Enterro
Luto,
Faço de mim vestimentas de silêncio,
Enterro meu velho eu,
Poupo à mim e a ti,
Não queria estar aqui,
Sobrevivo,
As margens de um eu falido,
Cigarro aceso,
Queimando a brasa,
Fazendo fumaça,
Câncer.
Insistir em algo que acabou é como evitar um enterro torcendo para que, magicamente, a vida reanime o corpo.
Enterro de anão, ninguém viu. Cabeça de bacalhau, ninguém viu. Alguém que fale mal de si (próprio) ninguém viu. E alguém que fale mal dos outros? Alguém viu, ouviu, sentiu?
Abro as portas da minha alma
Liberto-me de todas as dores
Enterro todas as dúvidas ༻❀༺
Liberto-me deste turbulento universo.
Quando se perde alguém que se ama, uma parte de você vai embora junto. Há um enterro em vida de sentimentos e memórias.
Vi uma imagem hoje, um caixão e trabalhadores, sendo responsáveis pelo enterro daquela pessoa.
Aí no fim, o caixão estava no chao, e homens desconhecidos, com roupas e botas sujas de terra, segurando aquele caixão.
De que adianta querer tanto?
Fazer tanto, se preocupar com tanto?
As vezes pessoas olham para pessoas mais humildes e se acham superiores, mas esquecem que serão trabalhadores humildes que serão responsáveis pelo seu último passeio na terra.
E serão suas mãos sujas com terra que carregarão seus corpos.
Viva, mas respeite o próximo, e seja feliz, e se puder faça as pessoas felizes.
O pior dia do luto não é o dia do enterro,
nem a missa de sétimo dia,
nem a dor silenciosa do primeiro aniversário.
O pior dia do luto é um dia comum.
Um dia em que a vida segue, tranquila,
e algo acontece, algo tão simples
que te faz pensar em contar pra aquela pessoa.
Mas, de repente,
a realidade te atravessa e te esmagada pela dor da realidade que ela não vai mais voltar.
Um velório sem um caixão,
O enterro sem uma decepção.
Apenas um coração,
Bombardeando sob pressão.
Ecoa um silêncio,
Um cheiro estranho,
Apenas um cadáver,
Morto por dentro.
O pior luto é aquele de alguém que ainda está vivo.
Porque não existe enterro, despedida ou fim definitivo.
Só o silêncio ocupando o lugar das conversas,
a ausência disfarçada de presença,
e a dor de ver alguém existir no mundo…
mas não mais na sua vida.
Tem amores que não morrem.
Só deixam de voltar.
E isso destrói devagar.
O sujeito da mesa ao lado bebia como quem carregava um funeral dentro do peito.
Não havia enterro algum.
Só um ego grande demais para caber na cadeira.
Batia o copo no balcão com força suficiente para avisar ao mundo que sofria. Achava que o silêncio do bar era respeito.
Não era.
Era apenas gente ocupada demais tentando sobreviver para desperdiçar atenção com a tragédia particular de um desconhecido.
Pedi outro uísque.
A garçonete nem olhou para mim.
Nem para ele.
Estava cansada.
Os pés doíam.
O aluguel venceria na segunda-feira.
Mas aquele sujeito sairia dali convencido de que a indiferença dela era mais um capítulo da sua epopeia sentimental.
As pessoas têm um talento extraordinário para transformar o universo em um espelho.
Se chove, é contra elas.
Se alguém vai embora, é por causa delas.
Se um estranho não sorri, já imaginam um julgamento.
Se a mulher demora a responder, escrevem um romance inteiro antes do café esfriar.
Nunca lhes ocorre a hipótese mais ofensiva de todas:
Talvez ninguém esteja pensando nelas.
É engraçado.
Ele acreditava ser o protagonista.
Mal conseguia um papel de figurante.
Olhei para as mãos dele.
Tremiam um pouco.
Não pelo álcool.
Pelo medo.
O medo de descobrir que sua dor era comum.
Nenhuma dor gosta de ser chamada de comum.
A cidade inteira estava cheia de homens iguais.
Sentados em bares diferentes, convencidos de que eram a obra-prima da própria desgraça.
O mundo, porém, nunca teve vocação para plateia.
Continuou girando com a indiferença impecável de quem jamais prometeu assistir ao espetáculo.
Sorri.
Não dele.
De mim.
Porque, anos antes, eu também fazia discursos silenciosos para um copo de uísque, esperando que o teto, a fumaça ou qualquer divindade escondida no mofo do bar confirmasse que o universo tinha uma implicância particular comigo.
Demorei muito para descobrir a verdade.
O universo nunca soube meu nome.
E isso, estranhamente, foi um alívio.
O pior é que aquele homem nem podia ser culpado por completo.
Nem eu.
Você não escolhe nascer.
Não escolhe quem lhe ensina o medo.
Não escolhe a primeira humilhação.
Não escolhe o cérebro que insiste em acordá-lo às três da manhã para reabrir feridas antigas.
Nem escolhe o corpo que, um dia, começa a enferrujar sem pedir licença.
Recebemos tudo isso como quem herda uma casa velha.
Telhado furado.
Canos estourados.
Paredes rachadas.
E uma conta que nunca fecha.
Depois batizamos a herança de "eu".
Como se tivesse sido construída pelas nossas próprias mãos.
Que piada.
Boa parte do que chamamos personalidade é apenas a cicatriz tentando convencer a pele de que nasceu desenho.
O homem terminou a bebida.
Vestiu o casaco.
Foi embora acreditando que aquela noite havia sido escrita especialmente para ele.
A noite não percebeu sua partida.
Nem o bar.
Nem a lua.
Nem os carros.
Apenas a cadeira vazia permaneceu onde sempre esteve, esperando outro infeliz disposto a acreditar que o mundo acompanha seus pensamentos.
Acendi um cigarro.
O gosto era horrível.
Como sempre.
Continuei fumando.
Algumas coisas não melhoram.
Você apenas se acostuma.
Foi então que compreendi por que envelhecer cansa tanto.
Não é o peso dos anos.
É o esforço ridículo de sustentar um personagem chamado "eu", quando a vida inteira está ocupada demais para aplaudir a atuação.
Ainda assim, amanhã eu acordaria.
Pagaria contas.
Escreveria alguma coisa.
Talvez amasse alguém.
Talvez errasse de novo.
Porque a única maneira decente de atravessar este desastre é cuidar da própria vida como se tudo dependesse de nós...
...e aceitar, entre um gole e outro, que quase nada depende.
Há quem diga que a literatura morreu. Quando será o enterro? Até porque também se faz literatura a partir da tragédia.
reamar.
Enterro o que fomos sem negar o que fomos,
deixo o antigo amor repousar sem pesar
há coisas que morrem para que, entre os escombros,
duas mãos diferentes se possam tocar.
Não quero o retorno do mesmo começo,
nem repetir promessas que o tempo desfez
se ela vier, que eu saiba encontrá-la de novo,
como quem conhece e descobre outra vez.
Imagino nós dois numa mesa qualquer,
ela contando alguma coisa e eu distraído,
não pelo que diz, mas pelo jeito de dizer
como se o amor tivesse enfim aprendido
que amar não é saber quem o outro será,
é ter curiosidade de vê-lo mudar.
E talvez, quando a tarde cair sobre nós,
eu perceba, sorrindo, uma coisa singela
não foi o tempo que trouxe de volta a nós,
foi o que aprendemos enquanto faltava ela.
Porque ainda seremos estranhos em certas manhãs,
ainda haverá perguntas que não saberemos fazer
e eu quero justamente essas partes humanas:
descobrir sua nova maneira de ser.
Que ela também me encontre sem me procurar, nas versões antigas que um dia conheceu. Eu não quero que ela volte para o homem de lá, quero que ela conheça o homem que o tempo me deu.
E se algum dia estivermos, sem perceber,
em qualquer canto do mundo, sem nada especial, eu quero olhar para ela e finalmente entender
o nosso amor não voltou.
Ele começou de novo.
Enterro de Victor Hugo.
EXÉQUIAS DE VICTOR HUGO.
(Autor: Eduardo C. Monteiro - Obra: Victor Hugo e seus Fantasmas).
Durante nove dias o povo parisiense velou o corpo embalsamado do maior gênio literário do século XIX, tendo desfilado diante de seu caixão humilde mais de um milhão de pessoas. A 1º de junho,1 pelo alvorecer, o esquife foi transferido para o Arco do Triunfo, em Paris, de onde saiu para ser exumado no Panteão, o monumento fúnebre dos heróis nacionais. Dois milhões de admiradores compuseram o cortejo, cuja ordem foi mantida pela mobilização de dez mil soldados.
Outros números também impressionam: participaram do enterro delegações de 141 municipalidades, 155 círculos políticos, 200 sociedades de socorros mútuos e previdência, 141 câmaras sindicais, 61 sociedades de livre pensamento, 43 associações militares, 122 escolas, 38 organismos estrangeiros, 161 sociedades artísticas, mais o corpo diplomático da França.
O Cardeal Arcebispo de Paris, durante a agonia de Victor Hugo, tentou ministrar-lhe os sacramentos, no que foi veementemente repelido por Edouard Lockroy, amigo do poeta. Este fato não deve espantar os leitores, pois não é costume da Igreja converter os grandes homens, quando estes já perderam a consciência durante a agonia da morte?
Victor Hugo, prevendo que seria vítima da Igreja, dois anos antes deixou por escrito suas últimas vontades, e fez muito bem, caso contrário o clero proclamaria, triunfante, que Victor Hugo abominara o Espiritismo em prol do Catolicismo, momentos antes de deixar esta vida...
Diante do enterro apoteótico, de certo modo ofensivo à Igreja, pois Victor Hugo não era católico, só restava ao clero tomar uma atitude: excomungar o poeta, e taxá-lo de herege. Mas isso só serviu para aumentar a glória de Victor Hugo e propagar, em todo o mundo, o Espiritismo, doutrina que ele tanto amava e da qual se fizera um apóstolo fervoroso, durante trinta anos.
Nesse sentido, o Espiritismo muito deve a Victor Hugo! Aliás, é preciso que se defina a posição de Victor Hugo na história do Espiritismo; foi ele o grande divulgador da Doutrina dos Espíritos (talvez o que mais atraiu curiosos para o Espiritismo, graças à luminosidade intensa de seu nome). Ainda mais, na história do Espiritismo, o nome de Victor Hugo ficará como um dos que abriram caminho para a entrada gloriosa de Allan Kardec. Ficará, pois, como um dos pioneiros do Espiritismo em nosso planeta.
1 - Victor Hugo morreu em 22 de maio de 1885.
TUDO SE MOVE, SE LEVANTA, SE ESFORÇA, GRAVITA, SE ALÇA, REENCARNA E VIVE. NADA FOI CRIADO PARA VIVER NA OBSCURIDADE RECEOSA.
"Ele assistia ao enterro em silêncio, esmagado pela culpa. Nunca disse que a amava. Agora repetia isso apenas para si mesmo, entre soluços."
"Há locais e eventos aonde, espontaneamente, não vou mais. Bailes da Terceira Idade e Enterros são dois exemplos!"
Frase Minha 0034, Criada no Ano 2006
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Enterro de anão... Ninguém viu. Cabeça de bacalhau... Ninguém viu. Alguém que fale mal de si (próprio)... Ninguém viu. E alguém que fale mal dos outros? Alguém viu ou ouviu?"
Frase Minha 0152, Criada no Ano 2007
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
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