Era
A Lição do Mestre
Era noite no sítio, e o fogo ardia silencioso no centro da roda. Eu e mais dois irmãos estávamos na sessão, mas algo em nós se agitava demais falas soltas, risos fora de hora, gestos além da medida. A cada rompante, nos virávamos ao mestre e pedíamos desculpas, com semblantes que buscavam redenção.
“Desculpa, mestre”,
repetíamos, uma, duas, três vezes...
Até que ele nos olhou com firmeza e serenidade, e nos ofereceu uma lembrança que lhe havia sido dada por seu próprio mestre,
“Pare de ficar pedindo desculpa e continuar com o mesmo comportamento. A desculpa está sendo usada de maneira invertida está servindo para permanecer no erro. Não se trata de pedir perdão com os lábios enquanto o corpo repete o hábito. Se errou, corrija o erro primeiro. Só depois, com consciência, peça perdão. Assim, o erro não se repete.”
Essas palavras caíram em mim como chuva fina num terreno seco.
Compreendi, aqui agora a onde estou, vem essa lembrança com tanta nitidez e estou interpretando que a verdadeira humildade não está em repetir desculpas, mas em cultivar a vigilância, transformar o ato e silenciar o ego que se esconde atrás da culpa.
Naquele instante, aprendi que o perdão verdadeiro começa com o gesto de mudança.
E pensar que na vida eu só tinha uma obrigação, era não andar com as más influências mais fui ver e eu me tornei a pior da minha vida
No passado houve momentos que o estalo da desordem era aceitável, doravante, rejeito tudo que vier guiado com a dor e a angustia, estou apto para acomodar a luz divina das riquezas e a abundância da felicidade.
Fui Mirar-me
Cecília Meireles
Fui mirar-me num espelho
e era meia-noite em ponto.
Caiu-me o cristal das mãos
como as lembranças do sono.
Partiu-se meu rosto em chispas
como as estrelas num poço.
Partiu-se meu rosto em cismas
- que era meia-noite em ponto.
Dizei-me se é morte certa,
que me deito e me componho,
fecho os olhos, cruzo os dedos
sobre o coração tão louco.
E digo às nuvens dos anjos:
"Ide-vos pelo céu todo,
avisai a quem me amava
que aqui docemente morro.
Pedi que fiquem amando
meu coração silencioso
e a música dos meus dedos
tecida com tanto sonho.
De volta, achareis minha alma
tranqüila de estar sem corpo.
Rebanhos de amor eterno
passarão pelo meu rosto
Certa vez perguntaram ao enigmático Conde Cagliostro se ele era discípulo do famoso alquimista o Conde de St. Germain, e se assim o fosse qual seria seu segredo para imortalidade.Dizem que Cagliostro silenciou se mas Voltaire, que estava perto disse francamente a respeito do Conde "é um tipo diferente de eternidade pois um homem que sabe um pouco de tudo, decerto nunca morrerá ".
Como seria bom se eu permanece se hoje como ainda eu era ontem.Já sinto uma forte saudade de como eu era e do pouco menos que sabia e entendia. Muitas das vezes passar a saber à verdade torna nossa convivência e nosso comprometimento mais difícil. Como entendo hoje o significado exato e doce do amor, dos sonhos e do silêncio dos inocentes. O relógio não caminha no sentido anti-horário logo já será amanhã.
Esse negocio de achar que a arte e a pintura contemporânea é isto ou aquilo....já era, pois vivemos em tempos de respeito as diferenças desde que não atinga o direito do que existe e do outro. O pseudo-artista que ainda não percebeu isto, não vive a arte hoje em dia e ainda vive soterrado no passado.
O mundo magico, simbólico e conflitante do amigo Farnese de Andrade Neto era da noite, das sombras, das sobras, das novas imagens que se movimentavam e se misturavam lentamente pelas paredes a luz de velas. Dentro de sua própria atmosfera nova e velha, reflexiva e auto-flagelante familiar e moral, enquanto transpunha se entre o ser pintor, escultor, desenhista, gravador e ilustrador que se fundia de forma genial dentro de sua própria linguagem. Um dos grandes artistas brasileiros que ainda não teve sua arte reconhecida como um todo. O mundo magico de Farnese de Andrade, ainda tem diversos capítulos a serem escritos distante das falsa criticas e finita leituras de pedaços. O simbolismo metafórico em linguagem na obra do amigo atordoado Farnese era e é por si só indivisível mas creio eu, como o vi e conheci ainda não foi devidamente alcançado.
Pensamos sempre que antes era bem melhor mas esquecemos de pensar que éramos bem mais crédulos e menos exigentes.
Ricardo Vianna Barradas, pegando as inicias de meu nome, R mais E, V mais ER e B mais ERA, surgiu a muitos anos minha principal vocação existencial. REVERBERA. Quem não está preparado para criar, copia.
No passado politico brasileiro, a esquerda era comunista ou socialista. Hoje é ilegal, ladra, corrupta e abusiva em nome de uma boa democracia. A falta de instrução, de valores morais e de básicos princípios humanitários distorcem o pluripartidarismo de outrora em justificativa arbitraria para atos criminosos e vergonhosos sem autoria, responsabilidades e punição. E o pior que a justiça, a igreja e a população acovardada se calam. A justiça, por que tínhamos constituição, códigos e judiciário. A Igreja por que ainda somos a maior nação católica do mundo. A população que tinha por porta-voz legitimo da verdade a imprensa falada, escrita e televisiva, amordaçadas por anúncios governamentais ou empréstimos vencidos, não possuem mais liberdade.
A grande doença da era moderna que acomete a grande maioria dos jovens, vem sobretudo pela propaganda desenfreada e ante ética dos glamorosos bens de consumo, sobretudo tecnológicos e de grifes famosas. Os jovens cada vez mais sem oportunidades, revelam uma existência toxica pela sobras da vida no que sou e o que gostaria de ser, sem qualquer esforço para tanto.
E quantas vezes nos pegamos a pensar o que o feito poderia ser não feito, que o errado era certo, ou certo errado, e então vemos que tudo foi por água abaixo, e vemos que o hoje já não é construção mas consequência, mas a vida segue, e você sente [...]. Quantas vezes foi voltou no tempo e procurou razões que justificam os atos, para que os fatos fossem então diferentes? - Vai fazer isso até quando?
[...] não havia escolha, não havia pessoas com quem contar, era somente um grande vazio em busca de um oceano. E não somente um nada, era uma serie de nadas atras de uma grande resposta.
No fim, tudo o que acontece, faz com que você tenha forças pra ir alem, ou pra não ir a lugar algum. [...]
Eclesiastes 1.14
Atentei para todas as obras feitas debaixo do sol,
e eis que tudo era vaidade e aflição do espírito,
Falei ao meu coração dizendo: sim, me engrandeci realmente,
permiti ao meu coração conhecer a grandeza, a loucura e o devaneio,
e percebi que isso também era aflição de espírito
Pois em muita sabedoria habita muito sofrer
e o que aumenta o saber, aumenta a tristeza.
Era uma ausência que me escorria os olhos, enquanto a vida me assistia incessantemente, repousado em minha reflexão não tão passageira.
Havia uma completude incompleta nos dias, era uma sensação de afago constante misturada com o buraco de viver. Propósitos e grandes acoes, são metáforas que na verdade representam um único instante de vida.
[...] era uma letargia singular, me fazia parar no tempo, na vida, travava as pernas, reduzia ate os batimentos do coração....quase o parava. - É engraçado como reagimos às questões da vida e também do coração. Você se solta na montanha russa mas não sente o frio na barriga, e sim, um medo singelo, que te trava e faz com que nada mais aconteça.
[...] confesso que naquele momento eu fui incrivelmente pego de surpresa, o momento era singelo, talvez pequeno demais pra me fazer parar no tempo. Ao caminhar em minha direção, ela soltou um sorriso pouco convencional nos meus dias, e mesmo sendo no inicio da noite, estranhamente um sol raiou. Pensei rapidamente eu comigo, "- que surpresa boa!"
