Era
fluxograma da mesquinharia
Eu era feliz.
Trabalhava pouco e por isso tinha pouco dinheiro.
Mas era generosa com o pouco que tinha.
Agora trabalho muito e por isso tenho muito dinheiro.
Mas o trabalho consome tantas horas do meu dia, que só vivo exausta. Minha criatividade está embotada pois não há nada pra contemplar nesse ambiente e meu cansaço é tão grande que não tenho sequer entusiasmo pra viajar. As vezes, no fim do dia, mal consigo raciocinar direito. Tenho "vivido" pra contar os dias até o fim de semana.
Uma vez que sofro muito pra ganhar esse dinheiro, não acho justo dividi-lo com ninguém.
... e foi assim que me tornei mesquinha.
Talvez eu entre pra política.
Pra ele, era tudo incrível. Até o jeito que ela vomitava jogada por cima do vaso, com a dignidade inteira escorrendo cano a baixo. Os gritos dela no carro, quando tocava uma música que ela gostava. As corridas pra abraçar alguém como se há anos não visse a pessoa, enquanto todos olhavam. Os brindes cheios de perversão nas mesas de bares. O jeito engraçado dela sorrir descontroladamente e parar apenas quando começava a engasgar. Incrível até quando ela estava irritada por brincadeiras bobas e se perdia entre a raiva e o riso. A naturalidade dela falar sobre suas experiências um tanto que espantosas. E a forma de sentar de perna aberta até mesmo de saia. O jeito torto dela e o falatório sem pausa era incrível também. Encantava-se porque ela era livre, apesar de involuntariamente se adaptar ao lado profissional, apenas a ele. Adorava a liberdade dela, o amor dela pela diversidade e o respeito pelas tribos. Não era religiosa, mas acreditava que uma força maior movido toda essa loucura. A inconsequência sempre foi seu forte, não admitia pensar demais no amanhã, porque acreditava que este, estava muito longe e o hoje, estava ali, lindo a pronto pra ser vivido.
Olhei no fundo de seus olhos e você nos meus...isso foi a despedida, sabíamos que era uma despedida!
A PENSAR
Muitas vezes me pego a pensar, meditando sobre as características do que eu era, e concomitantemente traço as linhas do que serei. O exercício do raciocínio livre, desprendido, sem necessidade ou praticidade alguma ao par, leva a uma reflexão mais profunda sobre o ser e o existir.
É como se vivesse em constante ato de amor, e nos intervalos dele escrevesse, é assim a minha existência. Depois de tudo ocorrido, do prazer sentido, vou colocar os frutos do meu viver; é para isto que serve o meu escrever.
Ao terminar de colher o fruto cabe-me ler e meditar, é apreciar o fruto da colheita, e este ato solitário me permite crescer, evoluir e caminhar na estrada que me leva à felicidade.
Valorizo os estados de espírito, as emoções, e as conclusões lógicas tem uma pitada de emoção e um tempero de realidade em uma substância que é puro sonho.
Destes momentos traço as linhas futuras do meu seguir, seja escrevendo, talvez melhor fosse dizer: vivendo.
Não preciso de muito, meu material é uma caneta, um papel e uma alma solitária que almeja caminhar rumo à eternidade.
Muitas vezes me pergunto como?
Está no meu escrever, no meu meditar, a solução para esta pergunta; afinal, procuro a consciência do ato, para ter uma forma livre de exercer o meu livre arbítrio.
PENSAMENTOS
Eu sempre pensei que o nosso amor era pra valer, mas não passou de uma cena de um seriado de tv. Pensei que seria para a vida inteira, mas não passou de uma tremenda brincadeira. Pensei que seria o meu tudo, mas percebi que foi o meu nada. Pensei que o amor fosse a melhor forma de viver, até seria, se eu não tivesse escolhido sempre a pior pessoa para amar. Pensei que passaria o resto da minha vida com você, mas não passaram se quer alguns dias. Eu me enganei, me enganei feio. Acreditei demais, sonhei demais, realmente eu achava que seria tudo tão bonito e tão perfeito como era naqueles contos de fadas que eu ouvia quando criança. Eu havia esquecido que não existe contos de fadas nesse mundo em que vivemos.
Ela amava constantemente, era um recomeço sem fim. Já sabia o quão tedioso eram os intervalos sem emoção. Afinal, o mistério de cada começo, faz valer tédio de cada fim.
Não se engane. O motivo de não namorar, não era a falta amor.
Existia muito amor, porém por coisas que simplesmente não davam para namorar.
Era assim que nos amávamos. Entre uma declaração e outra bebíamos um pouco de vinho e nos embriagávamos com beijos alucinantes. Envolvidos nas asas da paixão, voávamos no infinito do céu do amor. Eu era para ela o único homem e ela para mim a única mulher.
Os camaradas não disseram que havia uma guerra e era necessário trazer fogo e alimento. Sinto-me disperso, anterior a fronteiras, humildemente vos peço que me perdoeis.
Pozalégui é um mantra.
Pozalégui é um sonho bom.
Pozalégui já é ou já era.
Pozalégui é inequívoca.
Pozalégui é.
Pozalégui.
Lado errado
Era como se estivesse pra começar
Um novo amor
Eu, do lado errado, sem saber
Que, em vão, tudo acabou
Como posso agora te culpar?
Fui eu quem quis te encontrar
Me joguei no escuro sem pensar
Errei, deixei-me levar
Agora mesmo, a chorar
Eu tenho que encontrar
Um jeito de fazer você me amar.
Eu simplesmente não sei mais
Gostar de alguém sem ser você
Você roubou a minha paz
Vem cá, meu bem
Vem cá dizer
Quem poderá me devolver.
Saudades do Minuano.
Vontade minha era me mudar
pra dentro da geladeira.
Construir meu Iglu
ao lado do sorvete napolitano..
Lembra?
Quando o tempo nós pertencia
dia e noite não existiam?
Quando ainda era cedo demais
Para tudo conhecermos?
Lembra-se do som de nossos passos
ao corrermos um para o outro?
E as batidas que vinha de dentro de nós
como se os nossos corações tivessem voz?
Lembra?
De o meu primeiro despertar com você
Disse que para sempre te amaria
que nunca iria te esquecer?
E você disse; Juntos vamos envelhecer!
Se lembra quando...
Velha e boa infância.
Saudades de um tempo..
De andar em balanço, quando isso não era desequilíbrio, mas pura diversão...
De deslizar num tobogã e não estar nem aí pras calças;
De tomar banho de chuva, sem gripes;
De achar que o comigo não tá, seria apenas uma brincadeira...
De que obrigação era estudar...
De ter a cama de meus pais quando tinha pesadelos..
De me divertir por ter tomado um caldo...
De ser metralhada por jamelões na casa de meus avós...
Quem não teve infância, dificilmente terá leveza... "Crescer" é monótono.
O dia em que só restar o amor como opção em sua vida irá perceber que era a única coisa que realmente precisava.
Eu abri mão de tanta coisa por sua causa , e a unica coisa que você abriu mão foi oque era de mais raro , o nosso amor.
Eu te vi e já te quis
Me vi tão feliz
Um amor que pra mim era sonho
Surpreendente provar
Do que eu só ouvi falar
Que você resolveu me mostrar
Logo eu que nem pensava
Eu não imaginava te merecer
E agora sou o dono desse amor
Eu nem quero saber porque
Eu só preciso viver
O resto desta vida com você
