Era
ME CHAMO ÁGUA
Eu já fui Nilo, já fui Tigres e
Eufrates, corri pelo Ganges, pelo
Jordão. Era soberano no Amazonas,
no Araras, tempos fartos como
outrora não existe mais...
Quem me dera rebobinar a fita,
voltar a ser livre, auto-
suficiente...Agora não, sou restrita,
exclusa e trancafiada. No mundo
subdesenvolvido, cerca de 50% da
população me consome poluída. A
mesma raça que me extermina é a
que divulga uma nota com uma
previsão de que até 2050,
aproximadamente 45% da população
não terá a quantidade mínima de
minha alma para sobreviver.
Eu já fui o velho Chico, já fui Negro e
Solimões, já fui Paraguai, hoje eu
sou um cadáver na sua torneira, as
pedrinhas nos seus rins e a
desidratação do seu corpo.
Alberto Ativista, escritor e poeta.
brasilporoutrosolhos.blogspot.com
A espinha.
Me pegou com força.
Me beijou.
A língua era boa.
Uma delícia.
Sua pele, suave e macia.
Pegou-me olhando-me nos olhos.
Quente.
Muito quente o que suas palavras diziam.
Arrepiavam-me a espinha.
A espinha.
Ele versava...
Ele era um menino que versava.
Em meio aos seus tortuosos caminhos,
às suas pedregosas estradas.
Ele versava.
Em sua pele a história.
Em seu olhar a memória.
Em sua trêmula voz jorrava como foz
seu desejo de vitória.
Ele versava,
essa era a sua glória...
Hei de lembrar como tudo era antes...
Se bem me recordo, você vinha e eu ia.
Por que paramos mesmo?
Você olhava a aurora... eu o crepúsculo.
Você buscava estrelas... eu as flores.
O que me disseste? E o que eu falei?
Ah não lembro!
Fiquei aqui... estática,
No mesmo lugar que paraste.
Preciso que largue minha mão!
Deixe-me prosseguir... e por favor
Continue caminhando...
Era uma Abelhinha tão belinha
que pediu a Deus o que não tinha:
- Quero uma flor e uma amiguinha!
- Quero uma rosa e uma borboletinha!
Deus - que não era nenhum Papai Noel,
que realiza sonhos e desejos a granel -
Deus, que sabe de onde vem o mel,
deu para a Abelinha... espaço no céu.
Acostumada a voar com o pensamento
a Abelhinha se deixou levar pelo vento
aproveitando aquele doce momento:
- Se a felicidade não existe eu invento!
Deus gostou do que ouviu e fez um teste.
- No cacto e na lagarta a cor se manifeste,
entre espinhos a delicadeza mais rupeste
e a flor voe até a mais alta folha do cipreste!
Chamou a Abelhinha e deu o seu presente.
Que vendo a lagarta e o cacto tão contentes
sentiu pela primeira vez uma felicidade latente:
- O amor que a gente sente é amor diferente!
"Quem ama o feio leva cada susto" disse Millôr.
A abelhinha gostar da lagarta e do cacto não é pior
do que fazer do gato sapato ou espinho na flor?
- Na lagarta ou no cacto o que nasceu foi o amor.
SER POETA
Eu era menino
E queria ser poeta,
Sonhava que poemas
Iria compor.
Sonhava e buscava
Quem arte tão bela
Me viesse ensinar.
Sozinho pensando
Eu me perguntava...
Com quem Castro Alves
Aprendeu a rimar?
Eu lia do poeta
Os poemas bravios.
A pátria querendo
Liberta de Escravos.
Catulo Cearense
Também me empolgava,
Da lua falando
Fazendo-a mulher.
E os vates antigos
Dos versos rimados
Que em tom ritmado
Meus pais declamavam,
E eu suspirava
Querendo imitá-los.
Pensava que um dia
Talvez encontrasse
A quem me ensinasse
Fazer poesia.
Segui pelo mundo
Pensando em ser poeta,
Buscando e esperando
Um bom professor.
Mas não encontrei
E os versos me vieram
E em rimas cantei.
De onde eles vieram?
Confesso, não sei.
Não sei, mas eu penso
Que poeta nasci,
Pois trago no peito
A herança paterna
De vida fraterna
De amor e de paz,
De amar o que é belo
E que mais se aproxime
Das coisas de Deus.
Por isso meus cantos
Embora sem brilhos,
Retratam o filho
Que quer imitar,
Dos pais - a ternura
Que o mundo sentiu,
Pois foram poetas
Meus velhos queridos
Que cantam agora
Nas plagas siderais
E aos anjos encantam
Com seu declamar.
Então eu compreendo
Que para ser poeta
Não há o que aprender
Somente é preciso
Poeta nascer.
E para que o canto
Nos toque profundo
Causando emoção,
Eu dou um conselho
A quem queira ser poeta:
Amar como amam
Os anjos do céu,
E por no que escreve
Com frases singelas,
Com rima ou sem rima
As coisas que brotem
Do seu coração.
.
Quando eu era jovem, parecia que a vida era tão maravilhosa, um milagre, ela era bonita, era mágico, ver os pássaros nas árvores.
Eles cantavam tão alegremente, tão cheios de vida, brincalhões me observando. Então me levaram embora para a a cidade, para me ensinar como ser sensato, lógico, responsável, prático e eles me mostraram outro mundo.
Tem muitas vezes, quando todos dormem, os pensamentos me consternam isso é demais para um homem tão simples.
Eu sei que isso parece absurdo, mas, por favor, me diga quem eu sou?
SAUDADES...
Saudades... muitas saudades do romantismo de um tempo que jamais será como como era. Saudades da inocência, da ternura, do carinho entre as pessoas. Saudades da ausência da maldade, até mesmo das dificuldades que comuns à todos, servia como uma linha de igualdade e ninguém menosprezava ninguém. Saudades de um tempo em que as pessoas eram mais humanas e seu valor se mensurava por esse referencial. Saudades de um tempo que SER era muito mais importante que TER e as pessoas diferentemente dos dias de hoje, não se julgavam melhores por ter um poder aquisitivo mais privilegiado. Saudades de um tempo em que a palavra amizade tinha um valor imenso e adorávamos ter padrinhos de crisma, de batismo, e os compadres de nossos pais eram respeitados e suas visitas à nossa casa era sempre motivo de festa. Saudades das matinês nas tardes de domingo, do seriado do Zorro, da Branca de Neve e os sete anões no cinema do Atlético. Saudades... muitas saudades dos nossos sorrisos de criança, as vezes até sem motivo, ou pelo enorme motivo de simplesmente ser crianças, sorriso esse que não sei em qual esquina da vida eu o perdi!!! Saudades das voltas no coreto da praça, da minha primeira namorada, das juras de amor eterno... saudades muitas saudades, saudades de uma coisa chamada VIDA que com o passar dos anos, acabamos perdendo até o verdadeiro sentido da palavra...
DESILUSÃO
Amor que não resistiu a tantos erros
O que era doce virou tormento sem solução
Nossa era de enganos foi taxada a mentiras
Maltratou meu coração e derrubou minhas emoções
Devolva-me o brilho do meu olhar,
você levou parte do que em mim era amor...
Siga para nunca mais voltar;
ou venha buscar a metade que você deixou!
MENTIROSO !
Era você o mentiroso !
E o tempo me provou isto
Bem feito pra mim quando acreditei
E não enfrentei o fogo que se alastrava
O mundo nem sempre é dos espertos
Quando as verdades se acentuam
São os primeiros a caírem no fogo
E saborearem seu próprio veneno
Bem feito, mentiroso de uma figa!
Enganou a todos, contou suas anedotas
Enrolou-se numa saia de feixe quebrado
Engasgou-se com os restolhos ficados
E enterrou teu pescoço no lamaçal
Nesta colisão pude perceber...
Que eu quase soube o que era o amor
Ainda bem que brequei no quase...
Ainda bem...Ainda bem !
Fui alertada que o barco estava furado
Quase naufraguei, quase naufraguei
Porque eu quase soube o que era o amor
Quase soube...quase soube !
Ainda bem... Ainda bem !
Era você o mentiroso!
Desde a era cristã presenciamos a violência humana
Erguem suas armas em prol da malevolência
Afligindo corações e estimulando o Santanás em sua prepotência
Viver sem ela, era como viver sem um sorriso... Nunca mais ouvir aquele EU TE AMO... Seria como não ter mais um coração...
O rosto demonstrava certo cansaço, o sorriso era meio torto, como o vôo de um pássaro desengonçado, mesmo assim calava a noite transbordando paz, era o sorriso mais lindo que já vi.
Pétalas do Amor
Em cada primavera
Nasce uma nova era
Pétalas do amor
Desabrocham nesse jardim repleto de cor
Tão meiga entrego a uma amiga
Sabes que é muito querida
Uma rosa que mostram uma beleza divina
Jeito de menina , és minha amiga
Pétalas do amor
Que inspira qualquer autor
No céu essa linda aurora boreal
Ascende resquícios de um sentimento magistral
Diz que amas beijas as pétalas dessas rosas
No rosto as brisas batem com o perfume dessas tulipas
Parece que essa filáucia
Causou minha ausência
Posso da minha amiga está distante
Mas não esquecerei dessa alegria deslumbrante
Pétalas do amor que acabam com toda dor
Que se desfaz do rancor
Meus catarse me fazem viajar
Com o aroma dessas rosas me fazem cada vez mas se encantar
Minha amiga saibas quem sempre estarei ao seu lado
Nossos laços não serão cortados
Ti entrego essa flor
Pétalas do amor
O perfume se eternizou
Nossos sentimentos não se calou
Perfumes do amor que de mim retirou toda dor
O rancor será evaporado por esse sentimento esplendor
Quando Freud sinalizou que o instinto de agressividade era tão inerente ao ser humano quanto o da sexualidade ele não exagerou em nada. Basta uma simples racionalização social da violência para que o caos se instale. Foi assim lá atrás com Hitler, é assim atualmente com o Estado Islâmico, e será assim até o fim dos tempos
Em um período regido pelo imediatismo/hedonismo era de se esperar que a díade adestramento-medicação deixaria a sobrevivência da psicanálise nas mãos de alguns poucos entusiastas
