Era
As curvas de minha vida gritam um silêncio ensurdecedor.
Não era bem o que eu queria, porque ao fim,
a solidão assassinará minha alma.
Sim, talvez eu tenha demorado mas eu não consegui e não aguentei. Uma hora tive certeza de que era você, só você, a minha razão de estar aqui.
Plantou e não colheu?
É porque a terra não era fértil...
Não desperdice mais sementes em terras secas...
Plante em novos campos...
Ainda ontem era assim
Eu só enfim
Uma das três Marias solitária
Ainda ontem era assim
Pouca preocupação
coisas espalhadas ao chão
Ainda ontem era assim
Mas eu era criança
Com tempo pra brincar
Chorando arranhões nos joelhos
Que rapidamente iam cicatrizar
Ainda ontem era assim
Meu coração a mil por bobeira
Mas hoje acabou a brincadeira.
Beijo de outrora
Houve um tempo em que o beijo
Era recompensa.
Hoje nem se pensa
Num beijo delicado,
Recatado.
É beijar sem critério
Sem mistério
Por beijar.
Não tem namoro
Tudo sem decoro
É só ‘ficar’.
Onde estão os enleios,
Os anseios,
Das mãos tocadas de leve.
Amar já não se deve,
Nem existe mais paixão.
Se foram os doces momentos,
Com o vento.
Amor é ‘breguice’,
Foi um jovem que disse,
Hoje, não tem mais ilusão.
Sabedoria da velhice
Seu Juventino era meu vizinho de apartamento. Era, porque faleceu. Sua única filha, solteira por opção, trabalhava fora o dia todo, e sua esposa, dona Norma, é quem ficava com a obrigação de cuidar do homem que no passado fora um empertigado militar, mas que devido a um câncer no cérebro deitou-se um dia e não conseguiu mais levantar. Quando dona Norma saía para o mercado vinha a minha porta e pedia: ‘pode olhar o Juventino um pouco?’ Era uma mulher admirável essa senhora. Em cima de seus setenta anos era mais forte que qualquer um. Em corpo e espírito.
Quando eu chegava para ‘olhar’ o doente, sentava a seu lado e ele, ainda muito lúcido apesar das dores, desfiava a falar e falar, quase um monólogo. Eu o deixava ir em seus devaneios de doente que não tem muito com quem conversar.
Uma das coisas que Seu Juventino gostava de repetir era, que os velhos como ele, a cada dia deteriora algo. Toda manhã percebia alguma coisa deixando de funcionar direito. É claro que um pouco pela doença. Mas a maior parte pela velhice e inanição. ‘E o pior é que as pessoas acostumam com isso’, ele dizia. Um dia um zumbido no ouvido, outro uma dor no joelho, e às vezes até surdez. Vão perdendo a audição devagarzinho, e quando dão por si estão surdos e nem sabem como foi. A cegueira também. ‘Já vi muito velho cego e surdo e nem sabe que é’ ele falava quase sussurrando. Eu ria muito com suas conversas, mas tenho que admitir ser a pura verdade. Velho não gosta de ser velho. Mulher então! Nem pensar! Depois que faz quarenta esquece-se de fazer aniversário pelo resto da vida. Pelo menos a maioria delas.
Agora, verdade seja dita, não acontece só com os velhos não. A pessoa entra na cozinha para fazer alguma coisa e esquece. Aí lembra que tem de fazer algo na sala, só que quando chega lá não lembra mais o que tinha que fazer. Coloca o celular no bolso e sai pela casa à procura do tal que não sabe onde o deixou. Passa a procurar a chave do carro e acha o celular no bolso, mas aí não sabe mais onde está a chave do carro. Velhice? Coisa nenhuma! Todos se esquecem um pouquinho das coisas.
Seu Juventino gostava de lembrar-se de seu tempo no Exército. Tempo bom era aquele! Corrida por três horas a fio pelas ruas comandando um pelotão de rapazes fortes e saudáveis. Subindo e descendo morros. Pulando obstáculos e caindo no rio para travessia a nado. E ele não cansava. Os jovens sim.
Nunca falava sobre sua doença. Não gostava. Afinal, fora ela, a doença traiçoeira que o deixara fora da vida por quase dez anos. Dez anos de sofrimento.
Quando ele morreu fiz um pequeno poema em sua homenagem. Dona Norma mandou inscrever na lousa de seu túmulo. ‘Ele vai ficar feliz’, disse-me ela. Assim espero. Porque lá eu disse o quanto era importante ser velho e sábio como ele fora. E que amigos não se escolhe pela saúde, cor ou religião, mas pelo conteúdo da alma.
E velhos não são os que têm muita idade. Velhos são os que não acumulam sabedoria. Em qualquer idade.
À Madame Vírginia.
Toda história, a lenda, era um truque, o refúgio de meus anseios. Toda ação, das mais desvairadas e insanas, as inconsequentes, às mais sutis e febris, tomei por gosto. Enfim, o verbo, pautando em cada caminho morno, um tanto levou de meu valor. Querer cuspir no chão de cada dia pra refrescar o pisar, limando o certo, galgando cada degrau da culpa. Mas soltei as amarras, despi-me mais uma vez.
Noutro dia aquelas cinzas nuvens encheram meu dia de cor, porque estavam aqui dentro de meu íntimo dia mais bonito e o ontem já não incomodava.
Parto deixando as lembranças entocadas nos cantos que um dia pareceu-me feliz, a luz, os discos na vitrola embalando Choppin, a mesa de canto amparando toneladas de guimba de cigarros, uns do bem outros traiçoeiros deliberadamente, livros espalhados, uma doce bebida e teu rosto tranquilo sem nenhuma culpa
Tua casa fria Virgínia, apaguei dos folhetins!
Se um dia voltarmos a nos encontrar, não saberei pronunciar teu nome. Tua face rosada de certo irei apagar aos poucos, quando as rugas tomarão conta das lembranças, pouca memória conseguirei retirar de mim. Não costumo sofrer para sempre, o sempre acabará diluindo-se ao vento do tempo.
Assino-me: o resignado.
A sete anos minha vida mudava.
Lá vinha o Matheus.
Já nem me lembro mais de como era antes.
O que eu sei e sinto é que sou uma pessoa mais feliz.
Ouvir que sou o melhor pai do mundo não tem preço, mesmo eu não sendo.
Um beijo e um abraço é o melhor refúgio para tudo.
Que Deus te abençoe hoje e sempre meu filho.
Te amo.
Então eu percebi
o quanto ele era um
homem sensível,
Pois ele tinha o coração
partido e se esqueceu
de como era o amor,
e nunca mais pode defini-lo.
Meu querido amigo,
um dia nos encontraremos.
*DEIGMAN
-Como é que você pode mentir assim pra ela
- Foi uma emergência . Era o único meio de de tê-la ! Sabia que se não mentisse não iria vê-la nunca mas
-(Only you , só você)
Vc me ensinou o que era amar, me tirou de um abismo, ao mesmo tempo que me fez acreditar que tudo seria diferente. E não foi!
Pobre pessoa sem nada a perder,
Todo dia chprava, mas sempre sozinha.
Quem poderia entender,
Era apenas uma garotinha!
Tao rapido se tornou suja de coração,
Apenas se confortava passando de mão em mão.
Agora ela mata sem perdão!
Com o sangue frio escorrendo em sua mão.
Perdida estava sem nem o que comer,
Pensou consigo mesma em humano como refeição.
É algo tao banal, mas ai esta a morte canibal.
Quando penso que já era, sinto teus olhos...tiro à roupa, pés descalços ...Escancaro alma, coração...E de novo tudo outra vez !
02/03/2020
Quando te encontre pela primeira vez me apaixonei…
Depois voltei e percebi que não era paixão
Não era desejo
Não era afã
Não era serventia
Não era quereres
Mais sim era amor Ilê Aiyê.
Era fim de tarde…
quando estava a esmo na frente de casa….
brincando com uma bola rasgada…
na rua de terra batina…
você apareceu de repente
como um raio de sol que entra pela janela de uma casa do interior.
Gostaria que aquele instante se eternizasse, meu amor.
Houve um tempo em que o Homem tinha uma mais valia!
Era o tempo do eu com o tu, formávamos o nós.
havia fraternidade por entendermos que éramos necessários, um ao outro.
Concatenados sem pedir provas, tínhamos honra!
