Encontro entre Amigos

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Sexta-feira, 05/12

Entre despedidas, ensaios natalinos e formaturas, fomos fazer roupinhas para a gata Ângela...

Inclusão

Inclusão não é entrar no mundo dos outros;
é entrar no mundo dela.
É compreender, respeitar seus silêncios,
acolher seus gostos, suas atitudes, seus limites…
É enxergar o seu mundo através dos meus olhos.

E isso vale para todos nós,
independentemente da idade, da cultura, das diferenças.
Porque somos feitos de singularidades,
de mundos internos que só pedem uma coisa:
serem vistos, reconhecidos, abraçados.

Obs.: Comecei escrevendo pensando em uma doce menina (TEA) de 8 anos, do turno da tarde;
mas me lembrei de que terminei o turno da manhã com um menino de 6 anos nos braços,
depois de um surto inexplicável de fúria.
Sem saber o que fazer, como agir, apenas o abracei…
E, para minha surpresa, era tudo o que ele precisava.

Geralmente, quando não sei o que fazer, apenas ouço a mim mesma,
Edineurai SaMarSi,
porque dentro de mim tenho todas as respostas —
Deus está comigo e me guia o tempo todo.

Entre dois mundos


Não sou do tipo “normal”.


Mas eu sempre tive histórias
que não cabem no comum.


Logo depois da adolescência,
vivi algo que nunca esqueci.


Acordei…
ou achei que acordei.


Levantei da cama
e caminhei até a porta do quarto.


Tentei abrir.
Uma vez.
Duas.
Várias…


Nada.


Foi então que, sem entender,
olhei para trás —


e me vi.


Deitada.
Dormindo.


Havia duas de mim no mesmo espaço:


uma presa no corpo,
outra presa no quarto.


Me aproximei devagar…
como quem teme atravessar um espelho.


Tentei me acordar —
toquei, chamei…


mas era como tentar alcançar o vento.


Voltei até a porta.
Insisti mais uma vez.


Nada.


Então desisti.


Voltei para a cama.


Sentei ao meu lado
e, meio irritada, meio rendida, falei:


— Já que não consigo sair…
vou ficar aqui,
esperando você acordar.


E esperei.


Sem saber o que havia lá fora,
sem saber se alguém poderia me ver,
sem saber, sequer,
onde eu realmente estava.


Depois…


acordei.


Como se nada tivesse acontecido.


Mas, aos poucos,
as lembranças foram voltando —
como ecos de um lugar
onde ainda existo.


Nunca entendi
por que fiquei presa naquele dia.


Mas entendi outra coisa:


eu vou.
Vou a lugares,
tempos,
dimensões…


E, às vezes,
nem preciso estar dormindo.


Sempre vivi
entre dois mundos.


E, por muito tempo,
tentei negar isso.


Fingir.


Me encaixar.


Ser outra.


Hoje, não.


Outro dia, disse
a uma das minhas Pessoas Favoritas:


— Eu sou assim.
Ou me aceita…
ou não.


Ela ficou.


E, desde então,
não questiona mais —


admira.


Talvez porque, no fundo,
todo mistério só assuste
até encontrar
quem não tenha medo de olhar.


E eu aprendi:


não existe calmaria
sem a coragem da verdade.🌙

Entre o toque e o cuidado


Às vezes, não é sobre o outro…
é sobre o preconceito que mora dentro dele —
ou dentro de quem o protege.


Eu nunca soube ver “deficiências”.


Vejo energia.
Sinto presença.


E, quando a minha energia encontra a do outro,
nasce em mim um gesto simples:
um abraço,
uma palavra,
um carinho que não pede explicação.


Mas o mundo anda na defensiva…
e o afeto, que deveria ser leve,
vira invasão aos olhos de quem tem medo.


Eu não me aproximo sem caminho.
Sempre há um antes —
uma convivência,
um silêncio compartilhado,
um laço invisível se formando devagar.


Outro dia, me disseram:
“Ela é adulta.”


E aquilo ficou em mim.


Voltei para dentro,
revisei meus gestos,
me procurei nas minhas intenções…


e encontrei o mesmo de sempre:
carinho.


Porque com todos é assim —
e de todos, o carinho voltou.


Mas, ainda me contive.
Segurei o gesto.
Guardei o abraço.


Mesmo sentindo que, às vezes,
quando o afeto não é recebido,
não é recusa…
é proteção de alguma dor.


Depois, veio a confirmação:
existia, sim, um cuidado ali,
uma história sendo tratada em silêncio.


Mas eu não desisto.
Nunca desisti de ninguém.


No Natal, prometi um abraço.
Antes que dissessem outra vez
o que ela já não era criança,
eu disse o que eu era naquele instante:


“Eu gostaria muito de receber "esse" abraço…
mas, já que não é possível,
então eu apenas dou.”


Porque amar, às vezes, é isso:
não esperar retorno,
não medir resposta,
não endurecer o gesto.


Só ser.


Talvez o mundo confunda idade com sentir.


Mas nem todo corpo acompanha a alma no mesmo tempo.


Há quem tenha trinta…
e um coração de oito,
delicado, sensível,
ainda aprendendo a confiar.


E há quem force encaixes,
rótulos, aparências —
como se crescer fosse caber
em uma forma pronta.


Mas sentir…


sentir nunca obedeceu calendário.


E eu sigo assim:
Me aproximando com cuidado,
respeitando limites,
mas nunca deixando de oferecer
o que há de mais bonito em mim —


o afeto. 🌛☀️

Agosto — entre o desgosto e a promessa


Dizem que agosto é o mês do desgosto...
Talvez.
Ou talvez seja o mês da prova,
do joelho que dobra,
da alma que grita,
e da fé que resiste em silêncio.


Foi em agosto que quase o perdi...
Meu Pequeno Príncipe,
meu mundo em forma de gente,
suspenso entre o céu e a terra.


Mas também foi em agosto que o recebi de volta,
nos braços de Deus,
sob Sua vontade,
na sombra da Sua proteção.


Nem uma folha cai sem a permissão do Alto —
e assim foi feito.


Como Jó, calei minha dor:
“Se recebemos o bem de Deus,
por que não aceitar também o que nos fere?”
A raiva veio, é verdade,
mas passou — como nuvem breve —
e ficou a certeza:
Deus nunca me deixou só.


Tudo o que foi tirado,
retornará.
Tudo o que se perdeu,
o tempo divino trará de volta ao lar.


Por ora,
espero.
Confio.
E creio:


Agosto não é o mês do fim —
é o mês em que Deus escreve recomeços.


"Wait for Divine time"
(Espere o tempo Divino.)


Quando o coração fala com fé,
as palavras se tornam oração
— e Deus responde, mesmo em silêncio.
Gratidão!

MEMÓRIAS NASCIDAS DA ILUSÃO


Existem memórias
que nunca aconteceram.


Vivem entre o que foi real
e aquilo que a mente
desejou desesperadamente lembrar.


Rostos sem nomes.
Lugares que nunca existiram.
Vozes familiares
perdidas no silêncio da noite.


Às vezes, pergunto:


Lembro de uma vida que vivi,
ou de uma ilusão
na qual acreditei por tempo demais?


O passado se torna mais sombrio.


Suas bordas desaparecem,
suas cores se apagam,


e resta apenas
a frágil impressão
de algo que talvez


nunca tenha estado ali.

IDENTIDADES

Como cordas tensionadas entre pontos fixos produzem música, também nós precisamos de limites para dar voz à nossa singularidade. É precisamente através das nossas fronteiras que descobrimos a vastidão do que podemos ser.




FRONTEIRAS DO SER

Somos a intersecção criativa entre o que carregamos e o que nos cerca. Os limites não nos aprisionam, são eles que nos permitem existir como únicos.

RELAÇÕES

Sou feito de mim mesmo e das circunstâncias. Entre o que somos e o que as circunstâncias nos fazem ser, nasce o que podemos vir a ser.

Não somos nem pura essência nem mera circunstância, somos a dança criativa entre ambas.

⁠Só cabe a nós escolher entre ser pastor, caçador ou ainda nos juntar à alcateia ou ao rebanho ou ficar fora do sistema!

Entre o chamado da alma e o ruído do mundo, o islam lembra que cada gesto pode ser oração.

A distinção entre um líder e um superior hierárquico é que o líder se posiciona na vanguarda, atuando com lógica, enquanto o chefe apenas transfere comandos recebidos.

"O que faço com esse desejo que dança no silêncio entre teu pescoço e meus pensamentos?"

Existe uma conexão entre o ser humano e Deus que pode ser sentida nas pequenas ações, na beleza da natureza e nos detalhes da vida. Cada gesto de amor, cada nascer do sol e cada sopro de esperança revelam um propósito maior, lembrando-nos de que a criação carrega o significado da presença do Criador.

A busca por uma vida épica exige a criação do equilíbrio: entre o excelente e o extraordinário.

No palco aberto da vida a girar,
Cada manhã traz um novo atuar.
Entre cortinas de sonho e razão,
A gente aprende a seguir o coração
Helaine machado

O pensamento crítico é a última trincheira entre a multidão e o rebanho.

⁠Entre os escombros, você




Eu te conheci quando já não restava ninguém.


Ou, pelo menos,
era assim que o meu coração enxergava o mundo.


É claro que eu tinha amigos.
Tinha minha família.
Tinha pessoas que diziam estar por perto.


Mas nenhuma delas entendia
o tamanho do vazio que alguém havia deixado.


Porque perder uma rotina
também é perder um pedaço de si.


É sentir falta das ligações de todos os dias,
das conversas sem hora para acabar,
das discussões bobas,
dos filmes assistidos juntos,
da certeza de que, do outro lado da tela,
sempre haveria alguém.


E, quando tudo isso acabou,
eu fiquei.


Fiquei tentando convencer a mim mesma
de que ainda era suficiente.


Foi então que, em um belo dia,
você apareceu.


Talvez você nunca saiba,
mas chegou exatamente quando eu mais precisava.


Não para ocupar o lugar de ninguém.
Ninguém ocupa.


Mas para me lembrar
que o universo ainda conspirava encontros,
enquanto eu acreditava
que só me restavam despedidas.


A gente começou a conversar.


Vieram as calls de quase todos os dias,
as conversas longas,
as vezes em que você me contrariava
e, por incrível que pareça,
isso fazia bem.


Porque eu precisava de alguém
que não tivesse medo de me mostrar
que a vida continua.


Sem perceber,
você foi se tornando presença.


E presença cura
mais do que qualquer discurso bonito.


Hoje você conhece partes minhas
que muita gente nunca conheceu.


Sabe como eu penso,
como eu sinto,
como eu me escondo
quando finjo estar bem.


E, talvez por isso,
eu ainda tenha medo.


Não de você.


Mas da despedida.


Depois que alguém vai embora,
a gente aprende a colocar prazo
até nas pessoas que ainda estão ficando.


Então eu tento não me apegar.


Tento.


Mas existe algo em mim
que insiste em acreditar
que algumas pessoas chegam
não para substituir quem partiu,
mas para reconstruir
aquilo que a dor destruiu.


Se um dia você ler isso,
quero que saiba:


obrigada.


Obrigada por ter aparecido
quando eu já não sabia caminhar sozinha.


Obrigada por cada conversa,
por cada call,
por cada momento em que você esteve presente
sem sequer imaginar
o quanto isso significava.


Talvez você nunca entenda
o tamanho da diferença que fez.


Mas eu sei.


Porque, sem você,
talvez eu ainda estivesse
tentando juntar os cacos
de uma versão minha
que acreditava
que sempre seria deixada para trás.


E hoje...


Ainda tenho medo.


Ainda carrego cicatrizes.


Mas já não caminho completamente sozinha.

Entre o céu e o inferno, Eu sou o mais temido. (Exceto o meu Criador)

⁠Entre Sensações e Cansaços

Diria que a vida é feita de sensações,
que entrelaçam muitas emoções,
das quais não se vê tantas menções.

O que se faz quando todas as palavras
já parecem repetidas?
Já não sei...
Mas sigo a escrever,
mesmo sem sentir que algo irá permanecer.

Gosto de imaginar o cantarolar dos pássaros
que me cercam no desconhecido —
o lugar onde, mais do que reconhecido,
encontro meu verdadeiro eu.
Ali, já não preciso fugir.
Ali, não preciso me inserir.

Pertencimento…
uma falsa convicção criada por aqueles
que mal sabem de si mesmos.
Afinal, onde pertencer,
senão ao próprio ser?

Estou tão cansado,
até um pouco frustrado…
Já não sei o que é me sentir fechado.
Nem tenho mais o desejo de ser encontrado.

Acho que a maturidade
é menos sobre a seriedade
e mais sobre o quanto você se expõe —
por dentro, por fora,
sem precisar de terno,
mas com verdade no interno.

A poesia um meio de libertar pensamentos e extravasar sentimentos. É uma fusão entre a realidade e a fantasia sob os olhos de quem vê e vive as experiências da vida com mais profundidade.


Rozilda Euzebio Costa