J B Gregorio Jr
Se esperam muito de você, não importa o quanto faças, será sempre pouco; porém, se és do tipo de quem nada se espera, tua mínima entrega será maravilhosa.
Desistir é uma ação.
Fracassar é uma consequência;
Conquistar, um verbo como os demais.
Porém, o Sonhar...
Quando concretizado é a conquista
Se nunca tentado, fracasso.
Esperar
E receber a falta de tempo
desejar
E não sentir a mesma intensidade
Cantar
um solo, quando deveria ser em dueto
Agir
E não ter em troca a reação
No fim,
O gozo
Se torna um despejo
A mão
É melhor que pernas e entremeios
A solidão
É melhor que a companhia.
Enquanto se luta com a realidade distante, perde-se os sonhos pelo medo do seu fim imediato.
Ideia Fixa
Você é minha ideia fixa,
Que eu não quero esquecer.
É vício que me domina,
Sede que me faz sofrer.
Preciso, no mesmo instante,
Te esquecer e te possuir.
Sumir de vez da tua vida,
Ou no teu peito existir.
Sei que não sou quem tu queres,
Mas sei que posso te amar.
Teu corpo seria o mapa
Que eu ia desbravar.
Sem freio e sem mais pausas,
Mergulho em todo o teu ser.
Nas páginas do teu livro,
Eu quero me escrever.
E quando estivermos juntos,
Preenchidos de nós dois,
Seremos um só destino:
O agora e o depois.
O problema não é a morte, mas a dor
A dor de quem fica
A dor de quem vai
A dúvida que nos consome
A saudade que acompanha quem ficou.
Quem se foi, daqui não mais será
Donde está, colhe seus frutos
Mas quem ficou,
A falta machuca
A saudade espanca
A negação maltrata
Por fim, o fim chegou
Levando um personagem
Deixando um quadro escrito a giz
O tempo dá conta do resto
Mas o que de fato ficou?
O Problema não é a Morte
O mal não é o fim da estrada,
O problema é a agonia;
A dor da alma apartada,
Que o corpo já não sustenta,
E a dúvida que nos guia,
Nesta dor que nos sedenta.
A dor de quem se despede,
A dor de quem viu partir;
A saudade que intercede,
No peito de quem ficou,
Na dúvida a nos consumir,
No rastro que se apagou.
Quem se foi, já não é mais,
Deste mundo se ausentou;
Colhe os frutos ancestrais,
No lugar onde habitar.
Mas o peso que restou,
Faz a falta machucar.
A saudade, enfim, espanca,
A negação nos maltrata;
Uma dor que não se estanca,
Pois o fim, enfim, chegou;
A morte, em sua mão exata,
Um personagem levou.
Deixou o quadro escrito a giz,
Que o tempo logo consome;
Desta história, o que se diz?
O que de fato ficou?
Resta apenas o sobrenome,
Ou o que o amor preservou?
Amizade-Escudo
Te odeio por tua amizade,
Que despreza o meu desejo;
Ela serve como um escudo,
Que me barra o passo e o beijo.
Tenho raiva do silêncio,
Que me deixa sem resposta;
Ignorando os meus sinais,
Finges que de mim não gostas.
Odeio meu coração,
Por teimar no sem retorno;
Preferindo a rejeição,
Deste meu viver tão morno.
Como desprezo esse medo,
Do corte, do afastamento;
Da certeza que já tenho,
Deste meu cruel tormento.
Eu me sinto tão iludido,
Pelo teu modo de agir;
Pela tua dissimulação,
Que me impede de fugir.
A paz já não me pertence,
Longe de ti, a angústia;
Perto, resta a solidão,
Nessa entrega sem astúcia.
Louco
Patético
Voluptuoso
Inefável
Não se sabe porque se sente
Não se sabe nem se se sente
Na verdade
Não sabe nem se existe!
Quem pode dizer que sim?
Quem o pode negar?
Dever ser por isso
que muitos afirmam sentir
Sem nem mesmo saber expressar
Mas com certeza, louco é aquele que diz
Que não sabe o que é amar
Um dia fomos loucura
Diante de todos
No caminho da devoção
A sanidade era só um lampejo
Suficiente para desviar nossa vontade
Um dia já fui desejo
Te ouriçava o corpo
Eriçava teus pelos
Borbulhava tuas fontes
Extraía teu perfume
Hoje sou distância
A negação de um momento
O sonho esquecido
Uma página dobrada,
Que um dia não sabes se vais ler
Hoje te vejo à distância
Ainda estou ao teu alcance?
Tu permaneces vontade
Eu permaneço desejo
Entre a vida e o além vida, temo apenas a dor e as sequelas enquanto vivo, nesse meio termo, todo o resto é só uma passagem.
Hospital da Restauração
A loucura usada comigo desculpa
A soberba aleijado que tem a missão
A coisificação do próximo
E a supervalorização do objeto
A inércia diante do caos
Transtorna os leitos jogados
Desiste do paciente acamado
Desorienta aqueles quase curados
O odor invade a emergência
E saúde do cidadão
A reforma resgata a imagem,
Mas o Hospital não tem Restauração!
A edificação com o cinquentenário
Vira do nordeste o novo sertão
Com promessa de refrigério
Mas a seca é o seu único refrão.
Mas a escola é certa
Residente sai doutor
Enfermeiros viram sargentos
E Técnicos a tropa do batalhão
Mas seguindo a tristeza
Pacientes ficam à espera
Da definição do que agora são
Se curados para a liberdade
Ou denados para a a escuridão.
