Era
Heráclito, Pai da dialética,
o filósofo grego da era pré- Socrático,
470a.C,dizia, que o pensamento
tinha que ter fluidez.
HISTÓRIA DO GIRASSOL MORENO
Bem antes de eu te conhecer, você já era importante para Deus.
E eu era apenas um caule sempre verde, que apesar de não ter ainda brotado uma flor para eu ser classificado com o mesmo nome naquele pomar, mas tinha também o meu valor para Deus.
Eu consegui agregar inúmeras colegas, mas não tinha uma amizade, namorei a filha da Margarida, fiquei até noivo com Rosa, mas ainda não tinha uma amizade naquele pomar de Deus.
Do silêncio da manhã, até o final do crepúsculo vespertino, eu tinha a impressão de ser alvo de crítica por todos os pomares, por ser o único haste que nasceu a anos atrás, mas não tinha brotado nem sequer uma flor de espinho, para poder ter uma identidade de flor.
Mas o meu dia chegou, e recebi não só uma amiga, como também um nome que perdura, e sobressai entre as mais lindas e perfumadas rosas-vermelhas, e tenho nome e sobrenome, eu sou: O GIRASSOL MORENO.
"E Foi Assim Que Nasceu O Girassol Moreno"
Eu demorei para entender que minha fé não precisava de moldura. Não era sobre pertencer a um templo específico, repetir palavras decoradas ou provar algo para alguém. Um dia percebi, quase em silêncio, que Deus não estava distante nem escondido atrás de rituais; Ele morava em mim. E quando entendi isso, algo dentro de mim ficou tranquilo, como se finalmente eu tivesse chegado em casa.
Não depender de religião não significa desrespeitar quem encontra Deus nela. Pelo contrário, cada pessoa tem seu caminho, sua ponte, sua forma de conversar com o céu. A minha foi mais silenciosa, mais íntima. Foi no meio das minhas dúvidas, das quedas, das noites em que eu conversava sozinha com o teto, que comecei a sentir uma presença que não precisava de intermediários. Era uma fé simples, quase cotidiana, como respirar.
Eu descobri que Deus aparece quando eu cuido de alguém, quando eu escolho ser justa mesmo sem aplauso, quando eu perdoo, quando eu me levanto depois de um dia difícil. Ele está nos gestos pequenos, nos pensamentos que tentam ser melhores do que ontem. Mora nas decisões que tomo quando ninguém está olhando.
E isso muda tudo. Porque quando a gente acredita que Deus vive dentro da gente, a responsabilidade também muda. Eu passei a olhar mais para dentro, a vigiar minhas próprias atitudes, a tentar ser um lugar bom para Ele habitar. Não perfeito, porque ninguém é, mas verdadeiro.
Hoje eu caminho assim: sem precisar provar fé para ninguém, sem carregar rótulos pesados, mas com uma certeza calma de que não estou vazia por dentro. Há uma luz ali, discreta, constante, que me lembra todos os dias que Deus não está longe. Ele está aqui, comigo, vivendo cada passo da minha história.
Nó do lenço
Em Veneza, o amor era um porto,
Onde o Mouro, de guerras cansado,
No olhar de Desdêmona,enfim, achou conforto,
Um reino de paz, por ela outorgado.
Mas a sombra do lago, em silêncio, tecia
A teia de aranha que o peito consome.
A dúvida, o verme que a alma vicia, Sussurrava mentiras em volta de um nome.
O lenço caído, bordado em morangos,
Tornou-se a prova de um crime inexistente.
Otelo, perdido em sombrios fandangos, Cegou para a luz da amada inocente.
Onde havia ternura, nasceu o tormento,
O ciúme é o monstro que a si próprio devora.
Um travesseiro abafa o último alento,
E a verdade só chega na última hora.
Ó, General, que venceu mil batalhas,
Mas caiu diante de um falso confidente!
No quarto de Chipre, entre mortalhas,
Dorme o amor que foi morto injustamente.
“ A vida foi passando, e hoje entendo
tudo que perdi e tudo que ganhei,
antes eu era imaturo e não sabia
muitas coisas sobre o amor, mas agora se quiser conversar, eu estou aqui.”
Pensei que era forte, mas minha fraqueza é meu grande triunfo e é meu pior pesadelo.
Sigo assim imprevisível como o fogo na água, como as gotas do frio no denso orvalho numa madrugada fria onde se arrepia a alma!
Meus olhos são cegos, meus ouvidos muitas vezes são afiados, mas meu maior medo é minha língua; ela pode ser uma espada afiada que intiriça e sangra sem nenhum corte...
Sim, o ser humano é assim.
O sonho do programador era substituir a humanidade por robôs, ele só esqueceu que também era humano, e acabou substituído por sua própria criação.
Eu costumava chamar de saudade. Hoje percebo que era apenas o nome mais fácil para algo que eu ainda não entendia. As pessoas que passaram pela minha vida não ficaram — e talvez nunca fossem feitas para ficar. Foram capítulos breves, lições rápidas, presenças que o tempo levou sem pedir licença.
As lembranças que desapareceram não foram injustas comigo. Só mostraram que aquilo já não me pertencia. E os amigos que se perderam no caminho revelaram uma verdade silenciosa: às vezes, a gente oferece mais do que recebe — e chama isso de amizade.
Dói admitir, mas existe um momento em que o vazio não é abandono. É início. Quando ninguém sobra ao nosso lado, sobra a chance de olhar para nós mesmos.
Então eu entendi: não era saudade. Era crescimento. Era a vida empurrando o que não fazia sentido.
E, no fim, fica uma descoberta simples e forte: algumas partidas não deixam falta — deixam espaço para a gente se reconstruir.
" O Riso que Era Canção."
Nas memórias da infância, o seu riso era uma canção,
Com você, meu irmão Márcio, tudo era sempre bom.
Guardo a sua triste partida para Londrina com afeto,
A cor da mochila, o adeus, um vazio no peito.
O tempo passou, mas o amor de criança ficou,
no inconsciente guardado, a saudade não apagou.
Obrigada pelas melhores lembranças de infância,
Que ficará para sempre em minhas memórias.
Parabéns, Márcio! Que a vida te dê o melhor:
Saúde, alegria e amor, num laço de luz e de cor.
Hoje e sempre.
À Viviane
Ser uma alma livre era o que ela queria.
Abraçava os mais diversos hobbies, sempre em busca de sentir um pouco dessa liberdade.
Desenhava como ninguém, lindos pássaros que quase podíamos ouvir cantar.
Patinava para sentir o vento em seus cabelos delicadamente pintados de ruivo, pela sensação de voar.
Escrevia belos artigos sobre suas observações da natureza.
Paixão que transformou também em profissão, pois a Biologia era algo que estudava com afinco.
Consigo imaginá-la caminhando pela mata com suas botinas e sua câmera, atenta aos sons da natureza, como uma raposa curiosa caçando memórias.
À noite, a caça era por um empolgante show de rock. Então seu look explorador dava lugar a algo mais ousado: jaqueta de couro preta, saia e meia-calça.
Talvez agora essa alma livre tenha finalmente encontrado a liberdade que sempre buscou nos ventos, nas matas e nas canções da natureza.
E assim seguimos guardando suas memórias nos lugares onde a natureza e a liberdade ainda cantam.
Descanse em paz, alma livre.
Mas de um céu com luar e estrelado
A escuridão é o que vai sobrar
Do que era tão inocente
Tão diferente pensar.
Queria você aqui.
Droga, como queria você aqui!
As vezes, tudo o que queria era poder sentir
As vezes, trago seu fantasma pra perto de mim
As vezes, te imagino com tanta vontade
Que é como se estivesse aqui
Mas não posso te abraçar
Não posso tocar
E tudo o que conversamos
Fica apenas na minha mente
Te projeto, mas não quero a sua projeção.
Eu quero você!
Com tudo o que amo e odeio em ti.
Nem que seja pela última vez
Vem e deita ao meu lado.
Merda, como queria você aqui!
Ainda preciso de ti.
- Marcela Lobato
Antes ela era a única coisa que poderia me salvar quando o ar não entrasse mais nos meus pulmões, e tudo ficasse pesado demais. Agora ela é apenas uma estranha, como alguém que desconheço, que jamais conheci. Se eu me afogar, e não conseguir nadar para a superfície, nada mais tem o poder de me tirar das águas, muito menos de reanimar o meu corpo inerte e afogado.
- Marcela Lobato
Ser emo nunca foi uma fase ou um mero modismo pra mim. Mesmo antes de conhecer essa palavra, já era a personificação do seu significado. O emo, tanto o original, enquanto vertente do rock, como no aspecto do estilo, assim como modo de ser, sempre me agradaram e foram parte de mim. Conheci um pouco antes de se tornar um modismo, e nunca neguei ser e gostar.
Quando gosto de algo, não me importa se ninguém conhece, se ninguém gosta, se é uma "moda do momento" ou se é extremamente popular. Pra mim, a única coisa que sempre importou foi se eu gostei ou não. Se me identifico, se aquilo conversa com o meu mundo particular, se me agrada.
Lembro de uma amiga que dizia que quando eu estivesse um pouco mais velha, veria como não gostaria mais do emo e nem me afirmaria como tal. Bom, ela se enganou. Fui, sou e sempre serei emo. Keep emo alive! Mantenha o emo vivo! Viva a cena alternativa!
- Marcela Lobato
Do que era ao silêncio, o que restou foi pó:
teu nome na boca já não tem calor,
o anel, que apertava, agora é só metal,
e o "eu te amo" virou eco no corredor.
Não há vilão, nem cena de drama,
só dois que se cansaram de fingir.
A cama, antes nossa, agora é um túmulo,
onde o amor morreu sem nem pedir.
Eu te solto, como solta o pássaro preso,
não por ódio, mas por falta de ar.
Vai, leva o que foi teu: o riso, o peso,
e deixa comigo o vazio que sobrar.
Adeus não é grito, é suspiro cansado,
um casamento que acabou sem ser amado.
