muitos enterram seus sonhos para caber no molde alheio.